Expedição Pé-na-areia: 21º. dia

Quando: 29 de setembro, quinta

Onde: Fortaleza (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: hotel executivo (banda larga no quarto!)

Trilha sonora: “Luiz Melodia Revisitado”, linda antologia feita pela Dubas (boa idéia, Filipi)

Das 6 da manhã às 3 da tarde: meu expediente na frente do computador, para dar conta do trabalho atrasado

Gourmet acidental: uma bola de sorvete de caju e outra de “paraense” (açaí com tapioca) na 50 Sabores, no finzinho de Mucuripe (dica da Dani)

Nervoso: eu montando o tripé na barraca do Bené para fotografar à noite dava bem uma pegadinha do Faustão. Nossa Senhora do Foco, me iluminai!

DataCoco: R$ 1,50 numa barraca na praia de Meireles

 

A praia de Meireles é só pra olhar: entrar no mar, só da Praia do Futuro em diante

Escrito por Ricardo Freire às 10h09
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Mande o blogueiro praquele lugar!

E ele vai.

Graças a vocês eu já acrescentei três novas experiências ao meu repertório fortalezense. (E olhe que eu praticamente não saí do hotel desde quarta à noite, tamanho é o atraso das coisas que eu preciso fazer.)

Na quarta-feira fiquei num hotel básico, o Othon Travel (R$ 75 para uma pessoa), na beira da zona (!) do agito da Praia de Iracema, e a duas quadras do Dragão – exatamente o circuito que eu queria fazer à noite. Adorei que a Ana, ao final de suas dicas, lamentou “a degradação e o abandono da Praia de Iracema”. Eu também lamento (tá no Freire´s online) e, se não fico propriamente feliz, fico pelo menos aliviado por encontrar eco numa opinião local. A Praia de Iracema é uma região de casario antigo (junto ao píer conhecido como Ponte Metálica) que foi restaurada na virada do milênio. Quando estive ali pela primeira vez, em 2000, fiquei deslumbrado: o lugar tinha o restaurante mais bonito da cidade (o La Nuit), uma charutaria chiquérrima, bares e restaurantes transados, e a filial de um dos restaurantes de comida regional mais conceituados do Ceará, o Colher de Pau. De todos esses, só o Colher de Pau resistiu. Hoje os restaurantes se concentram praticamente numa quadra só, e o resto do pequeno bairro virou um mar de inferninhos e discoteconas suspeitas. Impossível andar por ali sem ser abordado pelas garçonetes – e não só pelas garçonetes.

 

 

A cinco minutos de caminhada dali, o Dragão é seu oposto absoluto. Em torno do centro cultural (onde há um planetário, salas de exibição e cinemas de arte do Espaço Unibanco) prosperam barzinhos animados, freqüentados pelos fortalezenses. Seguindo uma dica da Sandra, escolhi o restaurante Dragão do Mar – que é meio fora do boxixo, numa esquina calma da praça. Bela dica. Primeiro, porque o cardápio traz a história do Dragão do Mar – só agora, cinco anos depois de ter vindo aqui pela primeira vez, fiquei sabendo que esse era o apelido de um filho de pescador, nascido em Canoa Quebrada, que liderou as lutas abolicionistas no Ceará. Depois, porque pilotando o microfone (quase todos os bares e restaurantes do Dragão têm música ao vivo) havia uma cantora de verdade, que me disseram se chamar Dejane, com talento suficiente para redimir todos os tristes shows de violão-e-voz a que somos submetidos em botecos pelaí. Só o show da Dejane já valeria o ingresso, mas o prato que a Sandra me mandou experimentar estava à altura do repertório da cantora: a carne de sol Dragão do Mar – desfiada, com um molho de requeijão que confere uma cremosidade inusitada ao prato (pense bem: normalmente você come carne de sol com coisas mais secas ainda, como farofa, paçoca, feijão de corda...). O único furo da noite foi que... eu esqueci a câmera. 400 km de estrada fazem isso com a pessoa. Mas hoje à noite eu volto por lá, para conferir as dicas de sexta no Dragão que a Bruna e o Thiago me passaram.

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 10h05
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Quinta-feira me mudei para um hotel com banda larga (o Blue Tree Towers, com uma tarifa ótima de R$ 123 conseguida pelo Rubens, meu agente de viagem) e aproveitei para trabalhar bastante. Quando a fome apertou, no meio da tarde, peguei o carro, estacionei em Meireles (a praia central da Beira-Mar) e fui caminhando até o final de Mucuripe, para seguir uma dica da Ana (acho que alguém mais me sugeriu também, mas eu não consigo achar): comer um camarão frito no mercado de peixe do fim da praia. Funciona assim: você escolhe a matéria-prima num dos stands (me cobraram R$ 6 por meio quilo) e leva numa outra barraquinha para fritar (me cobraram R$ 3). Pedi ao alho e óleo; capricharam no alho. Nham!

 

 

 

 

À noite, segui a dica da Ana e da Bruna: ir atrás da caranguejada da praia da Sabiaguaba, como “alternativa à tradicional caranguejada das quintas-feiras na Praia do Futuro”. Gente, em que planeta que eu morei esse tempo todo? Eu simplesmente nunca tinha registrado essa informação – a de que em Fortaleza todo mundo sai para comer caranguejo na Praia do Futuro às quintas. Freud, Marx e Adam Smith explicam: essa desatenção deve ser debitada ao fato de eu não saber comer caranguejo (vou precisar nascer de novo para aprender a destrinchar o bicho). Então, numa noite só, eu precisei investigar não só a tradicional caranguejada da Praia do Futuro como a alternativa a ela!!! Realmente, a Praia do Futuro vira um mar de carros – uma cena esquisitíssima, já que a praia é afastada, e pouca gente mora por lá; é como se a cidade tivesse o hábito de pegar praia à noite ;-)

 

As barracas da Sabiaguaba ficam na beira de uma estradinha que sai do caminho para o Beach Park (a Ana que me ensinou). Você vai rodando pela estrada, e de repente vê um monte de carros estacionados – entre eles, muitos desses jipões que os cearenses adoram (já me contaram que Fortaleza é o lugar com maior densidade de jipões do Brasil). Se as barracas da Praia do Futuro são todas mega-giga-master-blaster, as barraquinhas da Sabiaguaba são pequenas, rústicas e pobrezinhas – ideais para uma experiência roots. Fui direto na dica da Bruna, que me mandou ir na barraca La Bené. O lugar é “la”, mas o Bené é “le”: depois de trabalhar em cozinhas do Rio (no hotel Rio Palace e na rede La Mole), ele voltou para o Ceará há três anos, abriu sua barraca e não deixa de passar pelas mesas com sua toque de chef. Sensacional! Gostou do caranguejo? R$ 1,70 cada! (Vou ficar devendo a descrição do sabor, porque minha agenda está ocupada e acabei sem tempo para fazer o curso Como Destrinchar Um Caranguejo Para Não Fazer Feio em Fortaleza.)

 

 

Agora com licença, que eu vou às compras. (Mais tarde eu comento os comentários, prometo!)

Escrito por Ricardo Freire às 10h03
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Fortaleza: já estou usando as dicas. Pó mandar mais!

Muito obrigado! Ontem à noite já comecei a conferir as primeiras dicas que vocês mandaram. Sandra, adorei a carne de sol desfiada com requeijão do Dragão do Mar (depois eu conto mais). Bruna, entrei no site da Lounge Beach e vi tudo o que eu precisava saber sobre barracas do momento na Praia do Futuro ;-)

 

Tô aceitando todo tipo de dica – mas o que você tiver no quesito compras será de enorme valia.

 

No mais, role a página, que tem o meu relatório jericoacoariano. Té já.

 

Dragão do Mar, agora visto do terraço do hotel basiquinho da minha primeira noite em Fortaleza



Escrito por Ricardo Freire às 11h00
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Expedição Pé-na-areia: 20º. dia

Quando: 28 de setembro, quarta

Onde: de Jericoacoara a Fortaleza (CE), com escalas na Praia do Preá, na Lagoa Azul de Jijoca e em Icaraizinho de Amontada

Percorridos: 386 km (100 km em estrada de terra)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: hotel básico

Embasbacado: como fiquei depois de conhecer os bangalôs do hotel Rancho do Peixe, no Preá

Gourmet acidental: carne de sol desfiada com requeijão no restaurante Dragão do Mar, em Fortaleza (dica da Sandra)

DataCoco: R$ 1,50 na Lagoa Azul em Jijoca

 

Lagoa Azul, Jijoca



Escrito por Ricardo Freire às 10h56
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No meio do caminho tinha uma tapioca

Ainda bem que eu resisti àquele Magnum que estava me dando tchauzinho de dentro do freezer do posto de gasolina. 100 km adiante me banqueteei com essa tapioca com queijo numa barraca de beira de estada, regada a café quentíssimo de garrafa, com açúcar na medida certa. É dorreal. Servido?



Escrito por Ricardo Freire às 10h50
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A salvação de Jeri?

Calma, moça. Também não precisa exagerar. Varrer? Calçada? Em Jericoacoara?

 

 

Para começar, essa calçada está errada. Jericoacoara, acima de tudo, é areia, lembra? A-r-e-i-a. A areia é o charme, e também o pedágio de Jeri – para ficar, é preciso aprender a conviver com ela. Está bem, eu sei, na época das chuvas alguns lugares empoçam, e talvez uma calçadinha ou outra tenham lá sua validade. Mas você me faz um favor? Não varre, plis.

 

 

Por sinal, essa energia varredoura poderia ser dirigida a atividades mais prementes, como... juntar lixo da rua. Jeri tem muito lixo jogado no chão. Dizem que embaixo da areia é pior: não há esgoto, e o saneamento é calamitoso.

 

 

Mas minhas críticas a Jericoacoara param por aqui. Se você estava salivando para me ver decretar a morte de Jeri, pode tirar seu buguezinho do sol escaldante. Gostei muito do que vi nesta passada. Acho que a vila está no caminho certo.

 

 

Eu sei, eu sei, o ecoturisticamente correto manda suspirar pela Jericoacoara selvagem revelada ao mundo nos anos 80. Mas essa Jeri não tem volta. E, mesmo se tivesse, quem aí se habilita a dormir em rede e fazer o número 2 na casinha?

 

O hotel Mosquito Blue é de uma rede italiana que começou  em Playa del Carmen, no México.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h47
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O fato é que Jericoacoara caminha para se tornar a Buziostrancoso do Ceará. E isso, no meu dicionário, é positivo. Porque a alternativa é se tornar a Portosegurodegalinhas do Ceará. Ou – o que seria ainda pior – uma Canoaquebradadoisamissão.

 

O Clube dos Ventos, no canto direito da praia da vila.

 

Entenda: não é a chegada do charme que desvirtua o paraíso. O que desvirtua o paraíso é a chegada da infra mais básica: a eletricidade (e com ela, banho quente, TV, ar condicionado). A infra “embrega” o paraíso. O nativo substitui as redes por móveis de quarto de empregada. O coronel da região monta uma pousada horrorosa de 40 quartos e faz acordo com alguma operadora para trazer passageiros para passeios e mais passeios de bugue.

 

 

Achado 1: a pousada Aqua é de um italiano que aproveitou uma tripinha de terreno para fazer uma construção original. Está abrindo agora, e cobrando só R$ 50 na baixa (tel.: 85/9604-2117)

 

Depois que a infra chega, só o charme pode redimir o paraíso. Ou ex-paraíso, se preferir. O bom gosto não é tão contagioso quanto o mau gosto, mas qualquer coisa já é alguma coisa.

 

Achado 2: a pousada Masai Mara é de um espanhol que parece com o Marcelo D2 e custa R$ 150 na baixa (www.pousadamasaimara.com)

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h46
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Hoje você não precisa mais inventar um passeio de bugue por dia para curtir Jeri entre o nascer e o pôr-do-sol. Depois de uma caminhada na praia – no segundo semestre, com o mar azulzinho (você tinha toda a razão, Noeme), Jeri fica ainda mais bonita – você pode voltar para a piscina da sua pousada. Cada vez mais pousadas têm piscina em Jeri. Mas felizmente não existem resorts: para isso existe o Boa Vista, em Camocim, que está localizado na distância certa para quem procura infra de resortão e só quer dar uma olhadinha em Jeri para fotografar e ir embora.

 

 

Você também pode pegar uma espreguiçadeira no Clube dos Ventos, no alto de um barranquinho, com vista para o windsurf (se você chegar cedo, pode pegar um lugar sob a sombra da amendoeira). Ali é o point dos windsurfistas gringos – o casal da esquerda vai falar francês, os rapazes atrás de você lêem pocket books em alemão, e talvez o garçom fale “Buon appetito!” para você.

 

 

O almoço do lugar é ótimo – um buffet por quilo, com uma estação ótima de saladas (almoçar numa praia do Nordeste sem cinco tipos de carboidrato acompanhando sua peixada? Não tem preço!).

 

Surpresa: o hotel Rancho do Peixe, na praia do Preá (dos mesmos donos da Vila Kalango) tem os bangalôs mais charmosos do Brasil (www.ranchodopeixe.com.br)

 

À noite, será que foi impressão minha, ou existem mais bares e restaurantes que usam luz amarela (ou, melhor ainda, luzinhas coloridas) do que luz branca? Dá para comer de tudo, de moqueca a pizza a tapioca a picanha a sushi. Por sinal, a moça do sushibar está pensando em colocar uns pratos tailandeses também. (Não me olhe com essa cara. Comida tailandesa devia ser um direito assegurado na declaração de direitos do homem da ONU, em qualquer lugar, para cidadãos de qualquer nacionalidade.)

 

 

Veja bem: a piscina do Mosquito Blue ou os risotos do Chocolate não acabaram – nem vão acabar – com as pousadinhas simples e os PFs de seirreal. A areia e o pôr-do-sol são grátis e iguais para todo mundo. Entenda: o charmoso e o alternativo convivem sempre muito bem. O que mata os dois é o mau-gosto massificado empacotado para viagem. Salve, Jeri!

 



Escrito por Ricardo Freire às 10h44
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Fortaleza: estou adorando as dicas. Mandem mais!

Vocês são demais. A caixa de comentários do terceiro post aí embaixo está lotada de dicas quentíssimas sobre Fortaleza. Já vi que vou me divertir muito fazendo essa matéria para a Viagem & Turismo.

Continuem mandando tudo o que vocês acham que vale a pena ver, fazer, comer e comprar em Fortaleza, e que os turistas acabam perdendo.

 

Aproveitando que estou falando com experts, vou deixar duas perguntas específicas:

 

1) Pra onde foi o povo que costumava freqüentar a Biruta? Ficou pela Praia do Futuro mesmo (na Cabumba? na Lounge Beach? – obrigado, Bruna) ou se bandeou pra outras areias?

 

2) Além dessa feira de artesanato ao ar livre do shopping Salinas (obrigado, Ana), vocês conhecem outros lugares que valem a viagem para fazer compras espertas?

 

Obrigado! E podem deixar, que vou dar crédito pra todo mundo – aqui no blog e lá na revista.

 

 

A Beira-Mar de Fortaleza



Escrito por Ricardo Freire às 18h14
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Cheguei

Já estou em Fortaleza, depois de uma looooonga viagem desde Jericoacoara, com escala em Icaraizinho de Amontada: 300 km de asfalto, mais 100 km de estrada de chão. (Flávia, meu amigo cearense Leo tinha me dado a dica de Icaraizinho há três anos, mas só agora pude conferir. É lindo mesmo.)

 

Centro Cultural Dragão do Mar – ou simplesmente Dragão, para os habituês.

 

Vou deixar para voltar a Mundaú, Fleixeiras, Taíba e Lagoinha durante a minha estada em Fortaleza. Portanto, se você tem alguma dica específica de algum desses lugares, pode mandar, que eu aceito!

 

Por enquanto, fico devendo o último post sobre Jericoacoara. Mas não desliguem...

 

Icaraizinho de Amontada, paraíso não muito longe de Jeri. Depois eu conto...

Escrito por Ricardo Freire às 18h11
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Expedição Pé-na-areia: 19º. dia

Quando: 27 de setembro, terça

Onde: Jericoacoara (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada nova e transadinha

Entra-e-sai: 20 pousadas visitadas ou revisitadas

Achados: duas pousadas bacaninhas que ninguém deu

Cybercafé 24 horas: tem, no albergue filiado à Hostelling International

Gourmet acidental: a torta de banana da Tia Angelita, de justissima fama

DataCoco: R$ 1,50 no quiosquinho JeriCoco

 

Jericoacoara

Escrito por Ricardo Freire às 18h08
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Fortaleza: mande sua dica!

Senhores passageiros: a partir de quinta-feira estarei em Fortaleza.

Além do blog e da atualização do site, que eu já ia fazer de qualquer jeito, a revista Viagem & Turismo me encomendou uma matéria sobre a cidade.

 

Como eu tenho duas pernas mas apenas um cérebro, consegui “vender” uma pauta que junta todas as coisas numa só.

 

Quero fazer uma matéria interativa: com as dicas de vocês, passageiros do Viaje na Viagem. Vocês deixam um comentário com a dica, e eu vou atrás, confiro, fotografo e comento. E dou o devido o crédito a quem deu a dica, claro, tanto aqui no blog quanto na revista.

 

É quase o esquema zeca-camarguiano do Fantástico. Com uma diferença: vocês não querem me botar numa fria, né? Vocês só querem mostrar coisas da sua cidade que passam despercebidas pelos forasteiros, certo? Olhem lá...

 

Então tá valendo: o que você acha que vale a pena ver, fazer, comer e comprar em Fortaleza que só quem mora na cidade sabe? Tô anotando.

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h33
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O guieiro e o cartão-postal

Uma das vantagens de ir a um lugar que você já conhece é que você não precisa mais bater ponto nos cartões-postais.

Uma das desvantagens de você querer, modestamente, fazer o melhor guia online de praias do planeta, é que você precisa voltar aos cartões-postais que você já conhece, para fotografar com a sua máquina nova que tira fotos lindas praticamente sem você fazer força.

 

 

Ou melhor, fazendo força, sim: hoje acordei cedão e, antes do café, caminhei quase uma hora até a Pedra Furada, para pegar a melhor luz incidindo sobre a pedra. (As outras fotos que eu tenho foram tiradas no inverno, quando o mar está marrom, e à tarde, quando a pedra está na sombra. Ou seja: um anti-cartão-postal.)

 

 

Fui lá, gastei uns 100 megas e voltei. Editei as fotos, passei no çáiber, e assim vocês vão se distraindo enquanto eu não ponho “o” post pedaçudo sobre Jeri.

 

Devem ter escrito em inglês macarrônico para que os turistas italianos também  possam entender



Escrito por Ricardo Freire às 12h30
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Foi a Jericoacoara e viu... uma piscina!

E com vocês, em avant-première mundial, a nova piscina da pousada Vila Kalango, uma das opções de hospedagem chique em Jeri. (A outra é um hotel, o Mosquito Blue.) A piscina inaugurou há tão pouco tempo, que ainda não está nem no site da pousada.

 

 

Para conseguir esse furo, lancei mão dos meus métodos exclusivíssimos: chegar, não dizer quem eu sou, me hospedar, pagar a conta e ir embora.

 

O toque original – a Vila Kalango é cheia dos toquezinhos originais – fica por conta da cor do vidrotil do fundo: um vermelho meio tijolo, que desafia o padrão azul-marinho reinante em piscinas de gente-fina, mas que tem tudo a ver com a proposta rústica da pousada. Agora no verão, quando o mar está azul, a piscina entona com a areia, a madeira, a palha. Na época das chuvas, quando o mar ficar acinzentado, a piscina não vai ficar mais bonita do que o mar. (Não sei se foi nisso que eles pensaram, mas foi disso que eu gostei.)

 

 Alguns dos bangalôs são elevados sobre palafitas

 

O mais interessante é que a piscina dá um considerável upgrade à pousada – ela sai da categoria charmosíssima para entrar na categoria charmosíssima & chiquérrima.

 

Mas não é para todo mundo, e não estou falando nem em grana. Normalmente quem tem 250 paus para pagar num quarto de hotel quer instalações mais papai-mamãe – ar condicionado, TV, banheiro com box. E não casas do Tarzan em que você dorme ao som dos ventos uivantes.

 

A sala de estar não tem paredes e o chão é de areia; os bangalôs são de madeira, não têm ar nem TV

 

Eu, que nunca tinha conseguido me hospedar aqui, adorei. Porque a Vila Kalango consegue fazer você se sentir num lugar sofisticado, porém sem domar nem disfarçar a força dos elementos que fazem Jeri ser Jeri.

 

Acho que no final dessa expedição eu vou lançar um livro só de redes ;-)

 

E, antes que você reclame: vou passar essa noite numa pousada nova, numa faixa de preço mais razoável, com uma piscina bacaninha, e que ainda não saiu em lugar nenhum.



Escrito por Ricardo Freire às 12h22
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Expedição Pé-na-areia: 18º. dia

Quando: 26 de setembro, segunda

Onde: de Jijoca a Jericoacoara (CE)

Percorridos: 25 km, em caminhonete (R$ 4)

O Blogmóvel: ficou estacionado numa pousada em Jijoca

Tempo: ensolarado e ventoso

Hospedagem: pousada rústica-chique

Cibercafés: R$ 10 a hora (em Camocim era R$ 3; cheguei a pegar uma promoção de domingo a R$ 1 a hora)

Do you sprechen italiano?: gringos windsurfistas por todo lado

Gourmet acidental: ótimo almoço a quilo, com saladas fresquinhas, cercado por gringos, no Clube do Vento

DataCoco: R$ 1,50 no quiosquinho JeriCoco

 

Praia de Jericoacoara



Escrito por Ricardo Freire às 12h10
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Comentando os comentários

Fábio, existe uma estrada quase litorânea entre Parnaíba e Camocim. São 130 km em bom asfalto do centro de uma cidade ao centro da outra; eu contei 100 km da entrada da praia do Macapá, no finalzinho de Luís Correia, até Camocim. (O resort Boa Vista, de Camocim, está com planos de expansão, e quer usar o aeroporto de Parnaíba como ponto de chegada dos charters internacionais.) De Camocim a Jijoca o asfalto só vai até Granja (25 km); então são mais 63 km de terra, com alguns trechos de areia. Jijoca-Jeri-Jijoca, só mesmo com 4x4, apesar dos meninos garantirem que sabem o ponto exato da maré em dá pra ir de carro comum (não caia nessa; sua seguradora não paga nada se der errado). Mas de Jijoca a Fortaleza já está tudo asfaltado há bem uns três anos.

 

Carol, a Pousada do Paolo está precisando de um pouquinho de manutenção (o que é comum quando você cobra baratinho), mas o lugar é charmoso, o projeto aproveita de maneira perfeita a topografia do lugar, e a comida é ótima. O telefone é (88) 3669-1181 e o site, www.jericoacoara.tur.br/pousadadopaulo. Esse preço de R$ 60 é para uma pessoa só, e na baixa temporada. (O preço para a alta temporada eu ainda não sei; minha coletadora de preços só trabalha em novembro.)

 

Lagoa de Jijoca, no trecho conhecido como Lagoa do Paraíso



Escrito por Ricardo Freire às 12h09
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Ter um blog viajandão é...

... chegar em Jericoacoara e ir correndo para o çaibercafé.

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h33
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Expedição Pé-na-areia: 17º. dia

 

Quando: 25 de setembro, domingo

Onde: de Camocim a Jijoca (CE)

Percorridos: 90 km – 60 de terra

Perigo: peguei alguns trechos de areião – ai que medo

Tempo: ensolarado e ventosão

Hospedagem: pousada pé-na-areia

Trabalho: provar da minha própria receita; sempre recomendo a Pousada do Paolo na Lagoa de Jijoca, mas nunca tinha dormido nela

Pechincha: R$ 60 por um bangalozinho na areia. Pode?

Atividade: não fazer nada. Se for isso que chamam de férias, adorei

Gourmet acidental: peixe assado com azeite, cebola, batata, alcaparras e passas na Pousada do Paulo – una meraviglia

DataCoco: tem não, moço

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 12h24
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Rola a página que tem post que não acaba mais!

Passei o dia de ontem no lombo de um bugue, vendo as praias a leste e a oeste de Camocim. Para ver a história do meu quase-naufrágio no Delta do Parnaíba, role mais a página. No fim de tudo tem até uma nova rodada de “Comentando os comentários”. Boa viagem!

 

Pesca de rede em Tatajuba, Ceará



Escrito por Ricardo Freire às 10h34
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Expedição Pé-na-areia: 16º. dia

Quando: 24 de setembro, sábado

Onde: Camocim (CE)

Tempo: ensolarado e ventosíssimo

Hospedagem: resort

Grana: estava aqui, à minha espera – já tenho como chegar a Fortaleza

Descoberta: uma linda pousada em Tatajuba

Bugue + areia: para repassar o bronzeador sem se lanhar todo, só depois de tomar um banho de sabonete

DataCoco: R$ 1 na praia do Maceió; R$ 1,50 no lago de Tatajuba

 

Rio Coreaú, Camocim

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h33
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A primeira impressão é a que é substituída

Quando eu soube, há pouco mais de dois anos, que um grupo italiano tinha construído um resort em Camocim, fiquei espantado. Como assim, Camocim? Eu tinha estado aqui em 2002, testando como era chegar em Jericoacoara de avião. Era uma hora de vôo desde Fortaleza, e depois uma jardineira levava a gente até Jeri, pela areia (uma hora e meia de chacoalho, que praticamente eliminava a vantagem de voar até aqui).

O Rio Coreaú, visto do fim da praia das Barreiras

 

Daquela vez, não tinha achado nada demais em Camocim. Pra falar a verdade, tinha achado é de menos. Era inverno, o rio Coreaú estava turvo, as praias do caminho também. Pensei que fosse assim sempre. Tanto assim que quando li, há pouco, que o resort dos italianos ia ser ampliado, achei que o mundo não tinha mais jeito.

 

Barra dos Remédios, ao fim de um longo passeio de bugue na direção oeste

 

Alguém tem uma palmatória aí? Tó minha mão.

 

Beira-rio de Camocim

 

Veja a diferença entre ir a um lugar e ir a um lugar na época certa. No verão cearense, o rio Coreaú fica lindão. Dependendo da incidência do sol, o rio fica de um azul-celeste de doer o olho. Barquinhos e canoas emparelhados na margem dão aquele colorido pitoresco que o seu álbum de fotografias encomendou antes de você sair de casa.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h30
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E pra me deixar ainda mais mais desmoralizado, a belíssima praia de Tatajuba, com seu lago de águas verdes, fica pelo menos meia hora mais perto de Camocim do que de Jeri.

 

Tatajuba: também dá para ir saindo de Jericoacoara

 

A vila de Tatajuba  é um sossego só.

 

Em compensação, de vez em quando o Lago de Tatajuba vira o maior crowd

 

 

Tudo fica mais bonito quando a gente consegue tirar todas as cadeiras de plástico de quadro

 

Agora quer parar de torcer o meu braço, que já tá doendo?



Escrito por Ricardo Freire às 10h27
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Achado: Pousada Santa Maria, Tatajuba

Não, o achado não é meu. Quem achou primeiro foi a Viagem & Turismo deste mês (a capa, por sinal, se chama “101 Achados”). Só que eu vou ser um pouquinho mais enfático.

 

A notícia não é só “agora tem pousada na linda e rústica praia de Tatajuba”. A notícia é: agora tem uma pousada belíssima, charmosa, elegante, gostosa, em conta e com vista para o mar na linda e rústica praia de Tatajuba.

 

 

O nome é Pousada Santa Maria. O dono é espanhol e passou nove meses construindo. Por enquanto são só quatro quartos – tudo branco e palha, fusion de Mediterrâneo com Ceará. O avarandado que funciona como sala de estar tem chão de areia, mas junto à sala de jantar há um jardim tropical que só alguém muito caprichoso pode manter por essas bandas. E o preço é quase grátis: R$ 120 para o casal, com café da manhã. Anote o telefone: (88) 9925-7444.

 

 

Sinceramente: não conheço nada com tanto bom-gosto num lugar tão remoto em canto nenhum do litoral brasileiro. Fiquei morrendo de vontade de ficar. Mas o trabalho me chamava...

 



Escrito por Ricardo Freire às 10h21
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Expedição Pé-na-areia: 15º. dia

Quando: 23 de setembro, sexta

Onde: da Ilha do Caju (MA) a Camocim (CE)

Tempo: nubladão de manhã, enevoadinho à tarde

Hospedagem: resort

Ponto baixo: uma pane seca no rio Parnaíba

Ponto alto: deix’eu ver... hum... ah: uma pane seca no rio Parnaíba!

DataCoco: quando parei para tomar coco e almoçar, na praia do Macapá, todas as barracas já tinham fechado...

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h16
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Faça o que eu digo, não faça o que eu fiz

Vida de guieiro é assim. Muitas vezes o azar do viajante a lazer (chama o Macaco Simão: tucanaram o turista!) é a sorte de quem viaja para orientar a viagem dos outros. Porque, para poder alertar sobre furadas e roubadas, não há método mais eficiente do que cair nelas.

 

Hoje eu posso recomendar, por experiência própria, que na baixa temporada você não apareça em Parnaíba no meio de semana. Em primeiro lugar, porque na baixa temporada os passeios realmente bacanas pelo Delta do Parnaíba – aqueles que são feitos em chalanas, os barcos típicos da região – só acontecem no fim de semana. E depois,  porque o balneário de Luís Correia fica completamente vazio durante a semana – e como os hotéis de Parnaíba ficam em Luís Correia, você corre o risco de ser o único hóspede de um algum hotel enorme.

 

No Porto das Barcas, em Parnaíba, há várias agências que oferecem passeios pelo Delta.

 

Hoje eu posso ver – como já tinha me alertado uma leitora – que passear pelo Delta de voadeira não tem um décimo da poesia de passear pelo Delta de chalana. E posso também aconselhar que você só se hospede na Ilha do Caju se for um ecoturista juramentado, pós-graduado e sindicalizado.

 

É num barco assim que você deve passear pelo Delta do Parnaíba.

 

Para mim, que estou fazendo um guia, foi um ótimo negócio poder descobrir todas essas coisas na prática. Já quem investiu uma semana de férias para ficar sabendo disso...

 

Eu decorei o nome dessa planta, mas depois da pane seca na voadeira deu pane na minha memória também.

 

Veja o caso dos meus companheiros daqueles dois intermináveis dias na Ilha do Caju. Três casais paulistas; um na faixa dos 40 anos, outro na dos 50, outro na dos 60. Compraram na CVC um pacote para o Delta do Parnaíba com Ilha do Caju. Chegaram domingo no fim da tarde e foram instalados num hotel de lazer na praia da Atalaia, em Luís Correia. Afora eles, não havia nenhum hóspede.

 

Nenhum homem é uma ilha. Luís Correia, por exemplo,  é um monte de praia.

 

Quando amanheceu a segunda-feira, deram de cara com aquele praião imenso, lotado de barracas... vazias. Algumas abertas; a maioria, fechada. Veja bem: uma coisa é você sair de São Paulo, pegar um avião para o Nordeste e ir parar numa praia deserta. Outra coisa é você acordar numa praia abandonada. Coloque-se no lugar desses três casais. É impossível não sentir a sensação de xi-onde-é-que-eu-fui-amarrar-meu-burro.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h06
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Na segunda-feira eles foram levados por um tour pelas outras praias de Luís Correia, e estavam tão mal-impressionados com o vazio do praião da Atalaia que não deram o devido valor à falta de densidade demográfica de duas lindas belas piauienses, a do Coqueiro (uma enseada) e a do Macapá (na barra do rio Camurupim).

 

A praia do Coqueiro tem uma vilazinha e o restaurante mais famoso da região, O Dedé (que não é esse da foto, não)

 

 

A vegetação do outro lado do rio Camurupim faz a diferença do visual da praia do Macapá.

 

Na terça-feira veio o passeio de que todos gostaram: a excursão ao Parque Nacional de Sete Cidades, no meio do caminho para Teresina.

 

A quarta-feira começou mal: ficaram sabendo que o passeio pelo Delta do Parnaíba tinha virado um simples trânsfer até a Ilha do Caju. Por sinal, foi exatamente nesse momento que eu me juntei ao grupo – eu tinha chegado na noite anterior e tinha conseguido me encaixar na mesma voadeira, economizando uma grana preta. Eu até tentei contemporizar, dizendo que o traslado valia por um passeio pelo Delta. Mas hoje eu sei que não vale, não. No passeio você passa por igarapés, vê uma demonstração de cata de caranguejo e chega à foz do rio; no traslado à Ilha do Caju, você vai até a Ilha do Caju, sem paradas, e ponto. Nem ver o fim do Delta você vê.

 

Um grupo de catadores de caranguejo indo para o trabalho. Eu também estava trabalhando no rio Parnaíba.

 

E a Ilha do Caju... bem, por tudo o que eu já tinha lido e ouvido falar, eu sabia que não era pra mim. Eu tinha consciência de que precisava ser bem mais aventureiro e gostar muito mais de mato para realmente curtir. Mas eu precisava ir até lá ver como era, fotografar para o guia, avaliar a pousada. Eu poderia ter dado a sorte de ter me encaixado num grupo de hóspedes certo. Mas eu acabei dando a sorte de me encaixar num grupo de hóspedes erradíssimo. Foi educativo.

 

Aviso aos ecoturistas light: a Ilha do Caju é bonita, mas não é Bonito.

 

A CVC não avisou a meus pobres companheiros que a Ilha do Caju não é ecoturismo tipo sobe-na-toyota-tia-e-ói-quanta-coisa-linda. Nananina: a Ilha do Caju é ecoturismo-cabeça. A Ilha do Caju está para o cliente da CVC assim como o cinema iraniano está para o cliente da CVC. Não é pra ver paisagens: é pra ver ecossistemas. Não é pra ver bicho. É pra procurar bicho. É pra cavalgar e fazer caminhadas na areia fofa. Mas como cavalgar e caminhar na areia fofa, se ninguém da CVC avisou meus companheiros que era preciso levar calça comprida e tênis – e, pelo contrário, o pessoal de apoio local disse a eles pra ir só de chinelo e levar a menor mochila possível?

 

A pousada é charmosa e tem boa comida; no café da manhã os bolos ainda estão quentinhos.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h52
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No traslado de volta, nossa voadeira parou duas vezes. Da primeira vez, por um problema de bateria. Na segunda vez... por falta de gasolina, mesmo. Faltava pouco para chegar, mas nenhum dos nossos celulares – de todas as operadoras – funcionava. O piloto então foi jogando a âncora para a frente até chegarmos à margem. (A voadeira não tinha remos. Não tinha gasolina suplementar. Não tinha nem RÁDIO!!!!) Lá, os celulares pegaram. O piloto pediu socorro. Vinte minutos depois chegava o combustível para nos desencalhar.

 

 

 

 

O bom da vida de guieiro é que não importa o que eu fiz: importa o que você vai fazer. Pra começar, você vai fazer esse passeio no sentido oposto ao que estou fazendo: vai começar pela aridez de Jericoacoara, para então chegar ao verde e a água do Delta e terminar com a síntese de tudo isso nos Lençóis Maranhenses. Se você chegar em Parnaíba durante a semana, você vai direto se hospedar na pousada Islamar, que tem uma piscina linda de frente para um trecho da praia que você vai entender como deserta, não como abandonada. E você vai fazer o passeio de verdade pelo Delta, no barco lento, como se deve fazer.

 

A piscina da Islamar, em Luís Correia, tem até uma proteção de vidro contra o vento.

 

Da minha parte, da próxima vez eu vou fazer tudo isso, e mais uma coisa: quero pegar a chalana de linha, de Tutóia, nos Lençóis, a Parnaíba. Deve ser o jeito mais antropologicamente correto de percorrer o Delta. Se você fizer antes, você me conta?

 

Observação de aves na Ilha do Caju: eu avistei um pavão na sala de jantar!

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h47
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Comentando os comentários

A todos os que se ofereceram para me mandar grana, meu muitíssimo obrigado. Se eu não tivesse conseguido resolver o problema com a triangulação entre a minha conta, a da minha agência de viagem e a do próximo hotel, fiquem certos de que eu ia aceitar, sim ;-)

E, Paulo, adorei a história da vaquinha e da Cow Parade.

 

Fernando, o inverno desse ano no Maranhão foi muito fraco, e as lagoas já estão abaixo do nível normal para setembro (muitas já secaram). Acho que em janeiro você não vai ver muita água não. Não dá para esperar até março, pelo menos?

 

Zé Gerardo, fiquei com água na boca para comer a galinha com pirão no Bar do Pirão no Macapá (na verdade é em Maramar, certo?), mas quando cheguei o bar já estava um tanto quanto fechado...

 

 

André Galhardo, aquele abraço! Tomarei uma cajuína com seu avô em Teresina quando eu voltar para fazer a Transpiauí!

 

Marcello, você pode ver o meu equipamento clicando na FAQ aí do menu lado (“Que câmera você usa?”). Uso um cartão de 1 giga e só uma bateria, que eu recarrego sempre que chego ao hotel.

 

Márcia Kawabe, juro que eu não tirei as fotos de Santo Amaro do Google. Mas em compensação, não tem mérito nenhum do fotógrafo nelas – lá é que nem Noronha: é só clicar que sai cartão postal.

 

Giancarlo, Lafayette e paraenses, torçam por este projeto, que se ele der certo ano que vem eu mostro tudo o que o Pará tem de bacana.

 

Gusta, pibe, eu bem que gostaria, mas já tô tão atrasado que não vai dar pra dar um pulinho em Belém e Alter-do-Chão em outubro, como eu cheguei a imaginar. E olha só: se o Timão continuar deixando a gente gostar lá da frente, sei não, periga dar a zebra vermelha...

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h31
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Fábio da ilha, até o resort de Barreirinhas eu estava benzissimamente acompanhado. A família volta a se reunir de tempos em tempos. Mas como bem disse o Paulo Gustavo, eu nunca na minha vida viajei acompanhado de tanta gente bacana...

 

Eduardo Luz, ano passado eu comecei a atualizar/reescrever o Viaje na Viagem. No primeiro semestre de 2006 eu devo retomar os trabalhos, e o livro deve sair no ano que vem, contendo muito mais informação, e com o nome Almanaque Viaje na Viagem.

 

Roberto, o segredo da luz de algumas fotos é... a hora, mais nada. Quanto mais perto do pôr-do-sol, mais bonita a foto fica. E com esse pôr-do-sol aqui do Norte é covardia!

 

Paulo & Ducha, gente, que chique que tá esse blog. Voltem sempre!

 

Regina da Espanha, nada não, queria só mandar um ¡hola que tal!

 

Meu escritório na Ilha do Caju

 

Mira, querida, tô sem tempo de responder e-mails, mas adorei que você escreveu e fiquei triste de não ter te visto na Mercearia!

 

Malabarse, o template do blog foi feito pela minha querida amiga Cássia Zanon. O cabeçalho é obra de outro amigão, o Alexandre Suannes.

 

Jô Elias, o projeto de Internet banda larga pela rede elétrica ainda não vingou em Barreirinhas, não. Pelo que ouvi nos cybercafés (a cidade tem dois), a coisa ainda está no âmbito da universidade.

 

E a todos os blogueiros, obrigado pela audiência e pelos comentários. No momento eu tô vendendo o almoço pra comprar o jantar, mas assim que as coisas sossegarem, eu tiro um dia só pra visitar vocês todos e comentar. [ ]’s!



Escrito por Ricardo Freire às 09h29
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Fotoblog: Rio Parnaíba e Ilha do Caju

Senhores passageiros: acabo de sobreviver a uma pane seca em pleno Rio Parnaíba!

 

(Uma maneira Cidade Alerta de dizer que faltou gasolina na nossa voadeira quando faltavam cinco minutos para chegarmos ao porto.)

 

Depois eu conto tudo. Por enquanto, fiquem com o trailer.

 

 

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 13h30
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Expedição Pé-na-areia: 14o. dia

Quando: 22 de setembro, quinta

Onde: Ilha do Caju (MA)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: lodge charmoso, com pererecas no banheiro

Quase sexo: uma perereca dormiu na minha sunga!

Guarás: só ano que vem; esse ano as lagoas já secaram

Gourmet acidental: bolo quentinho no café da manhã

DataCoco: coco? O que é coco?

 



Escrito por Ricardo Freire às 13h23
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Expedição Pé-na-areia: 13o. dia

Quando: 21 de setembro, quarta

Onde: de Parnaíba (PI) à Ilha do Caju (MA), pelo Delta do Parnaíba

Tempo: ensolarado

Hospedagem: lodge charmoso

Momento nunca-diga-desta-água-não-beberei: peguei carona com um grupo da CVC (!)

Telefone: não tem

Internet: tem, mas o computador não tem drive de CD (fotos só amanhã!)

Update: DÁ-LHE COLORADO!!!

Gourmet acidental: peixe na chapa com alho (pedi para caprichar no alho)

DataCoco: mais um dia sem coco!



Escrito por Ricardo Freire às 16h50
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Expedição Pé-na-areia: 12º. dia

Quando: 20 de setembro, terça

Onde: de Barreirinhas (MA) a Parnaíba (PI)

Rodados: 650 km

Tempo: ensolarado

Hospedagem: hotel tecnologicamente defasado (pensei que fosse um hotel utilitário, mas acabou sendo um hotel inutilitário!)

Alegria: a data nacional do Rio Grande, e ninguém na frente do Colorado ;-)

Sorte: me encaixei num grupo saindo para a Ilha do Caju

Pânico: tenho R$ 38 e cinco folhas de cheque no bolso, e o meu banco não existe em Parnaíba

Solução: vou pegar dinheiro vivo no próximo hotel, mandado pela minha agência de viagem

Gourmet acidental: peixada à moda do Dedé, na praia do Coqueiro, em Luís Correa

DataCoco: ih, esqueci de pesquisar (muita estrada deixa a gente assim)

 



Escrito por Ricardo Freire às 07h12
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On (e off) the road

Em linha reta, Barreirinhas deve estar a no máximo 150 km de distância de Parnaíba. 120% das pessoas que vão dos Lençóis ao Delta sobem num 4x4 e vão pela praia, pegando o asfalto só em Tutóia, no limite leste dos Pequenos Lençóis, já quase na divisa do Piauí.

 

Como o Blogmóvel não é 4x4, eu teria que ir pelo interior. O que significa rodar 400 km, 140 deles em estrada de terra. Tomei café, saí, rodei os 17 km até o entroncamento com o primeiro trecho de terra. Entrei, enfrentei os pedregulhos dos primeiros 500 metros. Mas daí, quando a estrada ameaçou virar um areal.... fiz que nem o Baloubet du Rouet. Refuguei. Não tinha como eu sair inteiro daquela estrada.

 

Fui, então, pelas vias asfaltadas – o que significava voltar quase até São Luís para pegar a BR 135, e então virar na BR 222 até Parnaíba, aumentando a conta para 650 km – rodados praticamente em círculo.

 

A primeira parte eu já conhecia – a estrada nova de Barreirinhas é ótima. O trecho entre Rosário e a BR 135, mais antigo, é  mais sinuoso e movimentado, mas sem problemas maiores. A BR 135 também está OK. Quando eu me preparava para entrar na BR 222, eu já estava preparado para o pior.

 

Primeira surpresa: a BR 222 está sendo repavimentada! Está um tapete! Quase não passa carro! Pelo menos por algumas horas, eu aproveitei os dividendos do apoio incondicional de Sarney a Lula.

 

Quando eu já imaginava que ia chegar a Parnaíba no mesmo horário que os 4x4, entretanto, o suplício começou. Passando uma cidade chamada, acreditem, São Bernardo, a estrada fica uma buraqueira só. Cadê a minha jamanta, bem na hora em que eu mais preciso dela?

 

 

Eu já tinha rodado 80 km nessa falta de estrada, quando avistei uma ponte. Bonita. Imponente. Pensei: a ponte sobre o rio Parnaíba! Do outro lado já é o Piauí! E de repente a estrada do outro lado já está consertada!

 

 

Senhores passageiros: nunca alguém desejou tanto chegar ao Piauí. O Piauí passou a ser a minha Canaã!

 

Só que, passando a ponte, a estrada estava ainda pior :-(

 

 

Mas, 10 km adiante, o suplício acabou – a estrada desemboca na BR que vem de Teresina.

 

Tive sorte: consegui me encaixar numa lancha que está indo para a Ilha do Caju hoje, quarta-feira, e volta na sexta. Dei azar com o hotel: ele é tão, ahn, tecnologicamente defasado, que não dá para acessar Internet pelo sistema telefônico – o ramal do quarto não agüenta. E entrei em pânico, porque eu pensava que ia ter agência do meu banco em Parnaíba (trata-se da segunda cidade do Estado), e estou só com 38 reais no bolso (e cinco folhas de cheque).

 

O ruim de não usar agente de viagem: como eu fiz reserva da estrada, a moça do hotel acha que eu sou um perigoso trambiqueiro internacional e se recusa a pensar em formas de como eu possa descontar algum dinheiro com ela usando cartão de débito.

 

O bom de ter um agente de viagem: liguei para a Aviotur para pedir a reserva no próximo trecho (Camocim) e já consegui que eles depositassem dinheiro na conta do resort de lá para que eu tire em dinheiro vivo. Daqui a Camocim vou ter que ir bem devagarzinho, porque não tenho grana nem pra molhar a mão de guarda...

 

Enfim, depois de 650 km e oito horas de estrada, só me restava recuperar as forças com uma peixada no Dedé, na praia do Coqueiro, antes de dormir o sono dos justos e esbodegados.

 

 

De hoje a sexta tem Ilha do Caju. Tentarei mandar notícias.



Escrito por Ricardo Freire às 07h08
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Rumbora: próxima parada, Parnaíba

Amanhã a Expedição Pé-na-areia cruza a primeira fronteira estadual e chega a Parnaíba, no Piauí, de onde vamos – eu e você – passear pelo Delta e visitar a Ilha do Caju. Se der tempo (tradução: se eu conseguir mandar a Xongas da semana e a crônica do Guia do Estado no tempo regulamentar), amanhã eu faço outra rodada do “Comentando os comentários”. Falado?

 

Ah, sim: se você entrou por causa da chamada para Santo Amaro do Maranhão na home do UOL Viagem, é só rolar a página mais um pouco que você chega lá.

 

E pra quem reclama que eu não apareço nunca, deixo aqui uma foto minha, tirada na Lagoa do Peixe, em Barreirinhas. Té amanhã!

 



Escrito por Ricardo Freire às 21h25
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Expedição Pé-na-areia: 12º. dia

Quando: 19 de setembro, segunda

Onde: de Santo Amaro a Barreirinhas, MA

Rodados: 40 km de jipe na areia, 60 km de van no asfalto

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada completamente sem sal

Meu celular: perdido, mesmo

Programa de guieiro: passar a tarde visitando pousadas

A primeira fã: fui reconhecido! “Você não é o senhor Ricardo Freires?” Fiquei tão encabulado, que nem consegui dizer que não sou senhor nem sou plural!

Gourmet acidental: peixe ao molho de caju no Restaurante do Carlão (dica do casal paulista que eu conheci a caminho de Santo Amaro)

DataCoco: R$ 1,50 (o último do estoque – já meio passado – do restaurante Clássicos, na hora do almoço)

 

Dia de visitar pousadas? Ai, que preguiça...



Escrito por Ricardo Freire às 21h23
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Expedição Pé-na-areia: 11º. dia

Quando: 18 de setembro, domingo

Onde: de Barreirinhas a Santo Amaro do Maranhão

Rodados: 60 km de ônibus no asfalto, 40 km de jipe de linha na areia

Tempo: nublado de manhã, ensolarado à tarde

Hospedagem: pousada limpinha

Stress: perdi meu celular; acho que deixei num restaurante em Barreirinhas, e eu não conseguia completar nenhuma ligação para lá no telefone fixo

Gourmet acidental: café preto com bolo de tapioca na parada de Matões, na uma hora e e meia de espera entre o desembarque do ônibus e a saída do jipe

Constatação: Ah! Então é aqui que eles tiram aquelas fotos!

DataCoco: em falta (alô KeroCoco: ponham um distribuidor nos Lençóis!)

 

  

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 14h44
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Não espalhe: Santo Amaro do Maranhão

Eram 7 e meia da manhã. O ônibus tinha acabado de nos deixar na parada onde pegaríamos o jipe de linha até Santo Amaro do Maranhão, e o paulista já estava estressado.

 

- O cara disse que não dá pra pôr as malas porque ele vai lavar o jipe no rio! AGORA?!? Por que não lavou ANTES da gente chegar?

 

 

Calma, paulista. O jipe só vai sair depois que descerem os passageiros do ônibus que vem de São Luís, daqui a uma hora e meia. Avisaram você não?

 

Esperamos à toa. Ninguém desceu do ônibus que veio de São Luís, e o jipe partiu apenas com nós quatro – eu, o casal paulista e um morador. Os turistas, na cabine (ou classe executiva, como eu vim a chamar), e o morador, na jardineira adaptada na carroceria (a classe econômica).

 

 

A linha de jipe entre o asfalto e Santo Amaro só começou a operar diariamente em março deste ano. Antes disso, o transporte era inconstante. A linha ainda é mais usada pelos moradores, mesmo. Com exceção dos alternativos (como os mochileiros) e dos desgarrados (como eu), a maioria dos turistas chega em passeios de um dia só, contratados em de Barreirinhas. As agências nem têm preço para passageiro individual: elas cobram pela diária do jipe. Por R$ 450, oito passageiros têm direito a um dia inteiro de solavancos – 1h pelo asfalto, mais 1h30 de areia até a cidade, mais duas ou três horas de passeio pelas dunas, mais a volta, mais as dores generalizadas na hora de dormir.

 

Pelo bem de Santo Amaro, é bom que ir até lá seja tão difícil assim.

 

 

Engraçado, que quando começaram a me falar para ir a Santo Amaro (inclusive aqui no blog, nos comentários de leitores que sabem das coisas), eu achei que o barato do lugar fosse... bem, fosse o lugar em si. Mas não. Barreirinhas caminha a passos rápidos para se tornar a Porto Seguro dos Lençóis, mas Santo Amaro ainda não é sequer uma Caraíva. E, pensando bem, é bom que continue desse jeito.

 

 

Existem três ruas calçadas; as outras são de areia. Perdão: areia, não – A-R-E-I-A, fofa, quente, que funciona mais como obstáculo do que como caminho. Porcos e cabritos andam soltos, as lojas (os “comerciais”) não têm quase nada para vender, e o primeiro restaurante aonde fomos tentar almoçar não tinha comida (“a gente não fez compra hoje”). Das pousadas (tem uma bonitinha, e outra bem boazinha) eu comento amanhã.

 

 

Contratamos um jipe (fez descontinha bra nóis: R$ 100 o passeio, contra R$ 120 da tabela), e quando o jipeiro veio nos pegar, às duas e meia da tarde, começou com a mesma conversa que eu ouvi antes de começar todos os passeios: que este ano choveu pouco no inverno, que muitas lagoas já secaram, outras estão rasas, biriri, bororó. Falou que íamos à lagoa tal, à lagoa tal e encerraríamos na Lagoa da Gaivota, que ainda estava razoavelmente cheia, inclusive para nadar.

 

 

No que eu pensei: vamos ver um monte de lagoa seca, e terminar o passeio com a única lagoa realmente fotografável do passeio nesta época.

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 14h39
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Partimos. Saímos da cidade e logo passamos ao largo do Lago de Santo Amaro – que, ao contrário das lagoas, é conectado a rios, e por isso não seca. É esse lago que provê sustento à vila e comida aos bichos que vivem soltos por todo lado – cabritos, vacas, porcos, cavalos.

 

 

Ao chegarmos às dunas, tivemos a primeira surpresa. Nesta banda do parque os jipes podem penetrar na região de dunas, usando rotas tradicionais que são as únicas ligações por terra entre vilarejos da região. Isso já faz o passeio ser mais interessante do que os de Barreirinhas – isto é, enquanto essas rotas não se tornarem uma avenida engarrafada de jipes. De todo modo, o Ibama proibiu a subida dos jipes nas dunas – no que está certíssimo.

 

Comecei a gostar da paisagem, mas o jipeiro não parava. Bati no vidro da cabine (estava na carroceria, com o casal paulista), e então ele freiou para eu tirar a primeira foto. Estávamos achando tudo lindo. Dali a dez minutos, no entanto, saberíamos por que o motorista tinha passado batido por aqueles lugares que, no nosso entender, teriam rendido momentos Kodak.

 

O primeiro indício de que o passeio de Santo Amaro deixaria a categoria lindo para alcançar a categoria deslumbrante foi quando avistamos uma lagoa, já meio seca, que uma colônia de pássaros tinha escolhido para descansar.

 

 

Depoís dela, chegamos às lagoas conhecidas como as Emendadas – e dali até a Lagoa da Gaivota a gente só conseguia fechar a boca porque senão entrava areia.

 

 

 

 

ARRÁ! Então é AQUI que eles tiram AQUELAS fotos!!!

 

 

Não sei se você notou, mas eu só coloquei essas fotos aqui embaixo. Para chegar aqui, você teve que ver parada de ônibus, trilha de jipe, casa de taipa, açougue, vaca. Os mais fresquinhos mudaram de canal ou mesmo desligaram o computador quando viram aquela porca vagando solta. Foi de propósito. Santo Amaro do Maranhão não é uma informação que se dê a qualquer um.

 

Veja bem o que você vai fazer com ela. Repasse só a quem mereça.

 

 

Na dúvida, faça como o Andrucha, que passou dois anos filmando “Casa de Areia” nesse lugar e conseguiu fazer todo mundo achar que por aqui só tinha areia, areia, areia e Duas Parentas de Fernando.

 



Escrito por Ricardo Freire às 14h38
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Paradeiro

Senhores passageiros: fiquei sem conexão ontem, no Atins (vejam mais abaixo), e só cheguei hoje no final da tarde de volta a Barreirinhas. Não sei se conseguirei conexão amanhã: vou passar o dia em Santo Amaro do Maranhão – que, segundo dica dos meus bem-informadíssimos leitores, confirmadas por muita gente daqui, deve ser o lugar mais bacana dos Lençóis.

 

Mas tem bastante coisa aqui debaixo para vocês se divertirem até segunda-feira...

 

Fim de tarde na prainha do Preguiças, em Barreirinhas



Escrito por Ricardo Freire às 21h51
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Expedição Pé-na-areia: 10º. dia

Quando: 17 de setembro, sábado

Onde: de Atins a Barreirinhas, MA

Rodados: 12 km a cavalo; 40 km de lancha

Tempo: ensolarado

Hospedagem: vou dormir num hotel bem basicozinho

Descadeirado: o primeiro passeio a cavalo o traseiro nunca esquece

Gourmet acidental: o camarão da Luzia, no Canto do Atins

Experiência transcendental: o camarão da Luzia, no Canto do Atins

Vale a viagem: o camarão da Luzia, no Canto do Atins

DataCoco: hoje, só amanhã (em falta em todos os lugares em que pedi)

 

Eccolo: o camarão da Luzia!!! (mais detalhes logo abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 21h50
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Vou até ali movimentar uma economia e já volto

Minha sexta-feira começou do jeito que começa o segundo dia em Barreirinhas de quase todo turista: a bordo de uma voadeira – essa lanchazinha comprida aí da foto, equipada com motor de alta velocidade – descendo o rio Preguiças em direção à sua foz.

 

 

Lá pelas tantas eu me desvencilharia do grupo, e aquele dia aparentemente papai-mamãe terminaria da maneira mais alternativa possível. Mas é melhor não pular etapas. Um pouco de linearidade é bom e o leitor gosta.

 

 

Preciso dizer que eu sou vacinado contra passeios de rio. Acho bonito, mas acho tudo igual. A água escura, o mangue baixo. Tudo igual. (Eu sei. Tem gente que critica a minha fascinação por praia usando exatamente com o mesmo argumento.) Mas... epa. Não é tudo igual, não. O mangue do rio Preguiças é diferente. É alto. Não, é mais do que alto. É gigantesco. Moço, isso aí é mangue mesmo ou você errou o caminho e a gente foi parar na Floresta Amazônica?

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 21h44
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Os Lençóis Maranhenses são uma espécie de mostruário de ecossistemas num parque nacional só.

 

Tipo assim, um showroom da natureza. O seu shopping center de paisagens drive-thru.

 

Quer deserto? Tem. Quer água? Também tem. Quer vegetação exuberante? Tem também.

 

Quer que embrulhe separado? Desculpa, mas aqui a gente só vende tudo junto, mesmo.

 

 

Quando você se cansa do verde intenso do manguezal, o rio Preguiças proporciona uma dunazinha para deixar a viagem menos monótona.

 

 

A gente desce da lancha, sobe a duna, desce da duna... vê duas moças num tear fazendo rede com fibra do buriti, compra uns souvenirzinhos (o artesanato daqui é l-i-n-d-o), conhece os miquinhos que abandonaram a mata para ganhar a vida posando para fotos de turista, e segue em frente.

 

 

 

A próxima parada regulamentar é em Mandacaru, onde há um farol. Depois de subir 167 degraus, os não-fumantes podem apreciar as dunas do parque, e também contemplar o trecho em que existe apenas uma faixa de areia a separar o rio Preguiças do mar.

 

 

A última parada do passeio vai ser lá, num ponto chamado Caburé, onde existem sete restaurantes (alguns com pousadas anexas) disputando a preferência dos visitantes. Os pilotos das voadeiras devem ganhar uma comissão do dono do Terraço do Preguiças para levar seus grupos até lá. Mas se o seu grupo for tão sábio quanto o meu, vai pedir para ser deixado no restaurante da Pousada Porto Buriti, que é muito mais simpático.

 

 

(Eu já acharia o restuarante da Porto Buriti mais simpático mesmo se o garçom não tivesse me falado ali, pela primeira vez, do camarão da Luzia.)

 

Depois do almoço, eu seguiria para o Atins, um pouco mais adiante, na outra margem, praticamente na foz do rio. Quando eu arranjei o traslado, com o mesmo menino que me acomodou no passeio dos desempacotados do primeiro dia, ele me disse que “por um trocado” o marinheiro da voadeira me levaria do Caburé ao Atins. Eu deveria ter perguntado quanto. Na hora do vamo-atravessar, o “trocado” virou 30 reais. Fazer o quê? Desistir e perder meio dia para ir e meio dia para voltar de barco de linha? Topei.

 

Cinco minutos depois, eu já não achava caro mais não. Eu estava ali, sozinho feito um oligarca da política nordestina, sendo conduzido em alta velocidade por um trecho selvagem de rio, em direção a um vilarejo remoto e sem vestigios de turismo de massa, tudo isso pelo preço de uma corrida de táxi em São Paulo! Tava barato.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 21h40
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Cheguei à vila. A rua principal não prometia muito:

 

 

O cabra da voadeira queria que eu alugasse um quarto na casa de Dona Rita. Mas eu precisava de espaço para trabalhar, então peguei uma cabana na segunda melhor pousada do lugar (a melhor ficava afastada, eu precisava ter combinado transporte antes). Pedi à moça que tomava conta para arrumar alguém para me levar à Luzia no dia seguinte. Ela então me ofereceu um passeio ao entardecer, em barco a vela, em que talvez desse para ver guarás. Trintarreal. Topado na hora.

 

Meia hora depois, Coco e Lucimar estavam despregando a vela do barquinho que nos levaria por um braço do rio Preguiças até (pra variar) uma duna.

 

 

 

“Vai pro outro lado, que eu vou passar o pano”, gritava o Lucimar sempre que precisava mudar a posição da vela. E eu me agachava, eles passavam a vela por cima, eu me acomodava do outro lado. Lá pelas tantas, eu já intuía como usar o meu peso para equilibrar o barquinho. Lá atrás, Coco comandava o leme. Enquanto a luz ia ficando mais bonita, eu ia pensando – eu aqui, feito um faraó, sendo transportado por uma versão roots dos feluccas do Nilo, rumo a um entardecer ainda mais bonito que na ilha Elefantina...

 

Ei! Esse é o passeio que tinha que ser caro pra caramba! Quantas voadeiras valem esse passeio? Está tudo errado no turismo do Brasil!!!

 

 

 

A maré estava alta, o que prejudicava a observação dos guarás. No fim da tarde, eles deixam seus poleiros no alto do mangue para procurar caranguejos antes de dormir. Quando a maré está baixa, a gente pode chegar mais perto – e provocar uma revoada. Aproveitei para treinar um pouquinho; espero que na Ilha do Caju eu consiga acertar o foco.

 

 

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 21h34
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A caminho da vila, fico sabendo que o movimento anda fraco. Choveu pouco no inverno e as lagoas do Atins estão bem rasas. Faz um mês que a pousada onde estou não recebe hóspedes. A vila está vazia. Minha pousada pertence a uma carioca que não mora lá. Bom, pelo menos é difícil que a minha diária vire remessa de lucros para fora do mercado.

 

 

De volto à vila, começo a considerar a possibilidade de eu ser um U.T.A. O Único Turista no Atins. Depois do jantar na pousada (eu tinha feito o pedido antes de sair para o passeio; se soubesse da situação, talvez tentasse injetar investimentos diretos em outro estabelecimento), saí para a rua. A escola ainda estava aberta à noite. Entrei no bar à procura de chocolate. Comprei três bonbons recheados com frutas amazônicas. Pedi um guaraná. Total, R$ 7,50. Sentei numa mesa e assisti ao Jornal Nacional até o fim. Não passou nenhum forasteiro. Acho que eu era um U.T.A.

 

 

No dia seguinte, Coco apareceu antes das 8 da manhã para me pegar para ir à Luzia. Eu tinha que estar de volta às duas, para pegar a voadeira para o Caburé e Barreirinhas, então ele me convenceu a ir a cavalo. (Daria para ir a pé, mas demoraria duas horas em cada direção; a outra possibilidade seria ir de jipe, de propriedade da outra pousada, mas o jipe estava “pra Barreirinhas” hoje). Senhores passageiros: olhem para o pescoço desse cavalo e, por favor, sintam o mesmo medo que eu senti. Era a minha primeira vez.

 

 

Claro que eu não consegui comandar o bicho. O jeito foi Coco ir na frente, puxando o meu cavalo com uma cordinha. Eu ganhei um galho para fazer de relho – mas quem disse que eu  conseguia bater no bichinho com força? Ô dó.

 

 

Passamos na Luzia para encomendar o camarão (a Luzia funciona com o mesmo sistema da Silvinha, na Praia do Espelho), subimos duna, descemos duna (descer uma duna íngreme devagarzinho no lombo de um cavalo é infinitamente mais emocionante do que andar de bugue a mil por hora em Genipabu), fomos até a Lagoa do Mário.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 21h27
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Finalmente, a caminho da Luzia, passamos pela... Lagoa da Luzia.

 

 

No restaurante da Luzia, fomos recebidos pelo marido da Luzia, um sujeito ainda mais tímido do que eu. Depois de dez minutos sem conseguirmos avançar em assunto nenhum, o Coco sugeriu: por que você não aproveita a rede para descansar? Boa idéia. 

 

Eram 11 horas quando Luzia trouxe sua obra-prima. Senhor, iluminai-me para poder descrever o que comi. Vou tentar.

 

É assim. O camarão da Luzia é grelhado. Aberto. O tempero do camarão é segredo, mas deve ser uma marinada poderosa, talvez com um pitaco de dendê. O segredo de Luzia é o ponto. O camarão fica macio, macio, macio, mas sem perder a textura. E a casca, então, fica com a consistência de casca de siri-mole – se você quiser, pode comer só a carne, mas a casca intensifica o sabor. Quente é divino, e mesmo quando esfria um pouquinho continua maravilhoso. Tudo por inacreditáveis... 15 reais.

 

 

Quando você já está pedindo “L’auteur! L’auteur”, ela chega. Luzia. E fala tudo o que você quiser, menos o segredo do camarão. Que nasceu ali. Que passou 14 anos em São Luís, cozinhando em casas de família. Que quando voltou, começou vendendo PF a R$ 1,50. Que o dinheiro anda curto. Que a filha mais velha tá pra Barreirinhas, estudando, e quer montar uma loja de roupa. Que essa semana mesmo uma revista do Japão passou a tarde fotografando seu camarão, seu arroz-de-cuxá (“o verdadeiro, não esses falsos que tem por aí”) e suas saladas coloridas. Eu tive sorte. Ela ia viajar, mas ficou sabendo que tinha um turista no Atins que viria hoje. E resolveu ficar. Se ela não estivesse, sua ajudante prepararia (ela deixa o tempero pronto). “Mas não é a mesma coisa. Ela sempre deixa secar um pouquinho demais”. Obrigado, Luzia.

 

 

 “Só Deus sabe o que eu trabalhei pra chegar nesse camarão”. Ela sabe o valor que tem. “É camarão pra artista”. Puxa vida, Luzia. Eu não conseguiria criar um slogan melhor para o seu camarão.



Escrito por Ricardo Freire às 21h18
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Expedição Pé-na-areia: 9º. dia

Quando: 16 de setembro, sexta

Onde: de Barreirinhas a Atins, MA

Rodados: 40 km, de lancha

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada hiper-rústica

Falta de contato: o telefone da pousada era celular, não deu para subir nenhum post

Gourmet acidental: ensopadinho de sururu da pousada Filhos do Vento, em Atins

Mico: uma colônia deles, na barraca de Vassouras, uma parada do passeio pelo rio Preguiças

DataCoco: R$ 2 (barraca em Vassouras)

 

Para montar o meu escritório, eu precisei usar a tomada do ventilador.



Escrito por Ricardo Freire às 21h11
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Expedição Pé-na-areia: 8º. dia

Quando: 15 de setembro, quinta

Onde: Barreirinhas, MA

Estacionado: no hotel, colocando o trabalho em dia

Tempo: ensolarado

Hospedagem: segundo dia no mesmo resort

Freguês: do cybercafé da vila (3 visitas; a última, de 1h40min)

Gourmet acidental: patas de caranguejo pré-quebradas, na piscina do Porto Preguiças

Barreirinhas by night: o dono do restaurante Terraço Preguiças, na rua beira-rio, dispensou a banda de forró que tocaria ao vivo por falta de quórum nas mesas

DataCoco: não-disponível (o resort não tem coco!)

 

A siriema de estimação do Porto Preguiças



Escrito por Ricardo Freire às 21h10
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Um desempacotado nos Lençóis

Entrei com o Blogmóvel na cidade ao meio-dia em ponto e fui rodando devagarzinho, à procura de uma placa que me levasse ao meu hotel. Sem sucesso. Nisso, uma moto pára à altura da minha janela. Abaixo o vidro. O garupa me pergunta:

 

 

- Já tem pousada?

 

- Já.

 

Falo o nome do hotel.

 

- Fica um pouco longe. Mas vá seguindo a moto, que a gente te deixa na entrada.

 

Tipo assim, desinteressadamente.

 

 

No entanto, quando chegamos ao lugar depois do qual não haveria como errar, ele cobrou o serviço.

 

- Já tem passeio para hoje à tarde?

 

E então falou exatamente o que eu queria ouvir. Que havia um passeio à tarde para o parque, com direito ao pôr-do-sol. Peguei o telefone. Fiquei de ligar em meia hora.

 

 

Como não me ofereceram nada espontaneamente no hotel (talvez porque todo mundo já venha com seus passeios incluídos nos pacotes), liguei de volta e confirmei a saída. Almocei e fiquei esperando virem me buscar. Chegaram umas quatro Toyotas, todas pintadinhas com logotipos de agências, para pegar outros hóspedes.

 

 

Quando eu já achava que tinha entrado numa fria e perderia o dia, o meu jipe chegou. Um Toyota sem-logotipo, talvez até sem-agência. Do meu hotel ele saiu para coletar passageiros em pousadas fuleiras – um casal de canadenses muito jovens, um portuga com sua namorada brasileira, dois turistas nordestinos. O Bloco dos Desempacotados – sem-agência, sem-logotipo. Vi ali que era o meu dia de sorte.

 

 

Nosso grupo fez o melhor itinerário possível pela banda mais  visitada do parque. Enquanto todos os grupos com-logotipo foram para a Lagoa Azul (que nesta época do ano já está rasa), ele nos levou direto à Lagoa do Peixe, que foi só nossa durante vinte minutos, para tomar banho e tirar fotos, antes das multidões chegarem.

 

 

Quando passamos pela Lagoa Azul, já não havia ninguém por lá – e a luz estava muito mais bonita do que quando os com-logotipo passaram por ela.

 

 

No fim, nos encontramos todos para ver o pôr-do-sol no alto de uma mesma duna – mas na saída nosso motorista foi mais rápido do que os com-logotipo e conseguiu evitar que pegássemos fila na balsa para atravessar de volta o Rio Preguiças.

 

 

 

 

Desempacotados do mundo, uni-vos!



Escrito por Ricardo Freire às 20h46
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Sede

Meu hotel em Barreirinhas não tem água-de-coco. “Eles entregam, mas acaba logo” foi a explicação que me deram. Em compensação, meu hotel tem o frigobar mais inusitado que já encontrei nos meus mais de 20 anos de estrada. O capítulo refrigerantes resume-se a:

 

(a) duas Fanta laranja

(b) uma Fanta uva

 

Fanta UVA! (não parece nome de protetor solar?) Tô quase abrindo, só para me lembrar do gosto.

 



Escrito por Ricardo Freire às 20h28
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Dia 7: 14 de setembro, quarta

Onde: de São Luís a Barreirinhas, MA

Rodados: 288 km

Tempo: Ensolarado

Hospedagem: num pequeno resort

Ponto alto: primeiro passeio ao Parque dos Lençóis Maranhenses

Mico: 38 km rodados a mais, por falta de sinalização na BR 135 para a saída para Barreirinhas (eu percebi depois de 19 km, mas conheci um casal paranaense que só se deu conta 80 km adiante, e rodou 160 km inutilmente)

Gourmet acidental: filé do Moraes! (alto, com muito alho; especialidade de um tradicional restaurante paulistano – Moraes, o Rei do Filet – reproduzida pelo restaurante do Porto Preguiças Resort)

DataCoco: 2 garrafas por R$ 5 no embarque da balsa do Rio Preguiças

 

Quem vem de São Luís não tem como saber que a estrada para  Barreirinhas sai à esquerda.

 

Esta placa, do outro lado da estrada, só serve para quem vem de Teresina ou de Belém.



Escrito por Ricardo Freire às 20h24
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Profissão: guieiro

Nesse momento, estou à beira de uma piscina com fundo de areia, deitado numa espreguiçadeira de madeira, botando meu trabalho em dia.

 

Mas acredite, é muito menos glamuroso do que parece.

 

Porto Preguiças Resort, Barreirinhas

 

Estou de bruços, com os cotovelos apoiados na madeira dura, forçando as costas, sob um sol escaldante, enxugando o suor que escore da testa para não molhar o papel em que escrevo, e conometrando o tempo para ver quando vai vencer o protetor solar.

 

Estou nessa situação um tanto ridícula para tentar conciliar duas tarefas: textos que precisam ser escritos, e a piscina de um resort que precisa ser testada. Dessa maneira eu posso fingir para  você que estou trabalhando, ao mesmo tempo em que finjo para mim que estou tomando sol numa piscina.

 

Se o guieiro não se expuser à rotina do turista, não terá como antecipar sensações e oferecer opiniões úteis. Mas isso é só uma parte do trabalho. Assim que o sol arrefecer, pego o Blogmóvel e volto à cidade para visitar hotéis e pousadas, anonimamente, como se fosse um turista à procura de um lugar para ficar no sábado, quando voltar de Atins (o que é a mais pura verdade).

 

Quando cheguei em São Luís, quinta passada, fiz questão de fazer minha primeira refeição no Maracangalha, um restaurante que foi incluído na lista “Hot Tables” de 2005 da revista americana Condé Nast Traveler. Tinha curiosidade de ver o que um guieiro americano tinha percebido num restaurante que os guias brasileiros ou não celebram (o 4 Rodas) ou nem sequer registram (o guia Unicard).

 

Maracangalha, Praia do Calhau, São Luís

 

E vi. Para começar, o restaurante é muito bem decorado (depois pude notar que é o mais bonito de São Luís). Críticos sérios de gastronomia tendem a olhar com desconfiança para restaurantes que gastam mufa demais com ambientação. Já guieiros preocupados em proporcionar momentos agradáveis a seus leitores, como meu colega da Traveler, tendem a ver na boa decoração um “plus”. (De minha parte, eu adoro poder indicar lugares que fogem ao rame-rame tradicional macho-pra-caramba dos nossos restaurantes regionais. Se a cozinha for boa, eu tendo a preferir o transadinho ao caretão.)

 

Mas o motivo de inclusão do Maracangalha na “Hot Tables” foi a geléia quente de pimenta que acompanha os pasteizinhos do couvert. Meu poderoso São Cristóvão, padroeiro dos viajantes! É boa demais da conta. A bichinha começa doce, complementando à perfeição o salgado da carne do pastel, e só depois que você mastiga e engole é que o picante toma conta da sua boca. Sensacional!

 

 A geléia de pimenta é sensacional (esquerda), mas a galinha caipira com pirão (direita) não fica muito atrás

 

Ao concordar com o jornalista da Traveler americana, contudo, eu entrei em depressão. Porque ninguém precisa de “inside information” nenhuma para descobrir a geléia quente de pimenta do Maracangalha. Basta entrar, sentar, e ela vem no couvert. Ou seja: nesse momento poderia ser EU o primeiro a dar a primeira nota em âmbito mundial louvando a geléia quente de pimenta do Maracarangalha. Saco!

 

 

;-)

 

P.S.: no meio do texto, arranjei um lugar muito melhor para escrever: montei meu escritório no bar molhado da piscina...

 

Porto Preguiças Resort, Barreirinhas



Escrito por Ricardo Freire às 20h19
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São Luís: Pousada do Francês x Portas da Amazônia

Nos seis dias que passei em São Luís, me hospedei em quatro lugares diferentes, e visitei mais cinco hoteís “ficáveis”. Mas o ponto principal de minha agenda era poder indicar com segurança uma pousada no centro histórico.

 

Existem duas boas pousadas na área central de São Luís: a Pousada do Francês e a Portas da Amazônia. Nenhuma das duas é nota 11 – no sentido de não valerem uma carta para os Roteiros de Charme perguntando como é que não estão na associação. Mas as duas são bastante satisfatórias, têm localização estratégica e cobram preços abordáveis.

 

À esquerda, Pousada do Francês; à direita, Portas da Amazônia

 

Em termos gerais, a Pousada do Francês é mais papai-mamãe, enquanto a Portas da Amazônia tem um charme alternativo. A do Francês é quase (eu falei quase) uma pousada de Paraty; a Portas poderia muito bem estar em Olinda.

 

 Pousada Portas da Amazônia

Entre as duas, gostei mais da Portas da Amazônia. Ela está no coração da Praia Grande, o bairro histórico restuarado. Os equipamentos são novos – TV de 16 polegadas, ar-condicionado split em todos os quartos – e os apartamentos de frente são bem grandinhos (30 m2). Mas não é um lugar que eu definiria como refinado – nem deve ser essa a intenção, já que uma pousada assim talvez espantasse o público alternativo que prefere se hospedar na muvuca do centro histórico. Por sinal, se você pegar um dos quartos da frente (R$ 139) e não cair na muvuca, traga tapa-ouvidos para dormir. Os outros quartos são mais silenciosos, e custam R$ 119 (segundo andar) e R$ 99 (térreo). Tel.: (98) 3222-9937. www.portasdaamazonia.com.br

 Pousada do Francês

A Pousada do Francês está no centro histórico, mas fora dos limites da área restaurada. O ponto alto da pousada é o serviço – o staff é simpaticíssimo e muito eficiente. Os quartos são pequenos (alguns poucos não tem nem janela), mas o preço é muito bom R$ 107. O interessante é que os pontos baixos são facílimos de consertar: basta trocar a pavorosa luz branca, presente em todos os ambientes, por luz amarela, e trocar os hits da rádio Mirante FM do restaurante por música brasileira de qualidade, e pronto: a pousada pode ficar tão charmosa quanto o casarão em que está instalada. Tel.: (98) 3231-4844. Não tem site.



Escrito por Ricardo Freire às 20h08
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Finalmente: na estrada!

Meu carro chegou ontem, depois de uma semana conhecendo o interior do Brasil a bordo de uma jamanta. Daqui a pouquinho o Blogmóvel pega a BR 135 e então a MA 402 em direção a Barreirinhas. De lá eu mando os posts que faltam, dando uma geral na hospedagem e na gastronomia de São Luís. Inté!

 



Escrito por Ricardo Freire às 07h58
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Comentando os comentários

Rafael, Ernâni e passageiros do Pará: não vai dar para ir a Belém e às praias do Pará dessa vez (saí muito atrasado, e preciso estar com o meu guia de praias pronto para janeiro, quando já não é mais verão aí). Mas ano que vem o Pará não me escapa!

 

Rafael: senti a maior firmeza na sua dica sobre Santo Amaro. Mas lá só se chega em 4x4, certo?

 

Flávia e Rafael: vou usar as suas dicas de reggae no site, falou?

 

 

Mawá, Rosana e Paulo Gustavo: Atins, o Porto Preguiças e a Ilha do Caju já estavam no meu roteiro. Já já eu falo neles!

 

Diego, para decidir por uma praia do Nordeste entre o Ceará e a Bahia, entre no meu site www.freires.com.br, que foi atualizado em 2004 (alguns lugares em janeiro, outros em setembro, e uns pouquinhos em novembro).

 

Eliane, estou completamente passado de perder a morte do boi neste fim de semana em Morros, que você me contou. Infelizmente tenho que seguir viagem – mas ano que vem eu volto, e em julho, para entender tudo de boi.

 

Filipi, a visita a Carolina fica para quando eu conseguir partir para a segunda parte deste projeto: o interior do Brasil.

 

E a todos os meus leitores da Época – ei, não é que vocês existem, mesmo? Obrigadíssimo pela companhia nessa nova viagem! Voltem sempre!

Escrito por Ricardo Freire às 07h54
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Dia 6: 13 de setembro, terça

 

Onde: São Luís, MA

Tempo: Ensolarado

Hospedagem: pousada no centro histórico

Satolep é aqui: depois de ter ouvido um cantor de barzinho cantar a versão de Vítor Ramil para Jokin’, do Bob Dylan, encontrei um CD antigo de Vítor Ramil e até um livro de Vítor Ramil numa livraria-cybercafé

Alívio: Meu carro chegou!

Gourmet acidental: juçara com biriba (açaí com farinha grossa)

Rodados: 246 km em 6 dias na cidade

DataCoco: R$ 0,60 (sem gelo, dentro da Casa da Tulha)

Escrito por Ricardo Freire às 07h51
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E assim se passaram.... 22 anos?

Já estive em São Luís antes. Foi em janeiro de 1983. Eu tinha 19 anos, morava em Porto Alegre, e aquelas eram as primeiras férias que eu tirava com o dinheiro do meu próprio trabalho.

 

 

Queria conhecer o Nordeste. Fiz as contas e descobri que eu não tinha grana para vir de ônibus. Mas tinha grana para vir de avião – em dez prestações, graças aos juros camaradas da Varig-Cruzeiro. (Você sabe que está velho quando conhece a musiquinha completa: Varig! Varig! Varig! Cruzeiro, Cruzeeeeiiruuuuuuu......) Comprei um bilhete até São Luís, e vim pingando por todas as capitais praianas (menos João Pessoa, porque não havia vôo saindo de Natal).

 

 

Antes de continuar o assunto, preciso deixar uma coisa bem clara. Eu não tenho idade para ter estado em lugar nenhum por conta própria há 22 anos. Eu nego, meritíssimo. O Severino não assinou aquele contrato, e eu não estive em São Luís de férias em 1983.

 

 

Seria fácil provar que eu não estive aqui, porque a cidade mudou demais. O centro histórico ainda não era assim nenhum Centro Histórico – era só mais um centro dilapidado de capital brasileira. Hoje os casarões decrépitos dão charme e, de alguma forma, emprestam credibilidade aos casarões restaurados. Antes das obras de revitalização, entretanto, parecia que tudo o que ainda não era ruína estava prestes a se tornar uma.

 

 

(continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 11h21
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O Solar dos Vasconcelos, no fim da Rua da Estrela, traz fotos da Praia Grande antes e depois do projeto de revitalização. (Praia Grande é o nome oficial do centro histórico.) Alguns lugares ficaram irreconhecíveis. Posso testemunhar: eu demorei dois dias até achar o hotel furreco onde me hospedei (e que era tão sujo, que eu precisava tomar banho calçando chinelo). Eu lembrava que o hotel dava para uma praça que tinha uma mureta e era lotada de ambulantes. Quando reencontrei o Lord Hotel, fiquei besta com o fato da tal praça com mureta ser a praça lateral da Matriz de São Luís – um detalhe que tinha sumido da minha memória, suplantado pela sujeira e pela confusão dos ambulantes (que foram substituídos por jardins).

 

 

O interessante é que eu não revivi uma emoção semelhante à minha primeira visita a São Luís. Nesta volta, São Luís me fez reviver uma emoção semelhante à minha primeira visita a... Salvador! Me senti estrangeiro, explorando um território muito mais exótico do que eu imaginava. E não tive medo (ao contrário da minha primeira vez em Salvador). Até agora não apareceu ninguém para me dizer: cuidado com a câmera!

 

 

Não, ninguém precisa da desculpa de ir aos Lençóis para conhecer São Luís. Sozinha, São Luís já vale a viagem, de onde quer que você venha.

 

Só que, depois de cinco dias por aqui, eu já estou louco para ir para os Lençóis. (Ou para Belém! São Luís me abriu – ainda mais – o apetite para conhecer Belém.) E o meu carro, que não chega?!? Se alguém vir uma jamanta perdida por aí, mande um e-mail, por favor!

 

 Pôr do sol: à esquerda, na Praia da Ponta d’Areia; no centro e à direita, do mirante do Palácio dos Leões



Escrito por Ricardo Freire às 11h21
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Dia 5: 12 de setembro, segunda

 

Onde: São Luís, MA

Tempo: Nublado de manhã, ensolarado à tarde

Hospedagem: outra pousada no centro histórico

Gourmet acidental: arroz Maria Isabel (com carne seca gorda picadinha) na Cabana do Sol

Dica da Flávia: pôr do sol no Palácio dos Leões

Angústia: meu carro que não chega

DataCoco: grátis (no café da manhã do São Luis Park Hotel)

 



Escrito por Ricardo Freire às 11h16
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A praia drive-in

Praia de cidade a gente conhece é no domingo. Durante a semana só dá para ver a paisagem e a infra-estrutura. Mas o que define uma praia urbana, seu público, só aparece de verdade no fim de semana. Eu cheguei quinta e passei todos os dias pela praia; mas deliberadamente só desci à areia no domingo.

 

 

Comecei pela mais famosa, a praia do Calhau, que estava ao pé do resort onde dormi na noite de sábado. (Antes de sair da cidade eu comento sobre os hotéis.) Duas coisas tinham me impressionado durante a semana: o azul do mar (eu achava que o mar de São Luís fosse turva o ano inteiro) e os quiosques padronizados, muito bem resolvidos, com restaurantes sobre palafitas. No teste do calçadão, no entanto, nenhum me apeteceu o bastante a ponto de ficar. Tomei só uma água de coco, para ver quanto me cobravam (R$ 2) e parti para a próxima.

 

 

A próxima, em direção ao centro da cidade, era a praia de São Marcos. Nas outras vezes que passei por ali, a paisagem me pareceu mais bonita: não há construções na orla, só dunas enormes cobertas de verde. Depois de percorrer todo o calçadão, fiquei em dúvida entre as duas barracas que tinham melhor música: a Oásis, que estava tocando uma antiga do Djavan, e a Pelicano, que atacava de bossa-jazz. (O resto da orla, como no Brasil inteiro, ia de pagode e axé.) Fiquei na Pelicano, e almocei uma porção de peixe frito em postas com uma farinha grossa de mandioca que é típica do Maranhão.

 

 

 

Próxima parada, Ponta d’Areia, a praia mais próxima do Centro. Apesar de estar ao lado dos hotéis e flats mais novos da cidade, é a praia do povão. Do outro lado da avenida, um clube de reggae já está com os alto-falantes a milhão às duas da tarde. Se você olhar tudo com olhos de estrangeiro – e não de brasileiro classe-média – vai achar tudo muito divertido.

 

 

 

 

De minha parte, eu achava que era dali que eu ia tirar meu postzinho antropológico ludovicense. Mas então...

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 11h30
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Peguei o carro e rodei mais 15 km até Araçagi, já fora da cidade, uma praia famosa por suas dunas. Eram três da tarde quando cheguei. Estranhei quando achei fácil uma sombra para estacionar meu carro alugado (o da esquerda). Pensei: devem ter livrado a vaga nesse instante. Mas daí estranhei mais ainda, porque não apareceu nenhum flanelinha. Como assim? Para mim isso era uma novidade, algum lugar de São Luis desabitado por flanelinhas.

 

 

Passei por um quiosque, cheguei à areia e entendi: não existem flanelinhas porque em Araçagi todo mundo entra com o carro na praia. E encosta numa barraquinha individual. Como se fosse um cinema drive-in, só que com o mar no lugar da tela.

 

 

O engraçado é que poucas “baias” são isoladas como essa da foto aí de cima. As “vagas” são normalmente dispostas em grupo, decerto para facilitar a reunião de turmas.

 

 

O mais esquisito é que a densidade carrográfica vai aumentando à medida que você se afasta do mar – talvez (e isso é um chute) para se proteger da variação de maré ou ficar mais longe da maresia.

 

 

É tudo tão organizado que existem ruas quase de verdade. Muitos ambulantes, em vez de andar a pé, trabalham de bicicleta. Este que vos bloga quase foi atropelado. Senhores passageiros: me senti numa matéria do Maurício Kubrusly! (Preciso comprar o livro para ver se ele já não botou isso lá.)

 

 

Eu já tinha visto carro na praia – é muito comum, no Ceará e no Rio Grande do Norte – mas nunca tantos, e de maneira tão organizada. Para falar a verdade, só vi algo parecido na praia do Dentista, em Angra.

 

 

 

Pensando bem, é mais do que parecido: é IGUALZINHO!!!!

 

 

 

 

Só sei uma coisa: se fosse em São Paulo, já aproveitavam a concentração de possantes para fazer um mercado rápido. Já pensou, um feirão de usados que não atrapalha o domingão de ninguém?

Escrito por Ricardo Freire às 11h27
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Dia 4: 11 de setembro, domingo

 

Onde: São Luís, MA

Tempo: Ensolarado (com nuvens entre 10 da manhã e 2 da tarde) e ventoso

Hospedagem: um resort clássico dos anos 70

Momento Kubrusly: a praia “drive-in” de Araçagi

Gourmet acidental: farinha grossa de mandioca, acompanhando uma posta de peixe frito na praia de São Marcos

Inusitado: sushi ao entardecer à beira da Lagoa da Jansen

Alegria: 14.000 visitas no blog

DataCoco: R$ 2,00 (barraca na praia do Calhau)

Escrito por Ricardo Freire às 11h26
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Voltem sempre!

Meu muito obrigado aos novos passageiros, que entraram pela chamada da capa do Uol, e também aos meus amigos da Época, que descobriram este blog na Xongas desta semana. Foram mais de 14.000 visitas só neste domingo, fazendo esta viagem começar da maneira mais auspiciosa possível. Por enquanto ainda não tenho tempo de responder comentário a comentário – ainda estou com uma pilha de coisas atrasadas para resolver. Mas fiquem certos de que leio todos e estou adorando as dicas. Voltem sempre, que todo dia vai ter pelo menos uma fotinho nova. Viaje na Viagem Airlines agradece a preferência e deseja boas viagens a todos!

 



Escrito por Ricardo Freire às 11h24
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E vai rolar a festa

Se a sua intenção, ao vir para São Luís, for ticar a cidade da sua lista de lugares a visitar, para nunca mais precisar voltar, siga o meu conselho: não visite nem a Casa do Maranhão nem a Casa da Festa.

Tratam-se de dois museus do centro histórico da Praia Grande, localizados a poucas quadras um do outro. Junto com um terceiro, a Casa do Nhozinho, formam um painel emocionante da cultura popular maranhense.

 

 

Anote o que eu estou dizendo. Se você não pretende voltar a São Luís, deve evitar com todas as forças subir ao segundo andar da Casa do Maranhão. Porque ali está montada uma exposição deslumbrante sobre o bumba-meu-boi. É tudo tão colorido, tão criativo, tão barroco, que você entende de cara por que Joãosinho Trinta nasceu aqui. O que você não entende é como que ainda não veio passar um São João por aqui.

 

Não diga que eu não avisei. Nos dez minutos (se tanto) de caminhada entre um museu e o outro você já terá marcado mentalmente sua passagem para junho do ano que vem.

 

Mas daí, quando você chega à Casa da Festa (indicada nos mapinhas como Centro de Cultura Popular), você é guiado pela segunda parte da viagem: começa aprendendo sobre o tambor-de-mina, o candomblé maranhense, no térreo. Subindo a escada, você é apresentado a um painel de fotos em preto-e-branco da Festa do Divino em Alcântara, e quando chega à exposição propriamente dita do Divino, no segundo andar, já sabe que vai precisar voltar também em maio.

 

 

Alguém aí tem um calendário à mão? Quando é que cai Corpus Christi no ano que vem?

Escrito por Ricardo Freire às 09h01
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Dia 3: 10 de setembro, sábado

 

Onde: São Luís, MA

Tempo: Ensolarado e ventoso

Hospedagem: básica e charmosa (uma pousada no centro histórico)

Ponto alto: visita à Casa do Maranhão e à Casa da Festa

Ponto baixo: música e gente falando alto debaixo da minha janela – e eu querendo domir

Gourmet acidental: tarioba, um marisco de sabor acentuado que veio no molho do filé de peixe-pedra no Armazém da Estrela

Preguiça: deveria ter ido a um clube de reggae, mas não fui

DataCoco: R$ 1,00 (barraquinha do centro histórico)

Escrito por Ricardo Freire às 08h59
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O menino e o Jesus

Gosto tem idade. E isso não se discute.

 

Existem coisas de que a gente só vem a gostar depois que cresce. De outras a gente só gosta quando é criança, e depois pára de comer ou tomar quando fica adulto.

 

Tem também aquelas coisas que a gente não conhecia porque não existiam onde a gente nasceu ou cresceu. Quando a gente cresce, viaja e experimenta essas coisas, a gente fica pensando como teria sido bom ter crescido em outro lugar só para poder ter comido ou tomado aquilo desde pequeno.

 

Não creio que seja esse o caso entre mim e o Guaraná Jesus. A cor é chocante (em todos os sentidos), o sabor é único (notas de guaraná e predominância de canela, com retrogosto do mais gostoso xarope para tosse), mas o gosto, definitivamente, é da infância – dos outros.

 

Eu precisaria nascer de novo, e em São Luís, para gostar de Guaraná Jesus. Mas, pensando bem, o Maranhão não é um mau lugar para alguém reencarnar ;-)



Escrito por Ricardo Freire às 08h55
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Dia 2: 9 de setembro, sexta

 

Onde: São Luís, MA

Tempo: Ensolarado e ventoso

Hospedagem: ainda no “Banda Larga Palace Hotel”

Ponto alto: passeio a Alcântara

Momento Dramin: a lancha para Alcântara

Gourmet acidental: doce de espécie (leia mais abaixo)

DataCoco: R$ 1,25 (porto do Jacaré, em Alcântara)

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 13h07
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Sob o sol de Alcântara

Uma Paraty com ladeiras? Uma Olinda fantasma? Velha Goa na linha do Equador?

 

 

Alcântara, a 22 km de São Luís pela baía, junta as melhores referências da arquitetura colonial portuguesa com algo que não temos muito por aqui: ruínas. (Falo de ruínas antigas, claro; não nas ruínas da canção do Caetano – “aqui tudo parece que ainda é construção e já é ruína”.)

 

 

Antigo reduto da oligarquia rural maranhense, Alcântara entrou em decadência com a abolição dos escravos, e foi praticamente abandonada depois que o algodão, principal produto das fazendas, ficou sem mercado internacional.

 

 

Se não fosse a catástrofe econômica, Alcântara seria hoje uma Paraty com ladeiras, ou uma Olinda um pouco mais distante de sua Recife. Mas são as ruínas que tornam Alcântara ainda mais impressionante do que seria se tivesse conservado todo o seu esplendor.

 

 

O passeio vale a pena, mesmo que seja feito da maneira mais errada possível.

 

 

Turistas papai-mamãe, como eu, pegam a lancha das 9h30 no cais da Praia Grande, em São Luís. Uma hora e vinte minutos depois, mareados pelo mar batido, desembarcamos na cidadezinha perdida. Andando devagarzinho, e parando para tirar muitas fotos, em menos de meia hora chegamos às ruínas mais impressionantes – as da Matriz, lindamente localizadas no meio da praça central da cidade, ao lado do pelourinho e rodeada por casarões restaurados (entre eles, a cadeia pública).

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 12h41
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Assim que arrefecem as primeiras emoções, turistas papai-mamãe, como eu, começam a sentir o sol que nos cozinha em fogo brando, refogados em Sundown. É hora de nos refugiarmos num restaurante – o da Josefa, passando a igreja do Carmo, tem uma mesa debaixo de uma mangueira; o Cantaria, ao lado da ermida do Desterro, tem quiosques de piaçava com vista para o mar.

Guaraná Jesus; daqui a pouco eu falo dele

 

Lá pelas duas e meia o sol pega menos pesado, e dá para fazer as visitas finais antes de pegar a lancha das 4 para voltar. Não sem antes se empanturrar de doce de espécie, que teria sido criado para receber Dom Pedro II (será?) e é a queijadinha mais gostosa que eu já experimentei (é, sim). Se você achar que vai passar mal na viagem de volta (haja Dramin), leve para comer mais tarde (eles duram 15 dias fora da geladeira).

 

 

Bom. Agora que você já sabe como é o jeito errado de ir a Alcântara, aqui vai o jeito certo.

 

 

O jeito certo é pegar a lancha das 7 da manhã e ter o primeiro contato com a vila com o sol ainda camarada. Em seguida, deixe sua mochila numa pousada (sim, você vai dormir uma noite aqui). Todas elas são simplérrimas, mas algumas têm quartos com ar (a da Josefa, tel. 98/3337-1109; a do Mordomo Régio, tel. 98/3337-1197; a dos Guarás, na praia, tel. 98/3337-1339).

 

Você vai ter tempo para fazer coisas que os turistas papai-mamãe, como eu, não fazem: pegar praia na Ilha do Livramento (pegue uma canoa na Pousada dos Guarás), ver a revoada de guarás no fim da tarde, no santuário ecológico da Ilha do Cajual.

 

 

Ao contrário dos turistas papai-mamãe, como eu, você vai poder fotografar Alcântara com a luz favorável do começo e do fim do dia, e não com essa insolação Omo Progress do meio do dia, que lava todas as fotos.

 

 

Quando chegar a noite, você vai ver, iluminada por lampiões, uma Alcântara a que os turistas papai-mamãe, como eu, não têm acesso. Se for sexta ou sábado, então, você vai poder dançar com os nativos, no Iate Clube ou no clube Mangueirão.

 

 

Só não venha me reclamar da falta de conforto das pousadas, por favor, que isso é coisa de turista papai-mamãe.



Escrito por Ricardo Freire às 12h31
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Copyright, Helen Fielding

À maneira de Bridget Jones em seus diários, vou resumir cada dia desta expedição em tópicos que sejam fáceis de catalogar e pesquisar. Caso você não perca seu tempo com alta literatura, explico: antes de descrever cada um de seus dias, Bridget relata o seu peso, quantos cigarros fumou e quantas doses de álcool entornou naquelas 24 horas.

Mas como eu sou alérgico a balanças, não fumo e não estou bebendo (qualquer dia eu volto a esse assunto; hoje, não, please), vou criar minhas categorias próprias. Não sei se serão fixas. Quero ver se mantenho pelo menos uma: o DataCoco, que quero que se transforme num índice econômico tão importante quanto o Big Mac Index da minha revista favorita, The Economist. (Note que eu precisava invocar alguma referência séria, depois de confessar tão fácil que li os dois Bridget Jones.)

 

Vamos começar, pois, que já estou dois dias atrasados.

 

São Luís do Maranhão

 

Dia 1: 8 de setembro, quinta

Onde: São Luís, MA

Tempo: Ensolarado e ventoso

Hospedagem: sem-gracíssima (mas com banda larga)

Momento Quem: Elba Ramalho no meu vôo

Ponto alto: Rita Ribeiro reencarnando hits de Clara Nunes no show “Tecnomacumba”

Mico: Apaguei sem querer todas as fotos da tarde (foram poucas, posso refazer)

Gourmet acidental: geléia quente de pimenta no Maracangalha (voltarei ao assunto)

DataCoco: R$ 1,50 (um copo, na saída do show de Rita e Elba; acho que me cobraram preço de turista)



Escrito por Ricardo Freire às 10h50
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Boas-vindas

Não, não é a primeira vez que isso acontece. Eu tento ser discreto, mas não adianta. As coisas fogem ao meu controle. Veja você: assim que a prefeitura de São Luís descobriu que eu estava vindo, resolveu marcar um mega-show ao ar livre para me receber. Com Rita Ribeiro e Elba Ramalho. A desculpa oficial é que ontem, dia 8, foi aniversário da cidade.

 

 

Mas como eu sei que foi por minha causa, eu não tenho como não ficar constrangido. Como agradecimento, resolvi tomar meu primeiro Guaraná Jesus.

 

 

Rita Ribeiro mandou muito bem. Apresentou o show “Tecnomacumba”, só com canções que remetem à umbanda e ao candomblé, sem medo do povão. Já Elba trouxe um show que deve ser padrão para showmícios e feiras. Quer saber? Não precisava, Elbinha. Se era por minha causa, eu podia muito bem esperar pra te ver no teu novo bar em Trancoso.

 

A propósito: Alceu, eu ainda não sei quando é que eu chego em Olinda não, querido. O meu carro ainda está na estrada, e só depois que ele chegar eu vou ter uma idéia da data. Tá bom?

 

Sim, eu já dispensei a Timbalada de me receber no aeroporto em Salvador. Muita bagunça. Mas se a Margareth Menezes continuar insistindo em mandar aquele trio elétrico para fazer o meu trânsfer do aeroporto ao hotel, tudo bem. (Que Ivete não nos leia, Maga.)

 

Maria Rita, cadê você?

Escrito por Ricardo Freire às 21h07
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Fui!

Desculpem a falta de notícias. Os últimos dias foram passados não só fazendo malas, mas principalmente fazendo back-ups. É incrível como a gente não pode ir até ali a praia sem ter que deixar um monte de coisas organizadas em casa.

 

Barra do Caí, Cumuruxatiba (BA)

Mas agora vai. Relembrando: vou passar os próximos meses de praia em praia, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, atualizando meu guia Freire’s (que, a partir de dezembro, ganha um layout novo e passa a se chamar Viaje na Viagem – Praias do Brasil).

 

Prainhas do Pontal do Atalaia, Arraial do Cabo (RJ)

 

Já estou em São Luís – esperando meu carro chegar de jamanta. Ou de cegonha, se você preferir. Eu já poderia ter feito um post sobre a cidade. Mas achei que esse projeto merecia uma abertura mais abrangente, tipo um A Seguir Cenas dos Próximos Capítulos deste blog.

 

Bar em Sambaqui, Florianópolis (SC)

 

A idéia é subir pelo menos um postzinho todos os dias – hoje de noite eu ponho o primeiro no ar. Vou tentar poupar você dos detalhes técnicos, para não fazer do blog o making-of do blog. Mas sempre que eles forem engraçados, eu divido os detalhes de bastidores com você.

 

Ilha do Farol, Arraial do Cabo (RJ)

 

Mas o que eu queria mesmo era repetir aqui nesse post o fecho do capítulo de abertura da edição derivada de árvores do Freire’s. É assim: 

Talvez os pipoqueiros, os mecânicos, os zeladores, as faxineiras, os ambulantes, os pedreiros, os pescadores e os flanelinhas não concordem comigo. Mas eu preciso dizer uma coisa: é muito bom trabalhar de chinelo.

Vila do Outeiro, Espelho (BA)



Escrito por Ricardo Freire às 08h46
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Uma pá de cow

Levei Joáo e Manuêla, meus sobrinhos espanhóis, para ver as vacas da Cow Parade que começaram ontem a ser espalhadas pela cidade. Fomos à Faria Lima e à Amauri, e encontramos quatro vaquinhas.

 

 

 

 

Claro que o passeio foi só uma mera desculpa esfarrapada para pôr fotos do Joáo (meu sobrinho sem til) e da Manuêla (a única boneca do mundo moldada em porcelana fofa) aqui no blog. Em vez de sair por ai com fotos deles na carteira, eu vou poder simplesmente enviar um link.

 

 

 

 

Depois de fazer as fotos, no entanto, eu descobri que o mais interessante dessa exposição não são as vacas nas ruas. São as crianças nas ruas! Você se lembra da última vez que viu uma criança pequena numa calçada da Faria Lima sem uma caixa de chiclete ou três bolas de malabarismo na mão?



Escrito por Ricardo Freire às 10h45
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Da série "A sua mais completa tradução": and the winner is...

Parem as buscas. Se alguém quiser entender São Paulo em três garfadas, basta ir ao restaurante Buttina e pedir um spaghetti alho, óleo, couve e lingüicinha. Spaghetti com couve refogada! Finalmente, a união da cozinha dos fundadores de São Paulo com a cozinha dos que refundaram a cidade. Como é que ninguém pensou nisso antes? E o mais grave: como é que eu não provei isso antes? Nham!

 

 

Buttina. Rua João Moura, 976, em Pinheiros (entre Cardeal e Teodoro). Tel.: (11) 3083-5991. Perfeito para depois de uma visita à feirinha de sábado da Praça Benedito Calixto.

Escrito por Ricardo Freire às 08h16
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Reserva de resorts?

O bafafá da semana no Rio foi a aprovação de uma lei na Câmara de Vereadores que abranda as restrições de construção na área de proteção ambiental de Marapendi, entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes – um trecho mais conhecido pelo nome auto-explicativo de Praia da Reserva.

 

Qual é a minha posição? No momento, muro. Porque, em princípio, eu sou a favor de ecoexistirem eco-resorts de ecoluxo na região. Mas, dadas as circunstâncias em que esse assunto vem à baila e é (des)regulamentado, me pélo de medo.

 

 

Os vereadores querem permitir a utilização de 10% da área protegida para a construção de cinco resorts de três andares. Três andares? Eco-resort? A meu ver, uma coisa anula a outra. Se couber algum hotel nessa região, tem que ser algo Txai. Não uma coisa Sauípe.

 

Uma coisa é usar a Reserva para fazer um ou dois hotéis "invisíveis", que possam preservar a área melhor até que os órgãos municipais, e acrescentem uma faceta ecochique ao perfil do Rio.

 

Outra coisa é usar a Reserva para desafogar uma demanda reprimida por uma legislação cartorial que dificulta ao máximo o investimento em hotéis na Zona Sul e na Barra, preservando o mercado para hotéis caros e ruins.

 

Antes de fazer qualquer besteira, é preciso traçar uma nova política hoteleira para o Rio. Até lá, deixem a Reserva em paz.

Escrito por Ricardo Freire às 11h32
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"Cadê a água do meu cuca-fresca?" (Washington Olivetto)

Voltei de Brasília ontem e fui direto para o Rodeio, onde meus colegas da publicidade me esperavam para um almoço de bota-fora. Meu amigo e santo de devoção Washington Olivetto abriu a cerimônia, dizendo que estávamos todos reunidos para a festa de comemoração de minha 47ª. saída da W/Brasil – e que todos, desde já, podiam sentir-se convidados para a próxima ;-)

 

Aproveitei e pedi para incluir no meu pacote de rescisão os direitos de republicar aqui um textinho que o W.O. mandou esta semana lá para o Bluebus. Deliciem-se.

 

No final do ano passado, incentivado e acompanhado por meu filho Theo, na época uma criança, mas hoje já um rapaz de 1 ano e 23 dias de vida, comecei a utilizar os cuca-frescas instalados entre o Leblon e o Arpoador, todos os finais de semana que tive a oportunidade de passar no Rio de Janeiro.

 

Também motivado por Theo, cheguei até a elogiar os cuca-frescas publicamente – só como exemplo, posso recordar uma matéria da revista Época sobre hedonismo, daquelas em que a maioria dos entrevistados comenta os vinhos que bebe, os charutos que fuma e as viagens que faz, onde preferi não falar de vinhos, charutos e viagens, optando por citar os cuca-frescas como exemplo da democratização do hedonismo, verdadeiras fontes de prazer ao alcance de todos.

 

 

Lamentavelmente, tendo a oportunidade de estar no Rio de Janeiro no final da semana passada, verifiquei, na companhia de um atônito e desapontado Theo, que os cuca-frescas tinham sido desligados. Gostaria imensamente de saber quem foi o responsável por tamanho descalabro, apesar de aprioristicamente já ter um seríssimo suspeito – desconfio que foi o mesmo cara que teve a idéia de instalar uns fingers no Santos Dumont.

 

(Washington Olivetto, via Bluebus)



Escrito por Ricardo Freire às 08h19
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Alice!

A propósito: este blog dá as boas-vindas à Alice, que está desembarcando hoje em alguma maternidade do Rio de Janeiro, para felicidade dos queridos Elisa Bluebus Araújo e Julio Bluebus Hungria. Boa viagem, garota!

(Dúvida: será que esse post ainda vai estar no cache do Google quando, daqui a cinco ou seis anos, a pequena Alice Araújo Hungria der a primeira busca do seu nomezinho na Internet?)



Escrito por Ricardo Freire às 08h16
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Fora de prumo

Terá sido por causa do meu primeiro dia de desempregado? Ou é Brasília que me tira do eixo? O fato é que pelo menos metade das fotos do meu post brasiliense (role a página para ver) está fora de prumo. Cô' esquisita...



Escrito por Ricardo Freire às 08h16
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