Itaúnas: arrasta-pé-na-areia

A madrugada já ia alta de domingo para segunda. Se me perguntassem, eu não saberia dizer a hora exata, porque perdi meu celular, provavelmente no raio-x do aeroporto, e com ele lá se foi meu relógio. Só sei que no palco se apresentava o jovem trio Dona Zefa – três irmãos, filhos de uma mulher chamada Zefa mesmo – que no ano passado tinha vencido o IV Festival Nacional do Forró de Itaúnas, e por isso foi convidado para fazer o show de abertura do V Festival, este ano. Mas como eu ia dizendo, eu estava mesmo precisando saber as horas, quando o mestre de cerimônias do Bar Forró apareceu no palco, pegou o microfone e anunciou:


- Agora são... deixa eu ver... 4 e 59. Vocês têm mais... um minuto!

 

Os meninos do Dona Zefa ganharam o festival do ano passado e abriram o deste ano, que vai até domingo


Fez uma pausa protocolar, olhou para os meninos do trio, emendou:

- Está bem. Vocês podem tocar mais... vinte minutos.

 

E, antes que alguém tivesse tempo de insistir:

- Meia hora. Vocês podem tocar mais meia hora.

Se deixassem, o forró de Itaúnas ia até o sol raiar. E continuava. E atravessava o dia. E virava rave de forró. Mas a Justiça determinou que o forró acabe no máximo às 5 da manhã, dando ao pacato cidadão itaunense uma hora de escurinho para tentar pegar no sono.

 

 Mestre Zinho é uma das atrações do Festival; neste fim de semana tem Dominguinhos

Itaúnas tem forró o ano inteiro – mas quando é só para consumo interno, o fole ronca praticamente acústico, no simpático, porém acanhado, Forró do Coco. Os mega-bate-coxas com volume no talo acontecem nos dois forrós maiores, o Bar do Forró e do Buraco do Tatu, nas épocas em que a vila é tomada pelas hordas de forrozeiros de fora –  em janeiro, no carnaval e em julho. Não por coincidência, férias escolares. Você já ouviu a expressão "forró universitário", designando a onda de forró que de uns anos para cá tomou conta da garotada alternativa de classe média? Pois anote aí no seu caderno: Forró Universitário ­­– capital, Itaúnas.

Às 5 e meia em ponto, decorrida a prorrogação e cobrados os pênaltis, o mestre de cerimônias voltou ao palco para dar por encerrada a noite no Bar Forró. Mas não sem discurso.

- Algum dia seremos livres novamente para tocar e dançar forró até a hora que a gente bem entender!


 

Essa questão da hora-que-a-gente-bem-entender é bastante interessante. Apesar de ficar a apenas 280 km de Vitória ­­– mais ou menos a distância entre São Paulo e Paraty –, a vila praiana de Itaúnas, na divisa do Espírito Santo com a Bahia, funciona num fuso horário todo seu.

Em época de forró, às oito da noite, quando o resto do Brasil se prepara para assistir ao Jornal Nacional, meia Itaúnas vai dormir.

Entre meia-noite e duas da manhã, quando o país se deita, em Itaúnas ouvem-se rádios-relógios e celulares apitando nas pousadas, nos campings e nas casas de temporada. É hora de levantar e ir para o forró.

 

Às seis da manhã, o relógio de Itaúnas volta a coincidir – por poucas horas – com o relógio do Brasil, e a rapaziada toma café da amanhã ao mesmo tempo que seus pais e avós que ficaram em Vitória, Belo Horizonte, Rio ou São Paulo.

 

Aí, quando em outras cidades litorâneas os turistas se aprontam para pegar uma praia, os forrozeiros de Itaúnas se preparam para encarar uma cama.

Senhores passageiros: Itaúnas dá jet lag.

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h15
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A hora do almoço no Brasil é a hora de ir à praia em Itaúnas. Mas as areias só lotam mesmo às duas da tarde – que é quando começa o forró de frente para o mar.

 

Ir à praia significa sair da vila, atravessar a ponte sobre o Rio Itaúnas, caminhar uns dez minutos pela estradinha de terra, e então encarar o personagem que determinou o destino da vila: a Duna. Passou filtro solar? Então vamos.

 

Sobe!

 

Na década de 40 do século passado, a Duna, que é móvel, começou a soterrar o vilarejo, então localizado na margem norte do rio Itaúnas. Lentamente a areia foi entrando nas casas e devorando terrenos. O primeiro lugar importante que a Duna soterrou foi o cemitério. Uma maquete da cidade antiga, em exibição no Centro de Visitantes, mostra que a cidade chegou a ter um "cemitério novo" – que também acabou debaixo da montanha de areia, junto com a igreja e todas as outras casas. Pois bem: não é exatamente por cima disso que você passa nos dez minutinhos que leva para atravessar a Duna – mas ninguém precisa lembrar desse detalhe nessa hora.

 

Primeiro andar, areia e céu

 

Segundo andar, nesgas de mar

 

Terceiro andar, vista para as barracas

 

Desce!

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 10h05
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Lá embaixo, sete barracas disputam a preferência dos andarilhos. Algumas, como a Barraca do Itamar e a Barraca do Zeka, se esmeram na cozinha e aceitam cartão de crédito.

 

O camarão com moranga é do Itamar; o peixe com alcaparras é do Zeka, e foi dica de uma leitora do blog.

 

A conjunção do pé-de-serra com o pé-na-areia, no entanto, se dá naquela que talvez seja a mais rústica da classe: a Barraca do Coco, a filial praiana do Forró do Coco, o tal forró simplesinho dos nativos da vila. Ali, em vez de serviço de bordo, oferece-se sanfona, zabumba e triângulo até o anoitecer.

 

 

A banda que abre os trabalhos, às duas em ponto, é formada pelos filhos do dono da barraca – mostrando aos universitários que forró, por aqui, se aprende no maternal.

 

 

Enquanto a azaração rola na areia, o chão do quiosque vira um salão de baile. Foi ali que notei a prática daquela que talvez seja a modalidade de dança mais arriscada para execução em público: o forró de sunga. Um perigo!

 

Por isso eu vou na casa dela, ai ai, falar do meu amor pra ela, ai ai

 

Ói eu aqui de novo xaxando, ói eu aqui de novo para xaxar

 

 Ah ah ah ah, mas eu tô rindo à toa

 

 Vem morena pros meus braços, vem morena vem dançar, quero ver tu remexer, quero ver tu requebrar

 

Um xodó pra mim do meu jeito assim que alegre o meu viver

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 10h02
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"O Nordeste começa aqui", eu li uma vez no folheto de um hotel dos arredores da vila, e nunca mais consegui escrever sobre Itaúnas sem usar esta frase. (Manja as tais "42 praias" de Floripa, que sempre estão no primeiro parágrafo de qualquer matéria de viagem sobre a ilha? Ou o clichê "uma das 10 praias mais bonitas do mundo segundo o Washington Post" nos textos sobre Jericoacoara?) De fato, Itaúnas é parente próxima de outras vilas de praia do sul da Bahia, como Caraíva (Itaúnas é mais certinha) e Cumuruxatiba (Itaúnas é mais rústica). As dunas correspondem mais à imagem que temos de Nordeste do que do Espírito Santo; e o ritmo oficial da vila, como se sabe, nasceu no sertão de Pernambuco.

 

 

A praia, para o meu gosto, só tem um defeito: a cor do mar, que nos melhores dias de verão consegue um tom bege-azulado, e agora no inverno praticamente se tinge de marrom. Se bem que, no auge da temporada de forró, há muitas coisas mais interessantes para onde dirigir o olhar ;-)

 

 

De todo modo, adorei descobrir duas grandes qualidades da praia propriamente dita que tinham me passado despercebidas até hoje.

 

 

A primeira tem a ver com a época: o sol de inverno por aqui é delicioso – não arde, nem sequer esquenta a areia. Atravessa-se a duna sem o menor sacrifício (no verão você precisa tomar uma cerveja imediatamente ao chegar ao quiosque, apenas para recobrar os sentidos). À noite dá para dormir de cobertor (mas o ar-condicionado continua útil, caso você precise abafar o som do forró).

 

 

A segunda grande qualidade cuja ficha só me caiu agora é que, dois pontos: Itaúnas é o único lugar de praia famoso por suas dunas que não permite bugue. Dunas sem bugue – uhuuu!!! Sem sandboard. Sem esquibunda. Itaúnas é totalmente esquibunda-free! Agüenta essa, Natal.

 

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 09h49
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Casa arrombada, tranca de ferro: em 1991, três décadas depois de a Duna acabar de soterrar totalmente a vila original, Itaúnas ganhou um Parque Estadual para preservar o que restou de seu ecossistema – e, por que não, prevenir novos desastres naturais.

 

 

A praia está dentro dos limites do parque, que também abrange manguezais, alagados e trechos de Mata Atlântica. Por isso é proibido o tráfego de veículos automotivos pela Duna; até os quiosqueiros transportam bebidas e alimentos em carroças puxadas por burros.

 

 

Existe uma história deliciosa, que confirma a postura implacavelmente ecológica da administração do parque. No verão de 2004, um helicóptero sobrevoou a praia e baixou na Duna. Cercada por guarda-costas, desembarcou uma americana identificada por todos como Angelina Jolie. Quinze minutos depois, funcionários do parque mandaram a trupe catar seu helicóptero e voltar para Salvador, ou a Hollywood, se preferissem. Diz-que a Jolie teria declarado à imprensa: "Sou bem-recebida em todo lugar, fui expulsa de uma praia no Brasil". O único furo dessa história é que ela não deixou vestígios na Internet.

 

Quer dizer: a partir de agora, quem googlar "Angelina Jolie" e "Itaúnas" vai achar esse texto aqui ;-)

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h43
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Essa postura "eco" sem dúvida tem ajudado Itaúnas a administrar seu crescimento sem se descaracterizar demais. Na primeira vez que visitei a vila, em 99, o telefone era praticamente a lenha, e só havia ar-condicionado em uma pousada. Nos últimos cinco anos, a vila assistiu à chegada da telefonia moderna, à disseminação do ar-condicionado e até ao aparecimento, aqui e ali, do cartão de crédito – mas não perdeu o seu jeitão alternativo.

 

 

Eu, que só tinha passado por Itaúnas fora de temporada, fui agradavelmente surpreendido pela tranqüilidade da vila durante o Festival de Forró. A explicação talvez esteja no fato de os forrozeiros serem uma tribo muito mais sossegada do que roqueiros ou micareteiros. Pensando bem, se você exagerar na xiboquinha (cachaça com cravo, canela, limão, gengibre e ervas), no cipó-cravo (cachaça curtida numa erva da região) ou na catuaba (uma mistura de vinho de maçã com guaraná e otras cositas más), cadê a coordenação motora para forrozar? Até onde eu pude ver, o pessoal pega leve no mé (e no fumacê) para poder arrastar pé sem moderação.

 

 

Todos os visitantes parecem caber dentro dos dois grandes forrós, que se revezam: a cada noite abre um. Na segunda metade de julho o esquema muda um pouquinho: na terceira semana o Buraco do Tatu funciona todas as noites, com o Encontro Nacional do Forró Pé-de-Serra. Na última semana – que vai até domingo agora – é a vez do Bar Forró abrir todas as noites, por conta do Festival Nacional de Forró. A cada noitada cinco grupos competem pelo título, ou pelo menos pela chance de figurar no CD com as canções finalistas. No fim da maratona se apresentam dois nomes consagrados – neste fim de semana, a atração maior será Dominguinhos.

 

O Buraco do Tatu tem dois ambientes. Na pista coberta, dá para ouvir o xilépi-xilépi do arrasta-sandália.

 

Está bem. Eu conto o que você quer saber. Não, não dancei. Não sei dançar forró. E não era ali, no meio daquela garotada que dança môôôito, que eu ia aprender. Da próxima vez que eu for, faço um curso de danças de salão antes e daí mando ver.

 

Na minha última noite – segunda-feira – procurei voltar ao fuso horário paulista. Fui dormir cedo. Liguei o ar condicionado para abafar o som e pegar no sono. Botei o despertador para as 6 e meia. Acordei, desliguei o ar. Abri a janela, o dia estava claro. E então notei que, bem ao fundo, dava para perceber uma zabumba desconjuntada que não parava de tocar.

 

Me vesti e fui atrás do som. Na ponte do rio Itaúnas, um grupinho se recusava a encerrar os trabalhos da noite anterior. Quer dizer: o sanfoneiro já tinha desistido, mas a zabumba e o triângulo continuavam na ativa, e pelo menos um casal insistia em dançar.

 

 

Quando eu estava saindo da ponte para voltar à pousada, um nativo passou de bicicleta e comentou:

 

- Mas esses cara não enjoa de forró, não?

 

É julho em Itaúnas. Esses cara não enjoa, não.

 

 

Mais Itaúnas na Internet:

Guia Itaúnas

Casinha de Aventuras

Bar Forró

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h32
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Itaúnas chic

Eu sei, Itaúnas é, por definição, um lugar alternativo. Eu sei, os campings cobram 6 reais por pessoa, e dá para arranjar pousadinhas por até 30 reais a diária para casal. Mas este blog não seria este blog se não abrisse um post à parte para falar da pousada mais bacana de Itaúnas.

 

 

Sim, Itaúnas tem sua pousada de charme. Ela se chama Casa da Praia, funciona há dois anos, e custa uma fortuna para os padrões itaunenses: 120 reais a diária de casal, na alta temporada. Mas em nenhum lugar de praia do Brasil você compra tanto bom-gosto por apenas 120 pratas.

 

 

A dona, Ayunes Lourenço, a Tuca, é uma dentista de Bauru que se apaixonou pelo lugar e conseguiu um terreno à beira-rio. Adaptou a casinha que havia lá e fez um varandão agradabilíssimo. O projeto da ala de apartamentos lembra muito a Pousada do Quadrado, em Trancoso. (Por sinal, a Casa da Praia não faria feio em Trancoso – muito pelo contrário.) E este ano, inaugurou uma terraço com vista para a duna que é o luxo dos luxos. Digo: o luxo rústico dos luxos rústicos.

 

 

Não existe pouso mais gostoso para quem está subindo de carro para o Sul da Bahia. Só tem um problema: venha com tempo sobrando, porque talvez você demore para seguir viagem.

 

 

Internet: www.casadapraiaitaunas.com.br



Escrito por Ricardo Freire às 09h27
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Amanhã, sem falta: Itaúnas

Senhores passageiros: ainda não consegui terminar de editar o material. Eu sei, eu falei que o post ia estar pronto depois do almoço, mas não rolou. De todo modo, de amanhã cedo não passa.

Enquanto isso, continua no ar o trailer...



Escrito por Ricardo Freire às 08h08
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Slow food na Cantareira

Você quer sair de São Paulo neste fim de semana. Você quer curtir um clima de inverno. Mas você não quer se meter no crowd de Campos do Jordão. Nem quer voltar pra casa cheirando a raclette. Então eu sei exatamente o que você quer. Você quer almoçar domingo no Quinta da Canta, na Serra da Cantareira.

 

Se fosse no Rio, já seria cult -- como qualquer um daqueles restaurantes de Vargem Grande ou Guaratiba. Acontece que São Paulo que é bem mais devagar para reconhecer lugarzinhos fora do circuito. Não tem problema. Devagar, neste caso, é um adjetivo bem-vindo. Porque a Quinta da Canta é um restaurante slow food.

 

Para começo de conversa, você demora para chegar. Nem tanto pela distância, mas pelo caminho. Moradores de São Paulo não sabem se movimentar fora de estradas e avenidonas. Se você não freqüenta a Zona Norte, em algum momento vai se perder. Mas daí é só ligar, que o chef explica onde você virou errado.

 

(Não é que o chef necessariamente atenda o telefone -- mas, de toda a equipe do restaurante, é ele quem sabe informar melhor.)

 

 

Chegou? Então deixe a pressa no carro. Você veio aqui para passar a tarde, como num almoço de domingo na casa de campo de amigos. Ah, esqueci de apresentar: os amigos se chamam Sérgio Lima e sua Teresa. De segunda a sexta, eles trabalham em publicidade, essa atividade em que tudo é pra ontem. Nos fins de semana, desaceleram em torno de um fogão a lenha. Sorte de quem sobe a Cantareira.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 00h46
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As boas vindas vêm na forma de uma cestinha de pães quentinhos e adocidados – de milho, de abóbora, de cenoura – que combinam à perfeição com o pote de delicella, uma pasta à base de azeite e manjericão com um toque sutil de aliche.

 

 

Dali a pouco, a Teresa pode vir com um amuse-gueule (diverte-goela?) fora do cardápio, mandado pelo Sérgio: por exemplo, um creme de pimentão quentinho, servido num copo de pinga.

 

Antes que você peça para renovar o couvert pela terceira vez, a entrada deve chegar: uma saladinha em torno de algo reconfortante, como uma terrine. (Neste fim de semana vai ser uma brandade de bacalhau com verduras orgânicas da horta do Sérgio.)

 

O prato que se seguirá, dali a não menos que vinte, trinta minutos, será rústico o bastante para caracterizar um dimanche à la campagne. Semana passada comi um baeckenhof alsaciano – que eu descreveria, se me permitem, como uma espécie de cozido, só que assado ;-). Divino.

 

 

O menu sempre traz pelo menos duas opções; esta semana eu traçaria o picadinho cozido nas cervejas clara e escura, com lingüiça portuguesa, azeitonas pretas e farofa de banana. Nham. Mas vá devagar. De sobremesa, amanhã tem tarte tatin com sorvete. E depois disso, não dá para sair da mesa antes de pelo menos três xícaras de café orgânico (de coador).

 

Ai, ai. A única coisa que (infelizmente) não é slow é o entardecer desta época do ano: a noite cai abruptamente, avisando que é hora de ir embora. 

 

Por enquanto o Quinta da Canta funciona apenas aos sábados (para grupos fechados) e domingos (para avulsos), sempre sob reserva. É impossível ir até lá e não pensar que a Teresa podia arranjar uns quartos para a gente passar a noite. Ou que o Sérgio podia descolar uma casinha mais perto para cozinhar durante a semana.

 

Mas acho que é só o começo. Como você sabe, devagar se vai ao longe.

 

 

Serviço. O menu completo, sem bebidas, sai R$ 75 por pessoa; o menu infantil – macarrão com bifinho – sai R$ 18, grátis para menores de 7 anos. Telefones para reservas: 4485-2185 ou 9688-6712. Para ver o menu completo da semana e imprimir as instruções do caminho, www.quintadacanta.com.br.



Escrito por Ricardo Freire às 00h45
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Próxima parada: Itaúnas

Amanhã parto para três noites de sanfona, triângulo e zabumba em Itaúnas, no Espírito Santo. Vou conferir o auge da temporada de forró, que começou no fim de semana passado e vai até domingo, dia 31.

 

 

Espero mandar boletins mais ou menos ao vivo – mas já vou avisando que, da última vez que passei por lá, o cybercafé da cidade usava linha discada, e era lento que só.

 

Antes de sair ainda subo uma dica esperta para o fim de semana nos arredores de São Paulo. Té daquiapoquim.

Escrito por Ricardo Freire às 09h32
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"Corso" Maltese

Eu não costumo publicar press releases, mas esse aqui é suficientemente esquisito para ganhar uma nota no blog. (Além do quê, coincidiu de eu ter achado o álbum para escanear as fotos.)

 

Negócio seguinte: a central de intercâmbio EF está montando um grupo de terceira idade para estudar inglês em Malta.

 

(Sim, fala-se inglês em Malta. Se bem que, até onde eu me lembro, não como primeira língua.)

 

La Valetta, a capital

 

O lugar é exótico (uma mistura de Itália com Oriente Médio), ensolarado (nesta época do ano), tem muitas praias – e é muito mais perto, por exemplo, que a Austrália. Qualquer coisa, a Sicília está a apenas meia hora de vôo.

 

St. Peter's Pool

 

Mas esse negócio de turma de terceira idade... sei não... isso tá me cheirando a bagunça, saliência e sacanagem!



Escrito por Ricardo Freire às 07h32
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Diagnosticado, enfim

O caderno de viagem do Estadão de hoje traz uma matéria interessante sobre a TPV, Tensão Pré-Viagem, terrível mal que acomete pessoas às vésperas de pegar a estrada, entrar num avião ou desembarcar em lugares desconhecidos.

Gostaria de mandar um muito obrigado ao Estadão e, em particular, ao autor da matéria, Fábio Vendrame. Graças a vocês eu finalmente consegui descobrir a doença que me aflige em particular.

 

Senhores passageiros: sofro de TPNV – Tensão Pré-Não-Viagem. 

 

Morro de medo de não-avião.

 

Tenho síndrome de pânico de ficar em casa.

 

Me pélo de paúra do conhecido!

 

Se descobrirem a cura, por favor: não me avisem.

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h53
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Diarios de La Habana (2002)

Num gentil oferecimento do meu novo scanner e do arquivo de Xongas publicadas no Jornal da Tarde, aqui vai um relato ilustrado de um carnaval (nosso, não deles) passado em Cuba.

 

Não sei o quanto as coisas mudaram depois da última endurecida de Fidel (ternura, que é bom, jamais). Talvez um bom título para a matéria fosse "Havana, 2002: impressões de uma primavera neoliberal".

 

(Para ir aos sites relacionados, clique nas palavras em azul no meio do texto.)

 

 

A vista do meu quarto no Hotel Santa Isabel



Escrito por Ricardo Freire às 12h39
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I – My moheetoes, my dykirees

O carnaval em Cuba só acontece em julho. Mas quando entramos no nosso quarto no Hotel Santa Isabel – o antigo palacete do Conde de Santovena, na Praça de Armas, restaurado nos trinques –, a música que subia da rua vinha de pelo menos três direções, num convite a descer imediatamente para a noite de Havana Velha.

 

As últimas três horas tinham sido atribuladas. Na sala de espera do aeroporto de Cancún, os 150 passageiros de um vôo para a Cidade do México passaram quarenta minutos disputando autógrafos e fotos ao lado de uma loira de telenovela. Menos de um quilômetro depois de sair do aeroporto de Havana, nosso táxi, um Peugeot 306, acusou um pneu furado. E ao chegar ao hotel, o computador tinha engolido nossa reserva.

 

Abrimos as portas da sacada. A música ficou mais alta – e só então pudemos ver que o quarto que nos tinham arranjado não dava para a praça, mas para uma viela escura, que o hotel dividia com um casarão decrépito com jeito de cortiço. O visual era puro "Morango e Chocolate". A música era totalmente "Buena Vista Social Club". Eram os orixás cubanos nos dando as boas-vindas.

 

Eu tinha feito planos. Se conseguíssemos chegar ao hotel até as onze da noite (mesmo com o pneu furado e a pequena confusão da reserva engolida, conseguimos), a idéia era sair num tour boêmio expresso – para delimitar o território, como fazem os cachorros e os astronautas.

 

A Bodeguita del Medio e o Floridita são o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor de Havana: seus maiores (e incontornáveis) clichês turísticos. "My mojitos in La Bodeguita, my daiquiris in El Floridita", escreveu Ernest Hemingway (um personagem quase tão cultuado na ilha quanto Fidel). Fazer do mojito da Bodeguita e do daiquiri do Floridita meu primeiro mojito e meu primeiro daiquiri em Cuba era a única maneira que eu via de dar algum lustro ao clichê.

 

  El mojito a la izquierda; el daiquirí a la derecha

 

Nas quatro ou cinco quadras entre o hotel e a Bodeguita, tivemos que resistir a pelo menos três bares com música ao vivo. Eu ainda não sabia que dali a quatro dias teria exaurido completamente minha capacidade de tolerar "Guantanamera", por isso vou poder guardar para sempre aquele encantamento inicial de caminhar por um lugar com tanta boa música em oferta.

 

(A última vez que tinha me sentido assim foi há quase vinte anos, numa sexta-feira de carnaval em Olinda, em que os foliões eram tão poucos que dava para ouvir as orquestras de frevo.)

 

A 3 dólares o copo, o mojito da Bodeguita custa 1/3 do salário mínimo do país; a única maneira de ver um cubano do lado de cá do balcão é convidando um. Mesmo assim, a Bodeguita tem um charme e uma autencidade difíceis de encontrar no resto de Havana Velha, cujos bares para turista – eu veria nos dias seguintes – abusam um pouco da cenografia.

No fim da noite, sem nenhuma excursão saindo pelo ladrão, a Bodeguita é um boteco adorável – eu ficaria tomando meus mojitos até o lugar fechar, se minha missão de cachorro astronauta não me obrigasse a estender meu território até o Floridita. Durante apenas um mojito, no entanto, foi possível apreciar o manuscrito de Hemingway (my mojitos, etc.), o pôster autografado de Diego Maradona e o cartaz informando dos franchises da Bodeguita na Cidade do México e em Puerto Vallarta.

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h32
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Da Bodeguita ao Floridita são mais umas seis ou sete quadras, de preferência pela calle Obispo, que é a rua do footing de Havana Velha. Ali, turistas de bermuda se misturam com os nativos – que, com a desculpa de que estão fazendo footing, aproveitam para oferecer informações, charutos, mulheres, ou todas as alternativas anteriores.

 

 

Se o Bodeguita é o protótipo do botequim, o Floridita é o bar americano por excelência, conservado como um museu desde os anos 50. A única coisa que parece ter mudado por ali é o daiquiri – que agora é feito com gelo, no liquidificador. (Para tomar o tradicional, peça um "daiquiri antiguo". Se quiser sem açúcar, e com o dobro de rum, à maneira de Hemingway, peça um "Papa Doble".)

 

A 6 dólares por taça, o daiquiri do Floridita custa 2/3 do salário mínimo nacional. Por isso, a única maneira de ver um cubano do lado de cá do balcão é convidando um. Mesmo assim, o Floridita tem um charme e uma autenticidade difíceis de encontrar no resto da etc. etc. etc.

Pronto. Sobrevivemos aos clichês. No dia seguinte, estávamos livres para descobrir Havana.

(Continua no próximo post)



Escrito por Ricardo Freire às 12h28
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II – Sinta-se em casa

É muito fácil se apaixonar por Cuba: basta gostar do Brasil. Se os historiadores não nos provassem de outra maneira, daria para supor que algum cataclisma geológico tivesse feito o território cubano se desgarrar do continente (à altura da Bahia, provavelmente) até parar em sua latitude atual, no Caribe.

 

Sabe aquela sensação de não pertencer à América Latina que nos sobrevém toda vez que visitamos um país da América Latina? Em Cuba isso não acontece. Na Argentina e no Chile nos sentimos bárbaros, no Peru e no México nos sentimos marcianos, mas em Cuba estamos em casa.

 

Em Cuba descobrimos que não somos tão esquisitos assim; que temos companhia nesse mundo. Cuba nos oferece um espelho que não encontramos nem mesmo em Portugal.

 

 

Essa identificação é muito fácil de explicar. Brasil e Cuba foram civilizados pela mesma potência colonial: a África – que acabou se mestiçando, lá e aqui, a sucessivas levas de europeus transplantados a contragosto.

 

Não é só porque o prato nacional daqui e de lá seja o arroz-com-feijão, ou porque os orixás da santería sejam os mesmos do candomblé, ou porque as nossas músicas populares sejam as únicas do planeta a fazer páreo à melhor música americana.

 

É por tudo isso – e mais alguma coisa no ar. O fato é que há muito mais “brasilidade” em Cuba do que no Rio Grande do Sul. Ou em São Paulo, for that matter.

Escrito por Ricardo Freire às 12h26
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Um observador mais cínico (eu, por exemplo) poderia dizer que os dois países estão passando por um momento econômico muito parecido.

A situação atual de Cuba é a seguinte: depois de privatizar setores estratégicos da economia, como as telecomunicações e o turismo, abrindo o país ao capital multinacional e ao livre repatriamento de lucros, as condições de vida do povo cubano melhoraram sensivelmente (em comparação chamado Período Especial, logo depois do colapso da União Soviética, quando não havia comida nem combustível).

 

 

Ao mesmo tempo, a desigualdade social não pára de aumentar. A dolarização de fato da economia – não, não foi o FMI quem mandou – faz com que o salário mínimo do país (200 pesos cubanos, ou 9 dólares) seja apenas nove vezes o valor da gorjeta (em espanhol: propina) normalmente recebida por garçons e taxistas.

 

A política econômica atual – que poderia ser resumida pelo slogan “Hay que dolarizar, pero sin perder la propina jamás” – faz com que a disparidade de renda entre os que ganham menos (funcionários públicos, professores, médicos) e os que ganham mais (garçons, taxistas, carregadores de mala, funcionários de joint-ventures, gente com parentes em Miami) seja uma das maiores do Ocidente.

 

Diante de tudo isso, um observador muito, muito cínico (eu, de novo) poderia até mesmo dizer que Cuba é, hoje, o maior laboratório de experimentos neoliberais do planeta.

 

A Revolución parece ter se reduzido a apenas um plano de saúde. E que plano de saúde. Fidel é um maravilhoso marqueteiro de si mesmo, e transformou a saúde e a educação em ícones de consumo. Hoje a sociedade cubana “consome” saúde e educação em níveis inimagináveis em qualquer outra parte do Terceiro Mundo.

 

Enquanto isso, nas ruas de Havana Velha e nas imediações dos hotéis do Vedado, os vendedores de charutos clandestinos buscam os dólares que lhes darão acesso ao consumo de outras coisas – e ajudarão a aumentar as contradições internas do sistema, até que a própria dialética marxista provoque o triunfo da contra-revolução.

 

Saem os carrões americanos, entra o cocotáxi

 

Só mesmo os mais tapados senadores republicanos não percebem que a manutenção do embargo americano a Cuba serve apenas para atrasar a chegada do dia em que os cubanos, além de um belo plano de saúde e de educação universal, terão também democracia, liberdade de expressão e de ir e vir.

 

Mas nós, os turisticamente incorretos, podemos dizer: que importa? Socialista ou neoliberal, Cuba é uma delícia.

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h24
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III – RiqTours informa

Quem for a Havana com propósitos sinceros de se apaixonar por Cuba deve se esquivar dos hotéis normalmente oferecidos pelos pacotes.

 

O Meliá Cohiba é grande, novinho, moderníssimo – e impessoal. O Meliá Habana  é tudo isso – e, de quebra, ainda fica bem fora de mão. O venerável Nacional é tocado pela casta mais antipática de funcionários públicos. Dos grandões, só o Habana Libre (era Havana Hilton antes da revolução; hoje é administrado pela rede Meliá) tem algum encanto (isto é, caso você enxergue algum encanto na hotelaria clássica americana dos anos 50).

 

Em matéria de acomodações, o verdadeiro tesouro cubano está escondido na parte já restaurada de Havana Velha – ou, no original, La Habana Vieja.

 

É ali que a Habaguanex, uma empresa comercial estatal ligada ao patrimônio histórico da cidade, vem transformando cortiços caindo aos pedaços em hotéis elegantes, restaurantes charmosos, cafés agradáveis e lojas sofisticadas.

           

Constituída em 94 – logo depois que a Unesco tombou o centro colonial de Havana como patrimônio histórico da humanidade –, a Habaguanex é a única empresa cubana que não precisa repassar seus lucros ao Estado. Todo o dinheiro que ela arrecada no exterior e toda a receita de seus hotéis, restaurantes e lojas são reinvestidos na restauração de Havana Velha.

 

 

(Antes que você pergunte: não, não parece haver cubanos morando nos antigos cortiços restaurados. Um turista mais ou menos apressado – eu, por exemplo – diria que a parte restaurada de Havana é ocupada apenas por museus, hotéis, escritórios e flats para estrangeiros.)

 

É um belo trabalho, executado com mão-forte e rigor nos detalhes pelo “historiador de la ciudad”, Eusebio Leal – descrito, num site dissidente, como “el dueño de La Habana”, por desalojar a sangue-frio os moradores dos cortiços e depois entregar as jóias restauradas ao turismo internacional.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h20
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Insensibilidade social à parte, La Habana Vieja é um turistódromo dos mais charmosos que se podem encontrar por aí – um Pelourinho com upgrade, um Recife Antigo mais bacana, uma Lapa classuda. 

 

A parte restaurada e esterilizada de Havana Velha é toda voltada para o terminal marítimo de Sierra Maestra, onde aportam os cruzeiros internacionais. Dali os turistas podem facilmente se esparramar pelo corredor (meia-lua talvez fosse um termo mais apropriado) formado por quatro “plazas”: Vieja, San Francisco, de Armas e de la Catedral.

 

Os restaurantes e bares com (ótima) música ao vivo se sucedem quarteirão depois de quarteirão. Na Calle Mercaderes, lojas finas – de charutos, perfumes, livros raros, objetos orientais – são cenografadas para você se sentir no início do século (passado). O clima é um tanto quanto disneyano, mas sem aquele mau-gosto americano (taí um aspecto positivo do embargo).

 

Os únicos a se beneficiarem em tempo integral dessa Havana cenografada são os turistas que abrem mão da piscina e do vidro fumê dos novos hotéis internacionais e reservam com antecedência um quarto num dos palacetes de Havana Velha restaurados pela Habaguanex.

 

Quase todos têm pátio espanhol, com fontes e plantas, e decoração a um tempo rústica e charmosa. O mais bonito é o Hotel Santa Isabel, antiga residência do Conde de Santovena, que domina a Plaza de Armas. Ali perto, na Calle Obispo – já na zona “misturada” de Havana Velha, freqüentada tanto por turistas quanto por nativos – fica o Hotel Florida, menos colonial e mais europeizado que o Santa Isabel.

 

 

Hotel Santa Isabel, na Plaza de Armas

 

O mais sossegado de todos é o Hostal Conde de Villanueva – autodenominado “el hostal del habano”, ou o albergue do charuto –, na chiquérrima Calle Mercaderes. Bolsos mais sensíveis podem considerar o simpático Hostal Valencia (com graffittis pró-revolução na fachada) ou ainda o austero Hotel Ambos Mundos, o preferido de Hemingway.

 

[Update: se bem que, da próxima vez, o que eu quero mesmo é experimentar a hospedagem em casas de cubanos. O site Cuba Particular se ocupa da burocracia.]

 

Mas vale a pena ir a Havana e ficar só na ilha da fantasia da Unesco? Claro que não. Vale a pena, isso sim, ficar hospedado na ilha da fantasia da Unesco – e de lá fazer incursões à vida real.

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 12h19
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IV – De Habana Vieja a Miramar

Pelo menos nos (ameníssimos) dias de inverno que passamos em Cuba, o Malecón – a avenida beira-mar, construída sobre recifes, que costeia toda Havana – não deu mostras de ser a sala de estar da cidade que prometem os guias de viagem e os romances bas-fond de Pedro Juan Gutiérrez e Reinaldo Arenas.

 

Deserto de gente, o Malecón fica ainda mais feio e deprimente, ressaltando a decrepitude dos edifícios da orla, desgastados pela maresia e ameaçando desabar a qualquer momento.

 

Um dia resolvemos andar a pé, por dentro: uma hora e pouco do nosso hotel em Havana Velha até o Hotel Nacional, no Vedado. Nas quarenta quadras que percorremos, principalmente pela Calle Neptuno, vimos que o Malecón era uma vitrine fiel daquilo que escondia.

 

Em Habana Vieja: um prédio restaurado, outro decrépito

 

Centro Habana, como é conhecido este bairro entre Havana Velha e o Vedado, é uma favela de predinhos históricos decrépitos e superpovoados, de vez em quando com um boteco triste ou uma lojinha escura no térreo. A cada vinte passos, uma janelinha aberta com uma listinha de preços dependurada vende café, sanduíches ou doces em pesos cubanos.

 

(As nossas favelas são bem mais feias, mas em compensação os nossos botecos de favela são bem mais animados.)

           

No meio daqueles quarteirões em escombros, no terceiro andar de um prédio que, como todos os outros, está a ponto de ser tombado pela gravidade, e não pelo patrimônio histórico, fica o La Guarida – o mais difícil de reservar dos “paladares” de Havana.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h14
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Paladar, caso você não saiba, é o substantivo cubano para “restaurante particular”. Até mesmo o seu guia em inglês lhe dirá que o nome vem de uma “Brazilian soap opera, ‘Vale Todo’” – em que Paladar era o nome da empresa de catering da Regina Duarte.

 

Num "paladar" comum: o arroz e o feijão podem vir separados ou juntos (moros y cristianos, o baião-de-dois local)

 

Por (a) ter boa comida e (b) ter servido de cenário para o filme “Morango e Chocolate”, o La Guarida é o paladar mais concorrido da cidade. Reservamos por telefone, e só conseguimos lugar para dali a quatro noites – e sob a condição de reconfirmarmos na véspera, como é praxe entre os grandes restaurantes de Nova York ou Paris.

 

(Acabamos perdendo a reserva, porque nosso vôo de Cayo Largo partiu bem mais tarde do que esperávamos.)

 

O bairro seguinte, o Vedado, tem ruas arborizadas e lindos casarões – tão decrépitos e superpovoados quanto os predinhos antigos de Centro Habana. Você pensa: será que dar assistência médica e educação universal implica necessariamente em acabar com as condições de moradia e destruir a linda arquitetura de uma cidade?

 

A resposta está no próximo bairro. Em Miramar, casarões neoclássicos, bem ajardinados e em impecável estado de conservação perfilam-se ao longo de uma avenida que parece a nossa Brasil – caso em vez de lojas de azulejos a Brasil tivesse embaixadas.

 

Nas quadras internas do bairro ficam as casas da elite cubana – gente com cargos no governo ou parentes em Miami. Os paladares mais chiques ficam por lá, além de clubes com nomes bem pouco “revolucionários”, como “Le Select”.

 

Meu Deus. Lá se foram quatro colunas, e eu ainda nem falei do show do Cumpay Segundo, da velhinha desdentada para quem eu paguei uma cerveja no Lluvia de Oro, da reserva no La Guarida que a gente perdeu, do cabaré kitsch do Hotel Nacional, do arroz com feijão do paladar em Havana Velha ao som do rádio tocando Alexandre Pires em espanhol, do garoto com lenço de bandeira americana e camiseta do Tio Sam que enrolava charutos na fábrica da Corona, nem do motorista de Cayo largo que dirigia o ônibus e tocava violão ao mesmo tempo.

 

Cayo Largo, uma ilhota a 30 minutos de teco-teco

 

Mas se é para encerrar a série com um moral da história, eu concluiria que, pigarro, dois pontos: essa Cuba de hoje não cabe mais nem na propaganda da esquerda romântica, nem no discurso do anticomunismo raivoso.

Um observador cínico – eu, por exemplo – diria que se trata de um lindo e charmoso país, que há 40 anos está desgraçadamente envolvido numa briguinha de comadres entre um barbudo de uniforme e um bando de senadores gagás. E quanto mais gente como eu e você viajar para lá, mais cedo essa briga sem sentido pode acabar.



Escrito por Ricardo Freire às 12h13
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As cidades mais sexy do mundo

O blog de viagem Gridskipper, um dos filhotes do Gawker, pôs no ar uma eleição das cidades mais sexy do planeta. A votação começou ontem e vai até o dia 19, em várias categorias.

Praia do Pepê, Rio

 

Por enquanto, Paris está levando o título de cidade mais feminina da Terra, com 55% dos votos, ao passo que Nova York lidera a votação para a cidade mais masculina (28%).

 

San Francisco, fácil, vai levar o título de cidade mais gay (70%); o que eu não sabia é que Seattle fazia tanto sucesso com lésbicas (47%).  Enquanto isso, Houston encabeça (ops) a lista das cidades onde rola (perdão) mais sexo heterossexual, com 35% dos votos.

 

Berlim está com um pezinho (desculpe) no título de cidade mais fetichista, com 30% de preferência (sorry). Para mais vagaba (slut) está dando (perdão) Los Angeles, com 36%, à frente da favorita Bangkok (31%).

 

Na categoria cidade menos sexy do mundo, Detroit, com 35%, está disputando pau a pau (por assim dizer) com Washington.

 

E finalmente, liderando com folga a categoria A Cidade Mais Sexy do Planeta, o meu, o seu, o nosso Rio de Janeiro. Por enquanto, com 50% dos votos. A segunda colocada, Paris, só conseguiu despertar a libido de 15% do eleitorado até agora.

 

Como o próprio pessoal do Gridskipper incentiva a participação organizada de torcidas, acho que essa é mais uma oportunidade para uma çáiber-invasão brazuca. A gente bem que podia dar uma orkutada nessa eleição e fazer o Rio ganhar com tipo assim uns 98% de votação.

 

Vai lá e vota! www.gridskipper.com

Escrito por Ricardo Freire às 08h56
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Una vez flamenco

Ajudando minha grande amiga S. a planejar um tourzinho de carro pela Andaluzia com sua mãe (a adorável dona G.), resolvi ser prático. Como as duas vão chegar por Portugal (vindas do Recife), descobri um vôo direto de Lisboa a Málaga. Em Málaga elas pegam um carro e fazem um percurso praticamente circular, passando por Granada (a 130 km), Córdoba (mais 165 km), Sevilha (outros 122 km) e os Pueblos Blancos.

 

Recomendei que ficassem em hotéis da ótima rede NH – que oferecem todo o conforto necessário para quem viaja com mamãe a bordo, têm preços que dá para encarar (entre 60 e 100 euros, em prédios ora novos, ora renovados) e ainda por cima são fáceis de achar (uma vez eu perdi metade do meu dia tentando achar um hotelzinho que ninguém conhecia numa ruazinha da parte antiga de Sevilha).

 

 

Mas na última escala – Ronda, o maior dos pueblos blancos da serra de Grazalema, a 120 km de Sevilha e 100 km de Málaga –, como não havia nenhum NH, sugeri uma pequena extravagância: uma noite no Parador da cidade. Paradores são hotéis instalados em lugares excepcionais (castelos, conventos ou mirantes) e administrados pelo Estado espanhol. (As Pousadas de Portugal também eram estatais, mas recentemente venderam 51% de participação para o grupo Pestana.)

 

O Parador de Ronda não fica num edifício histórico, mas sua localização não poderia ser mais espetacular: está debruçado no precipício, entre a Plaza de Tores e a Ponte Nova (do século XVIII, ela só é nova comparada à Ponte Velha, que é romana). Por 135 euros, é quase uma pechincha. Concorda?

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h53
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Momento Grêmio

Está vendo esse cartão azulzinho do Smiles? Ele chegou para mim na sexta passada. Para substituir o cartão prateadinho que está atrás dele.

 

 

Sim, fui rebaixado.

 

O downgrade tem todo o cabimento: durante esses dois anos de compartilhamento de vôos entre Varig e TAM, eu praticamente só voei com bilhetes comprados na TAM.

 

(A razão é que eu estou mais interessado em viajar pelo Brasil, e as milhas Fidelidade viram passagens domésticas com muito mais facilidade do que as milhas Smiles – já que a TAM, nos vôos nacionais, não tem limitação de assentos para passagens-prêmio.)

 

De todo modo, o rebaixamento é novidade. Até onde eu sei, a Varig sempre foi tolerante com seus clientes prata. Na hora do vamos-ver, costumava mandar cartinhas prorrogando o status do cartão, numa virada de mesa em nome da velha amizade.

 

Apesar de mercadologicamente arriscada – minha amiga C., rebaixada comigo na mesma leva, está revoltadíssima –, a medida é contabilmente acertada. Cliente prata ganha um bônus de 25% sobre as milhas voadas. E o passivo de milhas não-resgatadas pelos clientes Smiles deve tirar o sono dos novos administradores da companhia.

 

Eles devem saber o que fazem. Desde que assumiram (ou seria mais certo dizer "desde que acabou o code-share"?) a companhia está se mexendo bonito.

 

Nas duas últimas vezes em que voei Varig – a Foz do Iguaçu e a Florianópolis, por conveniência de horário e preço irresistível – tudo correu absolutamente nos trinques. Em Foz moveram terra e mar para me acomodar num vôo mais cedo do que o marcado no meu bilhete. E o vôo de Floripa, um bate-e-volta vindo de Congonhas, parecia da Southwest Airlines: ficou só 20 minutos no solo, um espanto. Em ambas as ocasiões, a tripulação demonstrou uma alegria e um pique que eu já tinha deixado de associar à Varig.

 

Ontem a Varig foi notícia na rede por conta de ter baixado em até 80% as tarifas de 18 rotas, em plena alta temporada de julho (mas só até o dia 23, e para compras feitas pela Internet em horários determinados – clique aqui para saber dos detalhes). A coisa começou como uma reação à entrada no mercado da Webjet (que voa de Rio e São Paulo para Brasília e Porto Alegre), mas logo foi estendida a outros trechos.

 

Atenção, porém, para a pegadinha: essas passagens hiperdescontadas não dão direito a milhas Smiles.

 

Então eu fico aqui pensando. Será que a Varig está sendo preparada para competir pau-a-pau com as companhias low-cost? Tipo assim – Suderj informa: sai a flauta mágica das milhas, entra a isca poderosa do preço mais baixo?

 

Tô chutando. Mas não deixa de fazer sentido.

Escrito por Ricardo Freire às 08h54
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Sou brasileiro e não jogo a toalha nunca

Uma historinha divertida para você começar a semana rindo da minha cara.

A coisa se deu há vinte anos, quando saí de Porto Alegre para mochilar pela Europa com mais três amigos – M., G. e N. Pegamos um vôo da LAP (Líneas Aéreas Paraguayas) para Madri, onde dormimos uma semana num hostal (pensão) baratinho.

De lá fomos direto a Londres (de ônibus, que era mais em conta), onde a idéia era arranjar um subemprego qualquer para juntar uma graninha extra e agüentar mais tempo na estrada. Em Londres dividimos um quarto de quatro camas num bed and breakfast fuleiro cujo dono era indiano, e o empregado, inglês – um sujeito altíssimo com cara de mordomo, que todas as manhãs trazia o café no quarto: uma bandeja com chá, torrada, geléia, ovo frito e... feijão branco no molho de tomate (eca).

 

Depois de quinze dias sem ter me apaixonado pela cidade (só fui me reconciliar com Londres em 2001), resolvi me separar do grupo. "Guris, desculpaê, mas eu vou pra Europa". E peguei o primeiro ferry-boat para o continente.

 

A primeira parada (a caminho de Amsterdã) foi em Bruxelas. Sem ter com quem dividir um quarto de hotel baratinho, saí da estação e fui procurar o albergue da juventude. Cheguei lá, e eles tinham vaga para aquela noite – mas na noite seguinte já estariam lotados. (Naquele tempo, se você quisesse ter certeza de uma vaga num albergue, precisava fazer reserva por telefone. Imagine se eu ia gastar dinheiro num DDI em 1985, antes da invenção desses cartões telefônicos internacionais.)

 

Era a primeira vez na minha vida que eu ficava num albergue, mas eu já tinha lido a respeito. Por exemplo: eu sabia que, em alguns lugares, você precisava alugar a roupa de cama. Perguntei ao moço da recepção, e ele falou que a roupa de cama estava incluída. Alguém me levou até o quarto e me apontou um beliche. "Pode ficar ali".

 

Um beliche, como você sabe, é composto de duas camas. Pois a cama de baixo do beliche que me apontaram estava toda arrumadinha e tinha uma toalha seca, muito bem dobrada, repousando sobre o cobertor. Não tive dúvida: aquela cama de baixo do beliche era a minha. Peguei a tolha e fui tomar banho.

 

Na volta, fresquinho e perfumado, com a toalha ao redor do pescoço, vou me aproximando da minha cama quando ouço alguém gritar, sei lá em que língua:

 

- AH! ENTÃO FOI VOCÊ QUE ROUBOU MINHA TOALHA!

 

Senhores passageiros: a roupa de cama estava incluída, mas a toalha, não. A toalha era do guri esse (na minha terra a gente fala assim, "o guri esse"). Provavelmente trazida de casa. E eu tinha acabado de me secar nela.

 

Tentei balbuciar alguma explicação. Eu talvez até pudesse ter dito que essa era a minha primeira vez em albergue, que eu não sabia que precisava alugar a toalha ou trazer de casa, mas que eu jurava que isso não ia acontecer de novo, e mais: eu ainda ia entender muito desse negócio, ia escrever livros e guias, e dali a vinte anos neguinho ainda ia rir muito dessa história quando eu publicasse na internet, uma rede mundial de computadores que ia ser inventada dali a dez anos e...

 

Como eu não sabia nada disso, porém, tudo o que eu consegui gaguejar foi um "Desculpe. É que eu sou brasileiro e...."

 

De repente, tudo mudou. A luz. A trilha sonora. Corta para close no guri esse, que diz:

 

- Mas você é brasileiro?

 

E, em vez de me perseguir albergue afora armado de uma toalha molhada, o guri esse sorri e começa a falar do Zico, do Falcão e do Sócrates, como se nada tivesse acontecido.

 

Sim, senhores passageiros. A Seleção de 82 pode não ter conseguido ganhar a Copa. Mas que me salvou de uma surra, ah, me salvou.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h34
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Tudo isso vem a propósito de uma pergunta que eu respondi mal e porcamente no bate-papo do Uol de quarta-feira passada. Alguém me perguntou como fazer para reservar albergues e eu dei uma resposta rastaqüeríssima – "dá uma googlada em 'hostelling international' que você acha".

Nesse fim-de-semana agora, destrinchando uma viagem de última hora a Veneza para o amigo de minha grande amiga S., descobri que os albergues estão anos-luz à frente do que eu imaginava. O que não falta nesse mundo é hospedagem baratinha conectada online a alguma poderosa central de reservas.

 

Além dos albergues papai-mamãe da Hostelling International (central: www.hihostels.com), uma infinidade de albergues independentes, pensões e hotéis baratos garantem reservas num clique.

 

O ótimo portal Mochila Brasil dá ajuda em português no endereço www.alberguesdobrasil.com, que reserva albergues e hotéis em conta no mundo inteiro usando a central de reservas bookhostels.com.

 

Outras grandes centrais são a www.hostelbookers.com e a www.hostelworld.com (que traz albergues, pensões e hoteizinhos) e a www.hostels.com (o mais antigo entre todos esses domínios; originalmente, era uma central de albergues independentes na Europa).

 

Pegadinha: o preço que aparece é sempre por cama. Se o quarto for coletivo (dorm), esse é o preço final. Mas se o quarto for privado (em albergue ou hotel), na hora de fechar a reserva o preço dobra ou triplica (se o quarto for duplo ou triplo).

 

Outra: com exceção do hostels.com, que classifica os lugares segundo notas dadas pelos hóspedes, essas centrais trazem descrições e fotos enviadas pelos próprios albergues – ou seja, não dá para pôr a mão no fogo por todos os adjetivos que aparecem no texto.

 

Por isso, se você planejar sua viagem com antecedência, sempre é bom pegar dicas quentes em guias especializados em mochilagem – como as versões impressas dos guias Lonely PlanetLet's Go e Rough Guides, ou os ótimos guias em português feitos pelo Zizo Asnis e o pessoal do site O Viajante – e então buscar o albergue direto pelo nome.

 

Ah, sim. E não se esqueça de perguntar se as toalhas estão incluídas...



Escrito por Ricardo Freire às 09h34
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Viagens da hora

 

Precisando de uma sugestão de viagem tipo assim pra já? Eu viajaria para algum lugar cujo sistema político fosse o parlamentarismo. A Europa está cheia de países assim. (As fotos desse post são do Porto, à beira do Douro, no norte de Portugal.)

 

Assim, caso durante a sua viagem estoure algum caso cabeludíssimo de corrupção, ou mesmo algum imbroglio governamental difícil de explicar, não tem problema: o governo cai rapidinho e é substituído por outro sem maiores traumas. Você, de férias, talvez nem perceba a lavagem de roupa suja.

 

 

Só recomendo uma coisa: leve traveller's cheques, dinheiro eletrônico ou algum cartão de crédito que possibilite saque de caixas automáticos. Dinheiro na mala de mão, não, tá? O pessoal do raio-x costuma implicar.

 

(Update: já está no ar a Xongas desta semana, com o meigo título Regina Duarte não avisou. Para ler, clique aqui.)



Escrito por Ricardo Freire às 13h39
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Paranóia

O Google News lista 935 artigos que saíram hoje na imprensa de língua inglesa sobre a necessidade de aumentar a segurança do transporte público. Posso meter minha colher? Se esses terroristas conseguirem tranformar qualquer viagem de metrô, ônibus ou trem no mesmo suplício que é embarcar num avião, então eles terão ganho a guerra.

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h00
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Hoje quem pergunta sou eu

Bom dia a todos, e um muitíssimo obrigado em especial aos 629 passageiros que embarcaram no meu bate-papo ontem no Uol. (Quem quiser ler a íntegra do chat é só clicar aqui).

 

Só que hoje eu é que queria brincar de perguntar.

 

Seguinte: deu no Globo de ontem que, devido à queda da cotação do dólar e do euro e à procura por viagens internacionais, alguns bancos cariocas estão estabelecendo limites de venda de moeda estrangeira para seus clientes.

 

Outro dia meu amigo R. me mandou o link de uma matéria no Valor (ou era no Estadão? esqueci) que afirmava que o dólar a R$ 2,40 hoje equivale ao dólar de 1 real antes da desvalorização.

 

Eu particularmente acho que essa é uma conta que só fecha no papel. Porque, na vida real, você precisa ganhar hoje, em moeda brazuca, 140% a mais do que ganhava em 1998. E, mesmo que você ganhe em reais 140% a mais do que em 1998, ainda vai levar na cabeça toda a inflação desses 7 anos nos países de moeda forte (sobretudo os países da zona do euro).

 

A pergunta do DataFreire é: o seu bolso acha que esse dólar do Palocci de 2005 está tão barato quanto o do Pedro Malan de 1998?

 

Pode viajar na resposta.

Escrito por Ricardo Freire às 08h35
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Publicitário! Careca! Envolvido com malas! O interrogatório é hoje, 19h!

Eu, minha careca e minha mala de rodinhas prometemos dar todas as respostas que o Brasil exigir, hoje, às 19h, no bate-papo do Uol. Esperamos você lá!



Escrito por Ricardo Freire às 08h18
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Uma noite com Starck

 

Agora que uma nova Viagem & Turismo já está nas bancas (este mês, com grandes dicas para a América do Sul), aí vai a minha materinha da edição passada sobre o estiloso hotel Faena, em Buenos Aires, na íntegra. Aliás, mais do que na íntegra – aí vai a versão original do texto, aquela que não coube (a primeira versão NUNCA cabe).

 

Não deixe de clicar nos links em azul – eles levam a páginas com as fotos das pessoas, coisas e hotéis a que me refiro ao longo da matéria.

 

E, a propósito da Viagem: a ótima repórter Gabriela Aguerre está transmitindo o making of de sua matéria sobre Vancouver no blog da redação.



Escrito por Ricardo Freire às 08h10
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I - Antes

"Caro Sr. Freire,

Em nome do Faena Hotel & Universe - Buenos Aires, nossa equipe gostaria de estender-lhe as mais calorosas saudações. Meu nome é Pablo, e juntamente com Marina e Carolina, formamos o Experience Manager Team, que vai recebê-lo e dar-lhe toda a assistência durante sua estada".

Até aí, aparentemente, nada demais. Num hotel 5 estrelas, é muito comum o hóspede encontrar uma mensagem de boas-vindas como essa. A cartinha em questão, porém, não foi deixada sobre a escrivaninha da suíte para que eu pudesse ler ao chegar. Não. No instante em que leio a mensagem de boas-vindas ao Faena Hotel & Universe, na tela do meu computador, ainda faltam sete dias para eu embarcar.

 

A antecedência se explica. "Nosso maior desejo é oferecer-lhe uma experiência incredible (incrível) e amazing (sensacional) em Buenos Aires", continua o e-mail, em inglês. "Para alcançarmos esse objetivo, precisamos saber alguns detalhes sobre a sua viagem." Quais detalhes? Basicamente, tudo o que eu me disponha a contar. Os experience managers do Faena querem saber: 1) a razão da minha visita; 2) meus gostos e aversões; 3) minhas preferências; 4) qualquer outra exigência especial durante a minha estada.

 

Em faenês, um experience manager é um profissional que tem um pouco de recepcionista, um pouco de mordomo e bastante de concierge. O experience manager está para o Faena assim como o G.O. (gentil organisateur) está para o Club Med. A diferença é que o G.O. do Faena não está confinado aos limites do hotel. Entre as suas atribuições está a de proporcionar "experiências" – um termo faeniano que designa "tours" exclusivos, em que o hóspede é guiado por eminentes autoridades em assuntos como tango, pólo, vinho, turfe, antigüidades e fotografia. Se eu quiser participar de uma partida de pólo com jogadores de elite, ou visitar uma vinícola artesanal e criar um vinho com o meu nome no rótulo, ou ainda ser levado a um safári fotográfico por Buenos Aires pela mão de alguém que conheça os ângulos mais charmosos e os horários com a melhor incidência de luz, basta falar com meu experience manager – e me preparar para ver várias centenas de dólares acrescentadas à minha conta.

 

Infelizmente, não tenho tempo, nas duas acepções da palavra, e por isso respondo ao questionário de razões-gostos-aversões-preferências-desejos apenas com uma pequena lista de restaurantes para que providenciem as reservas. Não deixo de mencionar, contudo, que estou aberto a sugerencias. Dois dias mais tarde, Pablo me manda um novo e-mail, com as confirmações (mas sem sugerencias). No P.S., me pergunta se eu não vou querer transfer de chegada.

 

¡Por supuesto! Quero tudo a que tenho direito. A começar por alguém que me espere no desembarque com uma plaquinha onde eu possa ler, numa tipografia discreta e elegante: MR. FREIRE.



Escrito por Ricardo Freire às 08h09
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II - Muito Antes

O primeiro Starck a gente nunca esquece. O meu foi no século passado. 1993, para ser exato. Local: hotel Paramount, na rua 46, em Nova York.

 

Foi um choque. O mensageiro que tirou minhas malas do táxi poderia muito bem protagonizar um editorial de moda. Todos os funcionários e funcionárias eram insuportavelmente jovens e bonitos. O lobby não era um lobby – era algo que dali a uns anos eu aprenderia a chamar de "lounge", com muitos sofás, mesas baixas, candelabros e luz de festa. O meu quarto, minúsculo, tinha móveis brancos contra paredes brancas. O único detalhe colorido era o encosto da cama, que reproduzia um detalhe ampliado de um quadro renascentista. Levei quase vinte minutos para descobrir onde ficava o interruptor (branco) da luminária do teto – ele estava parafusado às costas (brancas) do móvel (branco) da TV. Comparado aos lugares em que eu já tinha me hospedado, o Paramount parecia tão bizarro quanto o Juicy Salif, o espremedor de limões com jeito de nave interplanetária desenhado por Starck e lançado no mesmo ano em que o hotel foi inaugurado, 1990.

 

O Paramount era uma versão classe-econômica (diárias a 99 dólares no fim de semana) de um conceito que estava começando a pegar: o hotel-design. Hoje sabemos que a onda teve origem em 1983, quando Ian Schrager – um homem da noite que tinha sido sócio da famosa discoteca Studio 54 nos anos 70 – chamou a elegante designer francesa Andrée Putman para dar ares contemporâneos ao velho hotel Morgans, na avenida Madison. O sucesso da empreitada fez com que Schrager repetisse a mágica, cinco anos mais tarde, no Royalton, na rua 44. Para pilotar a prancheta, dessa vez, ele contratou um francês ousado, que jogava em todas as posições do design -- objetos, interiores, roupas, utilidades domésticas, mobiliário: Philippe Starck, naturalmente. Estava formada a dupla que mudaria para sempre a embalagem, a composição e o modo de usar dos hotéis mundo afora.

 

Nos quinze anos em que trabalharam juntos, Ian Schrager e Philippe Starck abriram somente oito hotéis, em não mais do que cinco cidades. Sua influência, entretanto, estendeu-se muito além do nicho-design que eles próprios criaram. Depurados das extravagâncias, seus conceitos chegaram até mesmo aos grandes hotéis convencionais (hospede-se num Hilton novinho, e você verá que a rede rejuvenesceu 50 anos na última década). A parceria entre o hoteleiro-nightclubber e o designer-popstar só foi se abalar depois do 11 de setembro, quando alguns hotéis passaram a dar prejuízo. Finalmente, no ano passado, a dupla se separou.

 

O quê? Schrager e Starck não trabalham mais juntos? Confesso que só fiquei sabendo disso agorinha mesmo, na Wallpaper* que comprei por acaso na livraria do aeroporto, antes de embarcar para Buenos Aires. Mas deixemos as fofocas para depois. Agora que você já sabe de onde vem o hotel-design, podemos ver para onde vai. Senhores passageiros, iniciamos os procedimentos de aterrissagem.



Escrito por Ricardo Freire às 08h08
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III - Durante

"Bem-vindo à Archentina", diz, em português, o senhor grisalho de terno e gravata que segura a placa onde eu leio, em letras discretas e elegantes, MR. FREIRE. Cinco minutos mais tarde, já a bordo do carro preto que me leva ao hotel, encontro água mineral e maçãs vermelhas numa bonita caixa de couro instalada entre os dois assentos do banco de trás. Só na hora de fechar a conta eu saberei que esse transfer com saudação em português e maçãs vermelhas custa 50 dólares, ou mais que o triplo do que um táxi comum. Mas terá valido a pena – porque, conforme eu vou poder apurar repetidas vezes, nenhum taxista de Buenos Aires parece já ter ouvido falar nem de um hotel Faena, tampouco do seu endereço.

Uma chuvazinha chata volta a cair enquanto o carro deixa a via expressa elevada e se embrenha por uma zona meio erma, de ruas largas e poucas construções. Estamos entrando em Puerto Madero Este, o lugar que Alan Faena quer que venha a ser conhecido como Barrio Faena.

Já ia me esquecendo de apresentar: Alan Faena é o Ian Schrager do novo hotel projetado por Philippe Starck. Descrito pela revista argentina Noticias como um milionário zen, Alan Faena tem 41 anos e é dado a usar roupas de inspiração indiana com botas de gaucho. Nasceu rico e aumentou sua fortuna ainda jovem, como empresário de moda. Namora mulheres lindas e é amigo de roqueiros e intelectuais. Em determinado momento, vendeu tudo e recolheu-se por três anos para meditar e cuidar das plantas em sua mansão em Punta del Este. Quando voltou, decidiu comprar terrenos e armazéns decrépitos numa região abandonada entre o Puerto Madero e a Reserva Ecológica Costanera Sur. O hotel Faena é apenas a parte mais visível de um projeto imobiliário de 100 milhões de dólares, concebido por ele e bancado por investidores internacionais, envolvendo um centro comercial, um complexo cultural e vários edifícios de apartamentos – como esse prédio caindo aos pedaços pelo qual estamos passando agora, com uma placa onde se vê o F de Faena acompanhado do letreiro COMING SOON (breve). Eu viro o pescoço para ver melhor, mas o carro dá uma guinada para o lado oposto, vira à esquerda no primeiro semáforo, e pára. Chegamos. Chegamos?

 

 

Nada indica que por trás dessa porta de ferro entreaberta num muro de tijolinhos se encontre o hotel mais comentado dos últimos tempos, tanto deste quanto do outro lado do Atlântico. Não existem táxis estacionados, nem letreiro iluminado, nem sequer uma marquisezinha para proteger os hóspedes que desembarcam sob o chuvisqueiro. Ou seja: sinto-me chegando a uma festa vip num endereço secreto.

 

Um pouco adiante, abre-se diante de mim uma porta de vidro vermelho de 10 metros de altura – e aí é como atravessar o espelho de Alice (redesenhado por Philippe Starck, evidentemente). Sou conduzido por uma galeria de pé-direito altíssimo e paredes de vidro, que fazem as vezes de vitrine e permitem que eu observe o delírio cenográfico (e a muvuca) dos ambientes que se sucedem à minha passagem. O rústico grill El Mercado (mesas compridas de madeira, cristaleiras antigas repletas de quinquilharias, pôsteres de ídolos populares argentinos). O rebuscado lounge El Living (sofás de couro, poltronas de pele de vaca, candelabros de cristal, biblioteca). O desvairado restaurante El Bistró (doze cabeças de unicórnio pregadas às paredes). O único antro a salvo da curiosidade dos passantes é o nightclub El Cabaret, localizado no trecho final da galeria, logo depois daquela imensa cortina de veludo dourado. Veludo dourado? Antes que eu consiga refletir a respeito disso, o mensageiro faz sinal para que eu vire à esquerda, e me leva até a mesa de Pablo, o experience manager daquele e-mail de boas-vindas de uma semana atrás.



Escrito por Ricardo Freire às 08h03
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* * *

Abre-parênteses: ninguém é obrigado a gostar, claro. Helen Fielding, a criadora de Bridget Jones, fez sua nova personagem, Olivia Joules, descrever da seguinte maneira suas impressões sobre o lobby do Delano, em Miami (um Starck safra 1995):

"Tudo era grande demais, pequeno demais ou estava no lugar errado. Uma luminária com cúpula de três metros pendia diante do balcão de recepção. Cortinas de musselina com vinte metros de altura balançavam à brisa, ao lado de uma parede salpicada de luminárias em miniatura e uma mesa de sinuca com feltro bege e bolas amarelo-sujo. Um homem moreno estava sentado numa cadeira de plástico branco que parecia um mictório, lendo um jornal."

Fecha-parênteses.

 

* * *

 

É o próprio Pablo, meu experience manager, quem sobe para me mostrar o quarto. Enquanto ele me explica as coisas práticas – o telefone inalámbrico que funciona em todas as dependências do hotel; o ramal direto para falar com os experience managers; os controles automáticos que acionam as cortinas e as persianas –, eu tento decifrar o que Philippe Starck quer me dizer.

 

 

O banheiro envidraçado grita: "Moderno!". A disposição da mobília e a economia de elementos me informam: "Clean!". Os pés de leão nas pernas de todos os móveis e os cisnes inteiros entalhados nos braços das cadeiras, por sua vez, gargalham: "Rococó!". A todas essas, o vermelho dos tapetes e o grená das cortinas sussurram: "Caliente!". Por alguns instantes, fico como o título daquela outra revista moderninha, Dazed and Confused: Pasmo e Confuso. Mas logo me recupero. Quando Pablo se vai, a única coisa que ainda me choca é o fato de "sem-fio", em espanhol, ser inalámbrico.

 

Em cima do criado-mundo, a lista de reservas feitas pelo experience manager me avisa que existe uma mesa à minha espera num restaurante do outro lado da cidade. Eu é que tinha pedido, lembra? Ligo para Pablo (ainda a postos, às 11h15 da noite) e peço um táxi. Vou até ali a vida real e já volto – só para poder passar por isso tudo outra vez.



Escrito por Ricardo Freire às 07h58
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* * *

          

A manhã seguinte incorpora mais um elemento à decoração do meu apartamento: a vista para o canal do Puerto Madero. (Caso estivesse do outro lado do corredor, minha janela daria para o Rio da Prata.) Se a noite é perfeita para mergulhar nos excessos do cenógrafo, é à luz do dia que você pode avaliar o brilho do arquiteto Philippe Starck. Agora, sim, dá para entender que o hotel Faena está hospedado num prédio construído em 1904 para ser um silo graneleiro. Seus tijolinhos à vista, transportados de navio desde Manchester, hoje servem de fachada para 105 quartos de hotel e 83 apartamentos particulares. Quem olha de fora jamais pode imaginar que o interior será tão luxuoso.

 

De dia o hotel é bem menos bochinchado: os visitantes são poucos, e o Faena fica inteiro para os hóspedes que não saíram por aí para viver as experiências. Tomo café da manhã no El Mercado, numa mesa com vista para um pátio interno onde, mais tarde, verei montada uma pequena sucursal da feira de antigüidades de San Telmo.

 

 

Pena que o dia está um pouco frio – a piscina, com um bar cheio de bossa montado sob uma tenda, deve ser o lugar mais charmoso para tomar sol a oeste de Punta. Fazer o quê? Fico lendo e tomando sucos de tomate num dos sofás do El Living, enquanto turistas inglesas de Havaianas e grupos de rapazes argentinos de abrigo esportivo entram para tirar fotos.

 

 

À uma e meia da tarde, quando sento para almoçar sob os unicórnios brancos do El Bistró, não sei do que estou gostando mais: se do meu carpaccio de cervo ou do gostinho de saber que eu tenho até às 10 da noite para fazer o check-out. (O Faena oferece 24 horas de permanência. Se você chegar no fim da noite – como nós, brasileiros, que adoramos pegar o último vôo –, você pode ficar no hotel até o fim da noite seguinte. Isto é, desde que você tenha avisado os seus horários ao fazer a reserva.)

 

 

Eu poderia passar a tarde no spa, fazendo massagens ou relaxando no hammam (um banho turco montado segundo os preceitos tradicionais). Mas eu não resisto a dar um pulinho em Palermo Viejo, que num sábado à tarde é o lugar mais gostoso para passear em Buenos Aires. Pego um táxi até a esquina de Malabia com Costa Rica, e vou flanando por entre bares e vitrines.

 

 

Na volta, já sei explicar o caminho do Faena ao taxista: vá pela Nueve de Julio toda vida e vire à esquerda na Belgrano até as docas.

                       

Chego ao hotel a tempo de relaxar na minha banheira envidraçada, vendo a luz do pôr-do-sol colorir o meu quarto de amarelo.

 

 

Arrumo a mala pensando no vinho, no pólo, nas antigüidades, enfim, em todas as experiências que o hotel propõe e que eu não tive tempo (nas duas acepções da palavra) para curtir. Mas duvido que alguma delas seja mais interessante do que a experiência de se hospedar no interior da mente talentosa, abusada e doentia de Philippe Starck. Dormir num Starck é um programa tão único quanto provar a cozinha de cientista de Ferran Adrià, viajar no Orient-Express ou desfilar num carro alegórico da Imperatriz Leopoldinense.

 

Eu sei, eu sei: em alguns momentos você pode até desejar que alguém tivesse se intrometido no meio do processo para recomendar "Menos, Starck. Menos!". Mas não teria a mesma graça. A verdade é que, com um mínimo de bom-gosto, um mínimo de bom-senso, um mínimo de informação e um mínimo de dinheiro, qualquer um faz um hotel minimalista.

 



Escrito por Ricardo Freire às 07h51
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IV – Depois

Alan Faena vai trazer sua hotelaria de experiências e o design de Philippe Starck para pertinho de nós: está em construção (sem data para inaugurar) o hotel Rio Universe, numa esquina do comecinho de Ipanema, perto do Arpoador.

(Update: confirmando rumores que já se ouviam há alguns meses, o hotel não vai ser mais um Faena, e sim um Fasano.)

 

Philippe Starck, enfim, tornou-se empresário do negócio que ajudou a transformar. Em sociedade com investidores sauditas, está montando a companhia Starck Hotéis, baseada em Genebra.

 

Ah, sim. O Paramount (meu primeiro Starck) foi vendido, e vai ser reinaugurado em breve como Hard Rock Hotel.



Escrito por Ricardo Freire às 07h42
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Anexo: Buenos Aires com estilo – para todos os bolsos

Se Philippe Starck – ou a diária de US$ 300 do Faena – for demais para você, aqui estão três boas alternativas de hospedagem com muito estilo, por preços mais abordáveis. (Tenha em mente que, ao contrário do que acontece com táxi e restaurante, os hotéis em Buenos Aires são mais caros do que seria de se esperar.)

 

 Na ordem: Design Suites, BoBo Hotel e Art Hotel

 

Buenos Aires Design Suites

A piscina térmica do lobby (!) deixa o andar térreo um pouco úmido demais. Os quartos são moderninhos, mas o isolamento acústico deixa a desejar. Para quem quer conhecer gringos descolados e saber das melhores baladas, porém, é perfeito. Diárias desde US$ 100. www.designsuites.com

 

BoBo Hotel

O mais novo hotel-boutique da cidade fica no coração de Palermo Viejo, o bairro muvucado que é uma mistura de Vila Madalena com Leblon. São apenas sete suítes que você escolhe pela Internet. Diárias a US$ 80, 95 e 120. www.bobohotel.com.ar

 

Art Hotel

Numa rua tranqüila do canto mais bonito da Recoleta, este hotel detém o maior índice de romantismo por m2 da cidade. Para Buenos Aires, as diárias são excelentes: os quartos mais simples custam US$ 65; os melhores, US$ 95. www.arthotel.com.ar

 

(Ei: agora dá um pulinho lá no blog da Gabriela para ver como ela está se vendo em Vancouver...)



Escrito por Ricardo Freire às 07h38
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Atenção! Mais um publicitário carequinha sendo interrogado publicamente!

Senhores passageiros: amanhã, quarta-feira, às 19 horas, eu e minha cabeça raspada estaremos no bate-papo do Uol, com transmissão ao vivo pela TV Uol e tudo. Só tenho uma coisa a declarar: não me deixem só, pelamordedeus!

Escrito por Ricardo Freire às 12h49
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Se essa Infraero, se essa Infraero fosse minha

A Folha de domingo trouxe uma ótima matéria sobre o caos do aeroporto de Congonhas. Vamos combinar: é um absurdo que tenham deixado as coisas chegarem ao ponto em que passageiros e companhias aéreas acham que o normal é sair e chegar pelo aeroportozinho secundário (Congonhas), e não pelo aeroportão principal (Cumbica).

 

É óbvio que um dia São Paulo vai ter que seguir Belo Horizonte e o Rio, que este ano transferiram centenas de vôos dos aeroportozinhos secundários (Pampulha e Santos-Dumont) para os aeroportões principais (Confins e Galeão).

 

Congonhas não suporta o tráfego aéreo atual. Foi uma besteira sem tamanho gastar em obras de modernização do aeroporto – esse dinheiro teria sido muitíssimo mais bem empregado num trem expresso para Cumbica (essa sim, uma obra que vale o que custar).

 

Num mundo que faça algum sentido, Congonhas só seria usado por vôos caros, para viajantes a negócios. De Cumbica partiriam os vôos com preço justo e ligados à malha internacional. E os vôos muito, muito, muito baratos e charters sairiam de Viracopos.

 

Não, obrigado, já morei em Brasília quando era criança.

Escrito por Ricardo Freire às 12h49
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Dossiê: Superbangalôs de praia

Não é só a Fashion Week que mostra verão em pleno inverno. Este blog também entrou numas de antecipar as tendências da estação. Tudo porque eu passei o fim de semana passado num dos novos bangalôs da Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina, e resolvi não esperar até o verão para fazer um update do meu guia de superbangalôs de praia.

Na serra eles sempre existiram: qualquer pousadinha de montanha que se preze tem lá suas cabanas ou seus chalés. Na praia é que eles são novidade. Só começaram a aparecer em 2001, quando abriram o Txai e o Nannai – e desde então se tornaram a coqueluche da hotelaria brasileira. Resultado: quem não tinha bangalôs individuais (geminados não valem!) já está tratando de construir os seus. 

 

 

Apesar do preço nas alturas – as diárias chegam a R$ 1.800 – e na maior parte das vezes sem sequer oferecer pacotes incluindo a parte aérea, os superbangalôs são procuradíssimos. Se você está planejando passar a lua-de-mel, um feriadão ou o fim de ano num deles, já sabe: reserve o quanto antes. Mas se você só quer dar uma espiadinha básica, é só rolar a página, que aqui a viagem é grátis...

 

(Os hotéis estão listados em ordem geográfica, do Norte para o Sul. Os preços são para casal, com café da manhã – a não ser quando especificado de outra maneira. Como foram apurados informalmente em novembro de 2004, os preços estão sujeitos a alterações.)

 

Continua no post abaixo



Escrito por Ricardo Freire às 09h38
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Romance tropical: Toca da Coruja, Pipa

 

Uma das pousadas mais charmosas do litoral brasileiro, a Toca da Coruja inaugurou sua ala de superbangalôs na virada de 2003 para 2004. Ficam nos fundos do terreno, construídos sobre palafitas e ligados por passarelas à linda piscina de raia da pousada. Cada bangalô tem 120 m2 (dá para morar na varanda) e têm duas cubas, dois chuveiros, solário íntimo, banheira ao ar livre. Existem luminárias de leitura instaladas junto às.... redes! E o que é mais significativo: foram os primeiros bangalôs de luxo que não quiseram fazer você se sentir em algum lugar da Ásia, e sim no Brasil. O tema aqui é "casa de fazenda" (em alguns deles as portas e janelas foram aproveitadas de material de demolição); além disso, os bangalôs estão circundados por cajueiros e bananeiras. A Toca não fica à beira da praia: está no centrinho de Pipa, na rua do boxixo, mas a salvo do barulho. Diárias dos bangalôs, R$ 750. Av. Baía dos Golfinhos, s/n. Tel.: (84) 3246-2226. www.tocadacoruja.com.br  

Leia mais sobre Pipa no meu guia de praias: clique aqui.

 

 

Quem te viu, quem te vê: Zé Maria, Noronha

 

Até o início de 2002, a Pousada do Zé Maria era a mais cara, e ao mesmo tempo a mais desconfortável, das pousadas da ilha. Na época, a pousada era uma das últimas que não oferecia TV (e, em alguns casos, nem banheiro) no quarto;  mesmo assim, conseguia cobrar caro e ter a mais extensa fila de espera de hóspedes. Apesar das acomodações ultrabásicas de então, o Zé Maria já tinha três atrações cinco estrelas: a localização (com o Morro do Pico no "quintal" da casa), a cozinha, e sobretudo a presença do Zé Maria, uma das figuras mais carismáticas da ilha. E eis que então, quando parecia que esta seria a última pousada de Noronha sem TV no quarto, Zé Maria se uniu a dois novos sócios paranaenses e constuiu, de uma vez só, 14 bangalôs sobre palafitas, enormes (50 e 80m2), com varanda, ar-condicionado tipo split, TV 29 polegadas com DirecTV, CD player e... jacuzzi ao ar livre (nos de 80m2). O final dessa história é ainda mais feliz porque, mesmo com todas as transformações, Zé Maria continua exatamente o mesmo; quem tomou o banho de loja foi a pousada, não ele. Reserve com toda a antecedência do mundo: o Zé Maria está permanentemente lotado. As diárias só incluem café da manhã (antigamente todas as refeições estavam incluídas). Diárias: bangalô 80m2, R$ 998; bangalô 50m2, R$ 748. R. Nice Cordeiro, 1. Tel.: (81) 3619-1258. www.pousadazemaria.com.br

Leia mais sobre Noronha no meu guia de praias: clique aqui.

 

(Continua no post abaixo) 



Escrito por Ricardo Freire às 09h01
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Noronha 5 estrelas: Pousada Maravilha

O primeiro luxo da Maravilha é a vista. Onde quer que você esteja – na varanda, na piscina, no restaurante, até mesmo deitado na cama –, você terá a Baía do Sueste, a ilha Cabeluda e a ilha do Chapéu em enquadramentos preciosos. O segundo luxo da Maravilha está no equilíbrio entre conforto e rusticidade. Se você quiser se sentir numa ilha perdida no Atlântico, basta fechar o armário do home theater, desligar o ar, substituir a porta de vidro pela porta de tela, e dormir com o barulho das ondas e o coaxar dos sapos. Fechando o tripé de luxos da Maravilha, está o serviço. As camareiras aproveitam a arrumação do quarto para pendurar suas roupas no cabide e guardar sua bagunça. Na volta da praia, seu bangalô estará refrigerado a 21 graus. Na varanda, o tanque do ofurô estará cheio. Mas atenção: não fique nos apartamentos dos fundos, ou você vai ficar morrendo de inveja de quem está nos bangalôs. Diárias dos bangalôs: R$ 1.350. Estrada do Sueste, s/n. Tel. (81) 3619-0028. www.pousadamaravilha.com.br.

Leia mais sobre Noronha no meu guia de praias: clique aqui.

 

 

Bora Bora em Las Vegas: Nannai, Porto de Galinhas

 

Os bangalôs polinésios do Nannai são as acomodações mais cobiçadas do Brasil. Todo mundo que tem grana quer vir para cá e ter a sensação de estar na varanda, descer uma escadinha e dar direto na sua piscina privativa – na verdade, um espelho d'água que circunda toda a área dos bangalôs e procura passar uma sensação semelhante à dos bangalôs construídos sobre palafitas nos atóis da Polinésia Francesa. A coisa é realmente muito engenhosa e bem feita. Mas... para ser sincero... bem... lá vai: acho meio Las Vegas demais esse negócio de piscina fazendo o papel de praia de Bora Bora. E o resto do resort, apesar de elegante, tranqüilo e com pouca densidade demográfica, não está à altura do luxo dos bangalôs (incluindo um predinho de três andares com apartamentos standard). O centrinho da vila está a 10 km por asfalto. Diárias com meia-pensão: bangalôs, R$ 1.220 (AT) e R$ 970 (BT). Rodovia PE-09, acesso a Muro Alto. Tel.: (81) 3552-0100. www.nannai.com.br 

Leia mais sobre Porto de Galinhas no meu guia de praias: clique aqui.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 08h46
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Tudo e mais um pouco: Pousada do Toque, Alagoas

Precisar, não precisa. Hospedar-se num chalé "normal" da Pousada do Toque já é bom demais – as camas são impecáveis, os banheiros são amplos e têm dois chuveiros, a qualidade da comida e a simpatia do serviço não variam conforme o tamanho do seu quarto. Mas Gilda e Nilo Burgarelli não param quietos, e todo ano inventam algum upgrade para a pousada. A última novidade são esses bangalôs com piscina e ofurô próprios. Além desse que está na foto (e que se chama Toque), já existe um novo, que ainda não conheci (e que se chama Toque-Toque) com 130 m2. Pelo conforto, e pelo luxo de incluir o "jantar sem cardápio" do Nilo (você é quem manda: se quiser lagosta todo dia, é só pedir), são os superbangalôs com a melhor relação custo x benefício dessa lista inteira. Fotos de Giovana Gregolin para o Freire's. Diárias com meia-pensão: bangalô Toque, R$ 500; Toque-Toque, R$ 600. Povoado do Toque, São Miguel dos Milagres (AL). Tel.: (82) 3295-1127. www.pousadadotoque.com.br 

Leia mais sobre a Rota Ecológica alagoana no meu guia de praias: clique aqui.

 

 

Mordomia no paraíso: Kiaroa, Maraú

 

A chegada do Kiaroa colocou a península baiana de Maraú no mapa do turismo confortável: anexo ao resort foi construída uma pista de pouso que recebe pequenos aviões de Salvador duas vezes por semana. Nos fundos do terreno fica um predinho com 16 apartamentos. No meio, uma piscina enorme e muitíssimo bem resolvida, com muitos nichos (até uma raia) e diversas profundidades. Na parte da frente, voltada para o mar, ficam os bangalôs – que originalmente eram geminados dois a dois, mas, conforme eu previ no Freire's, acabaram sendo transformados em bangalôs individuais com sala e quarto. Ainda não voltei depois das reformas – mas deve ter ficado supimpa. O hotel fica numa praia deserta, a 45 minutos de caminhada das piscinas naturais de Taipus de Fora (ou 10 min. de jardineira) e a 10 min. de jardineira da vila de Barra Grande. Diárias com pensão completa: bangalôs com piscina, R$ 862; bangalôs com piscina e frente mar, R$ 908; bangalôs superluxo, R$ 1.235 (AT). Loteamento Três Coqueiros, Barra Grande. Tel.: (73) 3258-6215; reservas, (71) 3272-1320. www.kiaroa.com.br  

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(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 08h45
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Luxo descalço: Txai, Itacaré

 

Aberto em 2001, o Txai inaugurou uma nova categoria de hotel no Brasil: o resort de charme. Seus melhores detalhes foram inspirados nas melhores referências. Os bangalôs e a piscina lembram alguns Amanresorts (os pequenos hotéis do Sudeste Asiático que são o dodói de viajólatras do mundo inteiro). As mesas, cadeiras e tocheiros do bar de praia são os mesmos que se encontram nos restaurantes do Quadrado, em Trancoso. O restaurante incorpora uma cozinha de fazenda na decoração. Até a praia parece ter vindo de longe –  Itacarezinho poderia estar em qualquer ponto do trecho paulista da Rio-Santos. A última adição ao conjunto é o Txai Saúde, um spa de relaxamento e beleza construído no ponto mais alto do terreno. Recentemente o hotel inaugurou duas alas de apartamentos -- que, por incrível que pareça, não destoam do conjunto (tente reservar os apartamentos das pontas, que têm janelas na lateral e não ficam quase nada a dever aos bangalôs standard). Apesar de toda essa sofisticação, o Txai é um hotel para se freqüentar descalço – no máximo, de chinelo de dedo. Mas atenção: os bangalôs e apartamentos têm ar e frigobar, mas não têm TV. Evite vir nos feriados, quando os moradores das casas do condomínio Txai podem deixar a área da piscina povoada demais. Diárias com pensão completa: bangalôs standard, R$ 1.140;  com hidro, R$ 1.340. Rodovia Ilhéus-Itacaré, km 48. Tel.: (73) 3634-6936. www.txai.com.br 

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Conforto pé-na-areia: Villas de Trancoso

 

A menos de dez minutos (pela areia) do bar da Estrela d'Água, a Villas de Trancoso funciona como um pequeno condomínio de luxo à beira-mar. O maior dos bangalôs (a Villa Sky) era a casa original do lugar e foi transformado numa suíte espetacular: com dois andares, tem sala de estar, sala de jantar, lareira e um quarto com hidromassagem e varandão. Os bangalôs mais novos não são tão grandes nem tão charmosos, mas todos têm varandão, sala de estar com CD e DVD -- além de um ou dois quartos. No canto do jardim, a piscina é circundada por um deck de... mármore! O chef residente prepara um cardápio elástico, incluindo sessões de iniciação à feijoada e ao churrasco para os hóspedes gringos. Junto ao restaurante há uma biblio-CD-DVDteca e um pequeno "business center" com computador, Internet banda larga e fax para os que não podem se dar ao luxo de ficar unplugged nem mesmo em Trancoso. Os donos (um americano e sua esposa brasileira) são golfistas e organizam pacotes incluindo 1, 3 ou 5 dias de golfe no campo do Terravista. Na praia, além de espreguiçadeiras, há uma pequena academia com belíssimos aparelhos de madeira. Fotos cedidas pela pousada. Diárias: villa 1 quarto, R$ 600 (AT) e R$ 525 (BT); villa 2 quartos (para até 4 pessoas), R$ 950 (AT) e R$ 825 (BT); Villa Sky, R$ 1.050 (AT) e R$ 900 (BT). Tel.: (73) 3668-1151. www.villasdetrancoso.com.br 

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Escrito por Ricardo Freire às 08h44
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Privacidade no boxixo: Estrela d'Água, Trancoso

 

Graças a sua localização (pé-na-areia em Trancoso) e a seu incomparável bar de praia, a Estrela d'Água conseguiu manter-se na divisão de elite da hotelaria de praia, mesmo depois do surgimento dos hotéis de bangalôs. Rapidinho, no entanto, a pousada aderiu às novas regras do jogo – e já transformou três unidades em bangalôs espaçosíssimos, vendidos como "suítes master". Quem fica neles pode escolher entre tomar sol na muvuca da piscina e do bar da praia, ou na tranqüilidade da piscina do seu pátio privativo. Meu favorito é o 16, que tem uma piscininha balinesa à sombra de um pergolado. Os mais novos são os 18 e 19, que vêm com piscininhas normais, mas têm um gazebo oriental. A quarta suíte master não tem piscina: é a 17, que fica na casa principal e era o quarto de Gal Costa, a antiga proprietária da casa (em termos de decoração, talvez seja a mais bonita, mas pode ficar barulhenta em noite de festa na pousada). Todos os bangalôs/suítes master têm TVs enormes, DVD e hidromassagem. (Deixo aqui meu palpite: acho que a pousada ainda vai desativar mais apartamentos standard e colocar suítes master no lugar...) Diárias: suítes master, R$ 1.280. Estrada Trancoso-Arraial d'Ajuda, a 1 km do Quadrado. Tel.: (73) 3668-1030. www.estreladagua.com.br 

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Esconderijo vip: Ponta do Camarão, Caraíva

 

Não fica propriamente em Caraíva – mas do lado "de cá" do rio, numa fazenda de acesso difícil para não-iniciados. No alto de um morro, dois bangalôs de madeira debruçam-se sobre um coqueiral e têm vista para a praia deserta. Você acorda de manhã e, enquanto não desperta direito, se pergunta: em que hotel de Báli é que eu estou? Lá embaixo, a casinha original da fazenda serve de restaurante e sala de estar; onde você é atendido como um rei por empregados que parecem ter nascido aqui. É um lugar perfeito para realizar aquele sonho de tenho-uma-praia-inteira-só-para mim. Defeito? Bem, como a praia está perto da barra do Rio Caraíva, a água pode ficar turva dependendo da maré e do regime de chuvas. Mas se o que você quer é sossego e sofisticação -- e pode pagar por isso -- talvez dê para relevar esse detalhezinho. Não há limite mínimo de permanência -- o que significa que você pode abrir uma brecha de um ou dois dias na sua temporada em Trancoso para curtir a paz total daqui. Fotos cedidas pela pousada. Diárias com pensão completa, bebidas não-alcoólicas e traslados: R$ 1.200. Fazenda Baixa Nova, Nova Caraíva. Tel.: (73) 9979-6269. flanana@uol.com.br 

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Escrito por Ricardo Freire às 08h43
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Traga sua Wallpaper*: Vila Naiá, Corumbau

 

Inaugurada em 2004, a Vila Naiá é um hotel de luxo absolutamente singular. Seu projeto (feito pelo arquiteto Renato Marques para a empresária Renata Mellão) desafia e até contraria tudo o que você entendia por luxo até colocar os pés ali. Os bangalôs não são inspirados em casas de pescador -- eles poderiam muito bem ser casas de pescador. E aquilo ali, o que é? É o barracão dos operários que ainda não foi desativado? Não: é a ala dos apartamentos. Refeito do susto, você entra no quarto -- e se surpreende novamente. A decoração mistura o rústico, o moderno e o vintage, mas não foi tirada daquele surrado manual que governa as misturas entre rústico, moderno e vintage. Ao sair do seu quarto, você entende que luxo não é transformar um areal num jardim -- e sim deixar o areal como está e instalar passarelas de madeira entre todas as áreas do hotel. Está vendo aquela cerca? Do lado de lá fica uma reserva particular de mata atlântica, pertencente ao hotel. E como se não bastasse, o restaurante tem cardápio da banqueteira paulistana Maria Alice Solimene -- inventora de um cuscuz de berinjela que é o luxo dos luxos. Diárias com meia-pensão: bangalôs, R$ 980 (AT) e R$ 800 (BT). Ponta do Corumbau. Tel.: (73) 3573-1006. www.vilanaia.com.br 

Leia mais sobre a ponta do Corumbau no meu guia de praias: clique aqui.

 

 

 

Não diga que eu não avisei: Pestana Angra

 

Sem dúvida, é um dos hotéis mais fotogênicos do Brasil. Toda vez que eu vejo as fotos das duas ocasiões em que me hospedei por lá, eu me pergunto: mas como é que eu não consegui gostar desse hotel? Então eu me respondo: eu não consegui gostar desse hotel porque o empreendedor original (um grupo peruano, até onde eu sei) construiu bangalôs demais em terreno de menos. E porque o administrador atual – o normalmente competente grupo português Pestana – talvez ainda esteja aprendendo a tocar hotéis de pequeno porte. O fato é que, em duas visitas, espaçadas em dois anos, achei a comida sofrível (bufês sem imaginação nem qualidade) e o serviço, desatento; não consegui perceber a presença de supervisores ou gerentes. Se não bastasse tudo isso, o hotel não consegue fazer silenciar a ilhota particular em frente, onde se realizam raves com volume quase tão alto quanto a diária do hotel. Mas, para não dizer que não falei bem de alguma coisa: a nova piscina ficou show. Diárias com meia-pensão: bangalô superior, R$ 760 (AT) e R$ 580 (BT); luxo, R$ 800 (AT) e R$ 630 (BT). Estrada do Retiro, 3700. Tel.: (24) 3364-2005. http://www.pestana.com

(Continua no post abaixo) 



Escrito por Ricardo Freire às 08h42
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Serra no mar: Ponta dos Ganchos, Santa Catarina

 

Analisando superbangalô por superbangalô, os mais confortáveis do Brasil estão aqui, num lindo costão preservado de Governador Celso Ramos – uma região bucólica e pitoresca, pontilhada por vilas de pescadores. Os mais simples (chamados "luxo") têm 80 m2; os intermediários ("superluxo") têm 96 m2 e vêm com sauna e jacuzzi na varanda; os cinco mais novos ("da Vila", que ainda não estão nem no site do hotel) têm 130 m2, uma piscina com água salgada no terraço e uma jacuzzi "de inverno", protegida por vidros mas com a mesma vista que se tem do terraço. Aliás, todos têm vista; e dos vinte bangalôs, só três (o 8, o 9 e o 15) podem ter sua privacidade devassada por eventuais passantes. O serviço, como escrevi em outro post, tem eficiência germânica e simpatia catarina. O café da manhã pode ser tomado a qualquer hora do dia. O jantar é servido até a uma da manhã (ou seja: paulistanos podem pegar o último vôo para Floripa, e ainda chegarão a tempo de jantar). Tanto no almoço quanto no jantar, não há buffet – e sempre há um menu "light" para quem não quer fazer de sua estada um spa ao contrário. Além das refeições, os petiscos e bebidas não-alcoólicas também estão incluídos na diária – o que significa que os pratos de ostras e os sucos de tomate temperados que você pedir não aparecerão na conta. A praia é pequenininha, e lembra muito a região de Angra (aliás, o projeto tem muito a ver com o do Pestana Angra. Caso o grupo Pestana queira ter uma luz de como melhorar o hotel de Angra, é só mandar espiões para cá.) Se eu procurar bastante alguma coisa para falar menos bem, vou dizer que não sou muito fã da decoração – mas talvez eu esteja procurando a Bahia em Santa Catarina. Enfim,é um lugar perfeito para você trazer seu cobertor de orelha. Minha dica: pegue pelo menos menos um "super-luxo", por causa da sauna e da jacuzzi. Assim, se São Pedro não ajudar, não tem problema – o seu superbangalô de praia vira um superbangalô de serra, na hora. Diárias com pensão completa, petiscos e bebidas não-alcoólicas: luxo, R$ 975; superluxo (com sauna e jacuzzi), R$ 1.175; da Vila (com piscina, sauna e jacuzzi), R$ 1.500; especial da Vila (na ponta, com deck), R$ 1.800. Ganchos de Fora, Gov. Celso Ramos (SC). Tel.: (48) 262-5000. www.pontadosganchos.com.br

 

 

Floripa redux: Ilha do Papagaio

 

De todos os hotéis e pousadas desta lista, a Ilha do Papagaio é a única que tinha bangalôs antes de eles entrarem na moda. Alguns deles são casinhas de pescador que já existiam na ilha e foram reformadas; outros, maiores, foram construídos no mesmo estilo, com bastante espaço entre um e outro, tirando o melhor proveito da topografia, da vegetação e das pedras. A pousada ocupa apenas uma pequena faixa da ilha, voltada para o continente (graças à orientação oeste, a prainha tem sol até bem tarde). O resto da ilha é preservado, e pode ser explorado por trilhas bem sinalizadas. O acesso é pela Praia do Sonho, no município de Palhoça (32 km ao sul do Centro pela BR 101), numa travessia de lancha de 5 minutos. Também é possível vir de lancha saindo o Iate Clube de Florianópolis, no sul da ilha (travessia de meia hora). Diárias: de R$ 480 a R$ 692 (AT) e de R$ 332 a R$ 596 (BT). Praia do Sonho, Palhoça (SC). Tel.: (48) 268-1242. www.papagaio.com.br.



Escrito por Ricardo Freire às 08h40
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Momento Daslu: Ponta dos Ganchos

Concordo inteiramente com você: este blog está passando por um momento muito besta. Como assim, direto da Riviera Francesa para o hotel de praia mais elegante do Brasil? Péssimo timing. Por uma questão de equilíbrio, justiça kármica, ying-yang e feng shui, entre St.-Tropez e a Ponta dos Ganchos eu deveria ter testado um pacote da CVC para Porto Seguro ou feito algum dossiê tipo albergues-que-valem-a-pena. Mas a culpa não foi minha. Eu já tinha reservado – e pago – a Ponta dos Ganchos, quando me disseram lá no trabalho que eu teria que ir para a Europa. Encavalou, entende?

 

(Abre parênteses: fiz questão de colocar um negrito na palavra pago aí no parágrafo de cima só para deixar claro, caso você não saiba, que:

1) Eu não viajo a convite;

2) Eu invariavelmente pago o valor integral das diárias onde me hospedo, como qualquer cliente.

Fecha parênteses.)

 

Eu precisava ir à Ponta dos Ganchos porque no último verão o hotel inaugurou cinco novos superbangalôs que eu não conhecia. Pelas fotos, dava para perceber que deveriam ser os bangalôs mais bacanas do Brasil. Quando eu li que nas férias o hotel ia hospedar um grande chef por fim de semana, começando por Emmanuel Bassoleil no finzinho de junho, liguei correndo para o Rubens, meu agente de viagem. Conseguimos.

 

 

Aula de geografia: a Ponta dos Ganchos fica em Governador Celso Ramos, uma península a meio caminho entre Florianópolis e Bombinhas. Você sai da Briói (BR 101 em catarina) por uma estradinha que cruza a zona rural e, dez quilômetros adiante, passa a costear uma série de enseadinhas ocupadas por vilarejos de pescadores – tudo muito simples mas de grande dignidade, como em algum lugar pobre do sul da Europa. Antes da quarta vilazinha você sobe uma pirambeira, atravessa um portão e – uau: que lugar maravilhoso para esconder um hotel chique. Vinte bangalôs mega-hiper-confortáveis (muitos com sauna e jacuzzi na varanda, os mais novos com piscina privativa no deck), discretamente construídos numa colina verde que avança sobre o mar.

 

Quando me hospedei pela primeira vez na Ponta dos Ganchos, em 2003, eu achei o serviço excelente. Dessa vez, no entanto, eles se superaram. Na sexta-feira, bem na hora em que a gente estava chegando, eles providenciaram um pôr-do-sol avermelhado que já valia a diária. No sábado, mandaram fazer um dia lindo, com um sol de inverno na medida para aproveitar o terraço. Mas se chovesse e fizesse frio, não ia ter problema: na minha outra estada o tempo esteve péssimo, e eu descobri que com chuva e frio a Ponta dos Ganchos se transforma automaticamente num hotel de serra (com vista para o mar).

 

Está vendo essas boiazinhas na baia? São criadouros de mariscos.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h20
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Os novos bangalôs são, de fato, espetaculares. No papel, 130m2 já impressionam bastante. Ao vivo, porém, são os 13 metros de frente para o mar que me deixaram embasbacado. (Qualquer outro hotel construiria três apartamentos para aproveitar a mesma vista.)

Eu não consigo ter pela decoração a mesma admiração que sinto pela arquitetura dos bangalôs – mas é tudo tão confortável e funcional, que isso vira uma questãozinha menor de gosto. O serviço continua com eficiência germânica e simpatia catarinense – deixe o pedantismo em casa, porque aqui ele não vai ter serventia nenhuma. (Aproveito a oportunidade para me autodenunciar: essa foto das taças de champagne na piscina do deck eu vi no folheto do hotel, e resolvi fazer igual!)

Nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi falar na Ponta dos Ganchos. Corria o segundo semestre de 2001. O meu guia de praias já estava na gráfica quando eu recebi um e-mail do Marco Antônio Rezende, meu editor na VIP, me repassando um release de um hotel novo que ia abrir em Santa Catarina. O nome da cidade era estranhíssimo: Governador Celso Ramos. Respondi de bate-pronto: "Marco, não existe a mínima possibilidade de existir algo bacana nesse lugar aí".

Manja "redondamente enganado"? Ao cubo? Presente!

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h20
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Sunshine on my shoulders

Só para lembrar que o segundo fim de semana de inverno no Sudeste vai ser ainda mais ensolarado do que o primeiro. Ontem, no rádio, uma meteorologista falava que as temperaturas estão cerca de 7 graus acima da média para a época. Vem cá: ATÉ QUANDO VAMOS NOS SURPREENDER COM CALOR NO INVERNO E CHUVA NO VERÃO? Vou ficar rouco de tanto insistir: o clima do Sudeste é assim e ponto.

A temperatura está "muito acima da média" simplesmente porque essa tal média, no inverno, não é constante: é o resultado de uma conta em que entram os poucos dias muito frios e chuvosos que vêm da Argentina na forma de frentes frias e os muitos dias secos, ensolarados e agradabilíssimos entre uma frente fria e outra. Só não dá para oficializar que julho é mês de ir à praia no Sudeste porque, como sabemos, Murphy existe e tem casa de praia em algum ponto da Rio-Santos.



Escrito por Ricardo Freire às 07h59
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