Não-ficção

 

Como é que eu não pensei nisso antes?

 



Escrito por Ricardo Freire às 17h36
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Eu preciso ser o primeiro a dizer isso

Eu não poderia dizer isso agora. Primeiro, por uma questão de ordem cronológica. Eu ainda não falei de Sauípe e da Praia do Forte, por onde passei antes, e por isso não poderia falar de Salvador, para onde vim depois.

 

O segundo motivo pelo qual eu não deveria dizer isso agora é que o Kiko Nogueira, meu chefe na Viagem & Turismo, vai me matar.

 

Mas eu não posso esperar um ou dois meses para ver isso publicado. E, pensando bem, acho que a afirmação é irresponsável demais para sair na revista.

 

Então é melhor sair no blog, mesmo, você não acha? Valeu.

 

É o seguinte. Eu preciso corrigir uma notícia que já saiu em tudo quanto é lugar na imprensa. A notícia que saiu é mais ou menos essa:

 

Salvador acaba de ganhar um hotel sofisticado, de nível internacional, num prédio histórico: o Convento do Carmo.

 

Não é que a notícia esteja errada. Mas eu acho o gancho meio fraco. No meu modo de ver, a notícia deveria ser essa:

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 14h53
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O fim de uma era: o Copacabana Palace não é mais o hotel no. 1 do Brasil

Estou absolutamente passado com o Convento do Carmo. Quando eu visitei as obras, há uns três anos, num tempo em que a adminstração ainda estava prevista para ser do Sofitel (no final acabou indo para as Pousadas de Portugal, agora controladas pelo grupo Pestana), eu escrevi no Jornal da Tarde:

 

 

“No dia em que abrir as portas, ainda com cheiro de tinta e com os funcionários trombando uns nos outros pelos corredores, o Convento do Carmo já será nosso hotel mais espetacular”.

 

 

Senhores passageiros, só tenho duas coisas a acrescentar.

 

 

Uma: não tem cheiro de tinta. A outra: os funcionários não estão trombando pelos corredores.

 



Escrito por Ricardo Freire às 14h52
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Então chame, chame, chame, chame gente

Desculpa se, pra você, axé é só aquele monte de bunda domingo de tarde no Gugu, ou aquela música infeliz num volume idem numa caixa de som desregulada estragando a sua manhã na praia.

Mesmo sabendo que vou perder muitos pontos, eu preciso confessar que tenho uma quedinha por música baiana. E que, um pouquinho antes de sair de Sergipe, eu parei o carro e troquei o CD, para que pudesse atravessar a fronteira bem na hora em que o Armandinho cantasse –

 

Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia

 

Eu adoro isso.

 

 

Bunda music é a do Tchan. Com a Timbalada é peito music! (foto de 2001)



Escrito por Ricardo Freire às 13h34
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Mangue Seco: as dunas de Tieta (ou da Coelba?)*

Digamos que você tenha uma praia. Uma praia rústica e selvagem.

 

Uma praia rústica e selvagem cuja grande beleza sejam suas dunas. Dunas que ficaram famosas por aparecerem numa novela da Globo e num filme de razoável sucesso.

 

 

Digamos que as dunas são bem mais bonitas, e muito mais fotogênicas, do que a sua praia propriamente dita.

 

 

E digamos que o grande barato de ir até a sua praia é experimentar a sensação de estar num lugar muito primitivo mas, de alguma forma, famoso.

 

 

Vem cá: se você dependesse tanto da beleza das suas dunas selvagens e célebres para atrair turistas, você plantaria postes enormes de luz bem em cima delas?

 

Vocês não imaginam o trabalho que dá tirar foto da duna sem que apareça poste nem fio

 

 

* Coelba: Companhia de Eletricidade da Bahia



Escrito por Ricardo Freire às 23h02
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"A orla mais bonita do Brasil"

Não, não sou eu que estou dizendo. É o governo de Sergipe. Copiei a frase dos outdoors que anunciam as obras que deram uma nova cara à orla da Atalaia, em Aracaju.

 

Duas passarelas chiquérrimas facilitam a tarefa de atravessar a areia da avenida à região das barracas

 

Ah, o poder de um slogan. Você pega uma praia sem recorte, sem acidentes geográficos e sem mar azul, acrescenta melhorias (passarelas de madeira, barracas padronizadas, parques infantis) e pronto: transforma o seu patinho feio no cisne da “orla mais bonita” do Brasil.

 

As barracas estão moderninhas (sei não, mas eu acho que preferia as antigas)

 

A praia já tinha terminado na hora em que eu subi no mirante -- mas adorei a foto mesmo assim

 

Eu já tinha visto isso escrito em alguma matéria. “Aracaju, que sem dúvida tem a orla mais bonita do Brasil”... O pessoal adora copiar um release.

 

O Oceanário também fica no calçadão e abre às 2 da tarde (nos fins de semana, às 11 da manhã)

 

Eu fiquei com vontade de ser assaltado só para descobrir se o serviço era tão vistoso quanto a fachada...

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 22h56
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Marketing à parte, você vai ser mais feliz se escolher o canto esquerdo da praia, conhecido como Praia dos Artistas – ali a faixa de areia é mais estreita, as cadeiras são de madeira e as águas que descem do rio Sergipe podem tingir o mar de azul.

 

Praia dos Artistas: se dependesse de mim, todas as praias do Nordeste seriam reurbanizadas para ficar assim

 

Querendo mordomia, pegue o carro e rode 10 km pela rodovia José Sarney até o restaurante Parati, na praia do Retiro – uma das barracas de praia mais profissas do Nordeste (sem cacoete publicitário, juro).

 

O restaurante Parati, 10 km ao sul da Atalaia pela rodovia Sarney

 

Já a paisagem mais bonita fica 70 km ao sul da cidade. Você desce a Sarney até acabar, atravessa o rio Vaza-Barris de balsa e continua até o fim de uma península onde o rio Real deságua no mar. Ali fica a Praia do Saco, a mais fotogênica de Sergipe. Láááá longe, na outra margem do estuário, está Mangue Seco, na Bahia. A Praia do Saco pode não ter as dunas de sua vizinha da frente, mas na minha opinião o banho ali é muito melhor do que na terra de Tieta.

 

Praia do Saco: na margem sergipana do rio Real (fotos de 2002)

 

 

Se bem que nenhum mergulho em Sergipe será mais gostoso do que no cânion inundado do Xingó (230 km a noroeste de Aracaju), no rio São Francisco.

 

Gruta do Talhado, no lago do Xingó (foto de 2004)

 

Mas se você espalhar por aí que eu disse que o lugar mais procurado para mergulho, a Gruta do Talhado, fica na margem alagoana do rio, eu nego. Não fui eu não, meritíssimo!



Escrito por Ricardo Freire às 22h56
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DataCoco, edição extraordinária

Vai um pouco atrasado, mas fica aqui o registro: terça-feira passada, na orla da Atalaia, em Aracaju, tinha um quiosque vendendo coco a R$ 0,50 – récorde absoluto do DataCoco nesta expedição.

 

 

(Fique ligado. Ainda vem Aracaju por aí.)



Escrito por Ricardo Freire às 12h03
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Por que eu gosto de Maceió

Quer saber? Eu poderia morar em Maceió. Na minha opinião, Maceió tem a beira-mar mais bem cenografada do Nordeste: adoro ter aquele mar verdão sempre em quadro.

 

Ponta Verde, vista da Jatiúca

 

Para glutões como eu, Maceió é um oásis: nenhuma capital nordestina do seu porte sai do trivial com tanta propriedade. Se o seu médico proibir você de comer moqueca ou carne de sol, ainda assim você não vai passar trabalho para comer bem. É pelo parâmetro de praia + comida de Maceió que eu julgo as outras cidades deste tamanho, e acabo gostando menos do que eu poderia de Natal, João Pessoa e Aracaju.

 

Pajuçara (acima) e Ponta Verde (abaixo) são lindas, mas são só pra olhar: Pajuçara é oficialmente poluída, e o Henrique de Pindamonhangaba andou vendo esgotos desaguando em Ponta Verde

 

Só o que me incomoda em Maceió é o fato de, apesar de eu me sentir muito bem na cidade, eu não conseguir encontrar um pedacinho de areia para chamar de meu. A região tem praias bonitas de sobra, mas falta aquele lugarzinho bacana onde o astral esteja à altura da beleza. Para mim, o que chega mais perto é o canto direito da praia da Guaxuma, no Bar Brasil. É bacaninha, mas não é aquilo tudo.

 

Praia da Guaxuma, 8 km ao norte da Jatiúca

 

Mas eu não perco a esperança. Algum dia há de aparecer um bar de praia charmosinho em alguma praia do litoral norte. Você por acaso não conhece ninguém que tenha um terreninho à beira-mar em Ipioca?

 

Os city-tours não passam nesse trecho da Barra de São Miguel



Escrito por Ricardo Freire às 12h02
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Por que eu não gosto do Gunga

Talvez o problema balneário de Maceíó esteja no fato de um número excessivamente grande de praias ter sido tomado pela farofa organizada. E o caso mais exemplar é o da praia do Gunga.

 

 

Você não vai ler isso em nenhum outro lugar. Sempre sai alguma coisa sobre o Gunga, é para elogiar. Uma das praias mais bonitas do Brasil. Um paraíso. Um sei-quê, sei-quê-lá. Pois eu digo: a praia é linda, mas o lugar é um horror.

 

 

Para quem não prestou atenção nessa aula: o Gunga é um pontal localizado dentro de uma fazenda de coco, com duas praias virgens; uma de mar aberto e outra, calminha, na foz da lagoa do Retiro. Você pode chegar de barco, vindo da Barra de São Miguel, ou de carro, passando pela porteira da fazenda – se o porteiro for com a sua cara.

 

 

Não é barato chegar ao Gunga. Ou você compra um passeio, ou vai de táxi, ou pega uma lanchinha na Barra de São Miguel. Pois bem. Se eu fosse dono de uma praia fechada, em que as pessoas se dispusessem a gastar uma grana para chegar, eu cuidaria do visual de tudo o que eu construísse ou colocasse na praia. Eu capricharia no serviço. Eu daria um jeito de fazer as pessoas se sentirem numa praia virgem de Alagoas, e não num showroom de algum concorrente da Marfinite.

 

 

Eu sei: não dá para pedir uma filial da praia do Espelho em cada praia bonita. Mas dá, sim, para pedir ombrellones e espreguiçadeiras bacanas como as da Ponta Negra, em Natal. Ou o profissionalismo das barracas de Fortaleza.

 

 

O pior é que o sucesso do Gunga faz com que seu desleixo sirva de exemplo para todas as outras praias pega-turista de Maceió. Tsk tsk tsk. Antes de fazer aeroporto e centro de convenções, Alagoas tinha era que dar um jeito no Gunga. 

 

Pronto, falei. Sim, já estou melhor. Obrigado.



Escrito por Ricardo Freire às 12h01
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Expedição Pé-na-areia: 61º ao 63º. dias

Quando: 22, 23 e 24 de novembro, terça, quarta e quinta

Onde: Aracaju, Praia do Forte e Costa do Sauípe

Tempo: parcialmente nublado em Aracaju, nublado na Praia do Forte, chuvoso em Sauípe

Trilha sonora: We are the world of carnaval, uma coletânea de 5 CDs de axé (depois eu explico)

Hospedagem: hotel velhinho em Aracaju, resorts na Praia do Forte e em Sauípe

Gourmet acidental: talharim ao molho de goulash, no Fata Morgana, na Praia do Forte

DataCoco: R$ 0,50 a R$ 1 em Aracaju; R$ 1,50 na Praia do Forte; grátis no Breezes da Costa do Sauípe

 

Hora da sobremesa na vila da Praia do Forte

Escrito por Ricardo Freire às 12h01
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Breve aqui um... não posso dizer

Uma das minhas missões (autoimpostas, claro) no sul de Alagoas era conseguir entrar na praia da Pituba. Essa misteriosa praia, localizada dentro de uma fazenda do marido de Teresa Collor, deve abrigar o primeiro hotel brasileiro da mais charmosa rede de pequenos hotéis de luxo do mundo. Soube por fonte quentíssima – mas não posso revelar o nome da rede, sob pena de causar tantos estragos como uma bomba na capital da Jordânia. (Pronto. Chega de dar dica. Mais do que isso eu não posso falar.)

 

O problema de achar a praia da Pituba é que ela está protegida por uma reserva de mata atlântica, que por sua vez é escondida do mundo exterior por um interminável canavial. Minha idéia era pegar a primeira entradinha depois que terminasse o canavial e ir a pé pela areia. Comecei a fazer isso. Chegando perto da praia, para minha sorte, havia um caboclo consertando uma cerca. Aproveitei para confirmar se estava na direção certa.

 

 

- Amigo, ali é a praia da Pituba, é?

- É sim.

- Pra chegar lá tem que ir a pé, não é?

- Olhe. Tem uma entrada lá na estrada, em frente à usina.

- Ah, é?

- É. Teresa Collor tá fabricando um hotel, e a gente entra por lá.

 

Não parece diálogo de filme, em que os personagens precisam deixar o enredo bem claro para o espectador? Mas não inventei, não. O caboclo falou, sim, a frase “Teresa Collor tá fabricando um hotel”. O mundo virou, de fato, uma grande revista Caras. E além do mais, os meus espectadores já tinham essa informação há pelo menos dois parágrafos.

 

Peguei a entradinha do canavial em frente à usina. Ai que medo de me perder. Decidi que só iria em frente. Se não fosse fácil de achar a praia, tudo bem, eu já tinha feito algumas fotos de longe, com tele. Pois a estradinha do canavial ia reto (direção leste, praia) até esbarrar na reserva de mata atlântica. Ali ela virava à esquerda (direção norte, paralela a praia) e ladeava a mata, sem nenhum portão ou trilha que levasse à areia.

 

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 08h32
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Resolvi desistir. Dei meia volta, e quando estava de novo no meio da plantação, tive a idéia de parar para fazer uma foto. Foi quando eu vi, escondido numa esquina de duas vielinhas do canavial, aquilo que poderia ser uma placa. Sim, era uma placa. Indicava: Praias.

Uhuuuu! Cinco minutos depois eu estava na desertíssima praia da Pituba. Ou quase: havia dois casais na areia, e um nativo estava vindo a pé lá das bandas da Lagoa do Pau.

 

 

A praia é realmente uma jóia; ao longe vê-se um pontal com coqueiros, mas ao longo da praia a paisagem é de mata, como em Trancoso. O mar é verde, e deve ficar mais bonito no verão. A areia é branca e fina – fofa junto ao mato, batida perto d’água. Tudo muito lindo.

 

 

Pronto. Já posso dormir tranqüilo. Vocês não sabem o que é, para mim, ouvir esta fofoca (a do primeiro hotel brasileiro da mais charmosa rede de pequenos hotéis de luxo do mundo na praia da fazenda do marido de Teresa Collor) e não saber exatamente onde fica. Agora eu sei. Mas posso pedir um favor? Fica entre nós, tá bom?

Escrito por Ricardo Freire às 08h30
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Pit stop: Pontal de Coruripe

Parei para almoçar (catado de aratu no coco, com bastante coentro, nham). Descansei. Fiz umas fotos. Olhei a hora, e vi que pegaria a balsa de Penedo bem ao entardecer. Segui viagem. Ê vida besta.



Escrito por Ricardo Freire às 08h28
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Que trem é esse?

Deixe uma bóia namorar uma asa-delta, e depois de nove meses pode ser que nasça um ovnizinho que nem esse que eu avistei na Praia do Francês. Se queriam que eu arranjasse mais um motivo para não recomendar ir ao Francês, conseguiram...

 

 

 

 

(Calma. Ainda vem mais Maceió e sul de Alagoas por aí.)



Escrito por Ricardo Freire às 08h33
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Expedição Pé-na-areia: 60º. dia

Quando: 21 de novembro, segunda

Onde: de Maceió a Aracaju

Tempo: ensolarado

Trilha sonora: Aviões do Forró, de novo (ouvi no Francês; a música começava com o verso “Já reli todos os e-mails”)

Hospedagem: excelente hotel business

Gourmet acidental: beiju de tapioca na balsa de Penedo a Neópolis (R$ 0,50)

DataCoco: R$ 1,50 (no Francês e no Gunga)

 

Uma travessia perfeita:as águas verdes do São Francisco,  o entardecer iluminando Penedo, e o biju de tapioca que a minha avó sergipana levava na bolsa quando ia visitar a gente em Brasília

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h31
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Dia de decisão, 29 anos depois

Na primeira vez que Inter e Corinthians decidiram um Campeonato Nacional (é assim que se chamava), em 1976, eu saí de casa antes das 9. Ontem, também.

 

Em 1976 eu fui direto para o estádio. Ontem eu fui direto para o litoral norte de Maceió.

 

Fui a Sonho Verde e vi um golfinho!

 

Em 1976, às 9 da manhã, a fila já dava duas voltas no Beira-Rio, e eu fiquei parado pelo menos duas horas até abrirem os portões. Ontem não deu para ficar parado: fui a duas praias distantes, visitei uma pousada charmosíssima, tentei revisitar um resort (estava fechado para uma convenção da Coca-Cola), andei dois quilômetros pela areia para ver se a praia do resort continuava tão bacana quanto eu me lembrava.

 

A suíte 10 da pousada Casa Caiada, nos altos da praia de  Pratagi, tem jacuzzi na varanda

 

 

Em 1976, lá pelo meio-dia faltou água, refrigerante e picolé de limão no estádio (a cerveja durou um pouco mais, mas eu só tinha 13 anos). Ontem, lá pelo meio-dia eu parei para reabastecer num bar muito fuleiro da praia de Ipioca.

 

 

Ipióca é uma praia linda e  rústica, com pouquíssimos pontos de acesso

 

Naquele domingo de 1976 o Washington Olivetto e eu estivemos pela primeira vez num mesmo recinto (não, a gente nunca tinha ouvido falar um do outro). Ontem eu registrei uma microjogada de marketing divertida: o tal bar fuleiro em Ipioca era patrocinado, digamos assim, pela concorrência: a cachaça Sapupara.

 

“O seu bar em Ipioca” serve Sapupara!

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 08h38
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Em 1976, lá pela uma da tarde o Corpo de Bombeiros precisou esguichar água fresca nas arquibancadas. Ontem, lá pela uma da tarde eu estava no litoral sul de Maceió, mergulhando na Barra de São Miguel.

 

Barra de São Miguel: barracas no meio das casas dos bacanas

 

Em 1976, quando Dario fez o primeiro gol do Inter, eu já estava de pé desde antes do Valdomiro cobrar a falta. Ontem, eu tinha saído do carro em Marechal Deodoro para fotografar igreja quando o Tévez aproveitou a minha bobeada para marcar o gol do Corinthians.

 

 

Marechal Deodoro foi elevada a Patrimônio Nacional um dia desses

 

No início do segundo tempo, no entanto, eu já estava num restaurante de Massagüeira, em frente a uma TV, a postos para ver o lindo gol do Rafael Sóbis. E para perceber a indignação do restaurante inteiro com o pênalti não-marcado e a expulsão do Tinga.

 

Segui o exemplo do Sóbis, e fui bem discreto na comemoração

 

Paciência. Jogamos como o time grande que somos, mas fomos roubados como o time pequeno que temos sido nos últimos anos. Ainda vamos precisar jogar algumas temporadas como o velho Inter para voltar a impor respeito.

 

Mas... quer saber? Se esse fosse um blog de futebol, eu estaria triste. Mas como esse é um blog de viagem, eu continuo com motivos para comemorar.

 

RUMO A TÓQUIO, MACACADA!!!

 



Escrito por Ricardo Freire às 08h34
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Expedição Pé-na-areia: 58º. e 59º. dias

Quando: 19 e 20 de novembro, sábado e domingo

Onde: Maceió

Tempo: parcialmente nublado no sábado, embaçado no domingo (névoa, mormaço, ventinho esquisito)

Trilha sonora: Zeca Pagodinho num churrasco de bacanas na casa de praia ao lado da barraca onde eu estava na Barra de São Miguel

Hospedagem: hotel business básico e bom

Gourmet acidental: camarão empanado no coco com risoto no Canto da Boca

DataCoco: R$ 1 (em Ponta Verde, na Guaxuma e em Ipioca) e R$ 1,50 (em Barra de São Miguel)

 

Ponta Verde, na orla central de Maceió

Escrito por Ricardo Freire às 08h33
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Do meu currículo: Rota Ecológica, Alagoas

Vá-se embora pra Rota Ecológica: lá você é amigo do Ricardo Freire. Use o meu nome, e você será tratado como um rei. (Agora, um segredo: não use meu nome – e você vai ser tratado como um rei, igual.)

Praia de São Miguel dos Milagres

 

A Rota Ecológica é o maior hit da minha carreira de guieiro. Eu estou acostumado a receber e-mails muito bacanas de leitores que agradecem as indicações dali ou de acolá, que seguiram as dicas e deu tudo certo, que contam que não viajam mais para a praia sem consultar o site. Mas os e-mails específicos sobre a Rota não são só bacanas ou agradecidos: são derramados. Variações de “obrigado por me mostrar o caminho do paraíso” são recorrentes.

 

Pôr-do-sol em Porto da Rua (foto de Giovana Gregolin) e piscina natural do Toque

 

Agora eu sei como se sentem os críticos que descobrem cantoras ou apostam em autores antes dos outros. Aconteceu comigo e esse naco do litoral norte de Alagoas. E olha que curioso: foi pura sorte.

 

Tatuamunha (na foto) e Porto de Pedras conservam alguns casarões centenários

 

(Atenção. Vou repetir essa história pela milésima vez. Se você já leu, no guia, no site ou na Viagem & Turismo, pode pular uns parágrafos, que eu não fico chateado.)



Escrito por Ricardo Freire às 22h40
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Era abril de 2000 e eu estava em Maceió, ainda no início do campo do Freire’s. Como faço sempre que estou numa capital, comprei um jornal da cidade. Perdida no segundo caderno havia uma materinha de meia-página sobre uma pousada que tinha aberto num lugar do qual eu nunca tinha ouvido falar: São Miguel dos Milagres. Olhei no mapa e vi que eu ia passar em seguida por lá. Registrei em algum lugar do cérebro que era bom dar uma entradinha para conferir.

 

Rio Tatuamunha, que separa São Miguel dos Milagres de Porto de Pedras (fotos de Giovana Gregolin)

 

Quando passei pela região, chovia amazonicamente. A estrada era bem ruinzinha (o asfalto só seria refeito dali a uns dois anos) e eu estava tão compenetrado em desviar dos buracos que quase não vi a plaquinha discreta que indicava “Pousada do Toque”. Segui pela estradinha de terra, estacionei o carro, entrei na pousada. Achei  bonitinho. O avarandado que servia de restaurante tinha mesas e cadeiras com jeitão antigo, porém pintadas de cores vivas – verde-limão, azul-royal. Fazendo as vezes de armário de louça havia um roupeiro desses de casa de vó; achei divertido. Eu ia fuçar outras coisas, mas daí chegou um funcionário para dizer que naquele dia a pousada estava fechada, porque o dono tinha ido para Maceió. Como eu tinha gostado do astral, falei que voltaria no dia seguinte.

 

Fotos de 2000: barquinho na praia do Toque e a torre onde o Nilo escondia a caixa d'água na pousada

 

Acho que o dono se surpreendeu de eu ter voltado mesmo. O sol saiu, eu andei pela praia (a maré estava sequíssima durante o dia; devia ser uma lua cheia ou nova), li um pouco num dos quiosques do jardim, trabalhei no quarto. Eu já estava gostando de tudo, quando veio a hora do jantar. O dono me sugeriu um filé de arraia, eu topei. Ele então perguntou se eu não queria uma salada de entrada. Sim, eu queria – mesmo adivinhando que viria a salada nordestina típica, composta por cenoura cozida, xuxu cozido, ovo cozido, milho e ervilha de lata. Mas aí veio a salada – de rúcula com tomatinho cereja. CUMA? Não. Cê não tá inteindêindo. Rúcula, num lugar afastado do Nordeste, em 2000, era tão raro quanto, sei lá, caipirinha de saquê com lichia continua sendo, hoje. “Eu tenho uma horta orgânica lá em casa”, o dono explicou. E eu vi que tinha um pequeno furo de reportagem na mão. Praia deserta + pousada simpática + jantar incluído + rúcula orgânica por 80 reais para duas pessoas (ou 60 pilas para uma, que é o que eu estava pagando)? O Brasil precisava ficar sabendo disso.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 21h33
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Pousada do Toque modelo 2000: o restaurante e o quarto em que eu fiquei

 

Paraíso descoberto: São Miguel dos Milagres”, eu taquei no título da seção de viagem da Vip, chupando um título-clichê da imprensa de viagem anglo-americana, “Paradise found”. O texto começava mais ou menos assim: sabe aquela praia que só você conhece, onde tem a pousadinha do Fulano que você só indica para os amigos mais chegados? Pois a praia se chama São Miguel dos Milagres, o fulano atende por Nilo e o nome da pousadinha é Pousada do Toque.

 

Pousada do Toque modelo 2005: DVDteca com 1.000 títulos e a adega de taipa que a Gilda inventou

 

Ah, sim: os amigos mais chegados eram (e continuam sendo) os meus leitores. Quando o primeiro ligou – de Curitiba, acho – o Nilo achou que fosse trote. Como assim, artigo na Vip? Não, não passou nenhum repórter aqui. A não ser que... hmm, aquele gordinho esquisito que veio com laptop e ficou só uma noite. Sim, só pode ser. Aquele que elogiou a pousada, mas que reclamou que o pessoal da cozinha falava um pouco alto demais e sugeriu que trocassem a lâmpada do abajur do quarto, porque era branca. Pentelho!

 

Bangalô Toque-Toque: não, eu não podia imaginar o que o Nilo e a Gilda ainda iam aprontar

 

Eu poderia me gabar do meu olho clínico e dos meus poderes de profeta e dizer que naquela rúcula eu pressenti o que aconteceria nesses cinco anos com a Pousada do Toque. Só que eu estaria mentindo. Eu jamais poderia imaginar que aquela pousadinha alternativa que eu descobri em 2000 se tornasse um lugar cuja descrição contivesse expressões como “bangalô com piscina privativa”, “DVD em todos os quartos”, “fios de algodão egípcio” ou “suco de abacaxi com capim-santo”.

 

Se bem que luxuoso mesmo é o atendimento do J.R. 

 

A obra principal do Nilo e da Gilda, no entanto, não está dentro, mas fora da pousada. A Pousada do Toque influenciou o tipo de ocupação ao longo de toda a Rota Ecológica. Nos 40 km de costa entre São Miguel, Porto da Rua, Porto de Pedras e Japaratinga existem hoje pelo menos nove pousadas que oferecem conforto, charme, comida boa, serviço, simpatia, sossego – para todos os bolsos. 

 

 À esquerda, o Nilo e a Gilda; à direita, o Pablito (fotos da Giovana Gregolin)

 

Ou seja: descobri uma pousada, mas acabei ganhando uma região inteira para indicar. E indico toda vez que me pedem aquela dica quentíssima de uma praia bonita, fora do circuito, com infra e preço bom. Por mais que eu me sinta repetindo o disco, aos ouvidos de quem pergunta minha dica invariavelmente soa original.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h52
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A região continua escondida. O resort que um grupo canadense vai construir em Morro de Camaragibe ainda não saiu do papel (e mesmo quando sair, ficará contido entre o rio e a falésia). A ponte que o prefeito de Porto de Pedras, o notório Augusto Faria (irmão de PC) ameaçou construir também não foi adiante. (A ponte acabaria com a balsa para Japaratinga, que hoje é a única razão para que a estrada não seja usada como rota mais curta entre Maceió e o norte de Alagoas.) A região continua imune à farofa organizada dos “receptivos” – porque, graças aos céus, não existe nada aqui que seja mais bonito do que nos arredores de Maceió ou Maragogi.

 

Para ir ou voltar de Maragogi é preciso pegar a balsa do rio Manguaba

 

Passar pela Rota é sempre uma alegria. Não só pelos amigos que fiz por aqui. Mas porque toda vez constato as mesmas coisas: a paisagem continua igual, e as pousadas ficam ainda mais bacanas. Vou fazer um relato em ordem geográfica, do norte (10 km ao sul de Maragogi) ao sul (100 km ao norte de Maceió):

 

 

 

 

Na Pousada do Alto, obras de arte, vista e jantares à luz de velas

 

Passei para visitar o Leopoldinho na chiquérrima Pousada do Alto, em Japaratinga. Ele me mostrou as novas TVs grandes e os DVDs dos quartos superiores – mas só depois de me servir uma mousse de cupuaçu com duas caldas (de amora e de gengibre) quase tão inesquecível quanto a vista lá de cima.

 

Os quartos da Caiuia ficam deck-na-areia

 

Dei uma entradinha não-identificada na Estalagem Caiuia, à beira-mar em Japaratinga, e achei super-aconchegante. Falam ex-tre-ma-men-te bem da cozinha desta pousada, e faz sentido: a área social fica em torno de uma cozinha aberta, de onde saem coisas que não deveriam ser mostradas a guieiros anônimos e apressados com mais cinco pousadas a visitar na seqüência.

 

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h51
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A Costa das Pedras tem um quêzinho de Olinda

 

No centro histórico de Porto de Pedras fui conhecer a pousadinha que o André, sobrinho do Nilo (e que foi gerente da Pousada do Toque), abriu num casarão centenário: a Costa das Pedras. É uma gracinha – caprichadíssima e super em conta (a partir de 90 pilas).

 

 

A Aldeia Beijupirá é branquinha e fica na bela Praia do Lage (as fotos de cima são da Giovana Gregolin)  

 

Na Aldeia Beijupirá conversei com a Adriana e o Joaquim sobre a reurbanização do centro de Porto de Galinhas – foi quando fiquei sabendo que, com o alargamento da rua Beijupirá, talvez o Beijupirá tenha que sair do seu endereço atual. Pode? Eu acho que, num caso como esse, o nome da rua deveria se mudar junto com o restaurante!

 

 

A Um Milhão de Estrelas fica no meio de um coqueiral numa praia isolada

 

Um pouco adiante, na Um Milhão de Estrelas, a Zezé me reclamou que as pousadas de Porto de Pedras têm saído em matérias e guias como se ficassem em São Miguel dos Milagres. Nem é tão grave assim – são só 15 km de distância entre os dois povoados. Mas eu não tenho nada com isso, não: eu já chamo tudo de Rota Ecológica, mesmo, para simplificar.

 

 

Na Côté Sud, piscina nova, riacho nos fundos e quartos renovados

 

Quando passei na Côté Sud, em Porto da Rua, os donos não estavam. Mas gostei muitíssimo do que vi. Os quartos foram renovados, e a piscina me pareceu tão bonita quanto meus leitores tinham me dito. Aproveitei para tirar uma foto do riozinho que passa no fundo da pousada, que eu não tinha.

  

(Continua no post abaixo)



Escrito por Ricardo Freire às 20h51
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Na Amendoeira, chalés arejados (um deles tem ofurô no banheiro)

 

Fiquei muito feliz também de visitar o Alan na Pousada da Amendoeira (sem site; tel.: 82/3295-1213) e ver que, pronta, a pousada ficou ainda mais bacana do que eu imaginei quando estive na obra. Todas as pousadas aqui são sossegadas, mas a Amendoeira ficou zen.

 

 

Pousada do Caju: bons preços, decoração clean e toque francês

 

Só pude passar na Pousada do Caju (sem site; tel.: 82/3295-1103) no dia em que o Dudu e o Jérôme tinham ido ao Recife. Mas achei a cara deles aquele Le Monde novinho (nos cafundós de Alagoas um jornal de Paris com menos de um mês é novinho, não é?) na varanda do café da manhã.

 

Mas daí você pergunta. Cadê o anonimato, a imparcialidade, a ranhetice do guieiro implacável? Ops – ficaram em Maragogi, e só se reencontraram comigo quando eu passei por Barra de Santo Antônio. Na Rota Ecológica eu não tenho mais como ser o espião que eu era quando eu descobri o Toque.

 

No quiosque de massagem da Pousada do Toque

 

Mas fique tranqüilo, que eu não perdi totalmente a noção, não. Enquanto os agradecimentos continuarem a chegar, eu vou saber que esse pedacinho do litoral que eu ajudei a colocar no mapa continua muito, muito especial.

Escrito por Ricardo Freire às 20h50
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Um viajante prevenido...

Normalmente eu não levo trajes formais ou de gala quando saio para viajar. Mas sabe como é: a gente precisa estar prevenido. Vai que você é convidado para uma festa inesperada e não tem a roupa adequada para ir?