Brasília: desproblematizando essa coisa
No mapa do Guia 4 Rodas, a Asa Norte fica à direita da Asa Sul. No mapa que eu peguei no quiosque de informações turísticas no aeroporto, a Asa Norte fica à esquerda da Asa Sul.

Então eu preciso parar e dizer: gente, em mapa nenhum do mundo o norte está à direita ou à esquerda do sul. Norte que é norte fica em cima, sul que é sul fica embaixo, e fim de papo. Depois reclamam que o presidente – qualquer um deles – não sabe para onde está nos levando.
Cartografia à parte, movimentar-se pelo Plano Piloto é como andar de bicicleta: pegar o jeitinho é difícil, mas depois que você aprende, não esquece nunca mais. Morei em Brasília quando era criança, dos 7 aos 11 anos (entre 71 e 75). Voltei só uma vez, num feriadão de 1990. Aluguei um carro e... não me perdi em momento nenhum.
Agora foi a mesma coisa. Peguei o carro no aeroporto, segui reto, respeitei a velocidade indicada, e em 17 minutos estava no coração de Brasília, a rodoviária. Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza o Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário.

Deixei a mala no hotel e fui atrás de minha infância. Passei nas duas quadras em que morei, a 204 e a 303 Sul. (No meu prédioda 303 morava um menino muito chato, mas que era grande amigo do meu melhor amigo. O nome dele era Renato Manfredini Jr. Só quando ele morreu é que eu vim a saber que esse era o nome que vinha escrito na carteira de identidade do Renato Russo.)
 
Fui até a minha primeira escola, na 204, e quase não reconheci. (Sem baleiro e sem sorveteiro na porta, como é que pode ser a minha escola?)

(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 18h47
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Poucos turistas devem se embrenhar pelas superquadras da Asa Sul. O que é uma pena. Podem falar que não tem esquina. Podem falar que falta gente nas calçadas e ônibus nas ruas. Mas é lindo. E está mais bonito, muito mais bonito, do que há 30 anos. Que outra grande cidade do Brasil pode dizer que tem um bairro muito mais bonito hoje do que há 30 anos? Para mim, rodar pelas superquadras da Asa Sul é como passear por uma cidade histórica ;-)

Tentei voltar à Catedral, só para falar mal dos vitrais coloridos (na minha época eram monocromáticos). Mas li a placa dizendo que bermudas não eram bem-vindas, e nem tentei passar a conversa em ninguém (sacumé: publicitário, careca, visto com malas, em Brasília...).


Fui em direção ao Congresso, quando uma pergunta me bateu: ih, onde que eu vou estacionar? A resposta apareceu em seguida: que tal... em frente?

(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 18h42
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Caminhando, descobri o mocó da imprensa de TV, com suas unidades móveis de tocaia entre o Palácio da Justiça e o Palácio do Planalto. Fiquei triste ao ver que não dava para subir no pilotis do Congresso: chegaram a gradear o acesso lateral que eu usava quando era pequeno (na época da ditadura, dava pra brincar à vontade ali em cima).
 
O Palácio do Planalto não estava com cara de muitos amigos. Colocaram uns negócios na beira da rampa que devem ser o equivalente àquele "do not disturb" dos quartos de hotel.


E quem disse que o governo não está empenhado nas reformas? Estive no Alvorada e vi com os meus próprios olhos.


Em seguida, juntei a curiosidade com a vontade de comer e tomei a direção da Academia de Tênis. Não, não se trata de uma atração turística de Brasília – mas um misto de hotel, centro de restaurantes, cinema multiplex, clube e... academia de tênis, à beira do Lago Paranoá. Eu precisava ir até lá para elucidar um momento importante da história do Brasil: o governo Collor. Todos os ministros – Zélia, Ibrahim Eris, Kandir – moravam na tal Academia de Tênis. Eu precisava ver o que era isso. Pronto, vi. Nada demais. E vocês ainda perderam a chance de ver fotos, sei lá, do Memorial JK, ou do Palácio do Catetinho.

(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 18h41
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A última parada do dia, como não poderia deixar de ser, foi na nova Ponte JK. Uma beleza.



Bem. Se eu já estou apelando para "uma beleza" para descrever alguma coisa, você entende que eu realmente não tenho mais tempo de elaborar nada, senão não consigo deixar este post pronto para ser postado durante a minha palestra, daqui a 55 minutos, na Feira do Livro.
Mas não, não estou nervoso. Comecei hoje o dia lendo uma entrevista do ministro Gilberto Gil ao Globo em que ele declara que resolveu "desproblematizar essa coisa de retomar a carreira em toda a sua plenitude". Bom, eu vou aproveitar e desproblematizar essa coisa de achar um fecho original para o post.
Até porque vou deixar uma pergunta para a platéia da palestra responder: para onde devo ir, se eu quiser que tudo isso acabe em pizza?

Eles me responderam. A boa é a Fratello. (Hotel San Marco, 20h58)
Escrito por Ricardo Freire às 18h40
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Hotel San Marco, 19h30
É a hora da minha palestra, hoje, no programa de Seminários para Universitários da Feira do Livro de Brasília.
O tema da palestra é "Livros com prazo de validade: memórias de um autor de guias de viagem".
Pedi para ter conexão à Internet na mesa. Se tudo der certo, vou subir o meu post sobre Brasília ao vivo no telão.
Se houver alguém que me leia em Brasília fora o Lúcio da Lew,Lara, apareça, please! Por acaso eu já falei que é no Hotel San Marco?
(Parece que é preciso se cadastrar antes. Pra minha palestra, também? Ou era só pra do Noblat, que foi anteontem?)
Escrito por Ricardo Freire às 00h17
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Próxima parada: Brasília. Brasília?
Calma, ainda não é a viagem das praias ainda não. O meu carro foi de jamanta pro Maranhão, e eu me encontro com ele só na quinta-feira da semana que vem.
Também não vou depor na CPI. Nem passar o chapéu no Ministério do Turismo, se é isso que essa sua mente corrompida está insinuando.
Viajo amanhã para dar uma palestra. Para universitários. Num ciclo promovido pela Feira do Livro de Brasília. Vou falar sobre como é escrever livros com data de validade: as experiências de um autor de guias de viagem.
Mas pode deixar, que eu vou chegar cedinho, alugar um carro e produzir alguma matéria divertida ;-)
Escrito por Ricardo Freire às 08h54
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Pode ir arrumando as malas
Prepare-se. Daqui a 10 dias você embarca comigo para uma viagem de quase quatro meses pelas praias do Brasil. A gente começa por São Luís do Maranhão, e lá pelo Natal chega a Torres, no Rio Grande do Sul.

Aperte os cintos: a gente chega a Galinhos, no Rio Grande do Norte, no fim de setembro
Vai ser uma maratona. Mas não esquente, porque a divisão de tarefas já está acertada: eu trabalho, e você se diverte.
Vou fazer a atualização do meu guia de praias – que vai entrar, com novo layout, na grade do Uol. Mas todo dia vou dar um jeito de subir pelo menos um postzinho aqui.
Bora nessa?

Escrito por Ricardo Freire às 08h02
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Da série "A sua mais completa tradução"
A gente estava voltando de uma feijoada quarta-feira passada no Star City (uma instituição paulistana, tristemente esquecida pela imprensa), quando meu colega F. me chamou a atenção para a barraquinha de tapioca em frente ao metrô Santa Cecília.

(Deu outro dia no jornal: tapioca é a nova febre em São Paulo. Além das barraquinhas na rua, abrem tapiocarias cidade afora. Tipo assim: tapioca is the new crêpe.)
Mas não, o meu colega F. não me chamou a atenção apenas para uma barraquinha de tapioca. Barraquinha de tapioca já é normal. O que não passou batido pelo F. foi um item do menu: cheddar com coco.

Vamos por partes. "Tapioca de cheddar" é absolutamente a cara de São Paulo, a mais progressista metrópole nordestina do hemisfério sul. Agora: cheddar com coco não é sabor – é larica. Manja, brigadeiro com mostarda? Feijão gelado com fios de ovos? Tapíoca de cheddar com coco deve ser igualzinho.
Digo deve porque, no dia seguinte, na hora do almoço, lá voltei eu, com a firme intenção de provar a tapioca de cheddar com coco, e relatar a experiência à blogosfera. Só que estava em falta. Fico devendo maiores detalhes.
Na hora eu esqueci de fotografar, mas bem em frente, na Igreja de Santa Cecília, me lembro de existir uma portinha com uma placa: Narcóticos Anônimos – reuniões aqui.
Escrito por Ricardo Freire às 00h32
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O movimento avança
No meio da semana, a assessoria do deputado Fernando Gabeira me enviou o requerimento que foi apresentado à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, solicitando uma audiência pública para discutir as obras de ampliação do aeroporto Santos Dumont – com a convocação do presidente da Infraero e de um representante da empreiteira vencedora da licitação.
Hoje a notícia já está na coluna mais influente do Rio de Janeiro, a do Ancelmo Góis, no Globo. Santos Dumont: tombamento já!
 
Escrito por Ricardo Freire às 12h40
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Momento de decisão

Folha de São Paulo, 26 de agosto de 2005
Pergunta. Se você fosse o autor de um bordão de publicidade que, quase 14 anos depois de ter sido lançado, acabasse de ser repetido pelo Presidente da República, você:
(a) Ficava todo pimpão e, mesmo correndo o risco de se expor ao ridículo, mandava a modéstia pra longe e publicava a notícia no seu blog com foto e tudo.
(b) Morria de vergonha e corria para se esconder, com medo de ser o próximo convocado a depor numa dessas CPIs em cartaz em Brasília.
(c) Aproveitava a deixa para pendurar as chuteiras e passar os próximos quatro meses na estrada, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, atualizando seu guia de praias, com transmissão ao vivo e exclusiva para seu seletíssimo público leitor.
(Depois eu conto mais detalhes.)

Garopaba (SC), num dia em que o tempo não estava assim nenhuma Brastemp
Escrito por Ricardo Freire às 09h00
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Ah, l'hiver
Amanheceu frio pra caramba em São Paulo. Fui ao Google. Escrevi, entre aspas: "felicidade não existe". Acrescentei dentro do quadradinho, sem aspas: momentos felizes. Dei o enter. Voltaram 298 variações sobre o clichê "A felicidade não existe, o que existe são momentos felizes".
Então digo eu: em São Paulo, o inverno não existe. O que existe são frentes frias que vêm da Argentina.

E isso, para mim, é a expressão da felicidade. Uma meia-dúzia de dias realmente invernais – durante os quais todos os habitantes desta grande metrópole podem democraticamente sentir o gostinho de passar frio –, salpicados ao longo de estação em que predominam os dias ensolarados e quentes, seguidos de noites fresquinhas.
O inverno paulistano só não me traz momentos felizes em maior quantidade porque, durante todos os dias ensolarados e quentes que predominam na estação, meio mundo se queixa de que "ah, mas este ano não teve inverno".
Senhores passageiros: em São Paulo, o inverno não existe. O que existe são frentes frias. E isso, para mim, é a expressão da felicidade.
Escrito por Ricardo Freire às 08h38
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18 de agosto, 1999
Semana passada eu estava tão envolvido com a Grande Loteria de Perguntas, que acabei deixando passar uma data especial. Dia 18 fez seis anos que eu saí para começar a fazer meu interminável guia de praias, o Freire's.
Alguns dias antes do sexto aniversário -- mais precisamente, na sexta dia 12 --, o Freire's tinha sido elogiado pela edição online do semanário português Expresso. (Ah, deixa eu me gabar, vai. Só um pouquinho, puxa vida.)
E como agradecimento – mais um – a meus leitores d'Além-Mar, vou contar um fa(c)to verídico, mas que pode tranqüilamente ser contado por aí como piada de brasileiro.

Fica logo ali, nos cafundós de Itaparica
Lá naquele distante agosto de 1999, antes de pegar meu carro e sair como um destrambelhado pelas praias do Brasil, eu resolvi passar uma semana na região Porto Seguro, testando a tralha toda – o laptop novo, a ferramenta do banco de dados (na primeira versão o site tinha banco de dados!), a câmera digital que eu tinha comprado na Fnac e nunca tinha usado.
A câmera era uma Nikonzinha que custou uma fortuna, mas era bem básica – não tinha nem zoom. (Acho que naquela época só um ou dois modelos vendidos no Brasil tinham zoom.) Usava quatro pilhas AA, que eram pesadas demais para a estrutura da máquina; forçavam tanto a portinha do seu compartimento, que lá pelas tantas elas só paravam no lugar se eu passasse fita adesiva. (Eu tinha uma foto da máquina toda enfaixada de durex, mas não sei onde foi parar.) Mesmo toda estropiada, era uma boa câmera, e me acompanhou pra cima e pra baixo sem dar um pio até vir a falecer, em 2002, num trágico acidente fluvial. Eu estava acabando de atravessar o riozinho que separa as praias de Cueira e Moreré, na ilha de Boipeba, quando sem querer pisei nas ostras que crescem na margem do rio (era inverno, a água estava turva, não dava para ver as ostras), perdi o equilíbro, caí e afoguei a pobre Nikonzinha.
Mas não era isso que eu ia contar. O que eu ia contar se passou naquela minha primeira semana de campo, quando eu comecei a descobrir o Brasil lá em Porto Seguro. Desembarquei no aeroporto, aluguei um carro, fui direto pra Trancoso. Me instalei num quarto da Estrela d'Água ("provavelmente a pousada de praia mais charmosa do Brasil", eu viria a escrever) e fui até a praia para inaugurar a câmera.
E... cadê da câmera funcionar? A bichinha ligava, mas não tirava foto nenhuma. Repassei todos os passos que tinham me ensinado, e xongas. Lhufas. Neca. A câmera tinha escangalhado antes mesmo de começar a ser usada!
Por precaução, eu tinha levado uma câmera convencional, e foi com ela que eu fotografei durante toda aquela semana. Resolvi esfriar a cabeça, e deixar para contar o caso e tomar as providências quando voltasse a São Paulo, dali a uma semana.
Já em São Paulo, antes de ir tomar satisfações com a Fnac, por desencargo de consciência levei a câmera para a Ester Krivkin, uma das sócias originais do projeto (hoje ela está metida em empreitadas muito melhores: é ela que está trazendo a Cow Parade ao Brasil), dar uma olhada. Foi aí a Ester me fez a primeira pergunta que ela teria feito, caso eu tivesse ligado de Trancoso contando o que estava acontecendo:
- Riq, por acaso você se lembrou de tirar a tampinha da lente?
Acabei indo à Fnac, sim, mas só passei no setor de revelação de filmes.
Escrito por Ricardo Freire às 08h43
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Santos Dumont: fingers, não!
Inspirada pela crônica de 5ª. feira da querida Cora Rónai no Globo, a Xongas desta semana tenta, digamos assim, articular um movimento pela não-construção de fingers no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A Época mal tinha chegado às bancas, e eu já recebia um e-mail do deputado Fernando Gabeira encampando a causa. Obrigado, deputado!
Aqui vai a transcrição da coluna, seguida pelo e-mail do Gabeira.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 09h21
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Contra o fim da maresia
Quero articular um movimento. Desses que saem por aí, armados de faixas, cartazes e bonecos, fazendo manifestações. Eu sei, o país já está cansado de manifestações. Outro dia, um mesmo grupo de manifestantes em Brasília conseguiu protestar simultaneamente contra a corrupção e contra quem está denunciando a corrupção.
Não, o meu movimento vai ser mais simples. Meu objetivo é apenas impedir a construção de fingers no aeroporto Santos Dumont, no Rio.
Como?!? -- pergunta o leitor, estarrecido.
Concordo, existem assuntos mais importantes. Eu mesmo estava disposto a escrever sobre um deles: o fato de a palavra "neoliberal" estar prestes a cair em desuso como xingamento. Mas daí, aos 45 do segundo tempo, li a crônica de Cora Rónai no Globo em que ela se queixa, de raspão, dos fingers de alguns aeroportos brasileiros -- e resolvi pegar uma carona.
Caso você não saiba, fingers são essas passarelas cobertas que conectam os aviões diretamente aos terminais dos aeroportos. Todo grande aeroporto que se preza substituiu as escadinhas dos aviões por fingers. Se ninguém fizer nada para impedir, o Santos Dumont será o próximo.
Qual é o problema? O problema é que o Santos Dumont não é um grande aeroporto. O Santos Dumont é um aeroporto pequeno -- que, até o início dessas obras, era também o aeroporto mais charmoso do planeta.
E uma das razões de todo esse charme é justamente você aparecer na porta do avião e, antes de mesmo de descer a escadinha, dar de cara com o Pão de Açúcar -- e ainda levar uma lufada de maresia na cara, como gesto de boas-vindas.
Quanto mais engravatado você estiver, tanto mais espetacular será o efeito. Para mim, vale por uma ida à praia -- mesmo que eu passe as próximas horas preso numa sala de reunião com ar refrigerado no talo.
De uns anos para cá, tentaram fazer do Santos Dumont uma espécie de clone carioca de Congonhas, o conturbadíssimo aeroporto central de São Paulo. Entupiram o Santos Dumont de vôos para tudo quanto é lugar, congestionando seu saguão e suas salas de embarque -- a ponto de se fazer necessária a construção de um puxadinho com os fingers.
Mas daí, no começo desse ano, algum espírito iluminado no DAC resolveu transferir de volta para o Galeão todos os vôos que de lá nunca deveriam ter saído. E o Santos Dumont voltou a servir apenas à Ponte Aérea e a meia-dúzia de vôos regionais.
E com isso, o aeroporto voltou a prescindir de fingers -- preservando a arquitetura, as escadinhas, a vista do Pão de Açúcar e a maresia de boas-vindas ao visitante, certo?
Errado. A conclusão dos fingers do Santos Dumont está no pacote de obras liberado essa semana, com o objetivo de mostrar que o governo não apenas não está totalmente imobilizado, como inclusive está fazendo lá umas coisinhas.
É contra isso que o meu movimento se insurge. Vamos nos organizar para invadir a pista do Santos Dumont e impedir a passagem das betoneiras, à maneira dos chineses da Praça da Paz Celestial.
Podemos argumentar que a obra é inútil e desfigura o mais charmoso aeroporto do mundo. Podemos listar estradas que precisam de recapeamento e descobrir pontes que podem desabar a qualquer momento.
Mas a verdade é que tudo o que eu quero é poder indefinidamente aterrissar no Rio, emergir da porta do avião, dar de cara com o Pão de Açúcar e sentir o bafo da maresia me dando as boas-vindas à Guanabara. Alguém mais para engrossar o movimento?

E antes de embarcar de volta, o misto-quente com milk-shake no balcão é sagrado
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 09h18
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Gabeira: "Uma sensação inegociável"
Caro Ricardo Freire:
Li seu artigo Contra o fim da Maresia. Disponho-me a ajudar. Vou pedir uma audiência pública na Comissao de Meio Ambiente e torpedear esta idéia. A chegada no Rio, via Santos Dumont, é uma sensação inegociável. Não me lembro de nenhum desastre causado pelo atual sistema.
Abraço, Fernando Gabeira
Senhores passageiros: querendo mandar seus e-mails para a Época, o endereço da coluna é xongas@edglobo.com.br.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 09h16
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A propósito
Os tempos andam tão sombrios, mas tão sombrios, que se o Gabeira fosse
escrever sobre o momento atual, poderia usar o mesmo título do seu best-seller
sobre os anos de chumbo: O que é isso, companheiro?
Escrito por Ricardo Freire às 09h14
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Grande Loteria de Perguntas: depois tem mais
Senhores passageiros, depois de duas semanas respondendo perguntas, este blog vai retomar a sua vida normal. A todos os que participaram, muitíssimo obrigado. Aos que não tiveram suas perguntas sorteadas, peço desculpas – mas dou uma esperançazinha: quando estiver sem assunto, eu volto ao baú de perguntas da loteria para responder mais adiante.
Se você não passou por aqui nos últimos dias, role a página, que tem respostas para férias em Portugal e Espanha, na Itália e em Nova York.
(Caso você queira deixar alguma pergunta para ser respondida láááá na frente, aproveite a caixa de comentários deste post aqui.)
Escrito por Ricardo Freire às 07h46
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Grande Loteria de Perguntas: Portugal e Espanha de carro
Vou sair de férias para Lisboa e Porto. Alugar um carro para conhecer as cidades no percurso é uma boa idéia? Pretendia também ir até Barcelona. O que você indica? (Gabriela, Salvador)
Quero viajar por Portugal e Espanha por 15 dias, de carro, chegando e voltando por Lisboa. Que cidades visitar? E em quais pernoitar? (Madrugador)
Posso fazer uma introdução comprida? Obrigado.
É engraçado: faz oito anos que me pedem roteiros. Mas, nesse tempo todo, nunca ninguém me pediu um roteiro para rodar a França de carro. Quer dizer – já me pediram diversos itinerários dentro da França, mas sempre para lugares específicos: a Provence, a Côte d'Azur, o Vale do Loire, a região de Bordeaux. "A França", ou seja, a França inteira, ninguém pensa em rodar numa viagem só.
Já Portugal e Espanha – que, juntos, têm mais área do que a França continental – todo mundo acha que é bico matar em duas semanas de estrada.
Não é não, pessoal.
Portugal, sozinho, é uma delícia de fazer de carro: tudo é pertinho, e o que não falta são motivos para você se afastar da auto-estrada. Com um bom guia na mão, e fazendo valer não apenas o seu direito de ir-e-vir, como também o seu direito de desviar e o seu direito de dar meia-volta, você pode facilmente triplicar ou quadruplicar a distância entre Lisboa e o Porto (em linha reta, são meros 300 km).
A Espanha também tem suas regiões próprias ao turismo sobre quatro rodas. A Andaluzia é a mais perfeita delas. Um carro também é ótimo para percorrer as paisagens e cidades históricas de Castela, Leão e Extremadura – e facilita a vida de quem explora a Costa Brava, pra lá de Barcelona. Mas a Espanha toda? É canseira na certa. E com Portugal junto? Bom, se você tiver uns 45 dias...
O xis do problema, que nenhuma equação exclusivamente rodoviária consegue resolver com conforto, se chama Barcelona. Se você vier de (ou for para) Madri, vai pegar 600 km de estrada, sem nada emocionante pelo caminho (Zaragoza, anyone?). Se vier da Andaluzia (ou continuar até lá), serão 850 km de (ou até) Granada! Contra todas as minhas recomendações, minha amiga J. fez isso ano passado. Eu avisei: menina, entre Granada e Valência (500 km) você vai passar por todos os Guarujás, Camboriús e Guaraparis da Europa! Ela teimou, mas depois deu a mão à palmatória. Se tivesse me ouvido...

Sevilha
Senhores passageiros, me ouçam: façam seus roteiros rodoviários onde quiserem na Península Ibérica, mas se quiserem passar por Barcelona, entreguem o carro e peguem um avião para lá.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 23h56
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Dito isso, respondo à Gabriela, de Salvador: sim, a sua idéia de alugar um carro para viajar entre Lisboa e Porto é perfeitamente factível. Pegue o carro um dia antes de viajar, e aproveite o último dia na cidade para ir à serra de Sintra, descendo depois até o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa, e voltando a Lisboa pela praia do Guincho, Cascais e Estoril.
No dia seguinte, comece o dia passeando pelo vilarejo caiado de Óbidos (90 km); continue até Batalha (mais 60 km) para visitar o seu imponente Mosteiro; chegue no finzinho da tarde a Coimbra (mais 50 km). Passe duas noites em Coimbra – ou três, se você quiser tirar um dia para passear pela Mata do Buçaco (onde vale a pena tomar um drink no charmoso e decadente Palace Hotel do Bussaco) ou mesmo subir à Serra da Estrela.

Brumas de inverno no Palace Hotel do Bussaco
Não deixe a região de Coimbra sem antes ter ido à vila de Mealhada para comer um leitão assado à moda da Bairrada num dos restaurantes à beira da antiga estada Lisboa-Porto (o mais famoso é o Pedro dos Leitões).
De Coimbra você pode subir até Trás-os-Montes (uma boa base de exploração é a cidade romana de Chaves, a 270 km; fique duas noites). Santiago de Compostela, já na Espanha, fica a 200 km de lá, e vale dois dias inteiros. Volte ao Porto (300 km) passando por Pontevedra. Não entre na cidade de carro – entregue no aeroporto e vá de táxi. Tente não chegar no fim de semana, porque poucas caves de vinho do Porto abrem no sábado, e quase nenhuma no domingo. Fique dois ou três dias; aproveite para fazer um cruzeiro pelo Douro.

Vilarejo nos arredores de Chaves
Então pegue um avião para Barcelona (direto pela Portugália; com conexão em Lisboa pela TAP; com conexão em Madri pela Iberia) e comece por lá o seu vôo de volta ao Brasil.
(Seria mais fácil passar no Porto antes, devolver o carro em Santiago e voar direto de lá para Barcelona; só que a sobretaxa para pegar carro em Portugal e devolver na Espanha – ou vice-versa – é pesadinha: tipo 350 euros.)
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 23h55
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Agora, respondendo ao Madrugador: se você deixar Barcelona para uma próxima, aqui vai um roteirinho circular, cor-ri-dís-si-mo, começando e terminando em Lisboa, conforme você pediu, de 15 dias por Portugal e Espanha.
Passe os três primeiros dias em Lisboa sem carro. Alugue no quarto dia, e vá a Sintra, Cabo da Roca e Cascais.

Rua das Janelas Verdes, Lisboa
No quinto dia, vá direto a Coimbra (200 km). Na manhã seguinte, vá da maior cidade universitária portuguesa à sua contrapartida espanhola: Salamanca (250 km). No sétimo dia, visite a cidade murada de Ávila (97 km) a caminho de Madri (mais 115 km). Fique três noites; deixe o carro numa garagem.
No 10º. dia, vá a Granada (434 km), para ver o Alhambra. No dia seguinte, passeie pelos Pueblos Blancos da Andaluzia, e durma em Ronda (180 km). No 12º. dia continue a Sevilha (120 km). Fique duas noites. No 14º. dia, volte a Portugal, pernoitando dentro dos muros de Évora (320 km). Encerre as férias com o melhor jantar de toda a viagem, no Fialho. Volte a Lisboa (120 km), devolva o carro e embarque para o Brasil.

O templo romano dedicado a Diana, em Évora
(Muito puxado? Barcelona faz falta? Então considere combinar carro com avião. Chegue por Lisboa. Fique três dias sem carro. Alugue um carro, vá um dia a Sintra, e outro a Évora. Devolva o carro. Voe sem escalas a Málaga, pela Portugália. Pegue um carro, vá direto a Granada, passe uma noite lá, visite o Alhambra, chegue no fim da tarde a Ronda. Passe a noite, e no dia seguinte passeie pelos Pueblos Blancos, chegando a Sevilha no fim do dia. Fique três noites. Devolva o carro em Sevilha, voe a Barcelona. Fique cinco dias. Pegue o vôo a Lisboa com conexão para o Brasil.)

Escrito por Ricardo Freire às 23h55
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Grande Loteria de Perguntas: 15 dias pela Itália
O que é imperdível numa viagem de 15 dias à Itália? Eu e meu marido pensamos numa viagem econômica. Queremos alugar um carro, mas não temos idéia do roteiro. (Thaís)
Fazer a Itália inteira de carro eu não recomendo, não, Thaís.
Alugar carro na Europa só vale a pena quando você pode se dar ao luxo de visitar apenas pequenas cidades, fáceis de entrar e de sair, e de preferência conectadas por estradas secundárias. Na Itália, esse seria o caso de uma viagem pela Toscana e sua vizinha Úmbria, por exemplo. Ou à Região dos Lagos, subindo para a Suíça. Um carro também seria uma boa solução para viagens por regiões malservidas pela malha ferroviária – por exemplo, a Costa Amalfitana ou a Sicília. Mas para uma primeira viagem à Itália, em que você vai passar a maior parte do tempo em cidades grandes, difíceis para entrar e sair, complicadas para se locomover e impossíveis para estacionar, o carro seria um estorvo.

Desculpe a falta de originalidade, mas eu não consigo imaginar uma primeira viagem à Itália que não inclua Roma, Florença e Veneza. O ideal seria que você alocasse pelo menos 5 dias para Roma, 3 dias para Florença (um dos quais você vai usar para ir a Pisa) e 3 para Veneza. Com o quê, temos só quatro dias para inventar.
(Sim, daria para comprar um passe de trem e fazer um roteirinho de 15 cidades consecutivas. Mas você passaria mais tempo mudando de cidade, entrando e saindo de hotel do que curtindo o lugar que você foi visitar.)
Mais adiante eu dou os roteiros organizadinhos, mas por enquanto vamos especular o que dá para fazer nesses quatro dias que nos restam.
Uma das alternativas é justamente... alugar um carro e passear pelos vilarejos e regiões vinícolas da Toscana. Entre Roma e Florença vocês podem parar por quatro dias em Siena, uma espécie de Florença que parou na Idade Média. Usem o primeiro dia para passear pela cidade, e aluguem um carro nos três últimos. Visitem San Gimignano (talvez o mais impressionante dos vilarejos murados italianos, com torres altíssimas) num dia, e façam dois tours enogastronômicos nos outros: um para a região do Chianti e outro para a de Montalcino – nos dois passeios, almocem em fattorie (vinícolas). Cotando no site da Europcar, três dias de Fiat Punto 1.2 com quilometragem ilimitada saem por 75 euros, mais 20 euros por dia de proteção contra acidentes e furto – total, 135 euros.
Outra alternativa é passar dois dias usando um meio de locomoção ainda mais barato, as pernas, para andar em Cinque Terre – cinco cidadezinhas debruçadas em penhascos na costa da Ligúria. Os outros dois dias que sobram podem ser acrescentados à temporada de Florença (para ir a San Gimignano, de ônibus, e a Siena, de trem).
Entre maio e outubro (mas de preferência não em julho nem em agosto, quando as férias de verão deixam tudo lotado), vale a pena também considerar passar esses quatro dias ao sul. Durma uma noite em Capri, e escolha entre Sorrento, Positano e Amalfi como base para explorar a Costa Amalfitana (de ônibus ou de carro alugado) e dar uma chegadinha em Pompéia (antes de pegar o avião de volta em Nápoles).
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 23h51
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Resumindo, então.
Itinerário 1 (com carro na Toscana): desembarque em Roma. Fique 5 dias. Continue de trem a Siena (3 horas, 20 euros). Fique 4 dias; no segundo, alugue um carro (sugestão para passeios nesses três dias: San Gimignano, região do Chianti e Montalcino). Devolva o carro. Prossiga de trem a Florença (1h10, 10 euros). Fique 3 dias; num deles, vá a Pisa e volte (1h, 5 euros cada trecho). Termine em Veneza (2h40, 27 euros). Fique 3 dias. Inicie seu vôo de volta ao Brasil em Veneza.
Itinerário 2 (com Cinque Terre): desembarque em Roma. Fique 5 dias. Pegue um trem a Monterosso (4h30, via La Spezia, 32 euros). Fique dois dias entre as Cinque Terre. Continue a Pisa (1h20, 10 euros), deixe a mala no guarda-volumes (consigna a bagagli), visite a Torre, e prossiga a Florença (1h, 5 euros). Durma 5 noites – tire um dia para ir de ônibus a San Gigmignano (1h10, via Possibonsi) e outro para ir de trem a Siena e voltar (1h10, 10 euros cada perna). Termine em Veneza (2h40, 27 euros). Aproveite seus três últimos dias. Inicie seu vôo de volta ao Brasil ali mesmo.
Itinerário 3 (com Capri e Costa Amalfitana): desembarque em Veneza. Fique 3 dias. Continue de trem a Florença (2h40, 27 euros). Fique 3 dias (tire um para ir a Pisa e voltar – 1h, 5 euros cada perna). Continue a Siena (1h10, 10 euros), fique dois dias (num deles, vá a San Gigminano de ônibus, 1h05). Desça de trem a Roma (3 horas, 20 euros). Fique 5 dias. Desça a Nápoles (1h45, 22 euros) e embarque no primeiro vapore a Capri (1h, 10 euros). Durma na ilha. Ao final do outro dia, pegue o barco para Sorrento (25 min., 6 euros). Fique mais dois dias entre Sorrento, Positano, Amalfi e Ravello – de carro alugado ou de ônibus. No último dia, passe em Pompéia a caminho de Nápoles. Devolva o carro (se tiver alugado, claro) e inicie o vôo de volta ao Brasil lá mesmo.
Para conferir horários e preços de passagem de trem na Itália, clique aqui: www.trenitalia.it. Para descolar hospedagem em conta, pesquise nesse site aqui: www.hostelworld.com. E buon viaggio.

Escrito por Ricardo Freire às 23h50
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Grande Loteria de Perguntas: uma semana em Nova York
Vou passar 8 dias em Nova York em lua-de-mel, entre o Natal e o Ano Novo. Estamos ansiosíssimos, queremos fazer de tudo, mas sabemos que não vai dar tempo. Você poderia dar uns toques do que não devo deixar de fazer e do que posso deixar passar? (Heloísa, São Paulo)
Primeiro toque: relaxe. Oito dias são suficientes para perceber a aparência, a textura, a consistência e o sabor de qualquer cidade – mesmo que essa cidade se chame Nova York.
O que você não deve deixar de fazer? Em outros lugares, a resposta seria tão fácil que você provavelmente nem faria a pergunta. Suba a Torre Eiffel, admire Davi, veja o papa, ande na roda gigante à beira do Tâmisa, atravesse o Rialto, entre no Grande Bazar, sente-se num café da Rambla e peça "horchata de chufa, si us plau".

Nova York, no entanto, não se presta a uma estratégia assim. Se você desconsiderar a Estátua da Liberdade (que é tão fora de mão que já caracteriza um passeio para fora da cidade), vai ver que o grande monumento de Nova York é a cidade inteira. Na nossa cabeça, Nova York é o skyline de Nova York.
À distância, parece que só esquadrinhando essa maquete inteirinha, quarteirão por quarteirão, e experimentando tudo o que já nos contaram existir ali dentro, é que poderemos sair com a impressão de que visitamos (note que eu não disse conhecemos) Nova York. É o contrário. Qualquer pedacinho da cidade – rico ou pobre, arrumadinho ou emporcalhado, esnobe ou marginal – compartilha o mesmo DNA. Se você ficar oito dias parada numa mesma esquina só observando o que acontece em volta, no fim terá visto o suficiente para a viagem ter valido a pena ;-)
Não encare os oito dias dessa viagem (ou de qualquer outra) como uma batalha para conquistar pontos estratégicos e fincar sua bandeira em todos os marcos importantes do seu inimigo, o destino. É sempre mais divertido fazer uma visita de paz.
Faça como você faria num restaurante. Leia o cardápio inteiro, com calma e armada de curiosidade. Escolha o que mais tentar os seus sentidos. Depois, concentre-se em saborear aquilo que você escolheu – e não em tentar adivinhar o que estão comendo na mesa do vizinho. Muito provavelmente, vocês vão sair dali igualmente satisfeitos – cada um à sua maneira.
Aos cardápios – perdão: aos guias, pois.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 10h02
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Os dois melhores guias de Nova York escritos por brasileiros para brasileiros estão, infelizmente, fora de catálogo: o inteligente Nova York é aqui, de Nelson Motta, e o completíssimo Guia New York, de Katia Zero. Mas eles venderam tanto (na segunda metade da década de 90) que devem ser facilmente encontrados nas estantes de amigos ou parentes. O guia de Katia Zero tem um capítulo absolutamente sensacional, intitulado "O melhor de Nova York é grátis ou custa menos de 10 dólares" ;-)

Outros dois livros podem ser achados nas boas livrarias do mundo físico ou virtual: Manhattan Sensual, de Katia Zero (uma antologia de suas ótimas colunas sobre Nova York publicadas no Estadão até 2000) e Os Endereços Curiosos de Nova York, de Adriana Carranca – um livro que, no mínimo, vai fazer você viajar bastante antes da viagem.
Outro jeito bem divertidinho de se familiarizar com a Nova York dos nova-iorquinos é ir à locadora e fazer um vale-a-pena-ver-de-novo da série Sex and the city – só para encontrar todos os lugares, bares, restaurantes e (sobretudo) lojas no guia de Teté Ribeiro, A Nova York de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda.
(É muita informação? Magina. É que nem olhar vitrine. Você só está escolhendo. Não precisa comprar nada. Se alguém vier perguntar alguma coisa, é só falar "Nada não, moça, tô só olhando".)
No capítulo museus e atrações turísticas propriamente ditas, nenhuma série é tão elucidativa quanto os Guias Visuais da Folha. São tantas as figurinhas, que você escolhe o que vai fazer questão de ver ao vivo, e ainda fica com a nítida sensação de que foi também aos lugares que não vai dar tempo de visitar ;-)
Como você vê, até este ponto eu só fiz terceirizar as recomendações. Porque, francamente, se é para escolher entre um bom museu e uma boa loja, eu vou sempre preferir um bom restaurante – de preferência, de alguma culinária exótica. Então, a partir daqui, eu mostro onde fica o pesque-pague mas também ofereço uns peixinhos. (Se não gostar deles, ótimo – você vai encontrar os que te apeteçam mais.)
Pois bem. O guia Time Out New York: Eating & Drinking divide os restaurante da cidade em 38 especialidades culinárias – mas para acessar o conteúdo no site da Time Out New York é preciso ser assinante. De graça, dá para pesquisar no bom guia de restaurantes da revista New York (a inspiração da Vejinha São Paulo). Esta página aqui é especialmente útil:
Onde comer bem por até 25 dólares (indicações da revista New York)
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 10h01
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Agora que vocês já sabem onde pesquisar restaurantes em conta, aqui vão algumas sugestões para quando vocês quiserem chutar o balde (com diferentes graus de violência):
Em primeiro lugar, eu recomendaria que vocês almoçassem ostras com champagne no Oyster Bar, que fica nas catacumbas da estação Grand Central, na rua 42, é um dos clássicos da cidade e não chega a ser caro (vocês podem ver o menu com preços no site).
O restaurante mais bonito de Nova York – bem, eu nem conheço tantos assim, mas duvido que exista um mais bonito ;-) – é o Spice Market, todo decorado com entalhes antigos vindos da Índia e do Camboja; o cardápio reinterpreta a "comida de rua" do sudeste asiático.
Querendo provar a cozinha contemporânea americana (inventiva ma non troppo, com base mediterrânea e toques asiáticos e nativos, um pendor para os orgânicos e os preparos politicamente corretos), e podendo gastar um pouquinho mais, escolham entre os dois restaurantes favoritos dos nova-iorquinos: o Union Square Café e o Gramercy Tavern. (Não são baratos, mas nenhum dos dois é metido.)
Se você gostarem de comida fusion, tipo assim o fusion do fusion do fusion (eu adoro), invistam num jantar no Asia de Cuba, no hotel Morgans. Mas se fusion não faz o gênero de vocês, então fujam. (Desculpaê, pessoal, mas eu precisava um dia escrever isso. Pronto. Já estou melhor. Posso dar um andamento normal aos trabalhos.)
Não dá para passar um domingo em Nova York e não fazer um brunch bacana. Eu iria a um dos bistrôs franceses fake de Keith McNally: o Balthazar, no Soho, ou o Pastis, no Meatpacking District.
(Sempre lembrando: para qualquer um desses lugares aí em cima é preciso reservar, e com alguma antecedência.)
A vista mais bonita de Manhattan está no Brooklyn – passem no bar do River Café para apreciar.
E para não dizer que não dou nenhuma recomendação pessoal de restaurantes baratinhos, aqui vai o link para a Disneylândia de quem gosta de comida indiana boa e em conta: a rua 6, ou Curry Lane.
Finalmente, o último lugar para onde eu mandaria vocês em Nova York é um shopping center. Mas o Time Warner Center tem algo que me faz, sim, subir três lances de escada rolante: a vista para o Central Park que se tem do bar Stone Rose.
(Continua no post abaixo)
Escrito por Ricardo Freire às 10h00
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Ah, sim. Tem o teatro. Vale a pena decidir agora o que vocês vão querer ver, para ainda achar bons lugares. Quando chegar pertinho, vai estar tudo esgotado. Você pode conhecer os espetáculos e comprar os ingressos em sites como o Broadway.com. Ou pode também usar os serviços de compra de ingressos de cartões de crédito. (Se o seu cartão oferece esse serviço, compre com ele – os sites de ingresso não fazem trocas nem estornos caso você cometa algum errinho bobo no processo de reserva.)
O espetáculo mais nova-iorquino (apesar de se passar na Rússia...) em cartaz na Broadway é a saga judia O Violinista no Telhado, com Nathan Lane. O musical mais engraçado deve ser Mamma Mia, que foi escrito por um integrante do Abba de modo a encaixar as letras dos maiores sucessos do grupo (não dá pra não gostar). Entre os shows off-Broadway, uma dica que todo mundo vai te dar é o Blue Man Group: é muito bom, e não requer um pingo de conhecimento de inglês. O espetáculo de dança percussiva Stomp também é fora-de-série, mas de vez em quando vem ao Brasil. Uma experiência diferente é assistir a Tony n'Tina's Wedding – uma peça interativa que encena um casamento em que a platéia faz o papel dos convidados. E caso vocês queiram entrar no espírito natalino e testemunhar um dos pontos altos da cultura kitsch americana, comprem ingresso para uma matinê do Radio City Christmas Spectacular, com as Rockettes.
E uma última coisinha. Sempre é bom lembrar que em Nova York – e em quase todos os lugares fora do Brasil – o Natal é muito, mas muito mais importante que o Réveillon. Por isso, não ponham muita expectativa nas festas de rua de passagem do ano: são todas sem-graça, inclusive a do Times Square que sempre passa na TV (a queda da maçã e aquela chatice toda). Tampouco vale a pena investir num caríssimo jantar de réveillon. Comprem um bom champagne, deixem meia hora no parapeito da janela, e ele vai estar pronto para brindar à m | | |