Meu verão de 42

De vez em quando alguém me liga pedindo dicas de onde ficar e o que fazer em algum lugar distante, ou esquisito, ou as duas coisas ao mesmo tempo. A conselho de seus astrólogos, vão passar os aniversários em lugares astrologicamente auspiciosos.

 

 

Não sei se o que a carta zodiacal de Noronha me reserva, mas não creio que pudesse escolher um lugar esteticamente mais auspicioso para passar o meu 42º. aniversário.

 

 

 

Não, não foi de propósito. Mas a coincidência fez cair uma ficha interessante.

 

 

Todos os anos, os brasileiros (que podem) gastam mundos e fundos para passar o réveillon em algum lugar muito bacana. Acreditamos sinceramente que as condições em que passamos a virada do ano influenciarão o ano que virá. Por isso o réveillon no Brasil tem esses preços estratosféricos.

 

 

De repente, melhor do que gastar uma fortuna no réveillon de todo mundo é investir no seu réveillon pessoal. Você pode até consultar seu astrólogo. Mas, se quiser uma segunda opinião, eu dou, sem nem precisar saber o seu signo: vire o seu ano em Noronha.

 

 

 

Sim, é quase tão caro quanto passar um réveillon normal numa praia qualquer. Só que você não vai estar numa praia qualquer.

 

 

Sugestão: acorde e vá direto o Sancho, lavar todos os resquícios do inferno astral naquele marzão transparente.

 

Eu fiz isso, e as coisas já começaram a melhorar. Olha só que coisa: quando eu cheguei hoje ao Recife, meu presente, vindo de São Paulo, já estava me esperando no aeroporto. Eita, que saudade...



Escrito por Ricardo Freire às 11h00
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Nos bastidores do Éden

Meu querido Julio Hungria me encaminhou o e-mail de uma leitora a propósito de uma notinha que ele deu no Bluebus sobre a minha expedição. A leitora sugeria que eu me afastasse do mundo das pousadas de luxo e falasse com os moradores, para me inteirar dos graves problemas habitacionais da ilha – onde casais que se separam precisam continuar morando na mesma casa por não conseguirem autorização de construir outra casa, e reformas simples, como a instalação de um banheiro, são sumariamente vetadas.

 

A Pousada do Vale fica ao lado da Vila dos Remédios e  inaugurou três bangalôs duplex

  

Nem é o caso específico desta leitora, mas muita gente acha um absurdo existirem pousadas de luxo em Noronha, e fica revoltada de eu falar superbem delas. Mas veja bem: é como me pedir para não recomendar o Hotel Fasano só porque boa parte da população de São Paulo mora em condições miseráveis. Ou pedir para que se evite comer no Carlota porque o restaurante tem o desplante de ficar num casarão simpático cheio de janelas que dão para uma rua arborizada e charmosa – quando quase todos os outros restaurantes paulistanos funcionam em prédios fechados de ruas feias.

 

 Ainda a Pousada do Vale: Internet banda larga (satélite) em todos os quartos

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h51
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Mas não, eu não sou tão alienado quanto pareço. Eu sei que as pousadas de luxo de Noronha não chegaram naturalmente, vindas com a maré. Entendo também o desequilíbrio que elas causam na, digamos assim, ecologia social da ilha. Do ponto de vista do uso turístico da ilha, no entanto, elas são necessárias – tanto que vivem lotadas, mesmo cobrando pequenas fortunas pela diária.

 

Das novas pousadas de luxo, a Teju Açu é a minha favorita

 

E isso não acontece (só) porque Noronha entrou no circuito dos bacanas e dos metidos. As pousadas de luxo são necessárias porque Pernambuco e o Brasil não podem ter no seu portfólio um lugar com a beleza de Fernando de Noronha onde o turista só possa se hospedar em casinhas de antigas vilas militares. As alternativas às pousadas de luxo seriam muito mais nocivas: um hotelzão sem-graça gerido pelo Estado ou, Deus jamais permita, um resortão administrado por alguma grande rede internacional. Se Noronha já vira um caos total nos dias em que aportam cruzeiros na ilha, imagine um cruzeiro permanentemente hospedado por lá.

 

Teju Açu: a 15 minutos de caminhada da Praia da Conceição (e a 10 minutos do Ibama)

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h50
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É injusto que uns possam transformar suas casas em pousadas de luxo e outros não consigam sequer aumentar um banheiro na sua casinha? Sem dúvida. Mas isso é culpa da história da ocupação e da administração da ilha, e não dos jornalistas de turismo.

 

A Solar de Loronha ainda não está terminada, mas quer oferecer mais luxo do que a Maravilha

 

O fato é que Noronha passou de um regime autoritário (militar) para outro (ecológico). A burocracia regula tudo com zelo soviético. Tudo o que vem do continente precisa ser desembaraçado no porto, como se fosse importado de outro país. Quando a ilha foi transformada em parque, os catadores de caranguejo foram proibidos de exercer seu ofício, mesmo só sabendo fazer isso, e fazendo isso há algumas gerações. Veja bem: estamos falando de catadores de caranguejo, não de caçadores de mico-leão-dourado. Sob um regime assim, é lógico que um pequenino vá ter dificuldade para receber autorização para aumentar o tamanho da sua caixa d’água, enquanto o grande sempre vai conseguir um atalho por Recife ou por Brasília.

 

Solar de Loronha: bangalôs com móveis de hotel de cidade e TV widescreen

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h37
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O que aconteceu em Noronha não é muito diferente do que aconteceu no continente durante as privatizações: alguns processos foram duvidosos, mas os resultados são positivos. Graças à rapidez de Sérgio Motta, hoje a sua empregada tem telefone celular e você consegue carregar esta página cheia de fotos em banda larga. Você jogaria fora seu cartão de crédito só porque quem liberou o cartão internacional no Brasil foi o Collor?

 

Quer uma pousada charmosa pelo preço de uma pousadinha? Reserve a Colina dos Ventos

 

De todo modo, essa desigualdade de Noronha é uma desigualdade diferente da que estamos acostumados. Aqui não é a riqueza convivendo com a miséria – o condomínio do lado da favela. Aqui é a fartura lado a lado com a escassez; Miami vizinha de Cuba. Tomara que a pressão popular consiga estender à comunidade algumas das facilidades conseguidas pela nova elite empreendedora e seus sócios de fora.

 

Natureba do Cachorro: novidade charmosa e para todos os bolsos

 

Você não precisa cacifar uma pousada de luxo para aproveitar os efeitos do seu surgimento no ambiente da ilha. Noronha, que nunca foi um lugar pitoresco, está finalmente perdendo o seu aspecto de vila militar. Muitas pousadinhas aderiram ao programa Cara Brasileira, do Sebrae, e estão investindo em ambientação.

 

Simples e bacaninhas: Beco de Noronha, Bela Vista e Morada do Sol

 

Aqui e ali surgem novidades transadinhas, como o Natureba do Cachorro (que funciona no Bar do Cachorro durante o dia) e a Palhoça da Colina, que faz luaus para pequenos grupos. O prato típico da ilha não é mais o saquinho de batatinhas Ruffles: é o peixe inteiro na brasa (muitas vezes envolto em folha de bananeira), feito em cada vez mais lugares – inclusive no gostosíssimo bar Duda Rei, na praia da Conceição.

 

O Tinho faz um peixe na brasa (e uma senhora farofa de couve) e serve com charme na Palhoça da Colina

 

É tanta coisa acontecendo, que no final, sem querer, acabei seguindo o conselho da leitora do Julio. Passei três dias em Noronha – mas não deu tempo de passar nem no Zé Maria, nem na Maravilha...



Escrito por Ricardo Freire às 10h37
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Expedição Pé-na-areia: 46º. dia

Quando: 30 de outubro, domingo

Onde: de Noronha a Recife

Tempo: ensolarado

Hospedagem: de volta ao meu flat favorito em Boa Viagem

Gourmet acidental: crepe de mussarela de búfala, rúcula e tomate seco no Anjo Solto

DataCoco: sem coco, hoje

Escrito por Ricardo Freire às 10h27
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Expedição Pé-na-areia: 44º. e 45º. dias

Quando: 28 e 29 de outubro, sexta e sábado

Onde: Fernando de Noronha

Tempo: parcialmente nublado

Trilha sonora: Tema de “Verão de 42”, cantarolado por minha amiga Simone ao telefone

Hospedagem: duas pousadas chiques em soft opening

Gourmet acidental: moqueca de aratu no Tricolor; peixe na brasa com farofa de couve na Palhoça da Colina; petit-gâteau de goiabada com recheio de requeijão na pousada Teju-Açu

DataCoco: R$ 2,50 na saída da trilha da Caeira à Atalaia; R$ 3 na praia da Cacimba do Padre

 

 

A moqueca do Tricolor

Escrito por Ricardo Freire às 10h27
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João Pessoa: Da maior simpatia

(Atrasei um pouquinho o post para sair quase junto com a Época)

 

São 4 e 15 da tarde e eu estou a ponto de perder o pôr-do-sol. Não, você não leu errado. Para quem, como eu, está em João Pessoa, e quer assistir ao pôr-do-sol na praia fluvial do Jacaré, 4 e 15 é quase tarde demais.

 

O sol se põe em João Pessoa – e na sua vizinha Cabedelo, onde fica a praia do Jacaré – às 5 em ponto. Se o Nordeste adotasse o horário de verão, o pôr-do-sol aconteceria às 6. É uma das convenções universais – uma dúzia tem doze unidades, a água ferve a 100 graus centígrados, o sol se põe às 6 da tarde nas latitudes equatoriais. Menos no Nordeste brasileiro, onde todo mundo está tão acostumado com o fato de o sol nascer e se pôr mais cedo, que um eventual referendo pela adesão ao horário de verão resultaria nuns 99% de “não”.

 

 

Em outros lugares o sol se põe sozinho, mas em João Pessoa ele tem a ajuda de um homem: Jurandy do Sax. Desde 2000, Jurandy toca o Bolero de Ravel para acompanhar a descida do sol no horizonte. O espetáculo acontece todas as tardes e lota os trapiches dos bares à beira-rio.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h57
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O pôr-do-sol no rio é a maior atração turística de uma cidade que ainda não conseguiu vender como poderia o sol a pino e o mar. João Pessoa tem praias limpas cujas águas ficam cristalinas no verão.

 

Em Barra de Gramame, na maré alta, o mar invade e faz o rio virar uma laguna

 

O povo é simpaticíssimo, o trânsito flui com facilidade, os preços são os mais em conta do litoral nordestino e seu plano diretor, que maravilha, impede que a orla seja transformada num paredão de arranha-céus.

 

Calçadão da praia urbana de Cabo Branco

 

Mas ainda não existe a infra-estrutura para reproduzir na Paraíba o boom turístico do seu vizinho de cima, o Rio Grande do Norte.

 

O Peixe Elétrico é um bar bacanérrimo na praia urbana do Bessa

 

O interessante é que a Paraíba começou antes. O hotel Tropical Tambaú, construído em 1971, foi o primeiro resort urbano do Nordeste. Apesar de ser um dos cartões-postais da cidade, o hotel só funciona quando visto do alto. Ao rés do chão, parece uma nave espacial de concreto plantada na areia da praia, obstruindo a vista aos pessoenses e enclausurando os hóspedes numa espécie de maquete gigante sem saída para o mar.

 

Hotel Tropical Tambaú

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h43
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Pode até ser verdade, dividindo o verde pela área total da cidade, mas não é a sensação que o visitante tem ao passear pelas áreas turísticas. Por causa da simpatia, a gente não se importa. Mas se João Pessoa se vendesse, por exemplo, como a segunda cidade mais simpática do mundo, seria muito mais fácil de acreditar.

 

 

30 km para o sul, Tabatinga é mais bonita que Tambaba

 

Ultimamente a Paraíba tem usado a praia nudista de Tambaba, a 40 km ao sul da capital, como chamariz. O problema é que, para entrar na praia, é preciso tirar completamente a roupa.

 

 

Os naturistas estão certos em não permitir que sua praia vire uma vitrine. Mas nenhum outro Estado usa suas praias de nudismo para atrair turistas comuns. Será que não daria para encontrar um meio-termo? Tipo assim – um dia com entrada liberada para turistas? Segundas-feiras, por exemplo. A turistada poderia entrar em Tambaba e fotografar um grupo de nudistas de verdade contratados pela prefeitura. (Tô falando sério.)

 

Para entrar de verdade no mercado, a Paraíba acaba de fazer um acordo com a CVC para construir seu primeiro grande resort. Não tenho dúvidas de que vai funcionar. Se bem que, se eu fosse as autoridades do turismo paraibano, chamaria o Jurandy do Sax para dar uns pitacos.

 

 

O homem é um gênio. De três anos para cá, ele inventou de chegar de barquinho.

 

 

Fica ali, no meio do rio, como um encantador de serpentes ao contrário, tocando para fazer o sol baixar. Os movimentos são cronometrados. Lá pelas tantas, Jurandy sobe no píer, e acontece o final impressionante: o sol se vai junto com o último acorde do Bolero.

 

 

São 5 e 10. Se você olhar para os lados da cidade, já é breu.



Escrito por Ricardo Freire às 20h41
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Expedição Pé-na-areia: 43º. dia

Quando: 27 de outubro, quinta

Onde: de Recife a Fernando de Noronha

Tempo: parcialmente nublado

Trilha sonora: Covers de reggae e rock brasileiro no show da pizzaria Massa da Ilha que ouço do meu quarto na pousada

Hospedagem: pousada confortável e desencanada

Gourmet acidental: peixe na brasa com farofa de banana, arroz de brócolis e purê de jerimum na Pousada do Vale

Surfe em Noronha: a moça da recepção da Pousada do Vale me perguntou se eu estava com laptop e me ofereceu um cabo de rede

DataCoco: R$ 1 no Recife; ainda não pedi em Noronha

 

O entardecer em Noronha não tem Bolero de Ravel



Escrito por Ricardo Freire às 20h40
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Expedição Pé-na-areia: 42º. dia

Quando: 26 de outubro, quarta

Onde: Recife

Tempo: parcialmente nublado

Trilha sonora: Cowboy viado, no alto-falante estridente do vendedor de CD pirata na praia

Hospedagem: terceira noite seguida no mesmo hotel (um récorde nesta Expedição!)

Gourmet acidental: sushi de foie gras com passa de caju e raspas de limão, no É

Atrasado como novela brasileira em Portugal: é como anda esse blog, coitado; tô embarcando pra Noronha, e ainda não botei nem os posts de João Pessoa (mas calma, Recife, eu ainda volto)

DataCoco: R$ 1 em Boa Viagem

 

 

Entre na campanha deste blog: Praia também é leitura!

Escrito por Ricardo Freire às 10h20
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Tambaba: nuazinha

Tambaba é a praia naturista mais famosa do Brasil -- só que pouca gente sabe como ela é. Primeiro, porque para entrar é preciso estar pelado – e, se você for homem, devidamente acompanhado por uma pelada. E depois, porque todas as fotos que são feitas em Tambaba privilegiam aspectos topográficos dos traseiros dos freqüentadores, e não da paisagem.

 

Senhores passageiros: é com orgulho que este blog apresenta, talvez pela primeira vez na imprensa brasileira, a praia naturista de Tambaba nuazinha, como veio ao mundo. (Ou quase. Tentem abstrair as palhoças e as cadeiras de plástico.)

 

 

 

 

No mais, estou pensando se revelo todos os bastidores dessa minha aventura. Estou pensando...

Escrito por Ricardo Freire às 18h58
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Expedição Pé-na-areia: 41º. dia

Quando: 25 de outubro, terça

Onde: Recife

Tempo: ensolarado

Trilha sonora: Inútil paisagem, com Elis & Tom (na rádio cabeça; leia o próximo item)

Lerê: mas pra quê? pra que tanto céu? pra que tanto mar, pra quê? se eu não saio da frente do laptop?

Hospedagem: outra noite no meu flat favorito no Recife (usando direto a banda larga)

Gourmet acidental: sashimi de salmão com gengibre e pimenta, no Soho

DataCoco: R$ 1 em Boa Viagem

 

 

 

O Soho do Recife consegue ser mais impressionante do que o de Salvador

Escrito por Ricardo Freire às 18h50
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Pipa, a empinada

Na edição impressa do meu guia Freire’s, de 2001, eu descrevo assim o Hotel da Pipa: “Na praia do surf, esta é a pousada do surf. A localização é de dar vertigem, na pontinha da falésia; de lá sai uma escada privativa, de madeira, que dá na praia. Os quartos é que são muito pobrinhos, absolutamente espartanos; o banho é frio, e o único eletrodoméstico ligado na tomada é um ventilador de mesa. A roupa de cama e banho não é das mais encorajadoras. Mas se você busca astral, localização e preço baixo, vai gostar daqui. Diárias a R$ 70 (alta temporada) e R$ 35 (baixa temporada).”

 

 Eu era assim, fiquei assim...

 

Na versão online, atualizada em janeiro de 2004, o verbete Hotel da Pipa diz: “Em 2003,o hotel passou sofreu um a guinada radical: os quartos e as áreas sociais foram inteiramente repaginados, e o hotel foi reposicionado para outro público. Só o que não mudou foi o tamanho dos quartos -- continuam bem pequenos. Diárias: frente mar, R$ 300 (alta temporada) e R$ 240 (baixa temporada)”.

 

 

Os preços dos quartos com vista agora são R$ 345 na alta e R$ 300 na baixa. Pois bem. Uma coisa é você visitar o hotel em que você dormiu por R$ 35 e constatar que, maquiado e reequipado, ele está cobrando R$ 300 por aquele mesmo quarto. Outra coisa é você pagar esses R$ 300 pelo quarto que já foi seu por R$ 35. Desta vez eu não apenas passei – eu fiquei. Senhores passageiros: doeu. Na edição que vai entrar no ar em dezembro talvez eu diga que a maquiagem anda precisando de uma manutenção, e que o hotel poderia oferecer um pouco mais de conforto e infra-estrutura, além da vista e da escadaria para a praia, para justificar seus preços.

 

Lerê, lerê: tem blogueiro que acorda às 4h30 só para fazer essas fotos pra você

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 14h58
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A praia do centro continua, ahn, pitoresca

 

Se bem que... para quem eu estou pregando, mesmo? Todos os outros hóspedes do hotel da Pipa eram gringos, que compraram pacotes na Europa. Pipa está apenas cumprindo o seu destino de ser a Búzios do Nordeste – nada mais compreensível que comece a cobrar preços buzianos. (Já a Búzios baiana, Arraial d’Ajuda, continua com preços arraial-d’ajudianos, mesmo.)

 

A continuarem esses preços, brasileiro só vai aparecer por aqui em passeio de bugue...

 

Assim como aconteceu com o Hotel da Pipa, muitas das transformações da vila não passam de maquiagem vistosa, que pede um pouquinho mais de qualidade para justificar a conta. A Avenida Baía dos Golfinhos – nome pomposo da ruazinha principal – agora tem shoppingzinhos mediterrâneos, mas o pedestre precisa ter um olho na vitrine e outro nos carros, que ziguezagueiam entre os espaços deixados pelos carros irregularmente estacionados.

 

 Não gosto: do grego-com-piaçava do shopping da esquerda, e do vidro ostensivo da loja da direita

 

(Ao contrário de Búzios, a rua-das-pedras de Pipa não tem uma ruazinha de trás para escoar o trânsito.) Fora das imediações da rua principal, a urbanização não existe. Algumas das pousadas pioneiras de Pipa, que ficavam mais ou menos no meio do mato, hoje ficam mais ou menos no meio da favela. É lamentável que os impostos gerados pelas milionárias transações imobiliárias (a região toda se valorizou brutalmente depois que foi descoberta pelos gringos), pelo comércio e pelos meios de hospedagem de Pipa não sejam revertidos em urbanização básica da galinha dos ovos de ouro.

 

Depois da praia do Amor, minha segunda favorita é a do Madeiro

 

Bem. Dito isto, só me resta acrescentar que Pipa anda caro, mas é uma delícia. As praias são lindas (mesmo antes de o verão tingir o mar de um azul de verdade), come-se muito bem em qualquer restaurante, e as vitrines trouxeram um novo colorido à noite da cidade. No meu entender, falta, no entanto, direção de arte – algo que dê personalidade à vila, como as ruas de areia de Jeri, as estampas de Porto de Galinhas ou a vegetação do Arraial, que tire esse jeitão de uma praia qualquer do Mediterrâneo.

 

 Gosto: da madeira da Pede Jambo. Adoro: o humor da Bookshop

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 14h54
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Direção de arte, por exemplo, é o que sobra nos bangalôs da Toca da Coruja – podem ser caríssimos (R$ 820 a noite), mas conseguem traduzir para o português do Brasil o luxo sobre palafitas inventado em hotéis de charme da Ásia.

 

 Toca da Coruja

 

O clube de praia Ponta do Pirambu, em Tibau do Sul, também é tudo de bom: todo o mobiliário é de madeira, incluindo as espreguiçadeiras; e no verão, quando o mar ficar com um azul parecido com o da piscina, você vai conseguir tirar fotos ainda mais bonitas. (A consumação não é absurda, não: R$ 30 por pessoa.)

 

Ponta do Pirambu

 

A suíte 6 da Sombra & Água Fresca (que eu apelidei aqui de Suíte Gisele) é bacana, mas, sinceramente, não é nenhuma Ponta dos Ganchos. Vale mais a pena pegar um quarto standard e passar o dia na piscina principal, que é deslumbrante (e você economiza quase R$ 400 por noite).

 

Sombra & Água Fresca

 

Ainda existem pechinchas, sim. A maior delas é o Hotel do Amor, debruçado sobre a mesmíssima Praia do Amor da Sombra & Água Fresca e do Hotel da Pipa. Ali, um quarto espaçoso, com varanda, de frente para o mar, sai por R$ 140 na alta temporada (R$ 110 na baixa; foi o que eu paguei.)

 

 Hotel do Amor

 

É bom pegar leve. Ou vai acabar faltando grana para aqueles cocos de R$ 3 do Bar Marinheiro ;-)

 



Escrito por Ricardo Freire às 14h54
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Expedição Pé-na-areia: 40º. dia

Quando: 24 de outubro, segunda

Onde: de João Pessoa a Recife

Rodados: 132 km

Trilha sonora: Gilberto Gil, As canções de Eu, Tu, Eles

Tempo: parcialmente nublado

Consegui: entrar em Tambaba para fotografar a paisagem

Hospedagem: meu flat favorito no Recife, com banda larga grátis no quarto

Gourmet acidental: sobrecoxa de frango recheada com purê de banana e acompanhada por arroz de coentro, no Assucar (melhor lida do que comida)

DataCoco: Sandra! Eu saí de João Pessoa sem tomar coco em Manaíra! Você me perdoa?

 

Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço



Escrito por Ricardo Freire às 14h53
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Expedição Pé-na-areia: 39º. dia

Quando: 23 de outubro, domingo

Onde: João Pessoa

Trilha sonora: Eu não nasci pra ser a outra / Eu nasci pra ser a única / Titular e absoluta / Do seu coração (Aviões do Forró; toca em tudo quanto é alto-falante)

Tempo: ensolarado

Pelo sim, pelo não: caramba, foi difícil achar uma escola para justificar meu voto

Hospedagem: outro hotel novinho, e econômico, da orla de Tambaú

Gourmet acidental: cuscuz com leite e açúcar no café da manhã do Mangai

CADÊ O DOSSIÊ PIPA?: Calma, calma, sai ainda hoje

DataCoco: R$ 1,00, na barraca Arte Bar, em Tabatinga

 

 

A barraca Arte Bar, em Tabatinga (30 km ao sul de João Pessoa) tem ofurô e uma biblioteca de cordel

Escrito por Ricardo Freire às 08h27
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Fome Zero

 

Eu tinha acabado de passar o Blogmóvel pela balsa movida a gente do rio Sibaúma, quando deparei com esse back-light na pacata Barra do Cunhaú. Tive que parar. Como assim, deputada da alimentação? E por que não, musa da alimentação? Nossa Senhora da Alimentação? Ou perua da alimentação? Filha de coronel da alimentação? Demagoga da alimentação? Senhores passageiros: alguém tem que impor limites à propaganda política.

Escrito por Ricardo Freire às 08h25
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Expedição Pé-na-areia: 38º. dia

Quando: 22 de outubro, sábado

Onde: de Pipa a João Pessoa, via Barra do Cunhaú e Baía Formosa

Rodados: 195 km

Trilha sonora: José Miguel Wisnik, São Paulo-Rio, com várias participações de minha ídala Jussara Silveira

Tempo: nublado de manhã cedinho, ensolarado no resto do dia

Hospedagem: hotel novinho na orla de Tambaú, João Pessoa

Gourmet acidental: caldinho de caranguejo na barraca Peixe Elétrico, no Bessa

DataCoco: R$ 1,00, na barraca Peixe Elétrico (calma, Sandra, ainda não tomei coco nos quiosques de Manaíra)

 

A balsa do rio Sibaúma, entre Pipa e Barra do Cunhaú, é movida a gente, mesmo



Escrito por Ricardo Freire às 08h24
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Fenômeno

Estou presenciando um fenômeno impressionante, que eu preciso dividir com vocês. Não, vocês não podem imaginar o que deu para acontecer hoje de manhã. É algo que eu nunca vi nesses quarenta dias de viagem. Não sei qual é a causa, e estou sem internet no momento em que escrevo para tentar buscar uma explicação.

 

É o seguinte. Sabe nuvens? Então. Hoje o céu amanheceu que era um nuvão só. Isso, sem espaço entre uma nuvem e outra. Como se as nuvens resolvessem se emendar, entende? Por um lado é interessante porque o céu fica acinzentado. Por outro lado é chato porque o sol não passa.

 

Eu perguntei na recepção que negócio é esse e eles me falaram que isso se chama “nublado”. Mas que passa logo.

 

 

(Tô pegando a estrada em direção a João Pessoa. Lá eu subo meu Dossiê Pipa, prometo.)



Escrito por Ricardo Freire às 10h28
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Expedição Pé-na-areia: 37º. dia

Quando: 21 de outubro, sexta

Onde: Pipa

Trilha sonora: Monobloco, Seu Jorge e Marcelo D2, nas caixas do Grand Café Pipa

Tempo: parcialmente nublado

Hospedagem: flat funcional na rua principal

Aula de step: uma escadaria para cada praia

João Pessoa: de onde vem a maioria dos carros no estacionamento do flat Pipa Resort

Gourmet acidental: spaghetti com frutos do mar no Luna Café

DataCoco: R$ 1,50, nos ambulantes da muvuca noturna

 

Mas se você for mais um pouquinho até Tibau do Sul, tem uma praia com elevador



Escrito por Ricardo Freire às 10h27
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Legendas à procura de uma fotonovela



Escrito por Ricardo Freire às 11h26
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Expedição Pé-na-areia: 36º. dia

Quando: 20 de outubro, quinta

Onde: Pipa

Trilha sonora: João Gilberto, várias fases misturadas, no restaurante Atlântico

Tempo: ensolarado

Hospedagem: acordei na suíte Gisele de uma pousada chique, dormi num quarto de frente para o mar em outra pousada metida (caramba, preciso baixar a bola)

14 reais: a conta de duas horas e meia de çaibercafé

Praia: eu sei que ela estava lá fora em algum lugar, mas de pertinho eu só vi mesmo na tela do lepitope

Gourmet acidental: farofa de alho, nham, acompanhando um filé a cavalo no restaurante Atlântico

Existencialismo no café da manhã: por que diabos alguém resolve fazer bolo formigueiro, se com os mesmos ingredientes dá pra fazer bolo mármore?

DataCoco: R$ 2,50, na piscina da Sombra & Água Fresca

 

Ei, moço, como que cê adivinhou como eu tô me sentindo?



Escrito por Ricardo Freire às 11h22
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Pufavô

Primeiro – lá pela segunda semana de viagem, acho – foi o “r”. Quando eu dei por mim, tinha trocado o “r” áspero lá de baixo pelo “r” eufônico do Rio pra cima. Não, não forcei nada. É natural. Tá guardado em algum lugar da memória; ninguém se livra assim tão fácil de uma infância em Brasília.

 

Mas daí outro dia eu me ouvi pedindo:

 

- Pufavô!

 

Ôxe, que cabra é esse? Eita! Não é que era eu mesmo? Abestado!

 

Só que eu duvido que esse “pufavô” soe natural. Tudo bem, meu pai era sergipano, mas sotaque não é uma coisa que se passe adiante junto com os gens. Esse “pufavô” deve ser filho de alguma novela da Globo, isso sim.

 

É melhor eu me controlar, antes que alguém se ofenda e me mande de volta pro Bem-Amado. Alguém aí tem o telefone da Glorinha Bütenmüller?

 

Pufavô: onde ficam as escadas pra eu descer pra Praia do Amor, em Pipa?

 

Pó deixar, já vi. Brigado!



Escrito por Ricardo Freire às 14h55
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Expedição Pé-na-areia: 35º. dia

Quando: 19 de outubro, quarta

Onde: Pipa

Trilha sonora: um samba-enredo da Gaviões da Fiel (!) que tocou no bar da piscina da pousada Sombra & Água Fresca

Tempo: ensolarado

Hospedagem: suíte com piscininha privativa (para meu dossiê de superbangalôs)

“Foi a que a Gisele ficou”: foram as palavras mágicas do moço das reservas – pronto, cacifei

Gourmet acidental: pastel de queijo e atum no Bar Marinheiro, na Praia do Amor

DataCoco: R$ 3 no Bar Marinheiro (assalto!)

 

 

A Suíte Gisele é top, mas não é über



Escrito por Ricardo Freire às 14h52
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O guieiro e suas implicâncias, capítulo 32: piscinas naturais

Piscinas naturais costumam ser a cerejinha do bolo de uma viagem de uma semana ao Nordeste. Todo mundo paga o que pedirem para ser levado até um desses aquários em alto-mar que só aparecem na maré baixa, em pontos espalhados entre o Rio Grande do Norte e a Bahia.

Na tese de mestrado que eu nunca vou fazer, e que portanto nunca vai se chamar “Como o brasileiro desaprendeu a ir à praia”, eu nunca vou conseguir dizer que, na minha opinião, os passeios às piscinas naturais são o ponto alto do repertório da TOT – Terapia Ocupacional para Turistas.

 

Como nos recusamos a viajar para descansar (para isso existe o sofá da sala) ou apenas tomar sol (todo mundo tem sol perto de casa em boa parte do ano), e como ler na praia está totalmente fora de questão (taí um bom merchandising social para a próxima novela do Manoel Carlos), precisamos desperadamente fazer passeios. E nada tem um apelo tão forte quanto um aquário de peixinhos em alto mar.

 

Parrachos de Maracajaú, 65 km ao norte de Natal, aonde fui ontem

 

Na vida real, porém, os aquários de peixinhos em alto mar viram um piscinão de gente – uma espécie de banho japonês em que todo mundo veio de snorkel. (E eu ainda fico meio deprê, porque acho que se houvesse justiça na Terra todas as praias da nossa costa deveriam ter uma água tão cristalina quanto a das piscinas naturais.)

 

As Galés de Maragogi, em Alagoas, são as mais transparentes, e por isso são também as mais procuradas

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 11h45
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Com exceção de Porto de Galinhas, ir até piscinas naturais envolve um esforço considerável: viajar até duas horas de ônibus, depois sacolejar até meia hora numa lancha ou num catamarã. Os resultados nem sempre são garantidos. Para encontrar as piscinas naturais do jeito que elas aparecem nas fotos dos vendedores de passeio, é preciso ir (1) durante a maré baixa; (2) numa lua propícia – cheia ou nova, que é quando a maré “seca mais”; (3) fora da estação das chuvas; (4) num dia ensolarado e (5) numa hora em que o sol já esteja alto.

 

As de Porto de Galinhas ficam pertinho da praia e jamais decepcionam

 

As 13 pessoas que morreram num acidente de ônibus no começo do ano, indo de Maceió para as piscinas de Maragogi, foram vítimas de um crime. O passeio jamais poderia ter sido oferecido a elas naquele dia. Estava chovendo, a lua não era boa e a maré já teria subido na hora em que eles conseguissem atingir o alto mar (talvez por isso o motorista corresse tanto).

 

Maracajaú, RN

 

Ontem, no entanto, era o dia perfeito para ir aos parrachos de Maracajaú – as piscinas naturais que ficam 65 km ao norte de Natal. Tinha entrado a lua cheia, não chovia há meses, a maré estaria baixíssima às 10h30. Por isso lá fui eu, para tentar fazer fotos melhores do que as que tenho no arquivo (quando fui pela primeira vez eu ainda não sabia de todas essas pegadinhas). Ainda assim, com toda essa conjunção favorável, não encontrei a transparência prometida pelos outdoors.

 

Maracajaú, RN

 

De todo modo, verdade seja dita: eu era o único que não estava adorando. O quê? Ler na praia? Se eu desse essa sugestão, era capaz de me darem um caldo.

 

Maracajaú, RN



Escrito por Ricardo Freire às 11h43
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Expedição Pé-na-areia: 34º. dia

Quando: 18 de outubro, terça

Onde: De Natal a Pipa, fazendo um desvio por Maracajaú

Rodados: 238 km

Ziguezague: Maracajaú fica ao norte de Natal, e Pipa fica ao sul

Trilha sonora: ainda Me Talk Pretty One Day (audiobook de David Sedaris)

Tempo: ensolarado, passando a nublado no fim da tarde com chuviscos

Chuva!: a primeira em 34 dias, e sem atrapalhar a praia de ninguém

Hospedagem: pousada em conta e com vista para o mar

Gourmet acidental: camarão ao molho de tamarindo, com arroz de caranguejo e purê de jerimum

DataCoco: fico devendo

 

Ao contrário dos meus colegas de Genipabu, eu camelei bastante ontem



Escrito por Ricardo Freire às 11h39
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Feliz Natal

Desculpem a falta de notícias. É que eu ando enfurnado nos hotéis trabalhando num projeto que está se aproximando perigosamente do deadline – ou, em bom português, do dedilaine.

 

 

Não vou esconder: eu não sou o maior fanático por Natal, não. Não é nem por causa de Natal – é por causa de Pipa. Eu adoro Pipa. Pipa fica muito perto de Natal, então já viu. Eu sei, são duas coisas incomparáveis: Natal é cidade, Pipa é um vilarejo de praia. Mas se eu penso em Natal como cidade, então eu prefiro o Recife, que é muito mais cidade e também fica mais ou menos aqui por essas bandas.

 

 

Mas o mundo não concorda comigo. Natal é um sucesso estrondoso. Resortões não param de aparecer na Via Costeira. Hotéis, flats e pousadas (alguns da maior simpatia) brotam sem cessar em Ponta Negra. Para onde quer que você olhe tem gringo.

 

 

Resolvi parar para entender a razão de tamanho sucesso. Acho que entendi.

 

 

Para começar, a Via Costeira é um parque de resorts urbanos, a vinte minutos de um aeroporto internacional, e a cinco minutos de táxi de restaurantes, bares e boates. É mais prático se hospedar na Via Costeira do que no Porto das Dunas ou no Cabo de Santo Agostinho ou na Costa do Sauípe.

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 08h15
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Depois, a praia de Ponta Negra – apesar de dificilmente atingir o azul-azul registrado pelos cartões postais – é praia urbana que trata o turista com mais conforto no Brasil.

 

 

Todos os seus quiosques alugam ombrellones enormes e espreguiçadeiras de verdade, como as de piscina de resort. Para o gringo que quer ficar na praia o dia inteiro tomando sol (e não mudando de praia descendo de bugue subindo em jangada que nem o turista brazuca), é uma situação muito melhor do que no Recife (onde não existe esse conforto todo), Fortaleza (onde as praisa da zona hoteleira não são próprias para banho), Maceió ou João Pessoa (onde as praias mais cobiçadas ficam fora da cidade).

 

 

 

E tem a questão da segurança. Me chamem de Poliana, mas preciso dizer que eu me sinto MUITO seguro em Natal. Vi poucas crianças de rua e pedintes. (Mas não quero saber o que a cidade faz para evitar que eles fiquem pela área turística, não.)

 

 

Resultado: peguei o último quarto disponível em duas pousadas. Me senti várias vezes como se estivesse na alta temporada. E morri de vontade de poder ficar o dia inteiro deitado numa espreguiçadeira (mesmo sendo de plástico...) como a gringaiada.

 

 

Se você quiser comprar um apartamento em Ponta Negra, me diga, que eu vi um anúncio pintado num muro – em norueguês.

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h11
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Expedição Pé-na-areia: 32º. e 33º. dias

Quando: 16 e 17 de outubro, domingo e segunda

Onde: Natal

Trilha sonora: Me Talk Pretty One Day (audiobook do meu escritor favorito, David Sedaris; já li o livro, mas com ele lendo é outra coisa)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: resort brega no domingo, hotel executivo novinho na segunda

Ô dona Chieko: como que a senhora põe o nome do Blue Tree na placa de um hotel tão ruim quanto o Pirâmide, sem nem dar uma guaribadinha e treinar o povo antes?

Gourmet acidental: badejo com purê de banana no restaurante do hotel Manary

DataCoco: R$ 4 a jarra no restaurante Camarões

 

Terraço do ótimo Araçá Praia Flat, onde eu fiquei de sábado para domingo

Escrito por Ricardo Freire às 08h11
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Chiclete-de-ouvido sabor jerimum

Não sei dizer há quantos Estados isso começou, mas o fato é que aonde quer que eu vá tem alguém tocando uma banda chamada os Aviões do Forró, que canta um forró-brega cujo o refrão é, dois pontos:

 

Que tontos, que loucos que somos nós dois

Estando com outro e nos amando

 

Só que eles pronunciam o final das palavras como se fossem a Perla (ou os Titãs, ou o Chico Science, ou qualquer um que cante em português com o sotaque do Jânio Quadros):

 

Quê tontôs, quê loucôs quê somôs nós dois

Estando com outro e nos amã-an-dô

Senhores passageiros: tô confuso.



Escrito por Ricardo Freire às 07h58
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Expedição Pé-na-areia: 31º. dia

Quando: 15 de outubro, sábado

Onde: Natal

Trilha sonora: Aviões do Forró (na caixa de som dos outros)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: flat novinho

Trampo: só tenho saído do hotel para comer e... para trocar de hotel

Ei, quando vão começar os textos de Natal? Calma, amanhã eu já subo um

Gourmet acidental: sushi de sardinha, gentileza de Mawa-san, o senhor sushiman do Take-ya

DataCoco: R$ 1,20, no restaurante Mangai

 

Isso sim é um símbolo nacional: a bandeira-canga!



Escrito por Ricardo Freire às 07h54
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Deu no jornal: Natal

Transcrevo diretamente do Diário de Natal de ontem. Os grifos são meus ;-)

 

Usuário com bermudas pode registrar queixas

 

O corregedor da Secretaria de Segurança, Osvaldo Monte, editou ontem uma recomendação orientando a polícia civil a registrar queixas de pessoas que apareçam de bermuda, camiseta e chinelo nas delegacias. Segundo o corregedor, a recomendação foi decidida após a ocorrência de um caso concreto no qual um turista reclamou de não ter sido atendido por um agente de polícia por estar com trajes não aceitos pelas normais usuais nas DPs.

 

O corregedor esclareceu que a forma de atendimento deve seguir o bom senso. “Natal é uma cidade turística e esse turista que reclamo estava à vontade, no bairro do Alecrim, quando foi assaltado”. Depois do roubo, o turista teve que prestar queixa numa delegacia mas, por estar de bermuda e chinelo, não foi atendido. “Não é justo que um turista o qualquer outra pessoa que seja asaltada tenha que ir ao hotel ou em casa trocar de roupa para prestar a queixa”, disse o corregedor.

 

Osvaldo Monte esclareceu que a recomendação é para que o atendimento a pessoas com poucos trajes seja feito em casos excepcionais, não de forma rotineira. Os trajes compostos, calça e camisa de mangas, ainda devem prevelacer para quem freqüenta a repartição pública, mas, nas emergências, os policiais da recepção poderão usar a tolerância para atender o cidadão.

 

(...) O corregedor disse que a recomendação foi editada para garantir que os policiais que atendam as pesoas de bermuda nas delegacias não sejam alvo de punições administrativas dos superiores.

 

:-0))))

 

Com esse meu chinelinho novo, eu só vou conseguir ser atendido na delegacia especial para gringos!

Escrito por Ricardo Freire às 07h28
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Expedição Pé-na-areia: 31º. dia

Quando: 14 de outubro, sexta

Onde: Natal

Trilha sonora: o vendedor de CD pirata da praia tocou Loiras Geladas do RPM

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada básica à beira-mar em Ponta Negra, a meros R$ 100

Em compensação: a superlavagem para o meu carro deixar de ser uma duna móvel custou R$ 30

Trampo: expediente interno, terminando um especial para a Viagem & Turismo

Praia: uma horinha contada no relógio, só para almoçar: dois queijos coalho e um saquinho de castanha

Gourmet acidental: cogumelo-de-Paris recheado com caranguejo, no Agaricus

DataCoco: R$ 1,50, na praia de Ponta Negra

 

Cheguei a Natal de balsa, como se tivesse ido até ali passear de bugue em Genipabu

Escrito por Ricardo Freire às 07h26
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O enviado de Deus chega a Galinhos

Quando eu virei da BR para pegar a estradinha para Galinhos, elas estavam ali, arrumadinhas, na beira da estrada: uma malona, uma maleta, três mochilas, uma caixa. O dono da mudança estava ali pertinho, acocorado numa sombra.

 

 

Resolvi parar.

 

- Deus é fiel!

 

Foi o que ele falou para mim, antes mesmo de começar a colocar as trouxas no banco de trás. Em dois minutos e meio, eu já sabia toda a sua história. Ele tinha ido a São Paulo visitar uma irmã que não via há 18 anos. Foi de ônibus, voltou de avião. “B.R.A.?”, eu perguntei. Não: Gol. Pelo telefone, ele entendeu que tinha direito a 23 quilos de bagagem, e que passasse disso ia custar 8 reais. Na hora do embarque, descobriu que eram 8 reais por quilo. Ele ia ter que pagar 230 reais. Só tinha 150 no bolso. Resolveu desistir da viagem. Mas daí a moça deixou por 100 reais.

 

 

- Pra você ver como são as coisas de Deus!

 

 

Nunca tinha andado de avião. Gostou. É rápido, e não precisa tomar banho pelo caminho. Chegou a Natal, foi até a rodoviária. O ônibus para Galinhos não sai todo dia. Só ia ter viagem na sexta. Ele resolveu ir na quarta mesmo, e descer no entroncamento da BR.

 

- Eu pensei: quarta é feriado, e se Deus quiser vai passar muito carro pra me dar carona.

 

 

Até à uma da tarde, porém, só tinham passado dois bugues. E ninguém parou pra ele. Daí ele pediu:

 

- Ai meu Deus, me arruma um carro pra eu sair daqui!

 

 

E então eu apareci e parei.

 

- Foi Deus que enviou você!

 

Não que Ele tenha me avisado – mandado um sinal, uma luz, um e-mail que fosse. Mas eu não ia estragar a alegria do homem. Muito menos dizer que eu já tinha passado batido por vários pedidos de carona pelo caminho. Não agora, que ele já tinha me conferido esse upgrade de blogueiro peripatético para enviado de Deus.

 

 

(Continua no post abaixo)

Escrito por Ricardo Freire às 10h47
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A bem da verdade, Deus talvez esteja por trás do que aconteceu na minha primeira passagem por Galinhos. Eu tinha comprado um passeio de jipão entre Natal e Fortaleza. Naquele tempo (2001) esses passeios não passavam por Galinhos, mas eu fiz questão que passasse. Nosso jipão não apenas passou por Galinhos, como quebrou em Galinhos – o que nos obrigou a passar a noite por lá.

 

 

A quebra foi providencial. Graças a ela eu pude ver o pôr-do-sol em Galinhos (em janeiro, é ainda mais bonito, porque o sol desce diretamente no mar, e não atrás da duna, como desta vez). E pude me apaixonar por essa península de areia onde se chega ou de jipão, ou de barquinho (de barquinho é mais bacana).

 

 

Tudo por aqui é rustiquinho e arrumadinho e sincero. Na maré alta a praia forma uma piscininha natural que atrai os nativos (nativo sabe das coisas, e só pega praia quando a praia é boa – tem piscininha, é de lagoa ou de rio).

 

Comi vôngole com coentro. Vi as jangadas voltando ao pôr-do-sol. Dormi numa pousada charmosíssima, o Chalé Oásis (ainda vou falar dela outro dia). Tive que prosseguir viagem.

 

 

Por quê?, eu pergunto. Por que eu sempre chego atrasado e não posso ficar mais tempo sem fazer nada em Galinhos?

 

 

Vamos fazer assim, Deus – da próxima vez, me envia pra ficar uma semana, falou?



Escrito por Ricardo Freire às 10h36
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Expedição Pé-na-areia: 30º. dia

Quando: 13 de outubro, quinta

Onde: de Galinhos a Natal, passando por Gostoso e Touros

Rodados: 302 km

Ia dormir em Touros: mas não gostei da pousada que ia testar e puxei o carro até Natal

Trilha sonora: Gilberto Gil, As Canções de Eu, Tu, Eles

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada divertida em Ponta Negra, Natal

Sonho de consumo: um lava-jato! pelamordedeus!

Gourmet acidental: tapioca de doce de leite com queijo, na tapiocaria Casa de Taipa

DataCoco: R$ 1,80, na tapiocaria Casa de Taipa

 

Desisto: é a quarta vez que eu passo em São Miguel do Gostoso, e o mar sempre está assim, café-com-leite

Escrito por Ricardo Freire às 10h26
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Comentando os comentários

Zé Roberto, putz, não vi que dava para cortar o caminho para a Ponta do Mel entrando por Tibau e pegando a balsa para Grossos. Obrigado pela dica, vou colocar no guia.

 

Eduardo Luz, bom te ver de volta! Eu vou atacar a atualização do Viaje na Viagem de papel assim que voltar desta expedição – isto é, depois de ter transformado essa gincana num livro-guia. Mas do final do ano que vem não passa...

 

Luciano, fiquei uma semana em Fortaleza – se tivesses entrado antes no blog, a gente podia ter se conhecido. Te digo uma coisa: quando vi que o Vítor Ramil era pop em São Luís, achei que só podia ser obra tua!

 

Sarah, a matéria na Viagem & Turismo da qual você é co-autora sai na edição de novembro.

 

JB, é, eu esqueci de corrigir o título do 27º. dia da expedição. Mas depois resolvi deixar assim mesmo, como souvenir da pane tipográfica (e para dar sentido aos comentários que fizeram troça do sânscrito).

 

Fábio, eu falo da Maria Rita no post imediatamente abaixo. Dá uma roladinha na página...

 

Foi você que pediu para passar o sal?



Escrito por Ricardo Freire às 10h24
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Das coisas que a gente perde por viajar

A Mira, que me lê desde os tempos do Jornal da Tarde, me manda um e-mail para falar maravilhas do novo show da Maria Rita no Palace (eu sempre vou chamar aquilo de Palace), que eu perdi por estar a 4.000 km de distância.

 

E pergunta se eu não vou comentar o barraco da Veja contra ela.

 

Bem, Mira, acho que essa matéria não foi nada, se comparada ao silêncio da revista quando o primeiro disco foi lançado. Durante dois anos foi como se Maria Rita não existisse. Na época (ops) do lançamento, a seção de música da Veja botou matérias sobre a Chrissie Hynde (é assim que se escreve?), sobre turnês malsucedidas do Chico César na Europa, sobre qualquer coisa, menos sobre Maria Rita.

 

Maria Rita não apareceu nem no obituário do Tom Capone – que morreu em Los Angeles quando foi receber um Grammy pelo disco dela. A Veja só escreveu que Tom Capone era produtor do Skank.

 

Isso não impediu que o CD de Maria Rita vendesse 750.000 cópias – o que demonstra com precisão o tamanho da influência da seção de música de Veja nas decisões de consumo da classe educada deste país.

 

Maria Rita tem marketing? Claro que tem. Tudo tem marketing. Até os Racionais MCs têm marketing – o marketing deles é justamente não ter marketing.

 

Eu, por acaso, participei do marketing de Maria Rita – na parte de anúncios e comerciais, não na parte de distribuição de brindes ;-) Mas muito antes de ter tido a felicidade de participar de uma campanha de Maria Rita (quem dera que tudo o que eu precisei anunciar na vida tivesse a qualidade de Maria Rita), eu já era fãzaço.

 

 

Sou fã de Maria Rita muito antes de ela ter gravadora, agência de propaganda ou gênios do iPod. Maria Rita estava aí para quem quisesse descobrir. O problema da música brasileira não é o marketing dos artistas. É uma certa imprensa que não tem capacidade para descobrir os artistas antes de eles terem marketing.

 

Role a página, que eu republico uma Xongas antiga, muito antes de Maria Rita gravar com Milton Nascimento ou ter seu próprio disco. É uma crônica em que eu praticamente reclamo do fato de Maria Rita não ter marketing – “Não cabe a ninguém questionar os motivos que levaram Maria Rita a se revelar para o mundo num pequeno show em que seu nome quase não é creditado”. Dá uma olhadinha, vai.

Escrito por Ricardo Freire às 10h19
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Maria Rita sem marketing

Este texto foi publicado no Jornal da Tarde há três anos –  em 23 de outubro de 2002.

 

Maria Rita vive

 

É tudo muito estranho, oblíquo, escamoteado. Primeiro você passa na bilheteria do Supremo e diz que quer comprar ingressos para o show do 'Chico Pinheiro'.

 

Chico Pinheiro, é bom que se esclareça, é uma revelação; um exímio violonista; um talentoso compositor. No entanto, naquele momento, e para pessoas como eu, Chico Pinheiro é uma senha, um código de acesso.

 

O bilheteiro provavelmente vai dizer que só existem lugares para dali a duas segundas-feiras. (O fato de o show só acontecer às segundas-feiras, mesmo sendo tão procurado, deixa tudo ainda mais misterioso.)

 

Se você insistir, porém, talvez ele libere os lugares que ficam atrás do bar, entre o balcão e a parede, num vãozinho em que o Supremo instala umas cadeiras de lata para os que não agüentam esperar mais uma semana.

 

Antes de lhe vender esses lugares, o bilheteiro desce com você até o porão onde funciona o Supremo Musical e mostra onde ficam esses lugares atrás do bar. Você descobre que vai precisar passar por baixo do balcão, então desviar do barman e por fim esticar o pescoço para ver quem está tocando ou cantando atrás da pilastra.

 

Mas você já chegou até ali, e não é uma pilastrinha à-toa que vai impedir que você finalmente testemunhe o que está por trás da senha 'Chico Pinheiro' e que se revela somente às segundas-feiras, para pouquíssimos privilegiados, num porão dos Jardins.

 

Quando você voltar na segunda-feira, vai encontrar uma platéia compenetrada, que em nenhum momento vai dar bandeira de que está ali por algum motivo que não assistir a um jovem violonista e suas duas jovens cantoras convidadas.

 

A platéia aplaude entusiasmadamente o primeiro número, instrumental, e recebe com carinho Luciana Alves, uma cantora tão afinada quanto delicada, que interpreta as duas ou três canções seguintes.

 

E só então, lá pela quarta ou quinta música, Chico Pinheiro chama sua segunda convidada, devidamente apresentada como "a irmã de um amigo" seu.

 

Pois muito bem: por mais que você saiba que vai ver e ouvir a filha de Elis Regina, você jamais estará preparado para a emoção de ver e ouvir Maria Rita Mariano pela primeira vez.

 

Quando Maria Rita começa a cantar -- mesmo que você esteja, como eu, atrás da pilastra -- você deixa de assistir a um show de música e entra num transe difícil de desconstruir por escrito. Você não imaginava que um dia sentiria essa emoção outra vez. Você não sabia que estava esperando há vinte anos por essa noite.

 

É impossível ver Maria Rita e não tentar buscar explicações na religião ou no sobrenatural -- mesmo que a sua religião ou o seu sobrenatural se chamem DNA.

 

Ouvindo Maria Rita você descobre por que os vinhos excepcionais saem de vinhedos demarcados. Você repentinamente entende o que está por trás do estabelecimento de dinastias.

 

Não cabe a ninguém questionar os motivos que levaram Maria Rita a se revelar para o mundo num pequeno show em que seu nome quase não é creditado. Vai ver que é assim que fazem com os pequenos lamas em Lhasa e Katmandu.

 

A platéia se comporta até o fim como se estivesse assistindo a um show de música normal, e aplaude até solo de baterista. Atrás da minha pilastra, atordoado, eu ainda não entendi direito o que acabei de presenciar. Obrigado, Chico Pinheiro. Bem-vinda, Maria Rita.

Escrito por Ricardo Freire às 10h15
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Expedição Pé-na-areia: 29º. dia

Quando: 12 de outubro, quarta

Onde: da Ponta do Mel (RN) a Galinhos (RN)

Rodados: 290 km

Voltas e mais voltas: em linha reta, eu não teria rodado mais do que 100 km

Trilha sonora: Manu Chao, Clandestino; Paula Toller (disco solo da kid-abelha que tem a versão original de “Well well Gabriel”); Mart’nália, Pé do meu samba

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousadinha excêntrica e charmosa (tô preparando um post sobre ela)

Gourmet acidental: búzios (vôngole, em paulista; amêijoas, em portuga; berbigões, em catarina) refogados com muito coentro, hmm, delícia, na praia da pousada Brésil Aventure

DataCoco: no coco today

 

Não desligue: amanhã eu posto mais fotos do pôr-do-sol em Galinhos



Escrito por Ricardo Freire às 17h47
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Efeito retardado

Minha missão na Ponta do Mel era fotografar... uma vista. Quando eu passei pela Pousada Costa Branca, em janeiro de 2004, chovia sem parar. E eu precisava da imagem daquela piscina sobre aquela praia – que é exatamente o que faz da Ponta do Mel uma parada obrigatória no roteiro de quem está indo de Natal a Fortaleza (ou vice-versa) de jipão pela beira da praia.

 

 

Eu ainda tinha um tempinho antes do pôr-do-sol, então resolvi ir às Dunas do Rosado, que ficam ali perto. A moça da recepção me falou que eu não precisaria de bugue – poderia ir com o Blogmóvel pela estradinha de terra paralela à praia.

 

Pois bem. Foram alguns dos 10 km mais angustiantes da viagem – eu morrendo de medo de atolar a qualquer momento.

 

 

Parei quando cheguei perto das dunas. Não tive coragem de subir mais um pouquinho pela estrada.

 

 

Voltei com a sensação de que todo aquele stress não tinha servido para nada.

 

Mas daí eu cheguei no quarto, “revelei” as fotos e... caramba! Que lugar é esse onde eu fui? Fica na Terra mesmo? E o mais importante: de que raça são essas vaquinhas que pastam areia?



Escrito por Ricardo Freire às 17h44
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Expedição Pé-na-areia: 28º. dia

Quando: 11 de outubro, terça

Onde: de Canoa Quebrada a Ponta do Mel, passando por Icapuí

Rodados: 250 km

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousada com vista na Ponta do Mel

Gourmet acidental: pastel requentado em microondas num posto em Mossoró (pra você ver o que é a fome)

Quem mandou elogiar: na minha última visita, meu çaibercafé favorito de Canoa Quebrada transformou meu dossiê num amontoado de hieroglifos (sim, eu falo hieroglifos, sem acento no o)

Pane tipográfica!: role a página, que eu já corrigi tudim

DataCoco: grátis, na qualidade de drinque de boas-vindas da pousada Costa Branca

 

A praia da Redonda, em Icapuí, merecia ser patrocinada pela Skol



Escrito por Ricardo Freire às 10h24
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Canoa Quebrada: consertou

Agora eu sei. Tudo é possível: a Amazônia secar, o São Francisco ser transposto, talvez até o Lula ser reeleito. Repito: tudo é possível. Agora que eu gostei de Canoa Quebrada, não duvido mais de nada.

 

 

Ir a Roma e não ver o papa é como vir a Canoa Quebrada e não fotografar o logotipo esculpido na falésia

 

Tive por Canoa Quebrada um caso seríssimo de antipatia à primeira vista. Foi em 2000. Fiquei assustado com a sujeira, a feiúra, a bagunça. Peguei pesado. Chamei Canoa de “favela esotérica” no Freire’s de papel. Não, eu não conseguia descrever o lugar como “rústico”. Se eu tivesse que escolher algum adjetivo, seria “nojento”.

 

 Há quem diga que a urbabização é idéia de jerico; eu não acho não

 

Estava claro que alguma coisa precisava ser feita para salvar Canoa Quebrada. E, para minha surpresa, sim, alguma coisa foi feita. O Banco Mundial injetou recursos e o vilarejo ripongo do alto da falésia foi inteiramente urbanizado. Um pouco disso já estava pronto na minha última passada, em janeiro de 2004 (botei no Freire’s online – “Canoa Quebrada: em manutenção.”). Mas agora parece que Canoa definitivamente já voltou do conserto.

 

 Canoa estava quebrada, mas dai apareceu o Banco Mundial e...

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h58
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A rua principal da vila, a Broadway, ganhou um calçadão de pedras portuguesas e foi rebatizada de Rua Dragãoo do Mar. (Dragão do Mar, é bom lembrar, foi um abolicionista cearense que nasceu aqui.) As ruelas de areia foram calçadas com paralelepí­pedos. Instalou-se uma rede de esgoto. E uma passarela foi construída­ no alto da falésia, abraçando o -- digamos assim -- perí­metro urbano, e criando um mirante que a vila não tinha.

A primeira impressão é bem esquisita -- para quem conheceu Canoa antes, é tudo muito artificial. Mas dois dias depois eu já estava acostumadíssimo -- e gostando. Pensando bem, daqui a dez anos as pedras portuguesas e os paralelepí­pedos vão parecer que estão aqui desde o século passado ;-)

 

 

Mirante à  parte, o jeitão ripongo de Canoa está preservado: não há sinais da chegada do design por aqui. As pousadas mais antigas, como a Tranqüilândia e a Oásiis do Rei, já adquiriram um charme vintage que não foi prejudicado pelo advento do ar-condicionado (mas se vocè quiser, pode pegar um quarto só com ventilador). Come-se bem, e barato, em qualquer restaurante da Broa... perdão, da Dragão do Mar.

 

 

 

A noite de sábado é uma loucura -- a Broadway (não adianta, todo mundo continua chamando de Broadway) vira uma boate a céu aberto, misturando o som de dez bares que tocam do reggae ao forró ao funk carioca. Eu cheguei justamente no sábado, e reparei no grande número de estrangeiros com suas recém-adquiridas namoradas (com pigarro, por favor) cearenses. Pensei que Canoa estivesse indo pelo mesmo caminho da Praia de Iracema. Mas não: no domingo, todos os gringos bem-acompanhados-demais já tinham sumido. Devem vir de Fortaleza só para curtir os embalos do sábado à  noite de Canoa.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h52
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Pelo que conversei aqui e ali, no entanto, a vila está passando por um difícil processo de transição. De um lado, a urbanização da vila afastou alguns de seus fãs mais hardcore. De outro, Canoa ainda não foi descoberta por um novo público. "Falta divulgação", me disse o gaúcho que toma conta de um dos çaibercafés. Opa. Falta divulgação? Xá comigo.

 

 

Vai por mim: não venha a Canoa Quebrada naquele bate-e-volta da farofa organizada das agências de receptivo. A viagem é cansativa (duas horas em cada perna), você nem sempre chega na hora boa para fazer o passeio de bugue (a maré precisa estar baixa), e o busão volta antes da vila começar a funcionar (a Broadway só é a Broadway à  noite).

 

 

Venha para ficar pelo menos uma noite. As pousadas são bem em conta -- na baixa temporada, as melhores não custam mais do que 100 pilas. Não passe o dia nas megabarracas que tapam as falésias -- ei, se é para não ter a visão da falésia, pegue praia em Fortaleza. Ande para o leste (direita), e logo vão aparecer as barracas mais transadinhas, como o Freedom Bar, a Lazy Days e o Café della Praia. Coma levinho. Deixe para jantar legal mais tarde, na Broadway.

 

Em Canoa Quebrada, nem toda vela é de jangada

 

No dia seguinte, talvez você faça as contas. Xô ver... 100 reais por dia... 50 reais por cabeça... É o que custaria qualquer passeio organizado... ahn... pensando bem... benhê, vamo ficar mais uma noite?



Escrito por Ricardo Freire às 09h51
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Expedição Pé-na-areia: 27º. dia

Quando: 10 de outubro, segunda

Onde: Canoa Quebrada

Tempo: ensolarado

Hospedagem: uma terceira pousada em Canoa

Visitas ao çaibercafé: quatro

Gourmet acidental: peixe assado com legumes no Natural Bistrô

DataCoco: ih, esqueci de pedir coco

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h50
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Fotoblog: Praias do Ceará

Existem as praias convencionais – enseadinhas emolduradas por coqueiros plácidos e refrescadas por brisas bem-comportadas.

 

Canoa Quebrada

 

E existem as praias do Ceará: áridas, dramáticas, monumentais, varridas por ventos rebeldes, situadas ao pé de dunas e falésias que parecem ter vida própria.

 

Canoa Quebrada

 

As praias convencionais podem ser encontradas nos quatro cantos do mundo. As praias do Ceará, só aqui. (Está bem: um pouquinho no Rio Grande do Norte, também.)

 

Morro Branco

 

Enquanto eu termino meu campo em Canoa Quebrada, deixo com vocês um albinho de postais cearenses para iluminar essa segunda-feira. Alguém aí conhece um bom protetor solar fator 50 que contenha na fórmula alho e sal grosso?

 

Jericoacoara

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h51
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Lagoinha

 

Icapuí (foto de janeiro de 2001)

 

Canoa Quebrada

 

Praia das Fontes

 

Lagoinha (foto de junho de 2000)

 

Jericoacoara (foto de junho de 2000)



Escrito por Ricardo Freire às 09h51
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Gerardo Bastos, onde um slogan é um slogan

Eu não sei se já tinham me chamado a atenção para isso, ou se eu mesmo já tinha notado das outras passadas. Mas fui ao Google e descobri que muita gente se diverte com o slogan da rede de oficinas Gerardo Bastos, de Fortaleza, “onde um pneu é um pneu”.

 

 

Tão exótica quanto a formulação da frase é a estratégia de mídia: Gerardo Bastos patrocina placas de rua no Ceará e no Rio Grande do Norte. Fotografei essas placas em Morro Branco, perto do Labirinto das Falésias. Elas lembram o motorista que, caso fure um pneu do seu carro, ele está a apenas... 85 km de Fortaleza, onde estão as lojas GB.

 

 

O slogan é sensacional: não contém as famigeradas palavras “qualidade” ou “tecnologia” – e nem parece ter saído de algum manual de auto-ajuda, como ultimamente anda na moda. E, acima de tudo, é intransferível. “Onde um pneu é um pneu” é só do Gerardo Bastos. Nunca vai ser do D. Paschoal, por exemplo. Ou do Ricardo Freire. Para ser meu, o slogan teria que ser sensivelmente modificado: “Onde um pneu pode ser uma pequena protuberância lateral no abdômen”.



Escrito por Ricardo Freire às 09h35
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Troglodita acidental

Descobri um hotelzinho muuuuuito bacana na Praia das Fontes (aguardem! vai estar no guia em dezembro). Eram duas da tarde, eu ainda não tinha comido nada. Pedi uma porçãozinha de patolas de caranguejo. Uma delícia. Lá pelo fim das patolas, reparei na decoração do prato. Três folhas de alface romana roxa! Debaixo dos restos mortais de patolas e do potinho de maionese! Mas peraí. Eu é que não vou desdenhar três belas folhinhas de alface romana roxa crocante. Não nessas lonjuras em que salada é a raridade das raridades.

 

Senhores passageiros: comi a decoração.

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h31
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Expedição Pé-na-areia: 26º. dia

Quando: 9 de outubro, domingo

Onde: Morro Branco, Praia das Fontes e Canoa Quebrada

Rodados: 180 km (de Canoa a Morro Branco, ida e volta)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: outra pousadinha em Canoa

Trilha sonora: Jorge Drexler, Eco; Zélia Duncan, Pré-pos-tudo-bossa-band (quanto mais eu ouço, mais eu gosto)

Felicidade de blogueiro peripatético: é achar um çaibercafé tão rápido quanto o Falô, de Canoa Quebrada

Gourmet acidental: creme de abacate no Feitiço da Lua, em Canoa

DataCoco: R$ 1 (Labirinto de Falésias, Morro Branco)

 

Labirinto de Falésias, Morro Branco



Escrito por Ricardo Freire às 09h29
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Pinga-pinga: costa oeste do Ceará

Para boa parte dos turistas que vêm a Fortaleza, Fortaleza não existe. Fortaleza é só uma cidade-dormitório (convenientemente equipada com uma feirinha de artesanato bem à mão) de onde se pode partir em passeios a praias próximas, tanto a leste quanto a oeste. (Devo dizer que acho chiquérrimo isso de o Ceará ter Costa Leste e Costa Oeste.)

 

Quer minha opinião sobre essas praias? Pois não. A gente tá aqui é pra isso mesmo. Hoje em cartaz: praias próximas a Fortaleza na direção oeste.

 

 

As praias do oeste (ou da “Costa do Sol Poente”) podem ser alcançadas pela rodovia CE-085, mais conhecida como Estruturante (vai saber) – uma estrada turística, virtualmente sem caminhões, com asfalto em bom estado, com saída facílima para forasteiros que só dominam a Beira-Mar (venha pela avenida Abolição, passe pelo Dragão, chegue em frente ao hotel Marina Park e pronto, você praticamente já está na estrada).

 

 

O Cumbuco (30 km de Fortaleza) não é apenas uma praia – é um shopping de atividades peripatéticas. Aqui você pode passear nas dunas; tomar banho em quatro lagoas; andar de bugue; alugar um quadriciclo; andar a cavalo; passear de jangada; ser abduzido por uma nave espacial (ops, essa última acho que ainda não). Se você não estiver interessado nos passeios, nem se dê ao trabalho de aparecer. Primeiro, porque existem praias mais bonitas – a água do mar do Cumbuco é meio turvinha até nesta época em que o Ceará inteiro parece estar azul ou verde. E depois porque, se você não quer andar de bugue nem de quadriciclo nem a cavalo nem de jangada, o Cumbuco vira um sério candidato ao título de L.M.I.D.M. – o Lugar Mais Insuportável Do Mundo –, devido ao assédio comercial dos vendedores de passeios.

 

(Só para você saber: os vastos terrenos entre o vilarejo e a duna estão na mira de grandes grupos hoteleiros internacionais, como os SuperClubs – donos da marca Breezes –, que começam a anunciar a construção de resortões para os próximo anos.

 

 

A Taíba (60 km de Fortaleza) é uma parente um pouco menos bonita da Lagoinha, que vamos ver na seqüência. Seu cantinho direito, com pedras e coqueiros, é fotogenicíssimo. Se você vier para ficar, aproveite para almoçar no restaurante francês Volta ao Mundo, onde quase tudo é uma boa desculpa para um molho de escargots (tel. 85/3315-6053).

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 09h58
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A praia da Lagoinha (100 km de Fortaleza) faz a alegria de qualquer fotógrafo. Porque, se não bastasse o cantinho direito primo da Taiba (e ainda mais bonito, por ter a dunazinha cor de laranja, por ser menos tropical e mais jardim-japonês-com-bonsai-gigante – ei, eu escrevi isso, BONSAI GIGANTE? Deus!), ainda tem as dunas brancas do lado esquerdo, e as jangadas que vêm e vão. Ah, sim: tudo isso observável de dois mirantes pelo caminho (um oficial, ao lado da pousada Maravista, e outro não-demarcado, em frente ao hotel Platô).

 

 

Uma vez na areia, porém, parece o Cumbuco: um festival de insistência para você alugar um quadriciclo (R$ 25 cada meia hora) para ir dirigindo sozinho até a lagoa ou, na maré baixa, até Mundaú (deve sair uma pequena fortuna). Apesar de linda, a praia não é muito gostosa – areia dura, mar longe. O bacana mesmo é pegar praia em outro lugar (Fleixeiras, ou Taíba), chegar lá pelas 4, quando a luz está lindíssima, e ficar para o pôr-do-sol, que é absolutamente deslumbrante – principalmente quando assistido do restaurante da pousada Maravista.

 

Foto tirada em junho de 2000; nesta passada não fiquei até o pôr-do-sol (e se tivesse ficado, não haveria essas nuvens nesta época)

 

(A Lagoinha também vai ganhar um resortão, só que português.)

 

Em Mundaú (130 km de Fortaleza), a barra do rio Mundaú forma uma linda enseada de águas verdes, emoldurada por dunas altas – uma paisagem que de vez em quando é enfeiada por grandes barcos de passeio.

 

Foto tirada em dezembro de 2003; desta vez o rio não estava cheio assim não.

 

Dez quilômetros antes, Fleixeiras tem o melhor banho da região – e restaurantes simpatiquinhos que funcionam como barracas de praia.

 

 

Quer uma sugestão? Quando for, alugue um carro entre quatro amigos (sai mais barato do que pagar os passeios da operadora), e escolha entre essas duas combinações: Mundaú-Fleixeiras-Lagoinha ou Taíba-Lagoinha. E não se esqueça de deixar uns dias para curtir Fortaleza – sim, existe uma cidade além daquela feirinha.

 

Para quem fica em Fortaleza: à esquerda, barraca CrocoBeach; à direita, Cabumba (meio GLS, e quase sem cadeiras de plástico)



Escrito por Ricardo Freire às 09h56
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Expedição Pé-na-areia: 25º. dia

Quando: 8 de outubro, domingo

Onde: pinga-pinga por praias do Ceará

Rodados: 580 km

Parece taxista: saí de Fortaleza, fui fotografar praias do oeste, dormi no leste

Tempo: ensolarado

Hospedagem: pousadinha clássica de Canoa Quebrada

Trilha sonora: Adriana Partimpim, Timbalada (Vamos dar a volta no Gheto – ao vivo), meu chapa Rodrigo Leão (Vira Lata, elogiadão pelo Nelson Motta)

Decepção: o rio Mundaú, que está rasinho, rasinho

Gourmet acidental: fideuá – macarrão cabelo de anjo em tinta de lula com camarões grandões – no espanhol Costa Brava, em Canoa

DataCoco: serve Red Bull? R$ 8 num posto de gasolina

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h55
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Voltei

Pro meu Cariri no primeiro pau-de-arara!

 

Hoje vou passar o dia revisitando as praias da costa oeste que eu pulei na vinda a Fortaleza. E caso consiga, já vou dormir em Canoa Quebrada, que vou fazer de base para revisitar as praias do leste.

Senhores passageiros: declaro reiniciada a Expedição!



Escrito por Ricardo Freire às 06h37
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Próxima parada: televisão (!)

Interrompi a Expedição Pé-na-areia por quatro dias em função de uma outra viagem: me convidaram para participar de um programa de TV.

Tipo assim – na frente das câmeras.

 

O programa se chama Planeta Cidade, é ancorado pelo Cesar Giobbi, tem direção do Ninho Moraes e estréia dia 21, uma sexta à noite, na TV Cultura de São Paulo.

 

A minha coluna se chama O Turista Urbano. Nesse meu interregno (!) paulistano, consegui deixar três matérias gravadas.

E posso garantir uma coisa: os outros quadros do programa são protagonizados por pessoas que sabem o que estão fazendo.



Escrito por Ricardo Freire às 06h35
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Luzia: os detalhes

Confirmado – o Luiz Gabriel foi, sim, o primeiro a levar a crônica da Época para a Luzia ler, lá no Canto do Atins. Nas palavras dele:

 

“Foi de primeiríssima mão. A Luzia ficou muito emocionada, lembrou-se de você e disse que a sua visita tinha acontecido há poucos dias.

 

Um dia antes de ir até a Luzia, procurei a Época numa banca em Barreirinhas, mas a revista estava esgotada em razão da matéria. Daí fui obrigado a tirar xerox da página. Tenho então um xerox da matéria onde ela assina: ‘Luzia... Ricardo muitíssimo obrigado, 28/9/05’.

 

Se você tiver um fax, posso lhe enviar!”

 

Sim! Eu quero!

 

“Valeu a pena, uma coisa simples que nos trouxe muito prazer! O camarão estava delicioso e ainda pedimos um peixe grelhado à moda da Luzia, muito bom também!”

 

Vera Lúcia Gabriel, a Luzia e o Luiz Gabriel

 

(Se você não viu a crônica na Época, clique aqui.)

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 06h29
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Luzia!

Acordei e encontrei um presentão na minha caixa postal: essa foto, enviada pelo Luiz Gabriel, leitor da Época, que, atendendo a um pedido que eu fiz na Xongas, foi levar a crônica para a Luzia ler.

 

 

Estou louco para saber mais detalhes – se ele foi o primeiro a levar a revista até a Luzia, se ela já tinha ouvido falar da crônica, e se o Luiz e a sua esposa gostaram tanto do camarão da Luzia quanto eu.

 

(Do texto, modéstia às favas, o pessoal gostou – a crônica foi campeã de cartas da semana...)

 

Assim que eu tiver mais detalhes, updeito aqui.

Escrito por Ricardo Freire às 09h11
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Nublado, chuviscandinho

Em São Paulo é sempre assim. Todo mundo passa o inverno estranhando o calor. E entra a primavera reclamando do frio.

Posso bater de novo na mesma tecla? Com licença.

 

 

 

Ainda vou publicar um livro desmistificando o clima dessa cidade. Já tem título: “As duas estações”. Porque é o que temos disponível no estoque. E essas duas estações não se chamam nem primavera, nem verão, nem outono, nem inverno. Elas se chamam: seca e chuvosa. E ponto.

 

O que se convencionou chamar de inverno pertence à estação seca, que começa no que se convencionou chamar de outono. E, salvo durante frentes frias vindas da Argentina, o clima da estação seca é quente de dia, ameno à noite.

 

Já o que os poetas chamam de primavera é o que os meteorologistas deveriam chamar de início da estação das chuvas. E quando chove, por aqui, esfria. Simples assim.

Mas amanhã eu volto pro Ceará, um lugar meteorologicamente bem-resolvido, onde todo mundo sabe que o verão começa em julho e termina em dezembro ;-)



Escrito por Ricardo Freire às 08h52
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Expedição Pé-na-areia: Intervalo

Quando: 5 de outubro, quarta

Onde: São Paulo

Tempo: nublado, chuviscandinho

Hospedagem: minha casa

Trilha sonora: Certos acordes, o disco branco da Marina, enfim relançado em CD

Gourmet acidental: banquete viet-thai no East, comemorando vários aniversários na família

Mundo pequeno: encontrei o Washington (Olivetto) no restaurante sem combinar, e descobri que ele é desses que entram mas não comentam ;-)

DataCoco: R$ 3,99 (caixona tetra-pack da Kerococo que eu estoquei aproveitando uma promoção no Pão de Açúcar)

Previsão de retomada da Expedição: sexta-feira

 

O que será que eu fui fazer no... Cemitério da Consolação?

Escrito por Ricardo Freire às 08h50
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Tupi: um update

 

Descobri em minhas andanças cearenses essa bela locução tupi: neon açu. Não perguntei para ninguém, mas não há dúvidas de que signifique “luminoso grande”. Já reparou quanto neon açu tem na Marginal Pinheiros?

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h08
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Expedição Pé-na-areia: Intervalo

Quando: 4 de outubro, terça

Onde: São Paulo

Tempo: de ensolarado a nublado

Hospedagem: minha caminha

Trilha sonora: Vagamente, bossa histórica de Wanda Sá

Terça insana: trampo, burocracia e mais trampo

Gourmet acidental: o bacalhau com natas da Ana Carolina

DataCoco: R$ 3,99 (caixona tetra-pack da Kerococo que eu estoquei aproveitando uma promoção no Pão de Açúcar)

Previsão de retomada da Expedição: sexta-feira (já marquei a passagem)

 

O que será que eu fui fazer em... São Miguel Paulista?



Escrito por Ricardo Freire às 09h07
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Propaganda enganosa

Se você passou aqui mais cedo, já deve ter visto a foto deste post no post imediatamente abaixo. Tirei a foto de lá e trouxe pra cá porque só agora eu lembrei o que queria fazer com ela.

 

Negó seguim. Depois de muito tempo, eu me vi hóspede de um resort no auge da lotação. No caso era o Beach Park, em Fortaleza, mas poderia ter sido qualquer outro resortão. Naquele fim de semana o hotel estava tomado por (a) uma convenção e (b) um enxame de crianças. O alto-falante da piscina zunia feito uma britadeira. Só existem duas razões no mundo para você se submeter a um ambiente desses. Ou você (a) tem filhos a entreter, ou (b) um site de praias a atualizar.

 

 

Só que, a poucos passos de distância, a praia do resort oferecia uma dúzia de espreguiçadeiras chiquérrimas, com esse toldo de (a) carruagem, (b) carrinho de bebê ou (c) capuz de bruxa (você decide). Tirei fotos. Ficaram lindas. E agora, já viu: toda vez que eu incluir o resort do Beach Park em alguma lista, essa linda foto tem grande chance de aparecer.

 

E então eu vou precisar esclarecer em algum cantinho: a foto é de verdade. Só que a coisa não é bem assim. Ah, não é mesmo. Não tá ouvindo o barulho da convenção?

Escrito por Ricardo Freire às 21h58
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Fortaleza: em busca da megabarraca perfeita

Foi em Fortaleza, em meados do século passado (janeiro de 1983, para ser mais exato), que eu fui apresentado ao conceito nordestino de barraca de praia. Como assim: não precisa levar cadeirinha de casa? As cadeiras já estão na praia, esperando a gente? (Se não me engano, naquele tempo os barraqueiros do Rio ainda não alugavam cadeirinhas.) E não precisa nem pagar nada pra usar? É só pedir uma cervejinha e fica por isso mesmo? O quê? O dono da barraca que te deu a cadeirinha grátis não se importa se você comprar coco ou queijo coalho do ambulante que passar?

 

Fiquei encantado. Aquilo, sim, era serviço.

 

Durante a década de 90, no entanto, meu encantamento inicial foi sendo substituído por um crescente desgosto, à medida em que as cadeirinhas de madeira foram sendo substituídas por cadeiras de plástico. Quem me lê há algum tempo sabe da minha aversão a plástico na areia. Desde então eu escolho o lugar em que vou ficar na praia pela cadeira. Fico onde tiver cadeirinha de madeira.

 

 A barraca ao lado do Beach Park tem seu próprio coqueiral; a do hotel Vila Galé é a mais tranqüila

 

Em Fortaleza, desde que comecei a fazer o guia, eu tinha endereço certo na areia: ia direto para a barraca Biruta – que, além de não ter cadeiras de plástico, tinha a freqüência mais bonita da Praia do Futuro. Só que a Biruta fechou. E eu precisava descobrir um lugar novo para indicar no guia.

 

O Chico do Caranguejo, famoso pela caranguejada das 5as., tem parquinho aquático e armários com cadeado

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 15h14
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A Bruna já tinha solucionado o meu problema, indicando uma barraca moderninha que abriu em março, a Lounge Beach. Mesmo assim, eu precisava fazer meu dever-de-casa, dando uma geral na cena, digamos assim, barraqueira, de Fortaleza.  

 

A CocoBeach tem um bom buffet de almoço e um tobogãzinho na piscina infantil

 

Fiquei besta. Nos últimos anos, enquanto eu batia ponto na Biruta, as barracas de praia de Fortaleza foram se transformando em verdadeiros clubes de praia, com restaurantes imensos, palcos para shows, playgrounds, mini-parques aquáticos.

 

A Atlantidz é um pedacinho de Las Vegas que veio dar na Praia do Futuro

 

Mas o fato de ter ficado besta não quer dizer exatamente que eu gostei ;-)

 

A América do Sol tem três shows de música no domingo; a Itapariká tem o maior parquinho aquático

 

Conforme eu já tinha previsto, a barraca que eu gostaria mais de freqüentar é a Lounge Beach, que tenta trazer ares tropezianos/ibizenhos à Praia do Futuro, com tendas, sofás, colchonetes redondos, sushi e música à la Café del Mar. Como turista, eu senti falta de um pouco mais de cor local – com exceção do cipó dos sofás e das espreguiçadeiras, não havia nenhum indício de que estávamos no Brasil.

 

Barraca Lounge Beach

 

(Pensando bem, havia: à esquerda da Lounge Beach fica uma zona de barracas simples, freqüentadas por uma multidão que nunca ouviu falar em Ibiza, como os romeiros piauienses que o Zé Gerardo me contou que estavam voltando de Canindé.)

 

 

Posso dar uma sugestão? Na próxima repaginada, chamem o mesmo arquiteto da Vila Kalango de Jericoacoara...



Escrito por Ricardo Freire às 15h13
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Satisfação garantida ou sua dica de volta!

Estou muito orgulhoso dos meus leitores. Todas as dicas que deu tempo de eu conferir em Fortaleza eram (são) quentíssimas. Não perdi nenhuma viagem. E ainda faltou tempo para ir atrás de outras indicações bacanas, como o pôr-do-sol do Érico na foz do rio Cocó e as lagoas do Alexandre.

 

Quando eu voltar, na quinta ou na sexta, vou me dedicar às praias do oeste que pulei para adiantar a matéria de Fortaleza, e depois seguir adiante em direção a Morro Branco e Canoa Quebrada. Mas antes disso eu entro em contato reservado para saber do jeitinho certo que vocês querem que os seus nomes apareçam na reportagem.

 

Essa viagem está um luxo – estou não só bem acompanhado, como bem guiado!

 

 

Sirigado, com um d,  é badejo em cearês; Sirigaddo, com dois dês, é o restaurante que grelha esses filés altos de badejo e traz à mesa numa chapa com réchaud; delícia (dica do marido da Sandra)

Escrito por Ricardo Freire às 14h55
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Expedição Pé-na-areia: Intervalo

Quando: 3 de outubro, segunda

Onde: São Paulo

Tempo: ensolarado

Hospedagem: em casa!

Trilha sonora: Segundo, Maria Rita

Gourmet acidental: kratong tongs no Mestiço

DataCoco: R$ 3,99 (caixona tetra-pack da Kerococo que tinha estocado aproveitando uma promoção no Pão de Açúcar)

Previsão de retomada da Expedição: quinta ou sexta-feira

 

O que será que eu fui fazer no Brás?

Escrito por Ricardo Freire às 14h53
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Mistério

O que faziam os quase 50 ônibus de turismo popular com placas de Teresina (635 km a sudoeste), que eu vi estacionados juntinhos na Praia do Futuro? É só lazer, ou os pacotes incluem uma chegadinha no Beco da Poeira na segunda de manhã?



Escrito por Ricardo Freire às 00h41
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Expedição Pé-na-areia: 24º. dia

Quando: 2 de outubro, domingo

Onde: Fortaleza (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: acordei num resortinho, me mudei de tarde para um hotel básico e vou passar a noite num avião

Trilha sonora: Zélia Duncan, Pré-pos-tudo-bossa-band

Gourmet acidental: robalo grelhado com arroz de brócolis no Sirigaddo (dica do marido da Sandra); salada de carpaccio sobre casquinha de pizza na Coco Bambu (dica da Ana, do Thiago e da Bruna)

DataCoco: grátis (na compra de um Diário do Nordeste na barraca América do Sol, na Praia do Futuro)

Vou até ali buscar talões de cheques e já volto: vou passar três dias em São Paulo por conta de um projeto paralelo (não sei se posso revelar)

Não desligue: vou postando coisas que acabaram ficando para trás

 

Gringos descolados já descobriram a barraca Lounge Beach, na Praia do Futuro (dica da Bruna)



Escrito por Ricardo Freire às 00h33
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O tempo e o vento

Anteontem o Blogmóvel passou a noite com uma janela aberta. No estacionamento do Beach Park. Senhores passageiros: hoje posso dizer que sou o feliz proprietário de uma duna móvel.



Escrito por Ricardo Freire às 09h34
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Globalização

Seguindo uma dica do Thiago, passei na filial cearense do Boteco, um bar do qual eu já gostava muito na matriz, Recife, e que vai nessa onda paulistana de montar botecos inspirados no Rio das antigas.

 

 

No salão, uma roda de samba; no telão, Santos x Fortaleza. A seção de tira-gostos homenageia pratos de outros botecos famosos, de Fortaleza e do Brasil. Entre eles estava o feijão com nata do Docentes & Decentes, que a Ana tinha me recomendado (matando, desta maneira, duas dicas em uma). Espero que eles paguem royalties. Estava uma delícia: feijão-de-corda num molho de creme de leite, com nacos de queijo e bastante cebola desfiada. (Se botasse um pimentão, viraria comida mexicana!)

 

 

Então veja você. Eu fui à filial de Fortaleza de um boteco do Recife que segue a moda dos bares de São Paulo que imitam bares idealizados do Rio, e pedi um prato que o boteco do Recife copiou de um boteco de Fortaleza, cujo resultado me pareceu quase mexicano, e me fez lembrar que foi comendo coisas assim que a população americana ficou do tamanho que está hoje ;-)

Escrito por Ricardo Freire às 09h33
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Convicção

Amigos fortalezenses: vocês concordam comigo que o melhor banho de mar da cidade é na Prainha, com a água próxima às barracas e aquelas piscininhas que existem antes da maré encher?



Escrito por Ricardo Freire às 09h30
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Dona Rosa x Dona Elda

Eu estava lá no meu canto, relembrando o que é água de coco e aperfeiçoando minha teoria sobre o melhor lugar para entrar no mar em Fortaleza, quando a Dona Elda veio me oferecer coisinhas de renda. Sempre científico, perguntei se ela tinha toalhinha de bandeja de bilro. Ela tinha. Quanto? Cinco reais.

 

Na hora achei que tinha sido engambelado pela simpática Dona Rosa, na Emcetur, que tinha me vendido uma bem parecida por 10 reais. No entanto, os avançados recursos tecnológicos adotados pelo meu instituto permitem que se veja que sim, a bandejinha de Dona Rosa (à esquerda) é mais trabalhada e mais bonita que a de Dona Elda (à direita). Ou não?

 

Bem, provavelmente eu poderia levar as duas por bem menos do que me pediram. Mas eu só vou aprender a pechinchar depois que eu aprender a destrinchar caranguejo.

 

 



Escrito por Ricardo Freire às 09h28
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Feira x feira

Indo atrás de outra dica da Ana, fui conferir a Feira do Artefato, que todo primeiro sábado do mês é realizada nos “corredores” de um shopping aberto especializado em decoração, o Salinas (na avenidona que leva ao Porto das Dunas e às praias do leste).

 

A feira tem um pouquinho de gnomos e florzinhas demais, mas alguns expositores são muuuito bacanas. O stand de que eu mais gostei foi o da Regina Medeiros, que faz maravilhas com fibras naturais (como essas luminárias de barbante e resina, R$ 40 cada).

 

 

De lá, comi o feijão do Docentes no Boteco e passei na feirinha da Beira-Mar – aonde eu não ia desde... sei lá desde quando. Tem muita tralha e souvenir misturada com artesanato bom. As coisas não ficam tão bonitas quanto na Emcetur, não tem a criatividade da Ceart, e talvez bons pechinchadores devam conseguir preços melhores no Mercado Central. Mas tudo parece estar lá – e se você se arrependeu de não ter comprado aqui, ali ou acolá, ela fica só a cinco minutos de caminhada do seu hotel...



Escrito por Ricardo Freire às 09h24
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A dica do Riq

Aleluia! É a primeira vez que eu volto a Fortaleza para atualizar meu guia e o restaurante de que eu mais gostei da última vinda continua aberto. Da primeira vez tinha gostado do La Nuit, na Praia de Iracema; quando voltei, estava fechado. Então eu gostei de um lugar louquíssimo que abriu na praça do Dragão, o Café Kowalski, que fechou tão rápido que nem chegou a deixar rastro na Internet. Na terceira passada eu comi muitíssimo bem num restaurante... chileno (!!!), chamado O Careca da Patagônia, que fazia carneiros assados acompanhados por um purê de batatas apimentado que não era desse mundo. Fechou.

 

Na quarta vez eu adorei um restaurante que funcionava numa delicatessen, o Alimenta Bistrô (av. Dom Luís, 1112, em frente ao Shopping Buganvília, tel. 85/3267-5885). Fiquei até meio chateado de ter gostado, devido ao meu notório pé-frio no departamento restaurantes de Fortaleza. Para meu alívio, o restaurante não apenas prosperou, como passou a funcionar sozinho, sem a deli. Em 2004 foi até escolhido pelo júri local da Veja Fortaleza como o restaurante do ano (e Fernando Barroso, o dono, como o chef do ano).

 

 

Então, fazendo um intervalo entre as (excelentes) dicas que vocês me passaram, voltei ao Alimenta para atualizar a ficha. Queria comer pouco (afinal, eu vinha de um feijão com nata no fim da tarde), mas já comecei pedindo pesado: uma dobradinha de entrada. (Gente. É a minha perversão. Eu simplesmente não resisto a dobradinha em restaurante chique. Principalmente se estou sozinho, e não tem ninguém na mesa para fazer careta.) Divina. Molho de tomate. Lascas de parmesão. Nham.

 

Equilibrei com um prato leve: um badejo (hoje eu vou no Sirigado, viu, Sandra?) assado com azeite e recoberto por cebolas, com uma saladinha verde. Muito bom – mesmo eu já estando completamente sem fome. Felizmente, a mousse de coco verde com calda de goiaba já tinha acabado, e eu posso dizer lá em casa que meu jantar foi quase diet.

Escrito por Ricardo Freire às 09h21
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A lua-de-mel da Bruna

Bruna, em retribuição a suas valiosíssimas dicas (adorei você ter gostado de ser a guia do guia), aí vai uma pousada não muito cara, mas bem apropriada a uma lua-de-mel em Jeri. Trata-se da Pousada Cabana – que, como o próprio nome diz, tem chalezinhos separados, que são uma raridade em Jericoacoara. Se você falar que vai em lua-de-mel, vão colocar vocês num chalé todo branquinho, e esperar vocês com flores sobre a cama. Outra bossa da pousada é uma sauna em que você mergulha numa piscininha e pode voltar à tona ao ar livre, no jardim.

 

Não sei quantos dias vocês vão passar por lá. Mas olha um roteirinho bacana para uma semana: cheguem, passem três ou quatro noites na Cabana. Daí se mudem para Tatajuba e passem uma ou duas noites na Pousada Santa Maria (peçam para o Miguel, o dono da pousada, arranjar o traslado). E terminem em grandissíssimo estilo, com uma ou duas noites na Vila Kalango...

(Em tempo: a Santa Maria é achado meu, sim: a pousada que está na última edição da Viagem & Turismo é outra, mais antiga.)



Escrito por Ricardo Freire às 09h13
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Expedição Pé-na-areia: 23º. dia

Quando: 1º. de outubro, sábado

Onde: Fortaleza (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: de dia num resortão, à noite num resortinho

Trilha sonora: BossaCucaNova (o último)

Fazer um guia anonimamente é...: pagar 60 paus para passar uma hora no Aquapark do Beach Park

Gourmet acidental: feijão com nata do Docentes & Decentes no Boteco; dobradinha no Alimenta Bistrô

DataCoco: R$ 1,50 (na Prainha)



Escrito por Ricardo Freire às 09h06
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Expedição Pé-na-areia: 22º. dia

Quando: 30 de setembro, sexta

Onde: Fortaleza (CE)

Tempo: ensolarado

Hospedagem: resortão

Trilha sonora: Bojo & Maria Alcina

Entra-e-sai: 4 mercados, uma rua de comércio e dois pequenos shoppings

Resisti: 24 horas sem sorvete!

Momento Turismo de Negócios: o impressionante Beco da Poeira (obrigado, Sarah)

Frustração: cheguei atrasado para ver o embarque das sacoleiras de Cabo Verde (elas chegam a levar 15 malas de muamba)

Gourmet acidental: peixe ao molho de coco e creme de leite na Tia Rita (obrigado, Érico)

Praia: o que é praia? vi esse trem não

DataCoco: R$ 2,80 (a jarra, na Picanha do Assis)

  

Com tripé, até eu!



Escrito por Ricardo Freire às 10h17
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Fotoblog: dia livre para compras

Os leitores da Viagem & Turismo escolheram Fortaleza como o melhor destino do Brasil para fazer compras, e é por isso que eu preciso dedicar uma certa ênfase a esse departamento. Cá entre nós, eu acho que o fator que desequilibra o jogo para o lado de Fortaleza é a proximidade da feirinha de artesanato – tudo o que você não comprou nas suas andanças de dia pode ser encontrado a cinco minutinhos do seu hotel, na feirinha da Beira-Mar.

Mas a Feirinha da Beira-Mar vai ser minha última escala, amanhã à noite. Antes dela eu quero percorrer todos os outros centros de compras de Fortaleza, para fazer uma comparaçãozinha. Vou ter que guardar o texto para a matéria da revista (esta é a pauta principal), mas vou legendar as fotos só para ver se você fica tão cansado quanto eu fiquei depois da maratona.

 

 

Peguei um táxi para o Beco da Poeira, dica quentíssima da Sarah que eu jamais teria descoberto sozinho. Delírio! Se Istambul tivesse um camelódromo, seria assim. Por aqui passam sacoleiros do Nordeste inteiro. Toalha de renda tá em falta, mas querendo calcinha de 1,20, é só chegar, freguesa!

 

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h10
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De lá fui pra feira da Emcetur, que funciona numa antiga penitenciária. Vi Dona Rosa fazendo renda de bilro e comprei uma toalha de bandeja para comparar preços por aí (ela me pediu R$ 10, eu não regateei.)

Próxima parada, o Mercado Central , que funciona num prédio que parece a Bienal de São Paulo, só que dentro de um ginásio de esportes. Tem artesanato, souvenir e roupa barata . Achei uma toalha do tamanho da de Dona Rosa pelo mesmo preço, mas a qualidade do algodão era nitidamente inferior.

 

 

Tinha deixado o Blogmóvel num estacionamento da avenida Monsenhor Tabosa“uma José Paulino melhorada” nas palavras da Ana. A rua é manjadíssima; por aqui passam turistas em busca de pechinchas para vestir. Eu gostei de uma loja que põe motivos brazucas em peças de artesanato local, e adorei a loja de cama, mesa, banho e roupa chique de criança da Ethel (uma mulher que já teve a mais deslumbrante loja de artesanato do Brasil, o Armazém da Ethel, que não existe mais).

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 10h10
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Segui então a dica do Érico, um cearense que lá do frio de Toronto me mandou experimentar o peixe inteiro da Tia Ritana Varjota.  Mas como eu estava sozinho, acabei pedindo o filezinho de peixe mesmo. Mas prometo passar a dica adiante, viu?

 

 

 

De sobremesa, dei uma passada na loja central da Ceart, uma central de artesanato com uma seleção belíssima. Tudo tem etiqueta, com preço quebradinho  (tipo: R$ 12,47), descrição dos materiais, nome do artesão, lugar onde trabalha. Ah, sim: e aceitam todos os cartões!

 

 

 

De lá fui para a Aldeota, onde existem dois shoppings de médio porte e dois shoppingzinhos abertos, que têm poucas lojas mas muito charme, o Aldeota Open Mall e o shopping Buganvília.

 

 

Saí correndo para pegar o check-in do vôo da Cabo Verde Airlines, para fotografar as sacoleiras e suas montanhas de malas. Mas cheguei atrasado :-(  Só me restou fazer o meu check-in, agora no resort do Beach Park.

 

À noite, depois de comer uma saladinha no buffet do Beach Park, este gaúcho que mora em São Paulo adorou a picanha do Assis (com baião-de-dois com nata, na dica do Thiago). E, antes de cair exausto na cama, ainda tive forças para ir ao Dragão fazer as fotos noturnas que faltavam – inclusive da Dejane, a ótima cantora do restaurante Dragão do Mar. (Desculpa, Bruna,, mas a Festa na Casa Alheia do Amici’s fica para a próxima visita...)

 



Escrito por Ricardo Freire às 10h04
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