Expedição Pé-na-areia: 21º. dia

Quando: 29 de setembro, quinta

Onde: Fortaleza (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: hotel executivo (banda larga no quarto!)

Trilha sonora: “Luiz Melodia Revisitado”, linda antologia feita pela Dubas (boa idéia, Filipi)

Das 6 da manhã às 3 da tarde: meu expediente na frente do computador, para dar conta do trabalho atrasado

Gourmet acidental: uma bola de sorvete de caju e outra de “paraense” (açaí com tapioca) na 50 Sabores, no finzinho de Mucuripe (dica da Dani)

Nervoso: eu montando o tripé na barraca do Bené para fotografar à noite dava bem uma pegadinha do Faustão. Nossa Senhora do Foco, me iluminai!

DataCoco: R$ 1,50 numa barraca na praia de Meireles

 

A praia de Meireles é só pra olhar: entrar no mar, só da Praia do Futuro em diante

Escrito por Ricardo Freire às 10h09
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Mande o blogueiro praquele lugar!

E ele vai.

Graças a vocês eu já acrescentei três novas experiências ao meu repertório fortalezense. (E olhe que eu praticamente não saí do hotel desde quarta à noite, tamanho é o atraso das coisas que eu preciso fazer.)

Na quarta-feira fiquei num hotel básico, o Othon Travel (R$ 75 para uma pessoa), na beira da zona (!) do agito da Praia de Iracema, e a duas quadras do Dragão – exatamente o circuito que eu queria fazer à noite. Adorei que a Ana, ao final de suas dicas, lamentou “a degradação e o abandono da Praia de Iracema”. Eu também lamento (tá no Freire´s online) e, se não fico propriamente feliz, fico pelo menos aliviado por encontrar eco numa opinião local. A Praia de Iracema é uma região de casario antigo (junto ao píer conhecido como Ponte Metálica) que foi restaurada na virada do milênio. Quando estive ali pela primeira vez, em 2000, fiquei deslumbrado: o lugar tinha o restaurante mais bonito da cidade (o La Nuit), uma charutaria chiquérrima, bares e restaurantes transados, e a filial de um dos restaurantes de comida regional mais conceituados do Ceará, o Colher de Pau. De todos esses, só o Colher de Pau resistiu. Hoje os restaurantes se concentram praticamente numa quadra só, e o resto do pequeno bairro virou um mar de inferninhos e discoteconas suspeitas. Impossível andar por ali sem ser abordado pelas garçonetes – e não só pelas garçonetes.

 

 

A cinco minutos de caminhada dali, o Dragão é seu oposto absoluto. Em torno do centro cultural (onde há um planetário, salas de exibição e cinemas de arte do Espaço Unibanco) prosperam barzinhos animados, freqüentados pelos fortalezenses. Seguindo uma dica da Sandra, escolhi o restaurante Dragão do Mar – que é meio fora do boxixo, numa esquina calma da praça. Bela dica. Primeiro, porque o cardápio traz a história do Dragão do Mar – só agora, cinco anos depois de ter vindo aqui pela primeira vez, fiquei sabendo que esse era o apelido de um filho de pescador, nascido em Canoa Quebrada, que liderou as lutas abolicionistas no Ceará. Depois, porque pilotando o microfone (quase todos os bares e restaurantes do Dragão têm música ao vivo) havia uma cantora de verdade, que me disseram se chamar Dejane, com talento suficiente para redimir todos os tristes shows de violão-e-voz a que somos submetidos em botecos pelaí. Só o show da Dejane já valeria o ingresso, mas o prato que a Sandra me mandou experimentar estava à altura do repertório da cantora: a carne de sol Dragão do Mar – desfiada, com um molho de requeijão que confere uma cremosidade inusitada ao prato (pense bem: normalmente você come carne de sol com coisas mais secas ainda, como farofa, paçoca, feijão de corda...). O único furo da noite foi que... eu esqueci a câmera. 400 km de estrada fazem isso com a pessoa. Mas hoje à noite eu volto por lá, para conferir as dicas de sexta no Dragão que a Bruna e o Thiago me passaram.

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 10h05
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Quinta-feira me mudei para um hotel com banda larga (o Blue Tree Towers, com uma tarifa ótima de R$ 123 conseguida pelo Rubens, meu agente de viagem) e aproveitei para trabalhar bastante. Quando a fome apertou, no meio da tarde, peguei o carro, estacionei em Meireles (a praia central da Beira-Mar) e fui caminhando até o final de Mucuripe, para seguir uma dica da Ana (acho que alguém mais me sugeriu também, mas eu não consigo achar): comer um camarão frito no mercado de peixe do fim da praia. Funciona assim: você escolhe a matéria-prima num dos stands (me cobraram R$ 6 por meio quilo) e leva numa outra barraquinha para fritar (me cobraram R$ 3). Pedi ao alho e óleo; capricharam no alho. Nham!

 

 

 

 

À noite, segui a dica da Ana e da Bruna: ir atrás da caranguejada da praia da Sabiaguaba, como “alternativa à tradicional caranguejada das quintas-feiras na Praia do Futuro”. Gente, em que planeta que eu morei esse tempo todo? Eu simplesmente nunca tinha registrado essa informação – a de que em Fortaleza todo mundo sai para comer caranguejo na Praia do Futuro às quintas. Freud, Marx e Adam Smith explicam: essa desatenção deve ser debitada ao fato de eu não saber comer caranguejo (vou precisar nascer de novo para aprender a destrinchar o bicho). Então, numa noite só, eu precisei investigar não só a tradicional caranguejada da Praia do Futuro como a alternativa a ela!!! Realmente, a Praia do Futuro vira um mar de carros – uma cena esquisitíssima, já que a praia é afastada, e pouca gente mora por lá; é como se a cidade tivesse o hábito de pegar praia à noite ;-)

 

As barracas da Sabiaguaba ficam na beira de uma estradinha que sai do caminho para o Beach Park (a Ana que me ensinou). Você vai rodando pela estrada, e de repente vê um monte de carros estacionados – entre eles, muitos desses jipões que os cearenses adoram (já me contaram que Fortaleza é o lugar com maior densidade de jipões do Brasil). Se as barracas da Praia do Futuro são todas mega-giga-master-blaster, as barraquinhas da Sabiaguaba são pequenas, rústicas e pobrezinhas – ideais para uma experiência roots. Fui direto na dica da Bruna, que me mandou ir na barraca La Bené. O lugar é “la”, mas o Bené é “le”: depois de trabalhar em cozinhas do Rio (no hotel Rio Palace e na rede La Mole), ele voltou para o Ceará há três anos, abriu sua barraca e não deixa de passar pelas mesas com sua toque de chef. Sensacional! Gostou do caranguejo? R$ 1,70 cada! (Vou ficar devendo a descrição do sabor, porque minha agenda está ocupada e acabei sem tempo para fazer o curso Como Destrinchar Um Caranguejo Para Não Fazer Feio em Fortaleza.)

 

 

Agora com licença, que eu vou às compras. (Mais tarde eu comento os comentários, prometo!)

Escrito por Ricardo Freire às 10h03
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Fortaleza: já estou usando as dicas. Pó mandar mais!

Muito obrigado! Ontem à noite já comecei a conferir as primeiras dicas que vocês mandaram. Sandra, adorei a carne de sol desfiada com requeijão do Dragão do Mar (depois eu conto mais). Bruna, entrei no site da Lounge Beach e vi tudo o que eu precisava saber sobre barracas do momento na Praia do Futuro ;-)

 

Tô aceitando todo tipo de dica – mas o que você tiver no quesito compras será de enorme valia.

 

No mais, role a página, que tem o meu relatório jericoacoariano. Té já.

 

Dragão do Mar, agora visto do terraço do hotel basiquinho da minha primeira noite em Fortaleza



Escrito por Ricardo Freire às 11h00
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Expedição Pé-na-areia: 20º. dia

Quando: 28 de setembro, quarta

Onde: de Jericoacoara a Fortaleza (CE), com escalas na Praia do Preá, na Lagoa Azul de Jijoca e em Icaraizinho de Amontada

Percorridos: 386 km (100 km em estrada de terra)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: hotel básico

Embasbacado: como fiquei depois de conhecer os bangalôs do hotel Rancho do Peixe, no Preá

Gourmet acidental: carne de sol desfiada com requeijão no restaurante Dragão do Mar, em Fortaleza (dica da Sandra)

DataCoco: R$ 1,50 na Lagoa Azul em Jijoca

 

Lagoa Azul, Jijoca



Escrito por Ricardo Freire às 10h56
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No meio do caminho tinha uma tapioca

Ainda bem que eu resisti àquele Magnum que estava me dando tchauzinho de dentro do freezer do posto de gasolina. 100 km adiante me banqueteei com essa tapioca com queijo numa barraca de beira de estada, regada a café quentíssimo de garrafa, com açúcar na medida certa. É dorreal. Servido?



Escrito por Ricardo Freire às 10h50
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A salvação de Jeri?

Calma, moça. Também não precisa exagerar. Varrer? Calçada? Em Jericoacoara?

 

 

Para começar, essa calçada está errada. Jericoacoara, acima de tudo, é areia, lembra? A-r-e-i-a. A areia é o charme, e também o pedágio de Jeri – para ficar, é preciso aprender a conviver com ela. Está bem, eu sei, na época das chuvas alguns lugares empoçam, e talvez uma calçadinha ou outra tenham lá sua validade. Mas você me faz um favor? Não varre, plis.

 

 

Por sinal, essa energia varredoura poderia ser dirigida a atividades mais prementes, como... juntar lixo da rua. Jeri tem muito lixo jogado no chão. Dizem que embaixo da areia é pior: não há esgoto, e o saneamento é calamitoso.

 

 

Mas minhas críticas a Jericoacoara param por aqui. Se você estava salivando para me ver decretar a morte de Jeri, pode tirar seu buguezinho do sol escaldante. Gostei muito do que vi nesta passada. Acho que a vila está no caminho certo.

 

 

Eu sei, eu sei, o ecoturisticamente correto manda suspirar pela Jericoacoara selvagem revelada ao mundo nos anos 80. Mas essa Jeri não tem volta. E, mesmo se tivesse, quem aí se habilita a dormir em rede e fazer o número 2 na casinha?

 

O hotel Mosquito Blue é de uma rede italiana que começou  em Playa del Carmen, no México.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h47
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O fato é que Jericoacoara caminha para se tornar a Buziostrancoso do Ceará. E isso, no meu dicionário, é positivo. Porque a alternativa é se tornar a Portosegurodegalinhas do Ceará. Ou – o que seria ainda pior – uma Canoaquebradadoisamissão.

 

O Clube dos Ventos, no canto direito da praia da vila.

 

Entenda: não é a chegada do charme que desvirtua o paraíso. O que desvirtua o paraíso é a chegada da infra mais básica: a eletricidade (e com ela, banho quente, TV, ar condicionado). A infra “embrega” o paraíso. O nativo substitui as redes por móveis de quarto de empregada. O coronel da região monta uma pousada horrorosa de 40 quartos e faz acordo com alguma operadora para trazer passageiros para passeios e mais passeios de bugue.

 

 

Achado 1: a pousada Aqua é de um italiano que aproveitou uma tripinha de terreno para fazer uma construção original. Está abrindo agora, e cobrando só R$ 50 na baixa (tel.: 85/9604-2117)

 

Depois que a infra chega, só o charme pode redimir o paraíso. Ou ex-paraíso, se preferir. O bom gosto não é tão contagioso quanto o mau gosto, mas qualquer coisa já é alguma coisa.

 

Achado 2: a pousada Masai Mara é de um espanhol que parece com o Marcelo D2 e custa R$ 150 na baixa (www.pousadamasaimara.com)

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h46
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Hoje você não precisa mais inventar um passeio de bugue por dia para curtir Jeri entre o nascer e o pôr-do-sol. Depois de uma caminhada na praia – no segundo semestre, com o mar azulzinho (você tinha toda a razão, Noeme), Jeri fica ainda mais bonita – você pode voltar para a piscina da sua pousada. Cada vez mais pousadas têm piscina em Jeri. Mas felizmente não existem resorts: para isso existe o Boa Vista, em Camocim, que está localizado na distância certa para quem procura infra de resortão e só quer dar uma olhadinha em Jeri para fotografar e ir embora.

 

 

Você também pode pegar uma espreguiçadeira no Clube dos Ventos, no alto de um barranquinho, com vista para o windsurf (se você chegar cedo, pode pegar um lugar sob a sombra da amendoeira). Ali é o point dos windsurfistas gringos – o casal da esquerda vai falar francês, os rapazes atrás de você lêem pocket books em alemão, e talvez o garçom fale “Buon appetito!” para você.

 

 

O almoço do lugar é ótimo – um buffet por quilo, com uma estação ótima de saladas (almoçar numa praia do Nordeste sem cinco tipos de carboidrato acompanhando sua peixada? Não tem preço!).

 

Surpresa: o hotel Rancho do Peixe, na praia do Preá (dos mesmos donos da Vila Kalango) tem os bangalôs mais charmosos do Brasil (www.ranchodopeixe.com.br)

 

À noite, será que foi impressão minha, ou existem mais bares e restaurantes que usam luz amarela (ou, melhor ainda, luzinhas coloridas) do que luz branca? Dá para comer de tudo, de moqueca a pizza a tapioca a picanha a sushi. Por sinal, a moça do sushibar está pensando em colocar uns pratos tailandeses também. (Não me olhe com essa cara. Comida tailandesa devia ser um direito assegurado na declaração de direitos do homem da ONU, em qualquer lugar, para cidadãos de qualquer nacionalidade.)

 

 

Veja bem: a piscina do Mosquito Blue ou os risotos do Chocolate não acabaram – nem vão acabar – com as pousadinhas simples e os PFs de seirreal. A areia e o pôr-do-sol são grátis e iguais para todo mundo. Entenda: o charmoso e o alternativo convivem sempre muito bem. O que mata os dois é o mau-gosto massificado empacotado para viagem. Salve, Jeri!

 



Escrito por Ricardo Freire às 10h44
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Fortaleza: estou adorando as dicas. Mandem mais!

Vocês são demais. A caixa de comentários do terceiro post aí embaixo está lotada de dicas quentíssimas sobre Fortaleza. Já vi que vou me divertir muito fazendo essa matéria para a Viagem & Turismo.

Continuem mandando tudo o que vocês acham que vale a pena ver, fazer, comer e comprar em Fortaleza, e que os turistas acabam perdendo.

 

Aproveitando que estou falando com experts, vou deixar duas perguntas específicas:

 

1) Pra onde foi o povo que costumava freqüentar a Biruta? Ficou pela Praia do Futuro mesmo (na Cabumba? na Lounge Beach? – obrigado, Bruna) ou se bandeou pra outras areias?

 

2) Além dessa feira de artesanato ao ar livre do shopping Salinas (obrigado, Ana), vocês conhecem outros lugares que valem a viagem para fazer compras espertas?

 

Obrigado! E podem deixar, que vou dar crédito pra todo mundo – aqui no blog e lá na revista.

 

 

A Beira-Mar de Fortaleza



Escrito por Ricardo Freire às 18h14
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Cheguei

Já estou em Fortaleza, depois de uma looooonga viagem desde Jericoacoara, com escala em Icaraizinho de Amontada: 300 km de asfalto, mais 100 km de estrada de chão. (Flávia, meu amigo cearense Leo tinha me dado a dica de Icaraizinho há três anos, mas só agora pude conferir. É lindo mesmo.)

 

Centro Cultural Dragão do Mar – ou simplesmente Dragão, para os habituês.

 

Vou deixar para voltar a Mundaú, Fleixeiras, Taíba e Lagoinha durante a minha estada em Fortaleza. Portanto, se você tem alguma dica específica de algum desses lugares, pode mandar, que eu aceito!

 

Por enquanto, fico devendo o último post sobre Jericoacoara. Mas não desliguem...

 

Icaraizinho de Amontada, paraíso não muito longe de Jeri. Depois eu conto...

Escrito por Ricardo Freire às 18h11
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Expedição Pé-na-areia: 19º. dia

Quando: 27 de setembro, terça

Onde: Jericoacoara (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada nova e transadinha

Entra-e-sai: 20 pousadas visitadas ou revisitadas

Achados: duas pousadas bacaninhas que ninguém deu

Cybercafé 24 horas: tem, no albergue filiado à Hostelling International

Gourmet acidental: a torta de banana da Tia Angelita, de justissima fama

DataCoco: R$ 1,50 no quiosquinho JeriCoco

 

Jericoacoara

Escrito por Ricardo Freire às 18h08
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Fortaleza: mande sua dica!

Senhores passageiros: a partir de quinta-feira estarei em Fortaleza.

Além do blog e da atualização do site, que eu já ia fazer de qualquer jeito, a revista Viagem & Turismo me encomendou uma matéria sobre a cidade.

 

Como eu tenho duas pernas mas apenas um cérebro, consegui “vender” uma pauta que junta todas as coisas numa só.

 

Quero fazer uma matéria interativa: com as dicas de vocês, passageiros do Viaje na Viagem. Vocês deixam um comentário com a dica, e eu vou atrás, confiro, fotografo e comento. E dou o devido o crédito a quem deu a dica, claro, tanto aqui no blog quanto na revista.

 

É quase o esquema zeca-camarguiano do Fantástico. Com uma diferença: vocês não querem me botar numa fria, né? Vocês só querem mostrar coisas da sua cidade que passam despercebidas pelos forasteiros, certo? Olhem lá...

 

Então tá valendo: o que você acha que vale a pena ver, fazer, comer e comprar em Fortaleza que só quem mora na cidade sabe? Tô anotando.

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h33
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O guieiro e o cartão-postal

Uma das vantagens de ir a um lugar que você já conhece é que você não precisa mais bater ponto nos cartões-postais.

Uma das desvantagens de você querer, modestamente, fazer o melhor guia online de praias do planeta, é que você precisa voltar aos cartões-postais que você já conhece, para fotografar com a sua máquina nova que tira fotos lindas praticamente sem você fazer força.

 

 

Ou melhor, fazendo força, sim: hoje acordei cedão e, antes do café, caminhei quase uma hora até a Pedra Furada, para pegar a melhor luz incidindo sobre a pedra. (As outras fotos que eu tenho foram tiradas no inverno, quando o mar está marrom, e à tarde, quando a pedra está na sombra. Ou seja: um anti-cartão-postal.)

 

 

Fui lá, gastei uns 100 megas e voltei. Editei as fotos, passei no çáiber, e assim vocês vão se distraindo enquanto eu não ponho “o” post pedaçudo sobre Jeri.

 

Devem ter escrito em inglês macarrônico para que os turistas italianos também  possam entender



Escrito por Ricardo Freire às 12h30
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Foi a Jericoacoara e viu... uma piscina!

E com vocês, em avant-première mundial, a nova piscina da pousada Vila Kalango, uma das opções de hospedagem chique em Jeri. (A outra é um hotel, o Mosquito Blue.) A piscina inaugurou há tão pouco tempo, que ainda não está nem no site da pousada.

 

 

Para conseguir esse furo, lancei mão dos meus métodos exclusivíssimos: chegar, não dizer quem eu sou, me hospedar, pagar a conta e ir embora.

 

O toque original – a Vila Kalango é cheia dos toquezinhos originais – fica por conta da cor do vidrotil do fundo: um vermelho meio tijolo, que desafia o padrão azul-marinho reinante em piscinas de gente-fina, mas que tem tudo a ver com a proposta rústica da pousada. Agora no verão, quando o mar está azul, a piscina entona com a areia, a madeira, a palha. Na época das chuvas, quando o mar ficar acinzentado, a piscina não vai ficar mais bonita do que o mar. (Não sei se foi nisso que eles pensaram, mas foi disso que eu gostei.)

 

 Alguns dos bangalôs são elevados sobre palafitas

 

O mais interessante é que a piscina dá um considerável upgrade à pousada – ela sai da categoria charmosíssima para entrar na categoria charmosíssima & chiquérrima.

 

Mas não é para todo mundo, e não estou falando nem em grana. Normalmente quem tem 250 paus para pagar num quarto de hotel quer instalações mais papai-mamãe – ar condicionado, TV, banheiro com box. E não casas do Tarzan em que você dorme ao som dos ventos uivantes.

 

A sala de estar não tem paredes e o chão é de areia; os bangalôs são de madeira, não têm ar nem TV

 

Eu, que nunca tinha conseguido me hospedar aqui, adorei. Porque a Vila Kalango consegue fazer você se sentir num lugar sofisticado, porém sem domar nem disfarçar a força dos elementos que fazem Jeri ser Jeri.

 

Acho que no final dessa expedição eu vou lançar um livro só de redes ;-)

 

E, antes que você reclame: vou passar essa noite numa pousada nova, numa faixa de preço mais razoável, com uma piscina bacaninha, e que ainda não saiu em lugar nenhum.



Escrito por Ricardo Freire às 12h22
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Expedição Pé-na-areia: 18º. dia

Quando: 26 de setembro, segunda

Onde: de Jijoca a Jericoacoara (CE)

Percorridos: 25 km, em caminhonete (R$ 4)

O Blogmóvel: ficou estacionado numa pousada em Jijoca

Tempo: ensolarado e ventoso

Hospedagem: pousada rústica-chique

Cibercafés: R$ 10 a hora (em Camocim era R$ 3; cheguei a pegar uma promoção de domingo a R$ 1 a hora)

Do you sprechen italiano?: gringos windsurfistas por todo lado

Gourmet acidental: ótimo almoço a quilo, com saladas fresquinhas, cercado por gringos, no Clube do Vento

DataCoco: R$ 1,50 no quiosquinho JeriCoco

 

Praia de Jericoacoara



Escrito por Ricardo Freire às 12h10
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Comentando os comentários

Fábio, existe uma estrada quase litorânea entre Parnaíba e Camocim. São 130 km em bom asfalto do centro de uma cidade ao centro da outra; eu contei 100 km da entrada da praia do Macapá, no finalzinho de Luís Correia, até Camocim. (O resort Boa Vista, de Camocim, está com planos de expansão, e quer usar o aeroporto de Parnaíba como ponto de chegada dos charters internacionais.) De Camocim a Jijoca o asfalto só vai até Granja (25 km); então são mais 63 km de terra, com alguns trechos de areia. Jijoca-Jeri-Jijoca, só mesmo com 4x4, apesar dos meninos garantirem que sabem o ponto exato da maré em dá pra ir de carro comum (não caia nessa; sua seguradora não paga nada se der errado). Mas de Jijoca a Fortaleza já está tudo asfaltado há bem uns três anos.

 

Carol, a Pousada do Paolo está precisando de um pouquinho de manutenção (o que é comum quando você cobra baratinho), mas o lugar é charmoso, o projeto aproveita de maneira perfeita a topografia do lugar, e a comida é ótima. O telefone é (88) 3669-1181 e o site, www.jericoacoara.tur.br/pousadadopaulo. Esse preço de R$ 60 é para uma pessoa só, e na baixa temporada. (O preço para a alta temporada eu ainda não sei; minha coletadora de preços só trabalha em novembro.)

 

Lagoa de Jijoca, no trecho conhecido como Lagoa do Paraíso



Escrito por Ricardo Freire às 12h09
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Ter um blog viajandão é...

... chegar em Jericoacoara e ir correndo para o çaibercafé.

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h33
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Expedição Pé-na-areia: 17º. dia

 

Quando: 25 de setembro, domingo

Onde: de Camocim a Jijoca (CE)

Percorridos: 90 km – 60 de terra

Perigo: peguei alguns trechos de areião – ai que medo

Tempo: ensolarado e ventosão

Hospedagem: pousada pé-na-areia

Trabalho: provar da minha própria receita; sempre recomendo a Pousada do Paolo na Lagoa de Jijoca, mas nunca tinha dormido nela

Pechincha: R$ 60 por um bangalozinho na areia. Pode?

Atividade: não fazer nada. Se for isso que chamam de férias, adorei

Gourmet acidental: peixe assado com azeite, cebola, batata, alcaparras e passas na Pousada do Paulo – una meraviglia

DataCoco: tem não, moço

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h24
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Rola a página que tem post que não acaba mais!

Passei o dia de ontem no lombo de um bugue, vendo as praias a leste e a oeste de Camocim. Para ver a história do meu quase-naufrágio no Delta do Parnaíba, role mais a página. No fim de tudo tem até uma nova rodada de “Comentando os comentários”. Boa viagem!

 

Pesca de rede em Tatajuba, Ceará



Escrito por Ricardo Freire às 10h34
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Expedição Pé-na-areia: 16º. dia

Quando: 24 de setembro, sábado

Onde: Camocim (CE)

Tempo: ensolarado e ventosíssimo

Hospedagem: resort

Grana: estava aqui, à minha espera – já tenho como chegar a Fortaleza

Descoberta: uma linda pousada em Tatajuba

Bugue + areia: para repassar o bronzeador sem se lanhar todo, só depois de tomar um banho de sabonete

DataCoco: R$ 1 na praia do Maceió; R$ 1,50 no lago de Tatajuba

 

Rio Coreaú, Camocim

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h33
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A primeira impressão é a que é substituída

Quando eu soube, há pouco mais de dois anos, que um grupo italiano tinha construído um resort em Camocim, fiquei espantado. Como assim, Camocim? Eu tinha estado aqui em 2002, testando como era chegar em Jericoacoara de avião. Era uma hora de vôo desde Fortaleza, e depois uma jardineira levava a gente até Jeri, pela areia (uma hora e meia de chacoalho, que praticamente eliminava a vantagem de voar até aqui).

O Rio Coreaú, visto do fim da praia das Barreiras

 

Daquela vez, não tinha achado nada demais em Camocim. Pra falar a verdade, tinha achado é de menos. Era inverno, o rio Coreaú estava turvo, as praias do caminho também. Pensei que fosse assim sempre. Tanto assim que quando li, há pouco, que o resort dos italianos ia ser ampliado, achei que o mundo não tinha mais jeito.

 

Barra dos Remédios, ao fim de um longo passeio de bugue na direção oeste

 

Alguém tem uma palmatória aí? Tó minha mão.

 

Beira-rio de Camocim

 

Veja a diferença entre ir a um lugar e ir a um lugar na época certa. No verão cearense, o rio Coreaú fica lindão. Dependendo da incidência do sol, o rio fica de um azul-celeste de doer o olho. Barquinhos e canoas emparelhados na margem dão aquele colorido pitoresco que o seu álbum de fotografias encomendou antes de você sair de casa.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h30
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E pra me deixar ainda mais mais desmoralizado, a belíssima praia de Tatajuba, com seu lago de águas verdes, fica pelo menos meia hora mais perto de Camocim do que de Jeri.

 

Tatajuba: também dá para ir saindo de Jericoacoara

 

A vila de Tatajuba  é um sossego só.

 

Em compensação, de vez em quando o Lago de Tatajuba vira o maior crowd

 

 

Tudo fica mais bonito quando a gente consegue tirar todas as cadeiras de plástico de quadro

 

Agora quer parar de torcer o meu braço, que já tá doendo?



Escrito por Ricardo Freire às 10h27
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Achado: Pousada Santa Maria, Tatajuba

Não, o achado não é meu. Quem achou primeiro foi a Viagem & Turismo deste mês (a capa, por sinal, se chama “101 Achados”). Só que eu vou ser um pouquinho mais enfático.

 

A notícia não é só “agora tem pousada na linda e rústica praia de Tatajuba”. A notícia é: agora tem uma pousada belíssima, charmosa, elegante, gostosa, em conta e com vista para o mar na linda e rústica praia de Tatajuba.

 

 

O nome é Pousada Santa Maria. O dono é espanhol e passou nove meses construindo. Por enquanto são só quatro quartos – tudo branco e palha, fusion de Mediterrâneo com Ceará. O avarandado que funciona como sala de estar tem chão de areia, mas junto à sala de jantar há um jardim tropical que só alguém muito caprichoso pode manter por essas bandas. E o preço é quase grátis: R$ 120 para o casal, com café da manhã. Anote o telefone: (88) 9925-7444.

 

 

Sinceramente: não conheço nada com tanto bom-gosto num lugar tão remoto em canto nenhum do litoral brasileiro. Fiquei morrendo de vontade de ficar. Mas o trabalho me chamava...

 



Escrito por Ricardo Freire às 10h21
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Expedição Pé-na-areia: 15º. dia

Quando: 23 de setembro, sexta

Onde: da Ilha do Caju (MA) a Camocim (CE)

Tempo: nubladão de manhã, enevoadinho à tarde

Hospedagem: resort

Ponto baixo: uma pane seca no rio Parnaíba

Ponto alto: deix’eu ver... hum... ah: uma pane seca no rio Parnaíba!

DataCoco: quando parei para tomar coco e almoçar, na praia do Macapá, todas as barracas já tinham fechado...

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h16
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Faça o que eu digo, não faça o que eu fiz

Vida de guieiro é assim. Muitas vezes o azar do viajante a lazer (chama o Macaco Simão: tucanaram o turista!) é a sorte de quem viaja para orientar a viagem dos outros. Porque, para poder alertar sobre furadas e roubadas, não há método mais eficiente do que cair nelas.

 

Hoje eu posso recomendar, por experiência própria, que na baixa temporada você não apareça em Parnaíba no meio de semana. Em primeiro lugar, porque na baixa temporada os passeios realmente bacanas pelo Delta do Parnaíba – aqueles que são feitos em chalanas, os barcos típicos da região – só acontecem no fim de semana. E depois,  porque o balneário de Luís Correia fica completamente vazio durante a semana – e como os hotéis de Parnaíba ficam em Luís Correia, você corre o risco de ser o único hóspede de um algum hotel enorme.

 

No Porto das Barcas, em Parnaíba, há várias agências que oferecem passeios pelo Delta.

 

Hoje eu posso ver – como já tinha me alertado uma leitora – que passear pelo Delta de voadeira não tem um décimo da poesia de passear pelo Delta de chalana. E posso também aconselhar que você só se hospede na Ilha do Caju se for um ecoturista juramentado, pós-graduado e sindicalizado.

 

É num barco assim que você deve passear pelo Delta do Parnaíba.

 

Para mim, que estou fazendo um guia, foi um ótimo negócio poder descobrir todas essas coisas na prática. Já quem investiu uma semana de férias para ficar sabendo disso...

 

Eu decorei o nome dessa planta, mas depois da pane seca na voadeira deu pane na minha memória também.

 

Veja o caso dos meus companheiros daqueles dois intermináveis dias na Ilha do Caju. Três casais paulistas; um na faixa dos 40 anos, outro na dos 50, outro na dos 60. Compraram na CVC um pacote para o Delta do Parnaíba com Ilha do Caju. Chegaram domingo no fim da tarde e foram instalados num hotel de lazer na praia da Atalaia, em Luís Correia. Afora eles, não havia nenhum hóspede.

 

Nenhum homem é uma ilha. Luís Correia, por exemplo,  é um monte de praia.

 

Quando amanheceu a segunda-feira, deram de cara com aquele praião imenso, lotado de barracas... vazias. Algumas abertas; a maioria, fechada. Veja bem: uma coisa é você sair de São Paulo, pegar um avião para o Nordeste e ir parar numa praia deserta. Outra coisa é você acordar numa praia abandonada. Coloque-se no lugar desses três casais. É impossível não sentir a sensação de xi-onde-é-que-eu-fui-amarrar-meu-burro.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h06
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Na segunda-feira eles foram levados por um tour pelas outras praias de Luís Correia, e estavam tão mal-impressionados com o vazio do praião da Atalaia que não deram o devido valor à falta de densidade demográfica de duas lindas belas piauienses, a do Coqueiro (uma enseada) e a do Macapá (na barra do rio Camurupim).

 

A praia do Coqueiro tem uma vilazinha e o restaurante mais famoso da região, O Dedé (que não é esse da foto, não)

 

 

A vegetação do outro lado do rio Camurupim faz a diferença do visual da praia do Macapá.

 

Na terça-feira veio o passeio de que todos gostaram: a excursão ao Parque Nacional de Sete Cidades, no meio do caminho para Teresina.

 

A quarta-feira começou mal: ficaram sabendo que o passeio pelo Delta do Parnaíba tinha virado um simples trânsfer até a Ilha do Caju. Por sinal, foi exatamente nesse momento que eu me juntei ao grupo – eu tinha chegado na noite anterior e tinha conseguido me encaixar na mesma voadeira, economizando uma grana preta. Eu até tentei contemporizar, dizendo que o traslado valia por um passeio pelo Delta. Mas hoje eu sei que não vale, não. No passeio você passa por igarapés, vê uma demonstração de cata de caranguejo e chega à foz do rio; no traslado à Ilha do Caju, você vai até a Ilha do Caju, sem paradas, e ponto. Nem ver o fim do Delta você vê.

 

Um grupo de catadores de caranguejo indo para o trabalho. Eu também estava trabalhando no rio Parnaíba.

 

E a Ilha do Caju... bem, por tudo o que eu já tinha lido e ouvido falar, eu sabia que não era pra mim. Eu tinha consciência de que precisava ser bem mais aventureiro e gostar muito mais de mato para realmente curtir. Mas eu precisava ir até lá ver como era, fotografar para o guia, avaliar a pousada. Eu poderia ter dado a sorte de ter me encaixado num grupo de hóspedes certo. Mas eu acabei dando a sorte de me encaixar num grupo de hóspedes erradíssimo. Foi educativo.

 

Aviso aos ecoturistas light: a Ilha do Caju é bonita, mas não é Bonito.

 

A CVC não avisou a meus pobres companheiros que a Ilha do Caju não é ecoturismo tipo sobe-na-toyota-tia-e-ói-quanta-coisa-linda. Nananina: a Ilha do Caju é ecoturismo-cabeça. A Ilha do Caju está para o cliente da CVC assim como o cinema iraniano está para o cliente da CVC. Não é pra ver paisagens: é pra ver ecossistemas. Não é pra ver bicho. É pra procurar bicho. É pra cavalgar e fazer caminhadas na areia fofa. Mas como cavalgar e caminhar na areia fofa, se ninguém da CVC avisou meus companheiros que era preciso levar calça comprida e tênis – e, pelo contrário, o pessoal de apoio local disse a eles pra ir só de chinelo e levar a menor mochila possível?

 

A pousada é charmosa e tem boa comida; no café da manhã os bolos ainda estão quentinhos.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h52
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No traslado de volta, nossa voadeira parou duas vezes. Da primeira vez, por um problema de bateria. Na segunda vez... por falta de gasolina, mesmo. Faltava pouco para chegar, mas nenhum dos nossos celulares – de todas as operadoras – funcionava. O piloto então foi jogando a âncora para a frente até chegarmos à margem. (A voadeira não tinha remos. Não tinha gasolina suplementar. Não tinha nem RÁDIO!!!!) Lá, os celulares pegaram. O piloto pediu socorro. Vinte minutos depois chegava o combustível para nos desencalhar.

 

 

 

 

O bom da vida de guieiro é que não importa o que eu fiz: importa o que você vai fazer. Pra começar, você vai fazer esse passeio no sentido oposto ao que estou fazendo: vai começar pela aridez de Jericoacoara, para então chegar ao verde e a água do Delta e terminar com a síntese de tudo isso nos Lençóis Maranhenses. Se você chegar em Parnaíba durante a semana, você vai direto se hospedar na pousada Islamar, que tem uma piscina linda de frente para um trecho da praia que você vai entender como deserta, não como abandonada. E você vai fazer o passeio de verdade pelo Delta, no barco lento, como se deve fazer.

 

A piscina da Islamar, em Luís Correia, tem até uma proteção de vidro contra o vento.

 

Da minha parte, da próxima vez eu vou fazer tudo isso, e mais uma coisa: quero pegar a chalana de linha, de Tutóia, nos Lençóis, a Parnaíba. Deve ser o jeito mais antropologicamente correto de percorrer o Delta. Se você fizer antes, você me conta?

 

Observação de aves na Ilha do Caju: eu avistei um pavão na sala de jantar!

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h47
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