Brasília: desproblematizando essa coisa

No mapa do Guia 4 Rodas, a Asa Norte fica à direita da Asa Sul. No mapa que eu peguei no quiosque de informações turísticas no aeroporto, a Asa Norte fica à esquerda da Asa Sul.

 

 

Então eu preciso parar e dizer: gente, em mapa nenhum do mundo o norte está à direita ou à esquerda do sul. Norte que é norte fica em cima, sul que é sul fica embaixo, e fim de papo. Depois reclamam que o presidente – qualquer um deles – não sabe para onde está nos levando.

 

Cartografia à parte, movimentar-se pelo Plano Piloto é como andar de bicicleta: pegar o jeitinho é difícil, mas depois que você aprende, não esquece nunca mais. Morei em Brasília quando era criança, dos 7 aos 11 anos (entre 71 e 75). Voltei só uma vez, num feriadão de 1990. Aluguei um carro e... não me perdi em momento nenhum.

 

Agora foi a mesma coisa. Peguei o carro no aeroporto, segui reto, respeitei a velocidade indicada, e em 17 minutos estava no coração de Brasília, a rodoviária. Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza o Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário.

 

 

Deixei a mala no hotel e fui atrás de minha infância. Passei nas duas quadras em que morei, a 204 e a 303 Sul. (No meu prédioda 303 morava um menino muito chato, mas que era grande amigo do meu melhor amigo. O nome dele era Renato Manfredini Jr. Só quando ele morreu é que eu vim a saber que esse era o nome que vinha escrito na carteira de identidade do Renato Russo.)

 

 

Fui até a minha primeira escola, na 204, e quase não reconheci. (Sem baleiro e sem sorveteiro na porta, como é que pode ser a minha escola?)

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 18h47
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Poucos turistas devem se embrenhar pelas superquadras da Asa Sul. O que é uma pena. Podem falar que não tem esquina. Podem falar que falta gente nas calçadas e ônibus nas ruas. Mas é lindo. E está mais bonito, muito mais bonito, do que há 30 anos. Que outra grande cidade do Brasil pode dizer que tem um bairro muito mais bonito hoje do que há 30 anos? Para mim, rodar pelas superquadras da Asa Sul é como passear por uma cidade histórica ;-)

 

Tentei voltar à Catedral, só para falar mal dos vitrais coloridos (na minha época eram monocromáticos). Mas li a placa dizendo que bermudas não eram bem-vindas, e nem tentei passar a conversa em ninguém (sacumé: publicitário, careca, visto com malas, em Brasília...).

 

 

 

Fui em direção ao Congresso, quando uma pergunta me bateu: ih, onde que eu vou estacionar? A resposta apareceu em seguida: que tal... em frente?

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 18h42
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Caminhando, descobri o mocó da imprensa de TV, com suas unidades móveis de tocaia entre o Palácio da Justiça e o Palácio do Planalto. Fiquei triste ao ver que não dava para subir no pilotis do Congresso: chegaram a gradear o acesso lateral que eu usava quando era pequeno (na época da ditadura, dava pra brincar à vontade ali em cima).

 

O Palácio do Planalto não estava com cara de muitos amigos. Colocaram uns negócios na beira da rampa que devem ser o equivalente àquele "do not disturb" dos quartos de hotel.

 

 

 

E quem disse que o governo não está empenhado nas reformas? Estive no Alvorada e vi com os meus próprios olhos.

 

 

 

Em seguida, juntei a curiosidade com a vontade de comer e tomei a direção da Academia de Tênis. Não, não se trata de uma atração turística de Brasília – mas um misto de hotel, centro de restaurantes, cinema multiplex, clube e... academia de tênis, à beira do Lago Paranoá. Eu precisava ir até lá para elucidar um momento importante da história do Brasil: o governo Collor. Todos os ministros – Zélia, Ibrahim Eris, Kandir – moravam na tal Academia de Tênis. Eu precisava ver o que era isso. Pronto, vi. Nada demais. E vocês ainda perderam a chance de ver fotos, sei lá, do Memorial JK, ou do Palácio do Catetinho.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 18h41
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A última parada do dia, como não poderia deixar de ser, foi na nova Ponte JK. Uma beleza.

 

 

 

Bem. Se eu já estou apelando para "uma beleza" para descrever alguma coisa, você entende que eu realmente não tenho mais tempo de elaborar nada, senão não consigo deixar este post pronto para ser postado durante a minha palestra, daqui a 55 minutos, na Feira do Livro.

 

Mas não, não estou nervoso. Comecei hoje o dia lendo uma entrevista do ministro Gilberto Gil ao Globo em que ele declara que resolveu "desproblematizar essa coisa de retomar a carreira em toda a sua plenitude". Bom, eu vou aproveitar e desproblematizar essa coisa de achar um fecho original para o post.

 

Até porque vou deixar uma pergunta para a platéia da palestra responder: para onde devo ir, se eu quiser que tudo isso acabe em pizza?

 

 

Eles me responderam. A boa é a Fratello. (Hotel San Marco, 20h58)



Escrito por Ricardo Freire às 18h40
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Hotel San Marco, 19h30

É a hora da minha palestra, hoje, no programa de Seminários para Universitários da Feira do Livro de Brasília.

 

O tema da palestra é "Livros com prazo de validade: memórias de um autor de guias de viagem".

 

Pedi para ter conexão à Internet na mesa. Se tudo der certo, vou subir o meu post sobre Brasília ao vivo no telão.

 

Se houver alguém que me leia em Brasília fora o Lúcio da Lew,Lara, apareça, please! Por acaso eu já falei que é no Hotel San Marco?

 

(Parece que é preciso se cadastrar antes. Pra minha palestra, também? Ou era só pra do Noblat, que foi anteontem?)



Escrito por Ricardo Freire às 00h17
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Próxima parada: Brasília. Brasília?

Calma, ainda não é a viagem das praias ainda não. O meu carro foi de jamanta pro Maranhão, e eu me encontro com ele só na quinta-feira da semana que vem.

 

Também não vou depor na CPI. Nem passar o chapéu no Ministério do Turismo, se é isso que essa sua mente corrompida está insinuando.

 

Viajo amanhã para dar uma palestra. Para universitários. Num ciclo promovido pela Feira do Livro de Brasília. Vou falar sobre como é escrever livros com data de validade: as experiências de um autor de guias de viagem.

 

Mas pode deixar, que eu vou chegar cedinho, alugar um carro e produzir alguma matéria divertida ;-)

Escrito por Ricardo Freire às 08h54
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Pode ir arrumando as malas

Prepare-se. Daqui a 10 dias você embarca comigo para uma viagem de quase quatro meses pelas praias do Brasil. A gente começa por São Luís do Maranhão, e lá pelo Natal chega a Torres, no Rio Grande do Sul.

 

Aperte os cintos: a gente chega a Galinhos, no Rio Grande do Norte, no fim de setembro

 

Vai ser uma maratona. Mas não esquente, porque a divisão de tarefas já está acertada: eu trabalho, e você se diverte.

 

Vou fazer a atualização do meu guia de praias – que vai entrar, com novo layout, na grade do Uol. Mas todo dia vou dar um jeito de subir pelo menos um postzinho aqui.

Bora nessa?



Escrito por Ricardo Freire às 08h02
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Da série "A sua mais completa tradução"

A gente estava voltando de uma feijoada quarta-feira passada no Star City (uma instituição paulistana, tristemente esquecida pela imprensa), quando meu colega F. me chamou a atenção para a barraquinha de tapioca em frente ao metrô Santa Cecília.

 

(Deu outro dia no jornal: tapioca é a nova febre em São Paulo. Além das barraquinhas na rua, abrem tapiocarias cidade afora. Tipo assim: tapioca is the new crêpe.)

 

Mas não, o meu colega F. não me chamou a atenção apenas para uma barraquinha de tapioca. Barraquinha de tapioca já é normal. O que não passou batido pelo F. foi um item do menu: cheddar com coco.

 

 

Vamos por partes. "Tapioca de cheddar" é absolutamente a cara de São Paulo, a mais progressista metrópole nordestina do hemisfério sul. Agora: cheddar com coco não é sabor – é larica. Manja, brigadeiro com mostarda? Feijão gelado com fios de ovos? Tapíoca de cheddar com coco deve ser igualzinho.

 

Digo deve porque, no dia seguinte, na hora do almoço, lá voltei eu, com a firme intenção de provar a tapioca de cheddar com coco, e relatar a experiência à blogosfera. Só que estava em falta. Fico devendo maiores detalhes.

 

Na hora eu esqueci de fotografar, mas bem em frente, na Igreja de Santa Cecília, me lembro de existir uma portinha com uma placa: Narcóticos Anônimos – reuniões aqui.



Escrito por Ricardo Freire às 00h32
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O movimento avança

No meio da semana, a assessoria do deputado Fernando Gabeira me enviou o requerimento que foi apresentado à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, solicitando uma audiência pública para discutir as obras de ampliação do aeroporto Santos Dumont – com a convocação do presidente da Infraero e de um representante da empreiteira vencedora da licitação.

 

Hoje a notícia já está na coluna mais influente do Rio de Janeiro, a do Ancelmo Góis, no Globo. Santos Dumont: tombamento já!

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h40
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Momento de decisão

Folha de São Paulo, 26 de agosto de 2005

 

Pergunta. Se você fosse o autor de um bordão de publicidade que, quase 14 anos depois de ter sido lançado, acabasse de ser repetido pelo Presidente da República, você:

 

(a) Ficava todo pimpão e, mesmo correndo o risco de se expor ao ridículo, mandava a modéstia pra longe e publicava a notícia no seu blog com foto e tudo.

 

(b) Morria de vergonha e corria para se esconder, com medo de ser o próximo convocado a depor numa dessas CPIs em cartaz em Brasília.

 

(c) Aproveitava a deixa para pendurar as chuteiras e passar os próximos quatro meses na estrada, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, atualizando seu guia de praias, com transmissão ao vivo e exclusiva para seu seletíssimo público leitor.

 

(Depois eu conto mais detalhes.)  

 

Garopaba (SC), num dia em que o tempo não estava assim nenhuma Brastemp



Escrito por Ricardo Freire às 09h00
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Ah, l'hiver

Amanheceu frio pra caramba em São Paulo. Fui ao Google. Escrevi, entre aspas: "felicidade não existe". Acrescentei dentro do quadradinho, sem aspas: momentos felizes. Dei o enter. Voltaram 298 variações sobre o clichê "A felicidade não existe, o que existe são momentos felizes".

 

Então digo eu: em São Paulo, o inverno não existe. O que existe são frentes frias que vêm da Argentina.

 

 

E isso, para mim, é a expressão da felicidade. Uma meia-dúzia de dias realmente invernais – durante os quais todos os habitantes desta grande metrópole podem democraticamente sentir o gostinho de passar frio –, salpicados ao longo de estação em que predominam os dias ensolarados e quentes, seguidos de noites fresquinhas.

 

O inverno paulistano só não me traz momentos felizes em maior quantidade porque, durante todos os dias ensolarados e quentes que predominam na estação, meio mundo se queixa de que "ah, mas este ano não teve inverno".

 

Senhores passageiros: em São Paulo, o inverno não existe. O que existe são frentes frias. E isso, para mim, é a expressão da felicidade.

Escrito por Ricardo Freire às 08h38
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18 de agosto, 1999

Semana passada eu estava tão envolvido com a Grande Loteria de Perguntas, que acabei deixando passar uma data especial. Dia 18 fez seis anos que eu saí para começar a fazer meu interminável guia de praias, o Freire's.

 

Alguns dias antes do sexto aniversário -- mais precisamente, na sexta dia 12 --, o Freire's tinha sido elogiado pela edição online do semanário português Expresso. (Ah, deixa eu me gabar, vai. Só um pouquinho, puxa vida.)

 

E como agradecimento – mais um – a meus leitores d'Além-Mar, vou contar um fa(c)to verídico, mas que pode tranqüilamente ser contado por aí como piada de brasileiro.

 

Fica logo ali, nos cafundós de Itaparica

 

Lá naquele distante agosto de 1999, antes de pegar meu carro e sair como um destrambelhado pelas praias do Brasil, eu resolvi passar uma semana na região Porto Seguro, testando a tralha toda – o laptop novo, a ferramenta do banco de dados (na primeira versão o site tinha banco de dados!), a câmera digital que eu tinha comprado na Fnac e nunca tinha usado.

 

A câmera era uma Nikonzinha que custou uma fortuna, mas era bem básica – não tinha nem zoom. (Acho que naquela época só um ou dois modelos vendidos no Brasil tinham zoom.) Usava quatro pilhas AA, que eram pesadas demais para a estrutura da máquina; forçavam tanto a portinha do seu compartimento, que lá pelas tantas elas só paravam no lugar se eu passasse fita adesiva. (Eu tinha uma foto da máquina toda enfaixada de durex, mas não sei onde foi parar.) Mesmo toda estropiada, era uma boa câmera, e me acompanhou pra cima e pra baixo sem dar um pio até vir a falecer, em 2002, num trágico acidente fluvial. Eu estava acabando de atravessar o riozinho que separa as praias de Cueira e Moreré, na ilha de Boipeba, quando sem querer pisei nas ostras que crescem na margem do rio (era inverno, a água estava turva, não dava para ver as ostras), perdi o equilíbro, caí e afoguei a pobre Nikonzinha.

 

Mas não era isso que eu ia contar. O que eu ia contar se passou naquela minha primeira semana de campo, quando eu comecei a descobrir o Brasil lá em Porto Seguro. Desembarquei no aeroporto, aluguei um carro, fui direto pra Trancoso. Me instalei num quarto da Estrela d'Água ("provavelmente a pousada de praia mais charmosa do Brasil", eu viria a escrever) e fui até a praia para inaugurar a câmera.

 

E... cadê da câmera funcionar? A bichinha ligava, mas não tirava foto nenhuma. Repassei todos os passos que tinham me ensinado, e xongas. Lhufas. Neca. A câmera tinha escangalhado antes mesmo de começar a ser usada!

 

Por precaução, eu tinha levado uma câmera convencional, e foi com ela que eu fotografei durante toda aquela semana. Resolvi esfriar a cabeça, e deixar para contar o caso e tomar as providências quando voltasse a São Paulo, dali a uma semana.

 

Já em São Paulo, antes de ir tomar satisfações com a Fnac, por desencargo de consciência levei a câmera para a Ester Krivkin, uma das sócias originais do projeto (hoje ela está metida em empreitadas muito melhores: é ela que está trazendo a Cow Parade ao Brasil), dar uma olhada. Foi aí a Ester me fez a primeira pergunta que ela teria feito, caso eu tivesse ligado de Trancoso contando o que estava acontecendo:

 

- Riq, por acaso você se lembrou de tirar a tampinha da lente?

 

Acabei indo à Fnac, sim, mas só passei no setor de revelação de filmes.



Escrito por Ricardo Freire às 08h43
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Santos Dumont: fingers, não!

Inspirada pela crônica de 5ª. feira da querida Cora Rónai no Globo, a Xongas desta semana tenta, digamos assim, articular um movimento pela não-construção de fingers no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A Época mal tinha chegado às bancas, e eu já recebia um e-mail do deputado Fernando Gabeira encampando a causa. Obrigado, deputado!

Aqui vai a transcrição da coluna, seguida pelo e-mail do Gabeira.

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 09h21
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Contra o fim da maresia

Quero articular um movimento. Desses que saem por aí, armados de faixas, cartazes e bonecos, fazendo manifestações. Eu sei, o país já está cansado de manifestações. Outro dia, um mesmo grupo de manifestantes em Brasília conseguiu protestar simultaneamente contra a corrupção e contra quem está denunciando a corrupção.

 

Não, o meu movimento vai ser mais simples. Meu objetivo é apenas impedir a construção de fingers no aeroporto Santos Dumont, no Rio.

 

Como?!? -- pergunta o leitor, estarrecido.

 

Concordo, existem assuntos mais importantes. Eu mesmo estava disposto a escrever sobre um deles: o fato de a palavra "neoliberal" estar prestes a cair em desuso como xingamento. Mas daí, aos 45 do segundo tempo, li a crônica de Cora Rónai no Globo em que ela se queixa, de raspão, dos fingers de alguns aeroportos brasileiros -- e resolvi pegar uma carona.

 

Caso você não saiba, fingers são essas passarelas cobertas que conectam os aviões diretamente aos terminais dos aeroportos. Todo grande aeroporto que se preza substituiu as escadinhas dos aviões por fingers. Se ninguém fizer nada para impedir, o Santos Dumont será o próximo.

 

Qual é o problema? O problema é que o Santos Dumont não é um grande aeroporto. O Santos Dumont é um aeroporto pequeno -- que, até o início dessas obras, era também o aeroporto mais charmoso do planeta.

 

E uma das razões de todo esse charme é justamente você aparecer na porta do avião e, antes de mesmo de descer a escadinha, dar de cara com o Pão de Açúcar  -- e ainda levar uma lufada de maresia na cara, como gesto de boas-vindas.

 

Quanto mais engravatado você estiver, tanto mais espetacular será o efeito. Para mim, vale por uma ida à praia -- mesmo que eu passe as próximas horas preso numa sala de reunião com ar refrigerado no talo.

 

De uns anos para cá, tentaram fazer do Santos Dumont uma espécie de clone carioca de Congonhas, o conturbadíssimo aeroporto central de São Paulo. Entupiram o Santos Dumont de vôos para tudo quanto é lugar, congestionando seu saguão e suas salas de embarque -- a ponto de se fazer necessária a construção de um puxadinho com os fingers.

 

Mas daí, no começo desse ano, algum espírito iluminado no DAC resolveu transferir de volta para o Galeão todos os vôos que de lá nunca deveriam ter saído. E o Santos Dumont voltou a servir apenas à Ponte Aérea e a meia-dúzia de vôos regionais.

 

E com isso, o aeroporto voltou a prescindir de fingers -- preservando a arquitetura, as escadinhas, a vista do Pão de Açúcar e a maresia de boas-vindas ao visitante, certo?

 

Errado. A conclusão dos fingers do Santos Dumont está no pacote de obras liberado essa semana, com o objetivo de mostrar que o governo não apenas não está totalmente imobilizado, como inclusive está fazendo lá umas coisinhas.

 

É contra isso que o meu movimento se insurge. Vamos nos organizar para invadir a pista do Santos Dumont e impedir a passagem das betoneiras, à maneira dos chineses da Praça da Paz Celestial.

 

Podemos argumentar que a obra é inútil e desfigura o mais charmoso aeroporto do mundo. Podemos listar estradas que precisam de recapeamento e descobrir pontes que podem desabar a qualquer momento.

 

Mas a verdade é que tudo o que eu quero é poder indefinidamente aterrissar no Rio, emergir da porta do avião, dar de cara com o Pão de Açúcar e sentir o bafo da maresia me dando as boas-vindas à Guanabara. Alguém mais para engrossar o movimento?

 

E antes de embarcar de volta, o misto-quente com milk-shake no balcão é sagrado

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h18
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Gabeira: "Uma sensação inegociável"

Caro Ricardo Freire:

Li seu artigo Contra o fim da Maresia. Disponho-me a ajudar. Vou pedir uma audiência pública na Comissao de Meio Ambiente e torpedear esta idéia. A chegada no Rio, via Santos Dumont, é uma sensação inegociável. Não me lembro de nenhum desastre causado pelo atual sistema.

Abraço, 
         
Fernando Gabeira

 

Senhores passageiros: querendo mandar seus e-mails para a Época, o endereço da coluna é xongas@edglobo.com.br.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h16
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A propósito

Os tempos andam tão sombrios, mas tão sombrios, que se o Gabeira fosse escrever sobre o momento atual, poderia usar o mesmo título do seu best-seller sobre os anos de chumbo: O que é isso, companheiro?



Escrito por Ricardo Freire às 09h14
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Grande Loteria de Perguntas: depois tem mais

Senhores passageiros, depois de duas semanas respondendo perguntas, este blog vai retomar a sua vida normal. A todos os que participaram, muitíssimo obrigado. Aos que não tiveram suas perguntas sorteadas, peço desculpas – mas dou uma esperançazinha: quando estiver sem assunto, eu volto ao baú de perguntas da loteria para responder mais adiante.

 

Se você não passou por aqui nos últimos dias, role a página, que tem respostas para férias em Portugal e Espanha, na Itália e em Nova York.

(Caso você queira deixar alguma pergunta para ser respondida láááá na frente, aproveite a caixa de comentários deste post aqui.)



Escrito por Ricardo Freire às 07h46
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Grande Loteria de Perguntas: Portugal e Espanha de carro

Vou sair de férias para Lisboa e Porto. Alugar um carro para conhecer as cidades no percurso é uma boa idéia? Pretendia também ir até Barcelona. O que você indica? (Gabriela, Salvador)

 

Quero viajar por Portugal e Espanha por 15 dias, de carro, chegando e voltando por Lisboa. Que cidades visitar? E em quais pernoitar? (Madrugador)

 

Posso fazer uma introdução comprida? Obrigado.

 

É engraçado: faz oito anos que me pedem roteiros. Mas, nesse tempo todo, nunca ninguém me pediu um roteiro para rodar a França de carro. Quer dizer – já  me pediram diversos itinerários dentro da França, mas sempre para lugares específicos: a Provence, a Côte d'Azur, o Vale do Loire, a região de Bordeaux. "A França", ou seja, a França inteira, ninguém pensa em rodar numa viagem só.

 

Já Portugal e Espanha – que, juntos, têm mais área do que a França continental – todo mundo acha que é bico matar em duas semanas de estrada.

 

Não é não, pessoal.

 

Portugal, sozinho, é uma delícia de fazer de carro: tudo é pertinho, e o que não falta são motivos para você se afastar da auto-estrada. Com um bom guia na mão, e fazendo valer não apenas o seu direito de ir-e-vir, como também o seu direito de desviar e o seu direito de dar meia-volta, você pode facilmente triplicar ou quadruplicar a distância entre Lisboa e o Porto (em linha reta, são meros 300 km).

 

A Espanha também tem suas regiões próprias ao turismo sobre quatro rodas. A Andaluzia é a mais perfeita delas. Um carro também é ótimo para percorrer as paisagens e cidades históricas de Castela, Leão e Extremadura – e facilita a vida de quem explora a Costa Brava, pra lá de Barcelona. Mas a Espanha toda? É canseira na certa. E com Portugal junto? Bom, se você tiver uns 45 dias...

 

O xis do problema, que nenhuma equação exclusivamente rodoviária consegue resolver com conforto, se chama Barcelona. Se você vier de (ou for para) Madri, vai pegar 600 km de estrada, sem nada emocionante pelo caminho (Zaragoza, anyone?). Se vier da Andaluzia (ou continuar até lá), serão 850 km de (ou até) Granada! Contra todas as minhas recomendações, minha amiga J. fez isso ano passado. Eu avisei: menina, entre Granada e Valência (500 km) você vai passar por todos os Guarujás, Camboriús e Guaraparis da Europa! Ela teimou, mas depois deu a mão à palmatória. Se tivesse me ouvido...

 

Sevilha

 

Senhores passageiros, me ouçam: façam seus roteiros rodoviários onde quiserem na Península Ibérica, mas se quiserem passar por Barcelona, entreguem o carro e peguem um avião para lá.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 23h56
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Dito isso, respondo à Gabriela, de Salvador: sim, a sua idéia de alugar um carro para viajar entre Lisboa e Porto é perfeitamente factível. Pegue o carro um dia antes de viajar, e aproveite o último dia na cidade para ir à serra de Sintra, descendo depois até o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa, e voltando a Lisboa pela praia do Guincho, Cascais e Estoril.

No dia seguinte, comece o dia passeando pelo vilarejo caiado de Óbidos (90 km); continue até Batalha (mais 60 km) para visitar o seu imponente Mosteiro; chegue no finzinho da tarde a Coimbra (mais 50 km). Passe duas noites em Coimbra – ou três, se você quiser tirar um dia para passear pela Mata do Buçaco (onde vale a pena tomar um drink no charmoso e decadente Palace Hotel do Bussaco) ou mesmo subir à Serra da Estrela.

 

Brumas de inverno no Palace Hotel do Bussaco

 

Não deixe a região de Coimbra sem antes ter ido à vila de Mealhada para comer um leitão assado à moda da Bairrada num dos restaurantes à beira da antiga estada Lisboa-Porto (o mais famoso é o Pedro dos Leitões).

 

De Coimbra você pode subir até Trás-os-Montes (uma boa base de exploração é a cidade romana de Chaves, a 270 km; fique duas noites). Santiago de Compostela, já na Espanha, fica a 200 km de lá, e vale dois dias inteiros. Volte ao Porto (300 km) passando por Pontevedra. Não entre na cidade de carro – entregue no aeroporto e vá de táxi. Tente não chegar no fim de semana, porque poucas caves de vinho do Porto abrem no sábado, e quase nenhuma no domingo. Fique dois ou três dias; aproveite para fazer um cruzeiro pelo Douro.

 

Vilarejo nos arredores de Chaves

 

Então pegue um avião para Barcelona (direto pela Portugália; com conexão em Lisboa pela TAP; com conexão em Madri pela Iberia) e comece por lá o seu vôo de volta ao Brasil.

 

(Seria mais fácil passar no Porto antes, devolver o carro em Santiago e voar direto de lá para Barcelona; só que a sobretaxa para pegar carro em Portugal e devolver na Espanha – ou vice-versa – é pesadinha: tipo 350 euros.)

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 23h55
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Agora, respondendo ao Madrugador: se você deixar Barcelona para uma próxima, aqui vai um roteirinho circular, cor-ri-dís-si-mo, começando e terminando em Lisboa, conforme você pediu, de 15 dias por Portugal e Espanha.

 

Passe os três primeiros dias em Lisboa sem carro. Alugue no quarto dia, e vá a Sintra, Cabo da Roca e Cascais.

 

Rua das Janelas Verdes, Lisboa

 

No quinto dia, vá direto a Coimbra (200 km). Na manhã seguinte, vá da maior cidade universitária portuguesa à sua contrapartida espanhola: Salamanca (250 km). No sétimo dia, visite a cidade murada de Ávila (97 km) a caminho de Madri (mais 115 km). Fique três noites; deixe o carro numa garagem.

 

No 10º. dia, vá a Granada (434 km), para ver o Alhambra. No dia seguinte, passeie pelos Pueblos Blancos da Andaluzia, e durma em Ronda (180 km). No 12º. dia continue a Sevilha (120 km). Fique duas noites. No 14º. dia, volte a Portugal, pernoitando dentro dos muros de Évora (320 km). Encerre as férias com o melhor jantar de toda a viagem, no Fialho. Volte a Lisboa (120 km), devolva o carro e embarque para o Brasil.

 

O templo romano dedicado a Diana, em Évora

 

(Muito puxado? Barcelona faz falta? Então considere combinar carro com avião. Chegue por Lisboa. Fique três dias sem carro. Alugue um carro, vá um dia a Sintra, e outro a Évora. Devolva o carro. Voe sem escalas a Málaga, pela Portugália. Pegue um carro, vá direto a Granada, passe uma noite lá, visite o Alhambra, chegue no fim da tarde a Ronda. Passe a noite, e no dia seguinte passeie pelos Pueblos Blancos, chegando a Sevilha no fim do dia. Fique três noites. Devolva o carro em Sevilha, voe a Barcelona. Fique cinco dias. Pegue o vôo a Lisboa com conexão para o Brasil.)



Escrito por Ricardo Freire às 23h55
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Grande Loteria de Perguntas: 15 dias pela Itália

O que é imperdível numa viagem de 15 dias à Itália? Eu e meu marido pensamos numa viagem econômica. Queremos alugar um carro, mas não temos idéia do roteiro. (Thaís)

 

Fazer a Itália inteira de carro eu não recomendo, não, Thaís.

 

Alugar carro na Europa só vale a pena quando você pode se dar ao luxo de visitar apenas pequenas cidades, fáceis de entrar e de sair, e de preferência conectadas por estradas secundárias. Na Itália, esse seria o caso de uma viagem pela Toscana e sua vizinha Úmbria, por exemplo. Ou à Região dos Lagos, subindo para a Suíça. Um carro também seria uma boa solução para viagens por regiões malservidas pela malha ferroviária – por exemplo, a Costa Amalfitana ou a Sicília. Mas para uma primeira viagem à Itália, em que você vai passar a maior parte do tempo em cidades grandes, difíceis para entrar e sair, complicadas para se locomover e impossíveis para estacionar, o carro seria um estorvo.

 

 

Desculpe a falta de originalidade, mas eu não consigo imaginar uma primeira viagem à Itália que não inclua Roma, Florença e Veneza. O ideal seria que você alocasse pelo menos 5 dias para Roma, 3 dias para Florença (um dos quais você vai usar para ir a Pisa) e 3 para Veneza. Com o quê, temos só quatro dias para inventar.

 

(Sim, daria para comprar um passe de trem e fazer um roteirinho de 15 cidades consecutivas. Mas você passaria mais tempo mudando de cidade, entrando e saindo de hotel do que curtindo o lugar que você foi visitar.)

 

Mais adiante eu dou os roteiros organizadinhos, mas por enquanto vamos especular o que dá para fazer nesses quatro dias que nos restam.

 

Uma das alternativas é justamente... alugar um carro e passear pelos vilarejos e regiões vinícolas da Toscana. Entre Roma e Florença vocês podem parar por quatro dias em Siena, uma espécie de Florença que parou na Idade Média. Usem o primeiro dia para passear pela cidade, e aluguem um carro nos três últimos. Visitem San Gimignano (talvez o mais impressionante dos vilarejos murados italianos, com torres altíssimas) num dia, e façam dois tours enogastronômicos nos outros: um para a região do Chianti e outro para a de Montalcino – nos dois passeios, almocem em fattorie (vinícolas). Cotando no site da Europcar, três dias de Fiat Punto 1.2 com quilometragem ilimitada saem por 75 euros, mais 20 euros por dia de proteção contra acidentes e furto – total, 135 euros.

 

Outra alternativa é passar dois dias usando um meio de locomoção ainda mais barato, as pernas, para andar em Cinque Terre – cinco cidadezinhas debruçadas em penhascos na costa da Ligúria. Os outros dois dias que sobram podem ser acrescentados à temporada de Florença (para ir a San Gimignano, de ônibus, e a Siena, de trem).

 

Entre maio e outubro (mas de preferência não em julho nem em agosto, quando as férias de verão deixam tudo lotado), vale a pena também considerar passar esses quatro dias ao sul. Durma uma noite em Capri, e escolha entre Sorrento, Positano e Amalfi como base para explorar a Costa Amalfitana (de ônibus ou de carro alugado) e dar uma chegadinha em Pompéia (antes de pegar o avião de volta em Nápoles).

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 23h51
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Resumindo, então.

 

Itinerário 1 (com carro na Toscana): desembarque em Roma. Fique 5 dias. Continue de trem a Siena (3 horas, 20 euros). Fique 4 dias; no segundo, alugue um carro (sugestão para passeios nesses três dias: San Gimignano, região do Chianti e Montalcino). Devolva o carro. Prossiga de trem a Florença (1h10, 10 euros). Fique 3 dias; num deles, vá a Pisa e volte (1h, 5 euros cada trecho). Termine em Veneza (2h40, 27 euros). Fique 3 dias. Inicie seu vôo de volta ao Brasil em Veneza.

 

Itinerário 2 (com Cinque Terre): desembarque em Roma. Fique 5 dias. Pegue um trem a Monterosso (4h30, via La Spezia, 32 euros). Fique dois dias entre as Cinque Terre. Continue a Pisa (1h20, 10 euros), deixe a mala no guarda-volumes (consigna a bagagli), visite a Torre, e prossiga a Florença (1h, 5 euros). Durma 5 noites – tire um dia para ir de ônibus a San Gigmignano (1h10, via Possibonsi) e outro para ir de trem a Siena e voltar (1h10, 10 euros cada perna). Termine em Veneza (2h40, 27 euros). Aproveite seus três últimos dias. Inicie seu vôo de volta ao Brasil ali mesmo.

 

Itinerário 3 (com Capri e Costa Amalfitana): desembarque em Veneza. Fique 3 dias. Continue de trem a Florença (2h40, 27 euros). Fique 3 dias (tire um para ir a Pisa e voltar – 1h, 5 euros cada perna). Continue a Siena (1h10, 10 euros), fique dois dias (num deles, vá a San Gigminano de ônibus, 1h05). Desça de trem a Roma (3 horas, 20 euros). Fique 5 dias. Desça a Nápoles (1h45, 22 euros) e embarque no primeiro vapore a Capri (1h, 10 euros). Durma na ilha. Ao final do outro dia, pegue o barco para Sorrento (25 min., 6 euros). Fique mais dois dias entre Sorrento, Positano, Amalfi e Ravello – de carro alugado ou de ônibus. No último dia, passe em Pompéia a caminho de Nápoles. Devolva o carro (se tiver alugado, claro) e inicie o vôo de volta ao Brasil lá mesmo.

Para conferir horários e preços de passagem de trem na Itália, clique aqui: www.trenitalia.it. Para descolar hospedagem em conta, pesquise nesse site aqui: www.hostelworld.com. E buon viaggio.



Escrito por Ricardo Freire às 23h50
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Grande Loteria de Perguntas: uma semana em Nova York

Vou passar 8 dias em Nova York em lua-de-mel, entre o Natal e o Ano Novo. Estamos ansiosíssimos, queremos fazer de tudo, mas sabemos que não vai dar tempo. Você poderia dar uns toques do que não devo deixar de fazer e do que posso deixar passar? (Heloísa, São Paulo)

 

Primeiro toque: relaxe. Oito dias são suficientes para perceber a aparência, a textura, a consistência e o sabor de qualquer cidade – mesmo que essa cidade se chame Nova York.

 

O que você não deve deixar de fazer? Em outros lugares, a resposta seria tão fácil que você provavelmente nem faria a pergunta. Suba a Torre Eiffel, admire Davi, veja o papa, ande na roda gigante à beira do Tâmisa, atravesse o Rialto, entre no Grande Bazar, sente-se num café da Rambla e peça "horchata de chufa, si us plau".

 

 

Nova York, no entanto, não se presta a uma estratégia assim. Se você desconsiderar a Estátua da Liberdade (que é tão fora de mão que já caracteriza um passeio para fora da cidade), vai ver que o grande monumento de Nova York é a cidade inteira. Na nossa cabeça, Nova York é o skyline de Nova York.

 

À distância, parece que só esquadrinhando essa maquete inteirinha, quarteirão por quarteirão, e experimentando tudo o que já nos contaram existir ali dentro, é que poderemos sair com a impressão de que visitamos (note que eu não disse conhecemos) Nova York. É o contrário. Qualquer pedacinho da cidade – rico ou pobre, arrumadinho ou emporcalhado, esnobe ou marginal – compartilha o mesmo DNA. Se você ficar oito dias parada numa mesma esquina só observando o que acontece em volta, no fim terá visto o suficiente para a viagem ter valido a pena ;-)

 

Não encare os oito dias dessa viagem (ou de qualquer outra) como uma batalha para conquistar pontos estratégicos e fincar sua bandeira em todos os marcos importantes do seu inimigo, o destino. É sempre mais divertido fazer uma visita de paz.

 

Faça como você faria num restaurante. Leia o cardápio inteiro, com calma e armada de curiosidade. Escolha o que mais tentar os seus sentidos. Depois, concentre-se em saborear aquilo que você escolheu – e não em tentar adivinhar o que estão comendo na mesa do vizinho. Muito provavelmente, vocês vão sair dali igualmente satisfeitos – cada um à sua maneira.

 

Aos cardápios – perdão: aos guias, pois.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h02
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Os dois melhores guias de Nova York escritos por brasileiros para brasileiros estão, infelizmente, fora de catálogo: o inteligente Nova York é aqui, de Nelson Motta, e o completíssimo Guia New York, de Katia Zero. Mas eles venderam tanto (na segunda metade da década de 90) que devem ser facilmente encontrados nas estantes de amigos ou parentes. O guia de Katia Zero tem um capítulo absolutamente sensacional, intitulado "O melhor de Nova York é grátis ou custa menos de 10 dólares" ;-)

 

 

Outros dois livros podem ser achados nas boas livrarias do mundo físico ou virtual: Manhattan Sensual, de Katia Zero (uma antologia de suas ótimas colunas sobre Nova York publicadas no Estadão até 2000) e Os Endereços Curiosos de Nova York, de Adriana Carranca – um livro que, no mínimo, vai fazer você viajar bastante antes da viagem.

 

Outro jeito bem divertidinho de se familiarizar com a Nova York dos nova-iorquinos é ir à locadora e fazer um vale-a-pena-ver-de-novo da série Sex and the city – só para encontrar todos os lugares, bares, restaurantes e (sobretudo) lojas no guia de Teté Ribeiro, A Nova York de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda.

 

(É muita informação? Magina. É que nem olhar vitrine. Você só está escolhendo. Não precisa comprar nada. Se alguém vier perguntar alguma coisa, é só falar "Nada não, moça, tô só olhando".)

 

No capítulo museus e atrações turísticas propriamente ditas, nenhuma série é tão elucidativa quanto os Guias Visuais da Folha. São tantas as figurinhas, que você escolhe o que vai fazer questão de ver ao vivo, e ainda fica com a nítida sensação de que foi também aos lugares que não vai dar tempo de visitar  ;-)

 

Como você vê, até este ponto eu só fiz terceirizar as recomendações. Porque, francamente,  se é para escolher entre um bom museu e uma boa loja, eu vou sempre preferir um bom restaurante – de preferência, de alguma culinária exótica.  Então, a partir daqui, eu mostro onde fica o pesque-pague mas também ofereço uns peixinhos. (Se não gostar deles, ótimo – você vai encontrar os que te apeteçam mais.)

 

Pois bem. O guia Time Out New York: Eating & Drinking divide os restaurante da cidade em 38 especialidades culinárias – mas para acessar o conteúdo no site da Time Out New York é preciso ser assinante. De graça, dá para pesquisar no bom guia de restaurantes da revista New York (a inspiração da Vejinha São Paulo). Esta página aqui é especialmente útil:

 

Onde comer bem por até 25 dólares (indicações da revista New York)

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h01
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Agora que vocês já sabem onde pesquisar restaurantes em conta, aqui vão algumas sugestões para quando vocês quiserem chutar o balde (com diferentes graus de violência):

Em primeiro lugar, eu recomendaria que vocês almoçassem ostras com champagne no Oyster Bar, que fica nas catacumbas da estação Grand Central, na rua 42, é um dos clássicos da cidade e não chega a ser caro (vocês podem ver o menu com preços no site).

O restaurante mais bonito de Nova York – bem, eu nem conheço tantos assim, mas duvido que exista um mais bonito ;-) – é o Spice Market, todo decorado com entalhes antigos vindos da Índia e do Camboja; o cardápio reinterpreta a "comida de rua" do sudeste asiático.

 

Querendo provar a cozinha contemporânea americana (inventiva ma non troppo, com base mediterrânea e toques asiáticos e nativos, um pendor para os orgânicos e os preparos politicamente corretos), e podendo gastar um pouquinho mais, escolham entre os dois restaurantes favoritos dos nova-iorquinos: o Union Square Café e o Gramercy Tavern. (Não são baratos, mas nenhum dos dois é metido.)

 

Se você gostarem de comida fusion, tipo assim o fusion do fusion do fusion (eu adoro), invistam num jantar no Asia de Cuba, no hotel Morgans. Mas se fusion não faz o gênero de vocês, então fujam. (Desculpaê, pessoal, mas eu precisava um dia escrever isso. Pronto. Já estou melhor. Posso dar um andamento normal aos trabalhos.)

 

Não dá para passar um domingo em Nova York e não fazer um brunch bacana. Eu iria a um dos bistrôs franceses fake de Keith McNally: o Balthazar, no Soho, ou o Pastis, no Meatpacking District.

 

(Sempre lembrando: para qualquer um desses lugares aí em cima é preciso reservar, e com alguma antecedência.)

 

A vista mais bonita de Manhattan está no Brooklyn – passem no bar do River Café para apreciar.

 

E para não dizer que não dou nenhuma recomendação pessoal de restaurantes baratinhos, aqui vai o link para a Disneylândia de quem gosta de comida indiana boa e em conta: a rua 6, ou Curry Lane.

 

Finalmente, o último lugar para onde eu mandaria vocês em Nova York é um shopping center. Mas o Time Warner Center tem algo que me faz, sim, subir três lances de escada rolante: a vista para o Central Park que se tem do bar Stone Rose.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h00
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Ah, sim. Tem o teatro. Vale a pena decidir agora o que vocês vão querer ver, para ainda achar bons lugares. Quando chegar pertinho, vai estar tudo esgotado. Você pode conhecer os espetáculos e comprar os ingressos em sites como o Broadway.com. Ou pode também usar os serviços de compra de ingressos de cartões de crédito. (Se o seu cartão oferece esse serviço, compre com ele – os sites de ingresso não fazem trocas nem estornos caso você cometa algum errinho bobo no processo de reserva.) 

O espetáculo mais nova-iorquino (apesar de se passar na Rússia...) em cartaz na Broadway é a saga judia O Violinista no Telhado, com Nathan Lane. O musical mais engraçado deve ser Mamma Mia, que foi escrito por um integrante do Abba de modo a encaixar as letras dos maiores sucessos do grupo (não dá pra não gostar). Entre os shows off-Broadway, uma dica que todo mundo vai te dar é o Blue Man Group: é muito bom, e não requer um pingo de conhecimento de inglês. O espetáculo de dança percussiva Stomp também é fora-de-série, mas de vez em quando vem ao Brasil. Uma experiência diferente é assistir a Tony n'Tina's Wedding – uma peça interativa que encena um casamento em que a platéia faz o papel dos convidados. E caso vocês queiram entrar no espírito natalino e testemunhar um dos pontos altos da cultura kitsch americana, comprem ingresso para uma matinê do Radio City Christmas Spectacular, com as Rockettes. 

 

E uma última coisinha. Sempre é bom lembrar que em Nova York – e em quase todos os lugares fora do Brasil – o Natal é muito, mas muito mais importante que o Réveillon. Por isso, não ponham muita expectativa nas festas de rua de passagem do ano: são todas sem-graça, inclusive a do Times Square que sempre passa na TV (a queda da maçã e aquela chatice toda). Tampouco vale a pena investir num caríssimo jantar de réveillon. Comprem um bom champagne, deixem meia hora no parapeito da janela, e ele vai estar pronto para brindar à meia-noite.

 

No mais, aproveitem esses meses que faltam para o embarque, e viajem muito nos guias e nos sites. Vocês vão ficar tão íntimos da cidade, que quando chegarem só vão precisar escolher o que querem rever ;-)



Escrito por Ricardo Freire às 09h58
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Grande Loteria de Perguntas: destinos GLS

Quero viajar para um lugar que tenha uma cena GLS legal. O que você me sugere? San Francisco? Barcelona? Amsterdã? Miami? Quais sites têm boas dicas nesse quesito? (O Cara)

Qualquer grande cidade do mundo ocidental tem uma "cena legal". Na sua pergunta você já citou quatro que, sem dúvida, estão na Primeira Divisão do GLSismo. Só para aumentar a sua indecisão, daria para incluir nesse rol também Nova York, Londres, Berlim, Madri, Paris, Los Angeles, São Paulo, Rio, Buenos Aires, Cidade do Cabo, Sydney, Bangkok... Muitas dessas cidades têm bairros inteiros gays ou, ao menos, simpatizantes – como o Castro em San Francisco, Chelsea em Nova York, South Beach em Miami, West Hollywood em Los Angeles, o Marais em Paris, Chueca em Madri.

 

 

Existem também pequenas cidades que foram praticamente recolonizadas por gays. A mais homogênea (ops) delas é Provincetown, a duas horas de Boston. Key West, no extremo sul da Flórida, e Sitges, a 40 km de Barcelona, também são lugares predominantemente GLS. Da mesma maneira como ocorre nos clubes da moda, as ilhas mais fervidas do verão europeu têm público misturado – como Mykonos, na Grécia, e Ibiza, na Espanha.

 

É complicado achar na Internet um site confiável que dê conta de tudo isso. Um que me pareceu sério e capaz de dar boas dicas sobre a cena GLS de vários lugares do mundo é o PlanetOut – digo "me pareceu" porque visitantes só têm acesso à introdução de cada capítulo; para ver mais é preciso comprar uma assinatura do portal www.gay.com. Afora esse, qualquer googlada vai trazer centenas sites que listam bares, boates e bas-fonds de cidades ou países específicos – o problema é que, de longe, não dá para saber quais são quentes, atualizados e isentos.

 

A boa notícia nesse departamento é que, já faz um bom tempo, os bons guias de papel resolveram sair do armário. Hoje, qualquer guia que se preze vai ter a sua seção GLS. Todos os guias da excelente série Time Out têm um capitulão "Gay and lesbian". À medida que vão ficando moderninhos, os Lonely Planet também vão incluindo informações GLS – sobretudo em seus guias de cidades. Até mesmo os caretões Frommer's e Fodor's não ficam mais vermelhos ao tocar no assunto. Você pode até encomendar na Amazon um guia gay dos Estados Unidos do Fodor's e um guia gay e lésbico da Europa do Frommer's.

 

Qualquer um desses guias vai dar uma geral sobre a cena GLS dos lugares que você vai visitar. Depois é só complementar com dicas atualizadas de fanzines e guias alternativos que vão certamente cair na sua mão quando você chegar lá.



Escrito por Ricardo Freire às 08h55
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Grande Loteria de Perguntas: lua-de-mel com R$ 5 mil

Com 5 mil reais para gastar, para onde você mandaria um casal passar uma semana em clima de lua-de-mel – se possível, no Exterior? Gostamos de sol, praia e paisagens insólitas. (Ju, São Paulo)

 

Traduzindo: você e o maridão querem passar uma semana no Caribe com 2.000 dólares. Procurando, dá para achar pacotes de 1.000 dólares por cabeça para lugares bem bacaninhas – o problema é que, com exceção do café da manhã, as refeições não estarão incluídas, e o seu orçamento vai acabar estourando.

 

Cayo Largo, Cuba

 

Se vocês rasparem o cofre e arranjarem uma verbinha extra (entre 500 e 1.000 dólares) para almoçar e jantar, podem considerar as praias azul-calcinha de Aruba (US$ 1.158 por pessoa), o salseiro de Havana (US$ 1.038) ou dois destinos colombianos que acabaram de entrar no cardápio das operadoras: a histórica Cartagena (US$ 947) e a ilha caribenha de San Andrés (US$ 1.031). É mais ou menos o que vocês gastariam num pacote de 7 noites em Fernando de Noronha em pousadinha simples (R$ 2.770 por pessoa, só com café). Para ver os pacotes, clique nos links em azul.

 

Se vocês abrirem mão da praia, podem aproveitar os pacotes para Argentina e Chile na faixa de 800 dólares – sempre só com café da manhã incluído. Vocês podem dividir essa semana entre Buenos Aires e Santiago (US$ 798) ou Bariloche e Santiago (US$ 814). Mas como lua-de-mel que é lua-de-mel precisa ser chique, eu mandaria vocês para Buenos Aires, com sete dias de hospedagem num dos hotéis mais novos da cidade, o moderninho Madero by Sofitel (US$ 725 – US$ 419 a passagem e as duas primeiras noites, mais US$ 61 por pessoa por noite adicional).

 

Puerto Madero, Buenos Aires

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 07h35
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Voltemos à praia. Com 4 mil reais, um casal pode passar uma semana, com jantar incluído, num resort à beira-mar no Brasil (como o Sofitel Costa do Sauípe ou o Salinas do Maragogi). Só que... sei lá, eu acho difícil pintar clima de lua-de-mel num resort grandão. Resorts pequenos, no entanto, costumam ser ainda mais caros, e não cabem nesse orçamento. Pousadas de luxo, idem. Mas nem por isso vamos desistir da nossa lua-de-mel no paraíso.

 

Consultei meus alfarrábios digitais em busca de pousadas charmosas e acessíveis, que ficassem pé-na-areia em praias lindas e sossegadas. E achei essas aqui, em três de minhas praias favoritas no Brasil.

 

Pousada do Paolo, Jijoca (CE)

 

Que tal um bangalozinho de frente para a areia branquíssima e a água cristalina da lagoa de Jijoca, em Jericoacoara? A lagoa é a melhor "praia" de Jeri, e os bangalozinhos da Pousada do Paolo são simpáticos e inacreditavelmente em conta: R$ 100 na baixa temporada, com ar condicionado. A Gol voa a Fortaleza por até R$ 762 (uma tarifa disponível para quem compra com muita antecedência), e o traslado de ônibus com ar condicionado Fortaleza-Jeri-Fortaleza sai R$ 90 por pessoa. Total para o casal: R$ 2.314. Ainda sobra metade do seu orçamento para comer, passear e fazer compras.

 

Praia do Espelho, sul da Bahia

 

A praia do Espelho, no sul da Bahia, foi feita para passar a lua-de-mel – só falta os casais descobrirem. Os turistas-de-um-dia-só (que, fora de temporada, nem são tantos assim) só chegam lá pelas 11 da manhã, e precisam ir embora no meio da tarde. Quem está hospedado numa das pousadas da praia (pouquíssima gente, sempre!) dorme e acorda numa praia deslumbrante – e vazia. Das pousadas pé-na-areia do Espelho, a mais em conta é a Pura Vida, onde os quartos standard custam R$ 210 por dia, com jantar incluído. A BRA voa a Porto Seguro por R$ 538 (a Gol também tem uma tarifa parecida, para compras com antecedência), e o traslado ao Espelho, ida e volta, sai mais R$ 340. Total para o casal: R$ 2.886 – vocês ficam com folga para não regular as caipirinhas e os aperitivos (a praia do Espelho tem o serviço de bordo mais caro do Brasil).

 

Rio Tatuamunha, Porto de Pedras, Alagoas (foto de Giovana Gregolin)

 

Finalmente, o pedacinho do litoral norte de Alagoas que eu chamo de Rota Ecológica é uma mina de pousadas charmosas e em conta, num cenário próprio para casais in love. A Pousada do Toque, uma das melhores do Brasil, ainda mantém dois chalés simples (quer dizer: simples, mas com colchão ótimo, ar e DVD), a R$ 230 por dia, com jantar à la carte incluído – tipo assim: lagostins todas as noites, se vocês quiserem. Ao lado, a Pousada da Amendoeira (sem site; tel.: 82/3295-1213) tem bangalozinhos novinhos e confortáveis a R$ 180 a diária, com jantar (mas sem piscina). Mais adiante, a Pousada Côté Sud tem chalés individuais e uma linda piscina de frente para o mar; as diárias, com jantar, começam em R$ 170. A Gol voa a Maceió por R$ 672 (compras antecipadíssimas). O traslado a São Miguel dos Milagres sai em torno de R$ 300. Total para o casal: no chalé básico do Toque, R$ 3.250; na Amendoeira, R$ 2.900; na Côté Sud, R$ 2.840. Com o que sobra, dá para beber, almoçar e passear.

 

Piscina natural da praia do Toque, São Miguel dos Milagres (AL)



Escrito por Ricardo Freire às 07h34
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Grande Loteria de Perguntas: duas semanas no Japão

Li os posts durante a sua viagem para o Japão e pergunto: qual seria o roteiro ideal se você tivesse duas semanas? (Luciana, Michigan)

 

Não seria muito diferente do que eu fiz não, Luciana – só que feito com mais calma ;-) 

 

Sabe o que eu faria de outro jeito? Eu começaria por Kyoto. Como eu disse nos posts da viagem, Kyoto entrega de cara, e generosamente, tudo aquilo que você espera do Japão. Satisfeita a curiosidade básica, eu partiria para destinos menos conhecidos do interior. E só então, depois de aprender sobre o Japão em lugares menores, chegaria a Tóquio, para os quatro ou cinco dias finais da viagem.

 

Pelas ruas de Higashiyama, Kyoto

Começando por Kyoto.

Do aeroporto de Tóquio (Narita) a Kyoto são 3h30 de trem – com uma baldeação em alguma grande estação de Tóquio. (Eu sei, eu sei, não é o jeito mais facinho de começar uma viagem ao Japão, ainda mais depois de passar 24 horas num avião. Mas você vai me agradecer depois.)

 

Os aeroportos mais próximos de Kyoto são o de Nagóia, a 1h de trem (a JAL voa do Brasil até lá; a United tem vôo direto de San Francisco e a American, de Chicago), e o de Osaka (Kansai), a 1h30 de trem (a JAL oferece conexão em Los Angeles; a United voa direto de Chicago ou San Francisco).

 

Asakusa, Tóquio

 

Montando seu itinerário.

 

Como este blog não apenas dá o peixe, mas também ensina a fazer o sashimi, aí vai a dica de um site imbatível para criar seu roteiro japonês: o Japan-Guide.com. Ele foi fundamental para o planejamento da minha viagem. Os caras ranqueiam destinos e atrações, e dão as coordenadas geográficas básicas. Depois que você decide o que quer conhecer, é só complementar com o serviço do seu guia favorito (Frommer's, Fodor's, Lonely Planet ou Rough Guides).

 

Para conferir os horários de trem , bookmarke este site aqui: http://www.hyperdia.com/cgi-english.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h54
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Um roteiro.

Este é o itinerário que eu faria se tivesse duas semanas para viajar pelo Japão, privilegiando os aspectos culturais. Você vai precisar de um Japan Rail Pass de 14 dias (450 dólares). Ah, sim: a não ser quando eu avisar, a partir daqui todos os links em azul levam ao Japan-Guide.com. (Mas as fotos, como sempre, são minhas mesmo...)

 

Pedidos no templo de Kyiomizudera, Kyoto

 

Comece então por Kyoto. Fique quatro noites. Nos três primeiros dias, faça todas as caminhadas e visite todos os templos a que você tem direito. No quarto dia, passeie por Nara, a primeira capital japonesa (45 min. de viagem).

 

Espero que quando você vá a Monte Koya faça menos frio do que na minha vez

 

No quinto dia eu voltaria ao lugar que talvez tenha sido o ponto alto (tá bem, com trocadilho) da minha viagem: Monte Koya, ou Koyasan (2h40 de trem, com baldeações). Trata-se de uma experiência singular: você dorme em mosteiros budistas, experimenta a (deliciosa) comida vegetariana dos monges e participa das preces matinais. Tente chegar no comecinho da tarde, para dar tempo de visitar o complexo principal de templos e ainda passear ao entardecer pelo cemitério budista mais importante do Japão.

 

Banquete vegetariano do mosteiro Shojoshin-in, Monte Koya

 

No sexto dia eu tomaria a direção sul até Hiroshima (3h50), para ver o Parque Memorial da Paz. Como você deve chegar à cidade no meio da tarde, é melhor deixar para visitar o parque visitar na manhã seguinte.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h53
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Takayama

 

No começo da tarde do sétimo dia eu pegaria o trem para Takayama (5h), uma cidade serrana que mantém algo raríssimo no Japão: três ruas inteiras de casas antigas. Nos arredores da cidade funciona também um bonito museu ao ar livre que recria um vilarejo rural tradicional. O caminho é muito bonito – os trilhos do trem acompanham um rio margeado por uma floresta. Na manhã seguinte, depois de visitar o centro da cidade e alguma de suas famosas destilarias de saquê, pegue um ônibus para Shirakawa (2h), onde ainda existem de verdade aquelas casas do museu rural de Takayama: são as chamadas grasshozukuri, tombadas como patrimônio da humanidade pela Unesco. Passar a noite numa delas, experimentando a comida caseira da região, é bem mais barato do que pernoitar num ryokan – e tão exótico quanto.

 

Lago Hakone

 

No nono dia comece a descer em direção a Tóquio. Volte de ônibus a Takayama (2h) e retome o trem até Odawara (4h30). Acomode-se num hotel em Hakone (se puder, pernoite no clássico Hotel Fujiya), e não deixe de visitar uma casa de banhos termais (você vai estar cansada depois de tanto trem pra cima e pra baixo). No dia seguinte, percorra o circuito completo do parque de Hakone – você vai andar de trenzinho, de barco e de teleférico, e vai ter a vista mais bonita do Monte Fuji (reze para não estar nublado).

 

Foi assim que o Monte Fuji se apresentou para mim em Hakone

 

Chegue a Tóquio (1h) no começo da noite do décimo dia. Faça questão de que seu hotel esteja localizado nas proximidades de uma estação importante – a mais estratégica é Shinjuku.

 

Shinjuku, Tóquio

 

Como eu escrevo nos posts da viagem, desencane de encontrar endereços específicos (o restaurante x ou o bar y): você só vai se incomodar, e não vai achar xongas. Contente-se em emergir das estações principais e descobrir as sutis diferenças entre cada região. Se você conseguir ficar até um domingo, não deixe de ver as garotas superproduzidas de Harajuku. E tente acordar cedo um dia para ver o leilão de atum no mercado de Tsujiki. E caso você tenha um ataque de nostalgia do Japão tradicional que você deixou para trás, é só pegar um trem e ir aos templos de Nikko (2h).

 

Embalos de domingo à tarde em Harajuku, Tóquio

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h53
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A cerejinha do bolo.

 

É caro, mas eu não deixaria de passar pelo menos uma noite num ryokan – o hotel tradicional japonês, em que você dorme no tatâmi e janta um banquete tradicional servido no quarto. A brincadeira começa em 300 dólares, e pode chegar fácil a 500, dependendo do luxo do ryokan. Mas é um ótimo negócio, porque o banquete está incluído na diária (e custaria quase a mesma coisa se fosse feito num restaurante de luxo). Existe um serviço de reservas ótimo, dirigido por um americano, que consegue tudo para você, sem que você precise gastar o seu japonês: www.japaneseguesthouses.com. Hai!

 

Ryokan Motonago, Kyoto

 

Recapitulando:

· Compre um Japan Rail Pass de 14 dias (US$ 450)

· Comece com 4 dias em Kyoto (3h30 de Tóquio/Narita, 1h de Nagóia, 1h30 de Osaka/Kansai), e tire um dia para passear em Nara (1h)

· No 5º. dia, viaje a Monte Koya (2h40) e passe a noite num mosteiro

· No 6º. dia, vá a Hiroshima (3h50), e visite o Parque Memorial da Paz

· No 7º., suba a serra a Takayama (5h) para passear no seu centro preservado

· Passe a noite seguinte numa casa de família na zona rural de Shirakawa  (2h de ônibus)

· No 9º. dia, desça até Hakone (2h de ônibus + 4h30 de trem) e relaxe numa fonte termal

· Comece o 10º. dia fazendo o circuito do parque de Hakone, aviste o Monte Fuji e siga a Tóquio (1h)

 

Loja da Prada, Aoyama, Tóquio



Escrito por Ricardo Freire às 20h53
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Grande Loteria de Perguntas: 4 semanas pelo Brasil

Vou de férias ao Brasil pela primeira vez para passar quatro semanas. Que itinerário escolher? E quais os meios de transporte sugeridos? (Janina, Lisboa)

 

Em primeiro lugar, um grande abraço a todos os portugueses que já há um bom tempo viajam no meu sítio de praias e que agora começam a embarcar aqui no blog.

 

Janaína, fica difícil acertar na mosca sem saber mais detalhes sobre os seus interesses e sua disponibilidade de dinheiro. Mas acho que vou conseguir te dar elementos suficientes para montar uma viagem que seja a sua cara.

 

Península de Maraú, Bahia

 

Escolhendo o meio de transporte.

 

Para dar conta de um país do tamanho do Brasil em apenas um mês, você vai precisar viajar de avião. Para sua sorte, quem mora no exterior tem direito a comprar um Brazil Air Pass – um passe aéreo que deve ser comprado em conjunto com a passagem internacional. A tarifa começa em 399 dólares para 4 vôos e vai aumentando em 100 dólares por vôo extra, até um limite de 9 vôos por 999 dólares. Não há restrição de distâncias cobertas. O passe só tem três limitações: (1) você precisa fazer seus vôos em 21 dias; (2) você não pode desembarcar duas vezes numa mesma cidade – a não ser para fazer conexões; (3) você deve chegar ao Brasil já com todos os vôos reservados e confirmados. Tanto a Varig quanto a TAM oferecem o passe, mas a TAM atualmente serve mais destinos (como Ilhéus e Chapada Diamantina) e tem mais horários do que a Varig.

 

(Outra pegadinha: na Varig, o passe de 399 dólares só vale para quem chega ao Brasil com alguma companhia da Star Alliance – Varig, TAP, United, Lufthansa, Air Canada, SAS; para passageiros de outras companhias, a tarifa é um pouquinho mais cara. Já na TAM a tarifa mais baixa é válida para passageiros de qualquer companhia, incluindo as da Star Alliance.)

 

Barco de estudantes em Boipeba, Bahia

 

Também é possível rodar o Brasil inteiro de ônibus (com exceção da Amazônia, onde o barco é o meio de transporte mais popular). Nas rotas longas, os ônibus brasileiros são mais confortáveis do que os seus equivalentes europeus; nossas estradas, porém, salvo raras exceções, são péssimas. Eu só recomendaria ônibus se você escolhesse apenas uma região brasileira (o Nordeste, ou o Sudeste, ou da Bahia ao Rio), ou então tivesse mais tempo do que esses 30 dias para zanzar pelo país.

 

Morro de São Paulo, Bahia

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h01
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Selecionando as escalas.

Existem três lugares que eu não deixaria de fora de uma primeira grande viagem ao Brasil: o Rio de Janeiro (sem bairrismo: é a cidade mais linda do mundo), Salvador (o lugar mais exótico que alguém pode conhecer no Brasil) e Foz do Iguaçu (além de deslumbrantes, as cataratas proporcionam uma pequena experiência de selva, muito fácil de encaixar em qualquer roteiro de avião). Eu construiria o itinerário em torno desses três destinos, acrescentando outros lugares de acordo com os seus interesses.

Forte do Boldró, Fernando de Noronha

 

Quer mais natureza? Se você quer observar bichos, inclua um hotel de selva na Amazônia (desça em Manaus) ou um lodge no Pantanal (desça em Campo Grande). Para ver paisagens incríveis, vá aos Lençóis Maranhenses (desembarque em São Luís), a Fernando de Noronha (nossas praias mais bonitas, e o melhor lugar para mergulhar) ou à Chapada Diamantina baiana (o aeroporto de chama Lençóis). Ainda no capítulo ecoturismo, considere as trilhas na mata litorânea de Itacaré (desça em Ilhéus) e os rios cristalinos de Bonito (desça em Campo Grande).

 

Quer passar um tempinho num vilarejo de praia? Se você busca charme e gastronomia, escolha entre Trancoso (desça em Porto Seguro), Pipa (desça em Natal), Búzios (venha do Rio) ou Paraty (venha do Rio ou de São Paulo). Se busca um lugar mais jovem e animado, considere Morro de São Paulo (uma ilha perto de Salvador), Jericoacoara (a 300 km de Fortaleza), Arraial d'Ajuda (desça em Porto Seguro) ou a Ilha Grande (venha do Rio). Se quer sossego total, programe uns dias na ilha de Boipeba (venha por Ilhéus ou por Salvador), na praia do Espelho (desça em Porto Seguro) ou em alguma das pousadas da Rota Ecológica alagoana (desça em Maceió).

 

Praia de João Fernandinho, Búzios

 

E se o seu interesse for arquitetura, você pode incluir outras cidades do período colonial, como Ouro Preto (desça em Belo Horizonte), Recife, Olinda (vizinha do Recife) e Paraty (desça no Rio ou em São Paulo). Ou dar um pulinho na modernidade de Brasília. Ou no caos absoluto de São Paulo.

 

Bom. A essas alturas você deve estar mais confusa do que antes de fazer sua pergunta. Vamos organizar, pois. Fiz três roteirinhos para você, Janina. Os dois primeiros usam o Air Pass. O terceiro é para você fazer misturando ônibus com outros meios de transporte.



Escrito por Ricardo Freire às 10h01
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Roteiro 1.

Este roteiro combina história, arquitetura, natureza, praia e cidade grande, e pode ser feito com um Air Pass de 499 dólares (5 vôos).

 

Chegue por Salvador. Fique 4 dias. Se quiser esticar até a ilha de Morro de São Paulo (25 minutos de aviãozinho – não-incluído no Air Pass, claro – ou 2 horas de catamarã), aumente mais 3 dias. As trilhas, cachoeiras e cavernas da Chapada Diamantina estão a 55 min. de vôo (desça em Lençóis; fique 3 ou 4 dias; acrescente mais 100 dólares a seu Air Pass).

 

Igreja do Bonfim, Salvador

 

Saia da nossa primeira capital direto para a nossa capital atual, Brasília (1h45 de vôo de Salvador, ou 2h45 da Chapada). Fique dois dias.

 

A seguir, escolha um destino ecológico – quase todos têm acesso fácil a partir de Brasília: Manaus (2h45 de vôo; fique dois dias e depois passe mais dois ou três num hotel de selva), São Luís (2h40 de vôo; fique dois dias e depois passe quatro nos Lençóis Maranhenses, 4h de estrada) ou Campo Grande (1h30 de vôo; vá direto para um lodge no Pantanal – mais 3h de estrada; fique 4 dias).

 

Saindo da selva (ou do deserto) a idéia é tomar um choque megalopolitano em São Paulo (3h45 de Manaus, 4h50 de São Luís, 1h40 de Campo Grande). Fique três dias.

 

Foz do Iguaçu

 

Próxima escala, Foz do Iguaçu (1h30 de vôo). Fique pelo menos dois dias inteiros, para fazer também as caminhadas do lado argentino e os passeios de caiaque na bacia das quedas d'água.

 

Termine no Rio de Janeiro (1h50 de vôo). Se você não fez nenhuma das viagens laterais (Morro de São Paulo, Chapada Diamantina), vai sobrar um tempinho, que você pode usar dando um pulinho em Búzios (2 horas de ônibus para o norte), em Paraty (5 horas de ônibus para o sul) ou na Ilha Grande (2 horas de ônibus para o sul). Volte a Lisboa do Rio mesmo.

 

Paraty

 

Resumindo: compre uma passagem Lisboa/Salvador//Rio-Lisboa. Emita um Air Pass de 5 vôos: Salvador/Brasília/Manaus (ou São Luís, ou Campo Grande)/São Paulo/Foz/Rio. (Ou um Air Pass de 6 vôos, com a Chapada Diamantina – o aeroporto se chama Lençóis, mas não tem nada a ver com os maranhenses – entre Salvador e Brasília.)

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h56
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Roteiro 2.

Esse roteiro privilegia a praia, e reflete mais o meu gosto pessoal. Também pode ser feito com um Air Pass de 499 dólares (5 vôos).

 

Chegue pelo Rio. Fique pelo menos 5 dias. Separe mais três dias para curtir a história e passear de barco em Paraty (5 horas de ônibus).

 

Vá então para Foz (1h50 de vôo). Fique pelo menos dois dias inteiros.

 

Praia do Espelho, Bahia

 

De lá vá a Porto Seguro (5h20, com conexão em São Paulo). Vá direto a Trancoso (1h de táxi), o mais charmoso vilarejo de praia do Brasil. Fique pelo menos quatro dias na região – e durma uma noite na Praia do Espelho (1h de táxi de Trancoso).

 

Continue a Salvador (50 min. de vôo). Fique quatro dias.

 

Baía dos Porcos, Fernando de Noronha

 

De lá a Fernando de Noronha (5h, com conexão no Recife). Fique pelo menos quatro dias.

 

Encerre o tour por Recife (1h de vôo). Fique quatro dias, explore todas as atrações culturais da cidade e de sua vizinha, Olinda. Volte a Lisboa do Recife.

 

Olinda, Pernambuco

 

Resumindo: compre uma passagem Lisboa/Rio//Recife/Lisboa. Emita um Air Pass de 5 vôos: Rio-Foz-Porto Seguro-Salvador-Fernando de Noronha-Recife.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h56
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Roteiro 3.

 

Se você tem espírito de pé-na-estrada, aí vai um périplo pinga-pinga pelo litoral da Bahia ao Rio, misturando vários meios de transporte.

 

Chegue por Salvador. Fique pelo menos 4 dias inteiros.

 

Pegue um aviãozinho para o agito de Morro de São Paulo (25 min.). Fique 3 dias.

 

Pegue um barco para a ilha selvagem de Boipeba (3h). Fique 3 dias.

 

Piscina em alto-mar, Boipeba (Bahia)

 

A seguir, uma pequena epopéia. Pegue uma lancha para Torrinha, um ônibus a Nilo Peçanha e outro a Camamu (total: 65 km). Finalmente, um barco para Barra Grande (1h30), na península de Maraú. Fique 3 dias.

 

Contrate um jipão 4x4 para levar você até Itacaré (50 km em 3 horas). Fique 3 dias.

 

Pegue um ônibus para Ilhéus (1 hora) e outro para Porto Seguro (6 horas). Hospede-se no Arraial d'Ajuda (mais jovem) ou em Trancoso (mais sofisticado). Fique 4 dias na região.

 

Trancoso, Bahia

 

Pegue um avião (3h30, via São Paulo) ou um ônibus (17h) para o Rio de Janeiro. Tire quatro dias para ir até Paraty (seis, se você quiser passar na Ilha Grande na ida ou na volta). Volte a Lisboa do Rio.

 

Amanhecer em Copa, Rio de Janeiro

Dá para pensar em dezenas de outros roteiros. Eu adoraria fazer uma maratona por estradas, dunas e rios de Fortaleza a Manaus -- passando por Jericoacoara, Delta do Paranaíba, Lençóis Maranhenses e Belém, de onde você pode descer o Amazonas de barco, via Santarém e Parintins. Mas eu precisava pesquisar melhor para te dar as coordenadas direitinho. Espero que já dê para se divertir com esses aí de cima...



Escrito por Ricardo Freire às 09h55
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Grande Loteria de Perguntas: Alagoas

Seguindo suas orientações, vou à Rota Ecológica de Alagoas para passar uma semana. Estou pensando em esticar um fim de semana por perto. O que você escolheria: o sul de Alagoas (Penedo, Piaçabuçu) ou Carneiros, em Pernambuco? (Marcos Gonçalves)

 

Para quem não sabe, a Rota Ecológica é uma estradinha que percorre um trecho do litoral norte de Alagoas que não é servido pela estradona principal (que desvia em Barra do Santo Antônio, vai ao interior e só retorna à costa em Maragogi). Além de paradisíaco, esse trecho tem uma coleção de pousadas sensacionais, perfeitas para quem quer sossego e boa mesa. (E o que é melhor: com preços para todos os bolsos.)

 

Praia do Laje, Porto de Pedras (Rota Ecológica)

 

Marcos, como você vai ficar uma semana inteira por lá, acho melhor você tirar um dia para fazer o passeio até Carneiros – sem dúvida, uma das mais bonitas do Brasil. São apenas 100 km de distância, desde São Miguel dos Milagres. Escolha o dia em que você consiga pegar mais tempo de maré cheia (que é quando Carneiros fica mais bonita, na minha opinião).

 

Pontal dos Carneiros

 

Igrejinha de São Benedito, Carneiros

 

No seu último fim de semana, então, vá mesmo ao sul de Alagoas, que é tão selvagem quanto a Rota Ecológica. Da última vez que fui a Alagoas, em setembro do ano passado, sobrevoei toda essa região num vôo panorâmico (eu estava vindo de uma escala em Aracaju, e o avião voou baixinho o tempo todo) e fiquei de queixo caído: depois das dunas da foz do São Francisco, sucedem-se coqueirais e falésias baixas, tudo entremeado por lagoas aqui e ali. Sem dúvida. esse vai ser um dos trechos aos quais eu vou dedicar mais atenção na próxima atualização do meu guia de praias.

 

Foz do São Francisco

 

Conheço Coruripe e Lagoa do Pau, mas nunca consegui entrar naquela que, dizem, é a praia mais bonita da região: Pituba. Sei que agora existe uma estradinha sinalizada para entrar nela. (E mais: ouvi um zunzunzum de que o lugar vai ser sede de um resort chiquérrimo, cujo nome prometi não revelar --sorry). O passeio à foz do São Francisco é tão bonito quanto aparece no filme "Deus é brasileiro", e Penedo, a "Ouro Preto de Alagoas" é uma gracinha. Se tiver coragem, experimente um jacaré no coco no restaurante do Forte da Rocheira (tel.: 82/3551-3273). Um amigo pousadeiro na Rota me falou bem da pousada Chez Julie (tel.: 82/3557-1217), no Pontal do Peba (primeira praia ao norte da Foz). Ainda não visitei. Quando estive por na região, pernoitei em Penedo mesmo, na Pousada Colonial (tel.: 82/3551-2355) – que é muuuuuiiiiiito simples mas bem simpatiquinha. Penedo fica a 260 km de São Miguel dos Milagres (e 160 km de Maceió).

 

O jeito mais bonito de chegar a Penedo é vindo de balsa, de Neópolis (Sergipe)

 

Links:

Rota Ecológica

Carneiros

Penedo e Foz do São Francisco (role a página até o final)



Escrito por Ricardo Freire às 14h09
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Grande Loteria de Perguntas: milhas

Fomos convidados para um casamento na Colômbia, em novembro. Estamos pensando em aproveitar a desculpa e usar nossas milhas Varig e esticar um pouco. O que você sugere? Tentar conhecer alguma coisa na Colômbia ou fazer uma escala em algum outro lugar? (Daniela Siqueira)

 

Sou louca por praia e me apaixonei por Los Roques quando vi no seu blog. Tenho 20.000 milhas Varig, um mês de férias, começando pelo Carnaval, e queria conciliar Los Roques (ou outros lugares da Venezuela) e Nordeste. É possível ou devo deixar o Nordeste para o outro ano? (Schnaider, Paranaguá)

 

Muito bem: como muitos de vocês já devem saber, fazer viagens aos destinos da América do Sul servidos pela Varig é o melhor negócio que se pode fazer com as milhas Smiles. Pelas mesmas 20.000 milhas que você precisa para conseguir uma simples Ponte Aérea, dá para ir de Porto Alegre a Caracas. Ou de Manaus a Buenos Aires. (E voltar, claro.)

 

Evidentemente, é menos difícil confirmar uma passagem-prêmio para Bogotá do que para Santiago – o que estimula a imaginação de viajantes que não se intimidam com destinos exóticos e por isso são leitores deste blog.

 

Vou tentar responder a essas duas perguntas específicas dando dicas que valham para todo mundo que pense em usar milhas.

 

Daniela: os vôos do Brasil para a Colômbia não param em lugar nenhum para você descer pelo meio do caminho. Mas é possível, claro, esticar por conta própria depois do seu destino final. No caso da Colômbia, vale a pena pagar um vôo à parte a Cartagena, uma cidade colonial murada com um balneário caribenho anexo – pense assim numa Paraty que já vem com a sua própria Cancún. Na agência online www.rumbo.com.co, consegui cotar uma passagem Bogotá-Cartagena-Bogotá a 225 dólares. Mas você pode (deve) pedir a seus amigos colombianos casadoiros que pesquisem um pacote...

 

Los Roques, Venezuela

 

Schnaider: se você quer ir para o Nordeste no carnaval com milhas, já está atrasada. Pegar vôo em feriado com milhas na Varig requer paciência, saliva e muitos telefonemas. Se você quisesse mesmo combinar as duas coisas, poderia comprar a ida para o lugar que você quer no Nordeste (digamos: Curitiba-Salvador), e então requerer sua passagem prêmio com ida Salvador-Caracas e volta Caracas-Curitiba. (Nos dois casos, claro, com parada em São Paulo, mas sem sair do aeroporto.) Não acho que vale a pena você inventar um tour grãndão pela Venezuela só porque você chegou lá com passagem grátis. Pelo contrário: os deslocamentos acabariam fazendo você gastar uma grana... Neste caso, é melhor usar as milhas para chegar a países que tenham paisagens mais diferentes das brasileiras, como o Peru, o Chile e a Bolívia.



Escrito por Ricardo Freire às 20h50
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Grande Loteria de Perguntas: Buenos Aires

Eu e minha mulher queremos passar 6 dias em Buenos Aires. Qual o melhor bairro para ficar? Gostamos de hoteizinhos tipo 4 B's – bom, bonito, barato e bem-localizado. (Roland, BH)

 

Roland, infelizmente não existem pechinchas no quesito hotelaria em Buenos Aires.

 

- Epa! Como assim, se andar de táxi e comer em restaurante é tão ridiculamente barato?

 

Calma, que eu explico. Os serviços que os turistas compartilham com os portenhos – táxis, restaurantes, cafés – tiveram que desvalorizar seus preços junto com o peso. Já os serviços consumidos exclusivamente por turistas, como hotéis e shows de tango, conseguiram manter seus preços em dólar. Assim, na época da paridade cambial, um café expresso custava 3 dólares; hoje custa 3 pesos (pouco mais de 1 dólar). Já um quarto de hotel que custava 80 dólares continua custando 80 dólares (mais de 200 pesos).

 

Ou seja: se você traduzir "para o português" o preço dos hotéis e pousadas que eu vou listar, não vai achar baratinho, não. E se comparar com o preço dos pacotes que incluem passagem aérea e hospedagem, vai achar caro. Mas como os hotéis dos pacotes (sobretudo os mais baratos) dificilmente são bonitos ou bem-localizados, você nunca vai fechar seu critério BBBB com as ofertas dos jornais de domingo.

 

Vamos agora definir o que é bem localizado. Em termos geográficos, o "Microcentro" – o antigo centro comercial e financeiro da cidade, onde está a maioria absoluta dos hotéis de 3 e 4 estrelas oferecidos nos pacotes – tem a localização mais estratégica, a um passo da Recoleta e do Puerto Madero, a uma corrida curta de San Telmo ou de Palermo Viejo, e mais ou menos no meio do caminho entre a Boca e Las Cañitas. O problema do Centro é que, depois que os bancos da Florida fecharam e que a cinelândia da Lavalle deixou de ser a mais importante da cidade, o lugar ficou meio deprê. Nada tão grave quanto o centro das cidades brasileiras, mas de qualquer modo bem menos agradável que inúmeros outros lugares de Buenos Aires.

 

Ano retrasado passei um fim de semana num hotel da Avenida de Mayo recomendado pelo suplemento de viagem do New York Times. O lugar se chama Gran Hotel Hispano e é praticamente vizinho de porta do legendário Café Tortoni. A área social é bem gostosa – mesmo ficando num prédio, existe um pátio com pé direito duplo. Os quartos, no entanto, não são tão gostosos – tanto que nunca me animei a passar a dica adiante até hoje. Mas para Bs. As. é baratíssimo: 35 dólares. Quando estive lá, o público era de mochileiros intelectuais (manja, todo mundo com cara de professor?).

 

 Gran Hotel Hispano (US$ 35): a foto do quarto é minha; a do hall é de um site de reservas

 

Se você busca uma localização central e charmosa ao mesmo tempo, então não há região melhor que a Recoleta e seu vizinho Barrio Norte. Pena que seja difícil achar hotéis tão bonitos e baratos quanto o Art Hotel, que fica numa parte residencialíssima do Barrio Norte. Os quartos mais baratos saem 65 dólares; eu só consegui visitar o mais caro, de 95 dólares (este que está na foto).

 

 Art Hotel, na Recoleta (US$ 65 a 95): a foto do quarto é do site do hotel

 

Agora: se para você a melhor acepção de "bem-localizado" é "no bairro que está acontecendo", então procure seu hotel BBBB para os lados de Palermo Viejo, onde estão as lojas e restaurantes mais descolados da cidade. Algumas dessas pousadas estão na parte mais residencial do bairro (Palermo Viejo), outras no coração da muvuca (Palermo Soho) e algumas (as mais em conta) no lado menos explorado do bairro, para lá dos trilhos do trem (Palermo Hollywood). Talvez não seja o lugar mais indicado para se hospedar numa primeira viagem a Buenos Aires – mas como o táxi é barato e qualquer percurso em Bs. As. é agradável, vale a pena conferir a segunda parte desta resposta.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 14h45
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Já me hospedei num dos bed & breakfasts chiques do bairro, a Malabia House, mas não gostei muito, não – fiquei num quarto em que as janelas davam para o corredor, e paguei 90 dólares. Se é para gastar nessa faixa, eu ficaria num pequeno hotel que abriu ano passado, o BoBo (de "bourgeois-bohemian", gíria infeliz que designa algo assim como o yuppie-arrependido-do-terceiro-milênio). O hotel é uma gracinha – não consegui visitar os quartos, mas almocei no restaurante e adorei o astral. As diárias vão de 80 a 120 dólares.

 BoBo, em Palermo Soho (US$ 80 a 120): não consegui copiar as fotos do site do hotel

 

Ainda em Palermo Viejo, mas numa categoria mais econômica, aí vão quatro dicas que eu pesquisei em guias respeitáveis, mas que não pude conferir ao vivo. Essas duas primeiras ficam um tiquinho de nada fora do fervo do bairro, na direção da Recoleta. A Posada Palermo tem diárias entre 60 e 75 dólares. O bed & breakfast Otra Orilla cobra entre 65 e 85 dólares.

 

 Posada Palermo, em Palermo Viejo, US$ 60 a 75 (fotos do site da pousada)

 

 Otra Orilla, em Palermo Viejo, US$ 65 a 85 (fotos do site da pousada)

 

As duas últimas sugestões ficam em "Palermo Hollywood", a porção norte do bairro, que fica do outro lado de um trilho de trem. A Che Lulu é simpática e bem em conta – 40 dólares o quarto com banheiro (mas à noite você vai passar pelos travestis que fazem ponto ao longo do trilho do trem). A Solar Soler também não é cara: os preços começam em 48 e chegam a 75 dólares.

 

 Che Lulu, em Palermo Hollywood, US$ 40 (fotos do site da pousada)

 

 Solar Soler, em Palermo Hollywood, US$ 48 a 75 (fotos do site da pousada)

 

Links:

Art Hotel

Gran Hotel Hispano

BoBo Hotel

Malabia House

Posada Palermo

Otra Orilla

Che Lulu

Solar Soler 



Escrito por Ricardo Freire às 14h40
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Grande Loteria de Perguntas: Cuba

Quando estive em Cuba, há 8 anos, cartões de crédito eram coisa do outro mundo. Como pretendo voltar, gostaria de saber se a situação persiste. (Yara, SP)

 

Yara, já dá para usar cartão de crédito nos hotéis, nas locadoras de carro e nos restaurantes estatais. Os cartões mais disseminados são o Visa e o MasterCard; alguns lugares aceitam Diners. Nenhum lugar, no entanto, aceita American Express – por sinal, qualquer cartão emitido nos Estados Unidos será recusado em Cuba. De todo modo, você vai precisar de dinheiro vivo para comer em paladares e se hospedar em casas particulares. Outra novidade monetária é que o dólar está proibido de circular na ilha; você precisa trocar os seus na chegada por pesos convertibles, pagando uma comissão de 10%. Mas se você levar euros, não paga taxa nenhuma!

 

 

Quer participar da Grande Loteria de Perguntas? Role a página e deposite sua pergunta na caixa de comentários do post "Grande Loteria de Perguntas: participe!". Você concorre a uma resposta ao longo desta semana.

Escrito por Ricardo Freire às 14h39
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Grande Loteria de Perguntas: participe!

Aproveitando que não há nenhuma viagem no horizonte, e relembrando os tempos em que eu defendia a coluna Pergunte ao Riq na revista Viagem & Turismo, este blog vai dedicar os próximos 10 dias a responder às perguntas dos passageiros.

 

Mas como não dá para responder a todas as indagações – não só por uma questão de tempo, como também por uma questão de ignorância da parte do comandante-blogueiro –, o evento vai se dar por meio de uma Grande Loteria de Perguntas.

 

  

Funciona assim: você deposita sua pergunta na urna dos comentários e concorre a uma resposta ao longo da próxima semana.

 

Vou tentar responder a pelo menos duas perguntas por dia. Nos dias em que eu tiver tempo, posso responder a perguntas que necessitem de pesquisa. Nos dias em que eu estiver assoberbado de trabalho, porém, vou responder apenas sobre o que já sei ;-)

 

Atenção para as regras. Só concorrem a respostas as perguntas que forem inscritas na caixa de comentários deste post aqui. Não vou responder a perguntas inscritas de outra maneira (em outros posts ou no meu e-mail). E todas as respostas serão dadas aqui no blog (se você não quer que saibam para onde eu estou te mandando nas férias, use um nick).

 

Este post vai ficar aqui no alto da página até amanhã, sábado. No domingo começo a subir as respostas.

 

Senhores passageiros: boa sorte.



Escrito por Ricardo Freire às 09h10
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Depois dos albergues, os hotéis-alcova

Entre as grandes companhias aéreas de desconto européias, a laranjinha EasyJet é a mais direcionada para o público jovem – e a que mais inventa coisas para resolver as viagens da moçada. Nos últimos anos os caras lançaram a EasyCar (locação de carros econômicos), a EasyCruise (cruzeiros baratérrimos na Riviera e no Caribe) e um site para reservas em hotéis no mundo inteiro com tarifas negociadas (o EasyHotel.com).

 

Pois agora a EasyJet inventou uma rede de hotéis ultrabásicos para competir com albergues e pulgueiros. O primeiro deles fica em Londres (Kensington, entre as estações Earl's Court e Gloucester Road) e deve servir de modelo para franqueadores mundo afora.

 

 Fotos do site do hotel

 

Comprando com muita antecedência, dá para pagar 20 libras (36 dólares) num quarto com 18m2 – com banheiro, mas sem janela. Todos os quartos têm TV, mas para alugar o controle remoto (indispensável inclusive para ligar o aparelho) você paga mais 5 libras (9 dólares) por dia. Se quiser que limpem o quarto, avise na recepção – e morra com mais 10 pounds (18 dólares). De acordo com o que eles explicam nas FAQs, malas e mochilas grandonas podem ser guardadas num depósito à parte.

 

Segundo uma materinha no Guardian linkada pelo Gridskipper (de onde tirei esta notícia), nas redondezas do EasyHotel de Kensington dá para descolar um quarto simples, com TV, por 38 libras (68 dólares) na alta e até 25 libras (45 dólares) na baixa. Uma cama em quarto coletivo num albergue ali pertinho sai 15 libras (27 dólares).

 

O problema do EasyHotel é que, da mesma maneira que as passagens aéreas de 5 libras, a diária de 20 libras só está ao alcance de uma meia-dúzia que madruga no site para reservar. Os outros vão acabar pagando diárias muito semelhantes às de hotéis baratinhos com janela.

 

Simulei duas reservas de três noites. Uma, entre 20 e 23 de setembro, e outra, entre 20 e 23 de novembro. Para novembro, o site me fez 25 libras (45 dólares) a noite. Para setembro, 38 libras (68 dólares) a noite. Ou seja: exatamente os preços de alta e baixa temporada dos hoteizinhos da região listados pelo Guardian.

 

O que você prefere? Uma alcova com banheiro mas sem janela? Ou um quarto sem banheiro mas com janela?



Escrito por Ricardo Freire às 08h37
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Meta-souvenir

Aconteceu de novo agora em Itaúnas: é mais forte do que eu. Basta eu ver algum turista posando para uma câmera, que quando eu dou por mim lá estou fotografando a foto sendo feita.

 

Que é falta de educação eu sei. Mas será ilegal?

 

Será comum? Existirão muitos outros com o mesmo desvio de comportamento?

 

Ou será apenas um subgênero da fotografia, solidamente estabelecido ao redor do mundo? Se for, como se chamará? Caronagrafia?

 

Senhores passageiros: vou tentar me controlar.

 

Sydney, janeiro

 

Foz do Iguaçu, maio

 

Itaúnas, julho

 



Escrito por Ricardo Freire às 00h52
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Quantos países você conhece?

Na minha cartilha, esta pergunta só admite uma resposta: "Nenhum".

 

Isso porque, quando a gente viaja, a gente visita, a gente passa por, a gente dá um pulinho em, a gente , escuta, cheira, prova e sente; enfim, a gente experimenta – mas a gente não "conhece" lugar nenhum. O único lugar que a gente fica "conhecendo" melhor quando viaja é o lugar de onde a gente saiu.

 

Mas não é uma picuinha viajandona como essa que vai impedir que a gente se divirta neste sitezinho aqui. Você entra, tica todos os países por onde já passou, e a página automaticamente gera um mapa com a sombra que você projetou no mundo.

 

 

Claro que o mapa gerado é ainda mais distorcido do que qualquer resposta matemática que você dê à tal pergunta de quantos países conhece. Porque basta você pisar num aeroporto para o programa colorir o país inteiro. Você vai à Disney, e pumba!: o mapa colore os 50 Estados americanos, incluindo Alaska e Havaí (Porto Rico é contado à parte). Uma escala em Hong Kong e, tcharãããã!: você carrega a China inteira para a sua mancha pessoal.

 

Para a brincadeira ficar mais divertida, você nem precisa ticar só os lugares por onde já passou. Você pode, por exemplo, gerar um atlas dos países que você gostaria de visitar nos próximos... sei lá, 30 anos. Ou a mancha dos países dos quais você sabe a capital. Ou pegar o jornal de hoje e ir ticando os países que saíram no noticiário. (Vai ser o mapa menos colorido de todos os que você pode gerar com esse brinquedinho.)

Senhores passageiros, divirtam-se: http://douweosinga.com/projects/visitedcountries



Escrito por Ricardo Freire às 09h16
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Superweekend: por enquanto, a vantagem é dos cariocas

O grande assunto da semana (já que neste blog Brasília só entra se for pauta turística) é o lançamento do Superweekend, o pacote da Varig para trazer cariocas para São Paulo e levar paulistanos para o Rio no fim de semana.

 

Você já deve ter lido por aí: os pacotes começam em R$ 399 por pessoa, em quarto duplo, incluindo passagem aérea (ida no sábado, volta no domingo) e uma noite de hotel 3 estrelas. Existem também opções para hotéis de 4 e 5 estrelas, assim como alternativas incluindo duas diárias de carro (1.0, com ou sem ar).

 

 

Ainda não descobri todas as pegadinhas (tipo: restrição de assentos por vôo, horário de check-in e check-out de hotel). E sei também que a TAM vai lançar um pacote parecido, só que com alternativa para duas diárias, saindo na sexta antes das 4 da tarde. Se essa informação for verdadeira, a Varig deve responder com algo parecido – de modo que ainda é cedo para fazer uma análise definitiva.

 

O que dificilmente deve mudar é que o pacote é bem mais interessante para cariocas do que para paulistanos. No pacote mais barato, o carioca pode ficar em hotéis novinhos, bem-mantidos e bem-localizados, enquanto o paulistano fica com a rapa-de-tacho do Rio.

 

 

(O fenômeno é perfeitamente explicável pelas leis de mercado. Existe uma São Paulo inteira de hotéis novinhos que ficam vazios no fim de semana; já o Rio não tem muito quarto de hotel sobrando, e consegue cobrar diárias bem mais altas que São Paulo nas categorias mais simples. Fora de pacote, dá para conseguir hotéis bem bonzinhos em São Paulo em torno de R$ 120 por dia; no Rio é quase impossível arranjar hospedagem decente por menos de R$ 200 a diária.)

 

Pelo menos nesta manhã o site da Varig estava direcionando os passageiros paulistanos para a operadora carioca Urbi et Orbi, e os cariocas para o site da Visual. Dentro dos hotéis oferecidos, aqui vão minhas primeiras recomendações.

  

Cariocas:

Cuidado com os hotéis mal-localizados, em que a economia do pacote vai ser torrada em táxi. Evitem qualquer hotel que contenha as palavras "Berrini" e "Brooklin Novo", que são áreas de negócios que morrem no fim de semana. Na categoria bronze (R$ 399 em quarto duplo), prefiram o Tryp Iguatemi (compras na Faria Lima e nos Jardins, gastronomia na Amauri e no Itaim, noite na Vila Olímpia e na Vila Madalena), o Meliá Confort Paulista (turismo cultural no Centro e na Paulista, compras em Higienópolis, muvuca na Vila Madalena, restaurantes nos Jardins, noite GLS) ou o Estanplaza Funchal (perfeito para as baladas da Vila Olímpia, e não muito longe do Itaim e dos Jardins). Na categoria prata (R$ 455 em quarto duplo), o melhor localizado é o Blue Tree Towers Paulista, atrás do Masp.

  

Paulistanos

A lista de hotéis oferecidos é magrinha, e minha lista de indicações, raquítica. Os hotéis da categoria bronze estão todos em Copacabana; o único de frente para o mar é o Othon Trocadero. Na categoria prata (R$ 455) aparece um hotel razoável em Ipanema, o Mar Ipanema, na Visconde de Pirajá (a movimentada rua comercial do bairro). O hotel tem alguns quartos reformados (luxo) com decoração moderninha, mas aposto que os que estão no pacote ficam nos andares standard (não-reformados); mas é um jeito de ficar em Ipanema a preço de Copacabana. Outro bom negócio é pegar o pacote mais caro, com hotel da categoria ouro e carro com ar condicionado. Pelo preço de uma ponte aérea normal (R$ 592), você inaugura o novo Windsor Barra da Tijuca (de frente para o mar, perto do Pepê) e pode usar seu carro para aproveitar o Rio selvagem e rural para lá da Barra (Reserva, Prainha, Grumari, restaurantes de Vargem Grande e Guaratiba).

 

Volto ao assunto assim que souber mais novidades.



Escrito por Ricardo Freire às 09h50
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